Noutra mesa, dispõem-se apenas as bebidas e os copos, não colocando nela qualquer flor, a fim de não estorvar os movimentos de quem vá servir-se, nem dar aso a que as pétalas caiam para dentro dos copos e das bebidas, o que é sempre desagradável.
De resto, podem dispor-se as flores, misturadas com verdura, por todo o lado, desde que não embaracem os movimentos das pessoas. Convém escolher flores cujo perfume não seja muito activo.
Ao organizar um «cocktail» a primeira medida a tomar é escolher a ementa e decidir o que se pode preparar em casa e o que há a encomendar, avaliando, aproximadamente, o que cada conviva consome e multiplicando essa qualidade pelo número de convidados. Dar-se-á a esse cálculo certa margem para contar com convidados imprevistos. Procede-se depois às encomendas de alimentos e flores, escolhendo as toalhas, guardanapos pequenos, louças e vidros que vão ser utilizados e agrupando os conjuntos mais harmónicos. Como num «cocktail» se utiliza vulgarmente pouca loiça, sòmente são de prever dificuldades no número de copos e chávenas de café, o que convém remediar a tempo. Não se devem usar chávenas, e especialmente copos, muito bons, pois é vulgar partirem-se vários; convém assim pôr ao serviço copos de fácil substituição.
Verifica-se se o frigorífico está bem limpo e carrega-se ao máximo para ter gelo em quantidade, retirando tudo o que não seja necessário.
Encomendam-se as bebidas, sodas, palhinhas, palitos, forminhas de papel, etc.
No dia anterior podem preparar-se as sanduíches e canapés, embrulhando depois as respectivas travessas em papel vegetal ou de estanho e pondo-lhes por cima uma toalha leve e humedecida para não deixar que o pão e os recheios sequem demasiado.
Sòmente devemos deixar para o próprio dia as sanduíches e canapés cujo recheio leve ovos cozidos ou mexidos, pois secam fàcilmente.
Preparam-se igualmente de véspera os recheios para os «bouchés», «choux» salgados, «petit-fours» e palitos; descascam-se as amêndoas e nozes; faz-se a massa folhada que também se deve guardar embrulhada em papel vegetal encerado, envolvido em pano húmido.
No próprio dia, logo de manhã cedo, dispõem-se as flores pela casa e continuam-se os preparativos de modo a ter tempo de tomar um banho, seguido de uma meia hora de repouso, durante a qual se esteja convenientemente abafada numa manta e com os pés um pouco mais altos que o resto do corpo.
Veste-se e arranja-se depois, por forma a estar pronta a tempo de passar uma última revista aos preparativos antes de receber os convidados com o seu melhor sorriso. Convém que a sua «toilette», embora cuidada, seja discreta, dando assim às suas convivas oportunidade de brilhar.
A sua missão mais delicada, como dona de casa, constitui em apresentar os convidados uns aos outros, procurando reunir no mesmo grupo os que tenham inte resses afins e permitir assim estabelecer, logo de início, uma conversa animada. Uma pequena alusão, uma deixa, quebra «o gelo» e dá ensejo ao encadear de animada troca de impressões.
A princípio, um pouco de música ajuda a animar o ambiente; no entanto, é preciso reduzir pouco a pouco o volume de som até fazê-lo desaparecer, à medida que o barulho das vozes aumenta.
Um último conselho: não olhe para o chão nem para as carpetes que, sem dúvida, vão ficar juncadas de palitos, forminhas de papel, pedacinhos de bolo, etc. Não acuda logo com panos e detergentes, quando alguém entornar qualquer coisa numa toalha ou no sofá. Tudo isso pode ser limpo no fim da festa e evita-se deste modo constranger os convidados desastrados. Se em tal conjuntura conseguir sorrir-se, será óptimo; se não, finja que não reparou…
Desta forma, creia, a sua recepção será um êxito.