Olleboma
Culinária Portuguesa
TITLE: Olleboma
SUB TITLE: Culinária Portuguesa
AUTHOR: António Maria de Oliveira Belo
NOTAS DE AUTORIA:
PREFÁCIO:
SUPORTE: Impresso
GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia
DATA DE PUBLICAÇÃO:
DEPÓSITO LEGAL:
EDIÇÃO:
LOCAL: Lisbon
PUBLISHER: Assírio & Alvim
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ISBN/ISSN:
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SELO DE MAR
Biblioteca Nacional (de Portugal).
REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: S.A7. 8718 V.
NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 94
OBSERVAÇÕES:
PREÂMBULO
José Quitério
António Maria de Oliveira Bello nasceu em Lisboa, em 1872. Oriundo de família abastada ligada ao sector moageiro, licenciou-se no antigo Instituto Superior do Comércio e cedo abraçou a vida industrial e de negócios. Ao longo da sua existência desempenhou elevados cargos na área económica. A saber: delegado da indústria da moagem no Mercado Central de Produtos Agrícolas, membro do Conselho Superior da Marinha Mercante, membro do Conselho Superior Técnico Aduaneiro, director da Associação Comercial de Lisboa, director da Companhia Colonial de Navegação e director da Sociedade Portuguesa de Seguros. Neste âmbito colaborou assiduamente na imprensa e proferiu múltiplas conferências.
Como homem político, de cariz acentuadamente conservador, militou no Partido Regenerador Liberal de João Franco, de quem foi íntimo, tendo, como deputado, contribuído para a elaboração da lei de seguros e da lei dos trigos (1907). Abandonou a política a seguir ao regicídio e, sem renegar as suas convicções monárquicas, voltou ao Parlamento no tempo de Sidónio Pais (1918), como representante da Associação Comercial, altura em que fez parte do Conselho Superior Económico (com o industrial Alfredo da Silva, entre outros). Após o 28 de Maio de 1926, de acordo com a recordação dos descendentes, terá sido convidado para Ministro das Finanças, cargo que recusou e viria depois a ser ocupado por Oliveira Salazar.
Um outro campo, este científico, que mereceu o interesse de António Bello foi o da mineralogia. Reuniu uma importante colecção mineralógica de Portugal e colónias, e publicou trabalhos desta índole no Boletim da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, instituição de que chegou a ser presidente.
Em consequência duma queda ocorrida em 27/08/1935 na sua residência da Avenida da Liberdade, que lhe provocou fractura craniana, e de complicações subsequentes derivadas dum antraz e da sua condição de diabético, faleceu na casa de saúde de Benfica, em 24 de Outubro de 1935, pelas 13,30 horas, encontrando-se sepultado em jazigo de família no cemitério dos Prazeres.
Claro que tem que ser desenvolvido com mais detalhe o papel, importantíssimo e primordial, de Oliveira Bello como gastrónomo e gastrólogo, razão de ser deste preâmbulo e deste livro.
Comecemos pela sua obra escrita e impressa. De 1928 é o livro Culinária, assinado simplesmente Olleboma (Lisboa, Tip. da Empresa Diário de Notícias, 1928; XV + 749 p.). Esclareça-se desde já que o pseudónimo é um anagrama: lendo ao contrário, A corresponde a António, M a Maria, O a Oliveira e BELLO é explícito. O volume é um completíssimo tratado de cozinha, do melhor que até hoje se fez entre nós, sob influência gaulesa, ou, como o autor escreve no prefácio, «seguindo os ensinamentos da cozinha francesa, que é a mais perfeita, a mais artística e higiénica».
Já póstumo, possivelmente em 1936, surgiria o ora reeditado Culinária Portuguesa (Lisboa, edição do autor, Escola Tipográfica Oficinas de S. José, s/d; prólogo de Albino Forjaz de Sampaio; XVIII + 336 p.), que teve mais que uma reimpressão. E aqui estamos perante a primeira recolha sistemática do receituário português, o que bastaria para se ficar eternamente grato a António Bello, sem o qual estaria perdida grande parte do nosso património culinário, irremediavelmente.
Para além destas duas obras capitais, conheço mais quatro escritos do nosso autor. Em 1933, de 26 de Novembro a 1 de Dezembro, a Associação dos Olivicultores de Portugal promoveu a realização, em Lisboa, do XI Congresso Internacional de Oleicultura. Nas respectivas actas, publicadas em língua francesa (Actes du XIe Congrès International d’Oléiculture — Lisboa, Casa Portuguesa, 1933), lá se regista a comunicação de Oliveira Bello (pp. 148-156), L’huile d’olive dans l’art culinaire, uma apaixonada e fundamentada apologia da gordura-rainha.
Foi também dos primeiros que soube entrever e perspectivar o fenómeno do Turismo, tendo, de resto, sido membro fundador da Sociedade Propaganda de Portugal e integrado o Conselho de Turismo Internacional, do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Tendo em atenção que «a indústria do turismo é considerada hoje como a mais importante para o progresso e desenvolvimento da economia dos países que exploram com inteligência», que «a indústria hoteleira é a verdadeira base do turismo e o elemento fundamental da sua organização», e considerando o atraso nacional nesta matéria, elaborou uma informada e exaustiva tese intitulada Necessidade de criação de cursos hoteleiros, apresentada ao I Congresso da União Nacional, de Maio de 1934, publicada no volume V (pp. 306-417) dos Discursos, Teses e Comunicações do dito simpósio (Lisboa, Edição da União Nacional, 1935). Infelizmente haveria que se esperar ainda vinte e dois anos para a criação da primeira escola hoteleira do país.
Dentro da mesma linha, a de que «não pode haver bom turismo sem gastronomia perfeita», escreveu um artigo, «Gastronomia e Turismo», para o Almanaque Lello de 1935 (Porto, Livraria Lello). De muito maior fôlego a sua comunicação ao I Congresso Nacional do Turismo de 1935, A Culinária Portuguesa e o Turismo, trabalho que, por entretanto ter falecido, foi apresentado e lido pelo seu filho primogénito António.
Publicado em separata (I Congresso Nacional de Turismo, V Secção, Lisboa, 1936), iria constituir, conforme intenção do autor, o prefácio deste Culinária Portuguesa.