Certamente que a decoração dos pratos tinha de ser contemplada, já que, como volta a enfatizar a Autora na rubrica “Arte de bem apresentar os pratos” (pp. 21‑22), “A boa apresentação das travessas, não só estimula o apetite, como é agradável à vista e dá ao serviço a elegância indispensável” (p. 21). As três últimas secções dos “Conselhos práticos” incidem, por um lado, de novo em receitas (agora de “Manteigas compostas”), por outro, em formas de preparar e apresentar à mesa as “Entradas” ou “hors d’oeuvre” (primeiro as frias, pp. 24‑28, depois as quentes, pp. 28‑31). Estas indicações são tanto mais necessárias pois contêm numerosas especialidades de origem estrangeira, proveniência denunciada na nomenclatura e na necessidade da Autora em explicar, por exemplo, o que são mousses (categoria onde aparece a Geleia de “aspic”, p. 27), vol‑au‑vent (seja ele de linguado, lagosta ou camarão), as cassollettes de peixe, as bouchées, as croustades, o soufflé (que pode ser de salmão, de espinafres ou de foie gras) e os ravioli (de aves e presunto ou de ervilhas e fiambre). Aliás a presença de receitas de origem francesa é transformada em trunfo publicitário, como se pode constatar da promoção feita à obra de Alda de Azevedo na contracapa, por exemplo, nos livros de Clara T. Costa (cat. nº 28 e 29), onde se lê: “Contém as melhores receitas dos grandes autores da Cozinha Portuguesa e Francesa”.
O grosso da obra diz respeito ao receituário proposto para os 365 dias do ano (pp. 33‑397). Refira ‑se que a estrutura a que obedecem os menus diários é sempre a mesma, ou seja: almoço com dois pratos (o de peixe seguido do de carne), podendo vir discriminado um acompanhamento ou molho necessário a um deles 37; jantar de quatro pratos, invariavelmente sopa, prato de peixe, prato de carne e sobremesa doce.
Antes do índice final, Alda de Azevedo fornece um conjunto de receitas que não tiveram lugar no seu cardápio anual, mas que a boa dona de casa deve servir à sua mesa: desde bolachas, biscoitos e pãezinhos para o chá, a coberturas de doces e molhos de pudins, passando por xaropes, gelados e sorvetes, sem esquecer bebidas preparadas (sem ou com álcool, a saber: águas de frutas diversas – ananás, morangos, laranjadas, limonadas, etc. – cups e cocktails).