in Livraria Castro e Silva
ALBUQUERQUE. (Henrique Zeferino de) DICCIONARIO UNIVERSAL PORTUGUEZ.
“Henrique Zeferino de Albuquerque, Nasceu em Lisboa aos 12 de fevereiro de 1842, filho do acreditado livreiro Zeferino Ignacio Matheus. O sr. Henrique Zeferino não se descuidou de entregar se a estudos litterarios e industriaes, e procurou amplial os realisando uma demorada e instructiva viagem pela França. Animado com os fructos colhidos, e desejando ser util ao seu paiz, quiz desenvolver o ramo do commercio a que se dedicára, fundando varios periodicos e dando ao prelo algumas obras de merecimento, demonstrando assim que tambem era um editor consciencioso, esclarecido e emprehendedor.
Diccionario universal portuguez illustrado, etc. – Fundado em 1879, segundo o plano do Diccionario de Larousse, está em via de publicação. Foi no começo dirigido pelo sr. Francisco de Almeida, e depois pelo sr. Fernandes Costa. É a principal obra d’este editor, e póde se dizer colossal em o nosso paiz, no limitado mercado em que vivemos, apesar dos recursos que venham do Brazil; e a sua conclusão representará sacrificios enormes, contrariedades e difficuldades sem numero, só vencidas por uma vontade energica e inabalavel.
Da importancia d’ella tem fallado quasi toda a imprensa portugueza, e especialmente varios escriptores, em artigos assignados. Citemos, por exemplo, o sr. Camillo Castello Branco, que no Diario illustrado, n.º 3:522, de 26 de fevereiro de 1883, dizia do Diccionario universal o seguinte: «Não julgavamos sequer praticavel o tentamen de um diccionario em taes condições de collaboração esmerada e perfeição typographica. Parece que assistimos ao affoito emprehendimento de um editor francez enriquecido, contando a milhares os subscriptores attrahidos pela universalidade do idioma. Ha pouco, maravilhava nos a magnitude do Diccionario de Larousse; agora, n’este canto da Europa, nos apparece uma obra de analoga índole, com genuinas feições portuguezas, mas opulentada das vantagens que lhe deu o rodar de alguns annos já agora fecundos como os antigos seculos. A nossa individualidade historica, scientifica, linguistica, biographica e bibliographica nas encyclopedias francezas, é de tão pouca monta que apenas se faz reparavel pela negligencia, pelo desdem, pelos erros e até por injustiças. O Diccionario universal portuguez levanta, desenvolve e explana os assumptos nacionaes omissos nas grandes obras de ensinamento universal, e abre na banca do estudioso, paginas numerosas e compactas em todas as provincias do saber que possam interessar nos, completando as faculdades apenas e superficialmente adquiridas nos bancos escolares. Em cada artigo que consultâmos na letra A, comprehendida em dois formosos volumes em 4.º maximo, encontrâmos consubstanciada, n’uma condensação esclarecida, materia que a muito custo e com grande dispendio de tempo, livros e indagações, cumpria respigar em variados expositores. Vê se que preside e collabora n’esta afanosa e triumphante lida um erudito que tem a rara fortuna de não victimar á aridez da sciencia as elegancias da linguagem. Fernandes Costa exercita a probidade litteraria, conscienciosamente, com escrupuloso esmero desde as suas primeiras balbuciações no criticismo jornalistico até ao acume gravemente responsavel em que hoje o seu talento adulto e robustecido investiu com esta aspera tarefa excepcionalmente grandiosa.»” Segundo a GEPB (vol. I, pag752) este dicionário não se concluiu, ficando publicados apenas 4 volumes; 2 que se compõe a letra A, um da letra B, e outro da letra M. O seu editor e proprietário viu-se obrigado a suspender a sua publicação depois de lutar com as maiores contrariedades.