EXPERIÊNCIAS

Garum entre o Passado e o Presente

Recriar sabores antigos para conhecer melhor
o nosso passado.

Um projecto de investigação, experimentação e
redescoberta do garum, através de receitas, métodos tradicionais.

Colaborações com as Ruínas Romanas de Tróia, Instituto Superior de Agronomia e a Investigadora Sally Grainger.

UM SABOR COM HISTÓRIA

O que é o Garum?

O Garum era um condimento liquido de peixe, muito apreciado no mundo romano, produzido através da fermentação de peixe com sal, e por vezes com outro ingredientes como vinho, ervas ou especiarias.

Amplamente utilizado na gastronomia romana, este condimento fermentado acrescentava intensidade, profundidade e complexidade aos alimentos, realçando os seus sabores naturais.

Durante a fermentação, as proteínas do pescado são gradualmente decompostas, libertando aminoácidos, como o glutamato, responsáveis pelo sabor umami. Este processo transforma ingredientes simples, como peixe e sal, num condimento de grande riqueza sensorial.

Nas nossas experiências procuramos testar diferentes receitas com o objectivo de compreender melhor os métodos de produção, os sabores e a diversidade do garum na época romana.

AS NOSSAS EXPERIÊNCIAS

Entre a história, a ciência e a experimentação.

2024

EXPERIÊNCIA 01 | RECEITAS ANTIGAS DO TRATADO AGRÍCOLA GREGO GEOPONICA

Em 2024, o Selo de Mar desenvolveu uma experiência de arqueologia experimental nas Ruínas Romanas de Tróia, em colaboração com Sally Grainger, Investigadora Associada em Estudos Clássicos, Universidade de Reading. Foi neste cenário, profundamente ligado à história do garum, que se procurou explorar diferentes possibilidades de produção deste antigo condimento.
Partindo da interpretação de fontes escritas da Antiguidade e de evidências arqueológicas, foram desenvolvidas seis formulações experimentais, utilizando sardinha, sal e diferentes proporções de água, salmoura e vinho.
O objectivo não foi reproduzir uma receita romana exacta, cuja composição permanece incerta, mas compreender como diferentes ingredientes e métodos de preparação poderiam influenciar o processo de fermentação e as características do produto final.
Cada formulação deu origem a um lote distinto, identificado individualmente e preservado como testemunho da experiência.

O lugar da experiência
As Ruínas Romanas de Tróia, um dos mais importantes centros de produção de Garum da época romana, foram o cenário escolhido para explorar novas interpretações do garum. O clima característico desta região constituiu um dos factores relevantes para observar como o ambiente pode influenciar a actividade enzimática a velocidade de fermentação e as características finais do garum.
Os ingredientes como variável
A partir de uma base comum de sardinha e sal, foram desenvolvidas seis formulações experimentais, explorando diferentes proporções e combinações de água, salmoura e vinho. Cada ingrediente introduziu uma variável no processo, permitindo investigar de que forma a concentração de sal, a disponibilidade de água e a acidez do vinho poderiam influenciar a actividade enzimática e microbiana, a transformação do pescado e o desenvolvimento de aromas e sabores distintos.
Entre a história e a experiência
Em colaboração com Sally Grainger, Investigadora Associada em Estudos Clássicos, procuramos estabelecer uma ligação entre o conhecimento histórico e a produção contemporânea de garum. A interpretação de fontes escritas antigas e de evidências arqueológicas serviu de ponto de partida para explorar possíveis métodos de preparação e fermentação utilizados no período romano.

2025

EXPERIÊNCIA 02 | AS TALHAS, A MATÉRIA COMO PARTE DA EXPERIÊNCIA

Em 2025, o Selo de Mar iniciou uma nova experiência dedicada à produção de garum em talhas de cerâmica revestidas com cera de pinheiro, explorando a relação entre os recipientes de fermentação, os ingredientes e os métodos de produção.

Inspirada na utilização histórica de recipientes cerâmicos, esta experiência procurou compreender de que forma a escolha do recipiente e pequenas alterações na composição das receitas poderiam influenciar o desenvolvimento da fermentação e as características do produto final.

Foram preparadas seis talhas, distribuídas por três formulações distintas: uma baseada na receita habitual do Selo de Mar e duas inspiradas numa das formulações anteriormente exploradas em Tróia, com e sem posterior adição de vinho.

A cerâmica como elemento central
A experiência desenvolvida em 2025 pelo Selo de Mar procurou explorar a utilização de talhas de cerâmica revestidas com resina de pinheiro como recipientes de fermentação do garum. Inspirada em práticas antigas de armazenamento e transformação de alimentos, esta abordagem permitiu investigar a relação entre o material do recipiente e o processo de fermentação.
Três receitas, seis talhas
Foram preparadas seis talhas, distribuídas por três formulações distintas: uma baseada na receita habitual do Selo de Mar e duas inspiradas na formulação D2, anteriormente explorada nas Ruínas Romanas de Tróia, com e sem posterior adição de vinho. A introdução do vinho constituiu uma das principais variáveis, procurando avaliar a sua possível influência na acidez, na actividade enzimática no desenvolvimento dos aromas e sabores do garum.
O conhecimento ancestral e a reinterpretação
A utilização de talhas de cerâmica estabeleceu uma ligação entre os materiais tradicionalmente associados à conservação e transporte de alimentos-as ânforas- que desempenhavam um papel fundamental no armazenamento e transporte de alimentos. Procuramos explorar o papel dos recipientes cerâmicos, dos seus revestimentos e das condições de fermentação na transformação do pescado.

2024 - 2026

EXPERIÊNCIA 03 | PROJECTO INSTITUTO SUPERIOR DE AGRONOMIA

Entre 2024 e 2026, o Selo de Mar desenvolveu, em parceria com o Instituto Superior de Agronomia (ISA), e com a Professora Anabela Raymundo e Catarina Prista, um projecto de investigação dedicado ao estudo dos processos bioquímicos envolvidos na fermentação do garum.

Ao longo da investigação, procurou-se compreender de que forma a fermentação transforma o pescado e influencia o desenvolvimento dos aromas, sabores e características do garum. Especial atenção foi dada à formação do umami, o quinto sabor, que confere a este condimento a sua intensidade, profundidade e complexidade características.

A ciência por detrás da fermentação
Ao longo de dois anos, procurou-se compreender como a fermentação transforma o pescado num condimento de elevada complexidade, dando especial atenção à influência do tempo neste processo. Este projecto de investigação procurou compreender de que forma diferentes períodos de fermentação podem influenciar esta transformação e a evolução do produto final.
A origem do umami
Um dos principais foi a compreensão dos processos responsáveis pelo desenvolvimento do umami, o quinto sabor. Durante a fermentação, as proteínas do pescado são gradualmente decompostas, libertando compostos que contribuem para a riqueza de sabor do produto final. Compreender esta transformação permite explorar a relação entre o tempo de fermentação, os ingredientes e o perfil sensorial do garum.
O conhecimento antigo à luz da ciência
A investigação com o ISA permitiu aproximar uma prática alimentar milenar dos métodos de investigação contemporâneos. Procuramos aprofundar o conhecimento sobre os processos naturais de fermentação, contribuindo para uma maior compreensão do garum e abrindo novas possibilidades para a sua produção e utilização na gastronomia contemporânea.
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