Thesouro de cosinha:
completo tratado de arte culinaria 1897
TITLE: Thesouro de cosinha:
SUB TITLE: completo tratado de arte culinaria
AUTHOR:
NOTAS DE AUTORIA:
PREFÁCIO: Araújo Costa
SUPORTE: Impresso
GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia
DATA DE PUBLICAÇÃO: 1897
DEPÓSITO LEGAL:
EDIÇÃO:
LOCAL: Porto
PUBLISHER: Tipografia Gandra
TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR:
ENCADERNAÇÃO:
FORMATO / DIMENSÕES:
NÚMERO DE PÁGINAS:
COLECÇÃO:
ISBN/ISSN:
COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).
REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998:
BN S.A. 28436 P.
NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 496
OBSERVAÇÕES:
Kitchen Treasure é, como uma parte considerável das obras culinárias portuguesas deste século, anónima. Tem, todavia, um prefácio assinado por Araújo Costa que, com as devidas reservas, poderá ser o compilador responsável (Thesouro, 1897, p. I–II), apesar de nada ter sido possível apurar sobre esta personagem. Neste texto introdutório é logo esclarecido que o volume foi “compilado dos melhores auctores e com o máximo cuidado”, esperando-se, por isso, que as 307 entradas e receitas registadas derivem de obras em circulação, facto que se confirma para três das fórmulas denominadas “á brazileira”: o “Pato assado com marmello, á brazileira” e o “Marreco com repolho, á brazileira” tratam-se de cópias integrais dos textos publicados em Novíssima Arte de Cozinha (Thesouro, 1897, p. 69 e p. 72), que, como explorado anteriormente, são adaptações de receitas do Cozinheiro Nacional.
Mais surpreendente é a inclusão de uma terceira receita, os “Filetes de linguado á brazileira” (Thesouro, 1897, p. 93), que não encontra referenciais na literatura culinária daquele país. Contudo, uma análise comparada da fórmula revela que a receita, de facto, não existe e que se trata de um erro editorial do compilador, que transcreve a receita de “Filetes de linguado, á veneziana” de Novíssima Arte de Cozinha (Novíssima, 1889, p. 181), atribuindo-lhe a denominação de “á brazileira”.
Um erro que parece poder esclarecer-se com a localização das receitas em questão em Novíssima Arte de Cozinha, que se sucedem uma à outra na mesma página e que um momento de distração poderá ter originado a troca. Troca que, apesar de pouco relevante, não deixa de ser sintomática do peculiar poder da edição de obras culinárias na atribuição de identidades alimentares inexistentes a receitas e que, eventualmente, poderiam ser replicadas em obras posteriores, acabando por se perpetuar na literatura culinária uma receita “brasileira” que, de facto, era “veneziana”.
in
João Pedro Gomes
“Receita Brazileira”: representações da culinária do Brasil nos receituários portugueses do século XIX