Cozinha portuguesa Volumes I, II, III

1978

TITLE: Cozinha portuguesa Volumes I, II, III

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AUTHOR: Maria Helena Tavares Crato

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 4ª Edição
Outras ed.:
2.ª ed. – imp. 1981. – vol. 2 e 3. – (C.G. 12547 V.).
3.ª ed. – imp. 1981. – vol. 1. – (C.G. 12547 V.).
4.ª ed. – imp. 1982–1983. – 3 vol. – (C.G. 12764 V.).
5.ª ed. – imp. 1983. – (C.G. 8418 P.).
6.ª ed. – imp. 1984. – (C.G. 13359 V.).
7.ª ed. – 1987. – (C.G. 14043 V.).
8.ª ed. – 1988. – (C.G. 14353 V.).

LOCAL: 

PUBLISHER: Editorial Presença

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

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FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO: Col. Habitat; 10, 18 e 21

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE:
SELO DE MAR
Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN C.G. 12006 V.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 176

OBSERVAÇÕES:

176
CRATO, Maria Helena Tavares
Cozinha portuguesa / Maria Helena Tavares Crato. — [1.ª ed.]. — Lisboa: Presença, imp. 1980. — 3 vol. — (Col. Habitat; 10, 18 e 21)
BN C.G. 12006 V.

6.ª ed. – imp. 1984.
SELO DE MAR

5.ª ed. – imp. 1983.
SELO DE MAR

5.ª ed. – imp. 1983.
SELO DE MAR

in
BiblioAlimentaria

1. Memória gastronómica

31. CRATO, Maria Helena Tavares, Cozinha portuguesa: I (1978)

32. CRATO, Maria Helena Tavares, Cozinha portuguesa: II (2.ª ed. 1981)

33. CRATO, Maria Helena Tavares, Cozinha portuguesa: III (2.ª ed. 1981)

Desde o título, à foto que ilustra a capa do vol. i (exibindo sopa de caldo verde, fatias de broa de milho, azeitonas e uma caneca de vinho tinto) e ao texto de apresentação impresso na contracapa (em que se declara estar o leitor perante “receitas genuinamente portuguesas”) que fica claro o desejo de explorar o potencial comercial da obra com base na sua dimensão identitária nacional. 

As contracapas dos vols. ii e iii, em que não há nenhumas palavras introdutórias, oferecem a pertinência de conter notas que apontam para o que se consideram as marcas distintivas das obras. Assim, no caso da 2.ª obra desta tríade, dedicada aos salgados, o destaque vai para a existência de uma rubrica que alia os cuidados com a economia doméstica às exigências do bom gosto dos pratos, provando que a sustentabilidade (aqui referente ao aproveitamento de sobras) não sacrifica a gastronomia, antes é uma sua aliada. Já na última obra, consagrada à doçaria, a tónica volta a ser colocada na cozinha tradicional portuguesa, destacando, logo ali, alguns dos doces que se consideravam seus ícones (Toucinho do Céu, D. Rodrigo, Lampreia de Ovos, Tigeladas e Farófias).

Para percebermos como o entendimento que a autora tem de genuinamente português difere do que possam ser os sentidos que hoje se lhe dariam de “inviolado” e de “autêntico” (ou seja um saber transmitido de geração em geração, desde um tempo passado que não conseguimos precisar), basta lermos a Introdução do vol. i (p. 8). 

Aí fica bem claro que as receitas apresentadas resultam de várias recolhas e cópias de receitas, cujas fontes primárias (orais e escritas) foram desde os cozinheiros dos restaurantes caros aos das mais características tabernas e das vendas solitárias à beira das estradas. Assim, um primeiro critério de “portugalidade” advém de os pratos serem servidos em estabelecimentos do território nacional. Claro que, como se verificará através do levantamento dos nomes de pratos mais sonantes dessa obra, aí encontram‑se efetivamente várias iguarias de filiação onomástica nacional, regional e local. 

Mas a grande novidade deste livro em relação a outros que se promoviam ao patamar de culinária nacional está em fundir com essa dimensão de memória coletiva a memória familiar e pessoal. Na verdade a autora enfatiza, nas explicações que dá nessa introdução sobre o seu método de elaboração do receituário publicado, a dívida que o mesmo tem para com as experiências culinárias que ela própria vivenciou no seu círculo familiar e de amigos. Assistimos ao recuperar de uma matriz fundacional dos mais antigos “livros” de receitas culinárias, que circularam em formato manuscrito e não impresso, a saber: a cozinha dos afetos. Assim, a um receituário de proveniência externa (fornecido por “informantes” ocasionais) junta‑se uma série de preparados herdados das grandes referências familiares em termos de arte culinária (as avós e a mãe) e das amigas ou conhecidas (identificadas pelo nome próprio). No entanto, a genuinidade de uma obra (seja ela de culinária ou de outra arte qualquer) só fica verdadeiramente evidenciada se o ‘Eu’ que a gera nela deixar a marca da sua intervenção. Foi, pois, esse desígnio de não descurar do nacional o mais genuinamente individual que levou Maria Helena Tavares Crato a integrar na obra pratos da sua autoria. 

Em termos gráficos, a obra destaca‑se de outras que a antecederam pelo recurso a fotografias, tanto de pratos como simplesmente de ingredientes (caso da rubrica “Ovos”, que abre com uma foto de uma cesta de ovos, p. 37). Talvez por estarmos ainda a dar os primeiros passos neste recurso iconográfico, deparamos com a não coincidência, na mesma página, da fotografia e da iguaria a que se reporta (por exemplo a foto de “Lulas de caldeirada” figura na p. 117, mas a receita aparece muito mais adiante, na p. 132)

Atentemos em alguns exemplos de “cozinha dos territórios”:

– nacional: Ovos Mexidos à Portuguesa, CP55‑I, 44; Bacalhau à Portuguesa, CP‑I, 118; Coelho à Antiga Portuguesa, CP‑II, 46; Bifanas á Portuguesa, CP‑II, 81; Cozido à Portuguesa, CP‑II, 106; Passarinhos à Portuguesa, CP‑II, 117; Rins de Porco à Portuguesa, CP‑II, 123

– regional: Sopa alentejana (Miga) – CP‑I, 14; Pimentão (à moda do Alentejo) – CP‑I, 78; Carapaus Alimados (Algarve), CP‑I, 126; Couves Galegas com Batatas Cozidas (Beira Baixa), CP‑II, 13;

– local: Sopa de feijão frade (Cebolais de Cima), CP‑I, 22; salmonetes à moda de Setúbal, CP‑I, 147; Pato com Arroz à moda de Braga, CP‑II, 71; Bolos Podres de Alcanena, CP‑III, 23; Bolo de Cascais, CP‑III, 44; Pão de Ló de Alfeizerão, CP‑III, 63 – nota ‑se que este bolo é um bom exemplo da coexistência das variantes territorial e afetiva, pois também se publicam, no mesmo vol. III, Pão de Ló da minha Irmã (ibidem) e Pão de Ló da Titina (p. 64);

Quanto à “cozinha dos afetos”, está registada para: Caril de Mariscos à moda da minha irmã, CP‑I, 65; Empadinhas da minha Avó, CP‑I, 84; Massa Folhada à moda da minha Mãe, CP‑I, 85; recheio do Papo do Peru (à moda da minha mãe), CP‑I, 97; Atum em lata de Caldeirada (à moda da minha irmã), CP‑I, 102; Bacalhau à Mamã, CP‑I, 112; Bacalhau à moda da tia Ernestina, CP‑I, 114; galinha Dourada (à moda da minha mãe), CP‑II, 13;65; pato com arroz (à moda da minha mãe), CP‑II, 70; Cachola Rica (à moda da avó Maria de Lurdes), CP‑II, 92; Leite Creme da Avó Zezinha, CP‑III, 87; Pãezinhos Finos (da minha Sogra) , CP‑III, 189; Xarope de Limão do Mano Zé, CP‑III, 198.

Também a “cozinha honorífica” não foi esquecida, homenageando amigos e/ou conhecidos: Sopa de carne (à moda da Lena) – CP‑I, 15; outras receitas à moda da Lena: Molho Branco, Molho de Tomate, Pescada com Ostras, Solha, Bacalhau d’Oiro CP‑I, 70, 76, 144, 152, 118.

Deparamos ainda com alguns exemplos de fusão das cozinhas dos territórios com a cozinha honorífica: Sopa da Pedra (à moda da Maria Alice – Benfica do Ribatejo), CP‑I, 28; Bacalhau à Coimbra (à moda da Leonete), CP‑I; Coelho Frito (à moda da D. Maria José – Guarda), CP‑II, 46.

Não estão igualmente ausentes dois exemplos de “cozinha de autora”: Lulas de Caldeirada (à minha moda), CP‑I, 132; Lulas Recheadas (à minha moda), CP‑I, 135.

55 Usamos CP como sigla do título Cozinha Portuguesa, seguido do número do respetivo volume em numeração romana e da página de publicação da receita em apreço.

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