Month: January 1925
1925 Doces e Cosinhados, Receitas Escolhidas por Isalita
- Post author By canthecan_bfmhxg
- Post date January 1, 1925
Doces e Cosinhados: Receitas Escolhidas por Isalita - 1925
TITLE: Doces e Cosinhados
SUB TITLE: : Receitas Escolhidas por Isalita
AUTHOR: Isalita
NOTAS DE AUTORIA: O livro ficou a dever-se à colaboração de duas amigas, que publicaram os seus conhecimentos culinários: Maria Isabel de Sousa Campos Henriques e Angela Carvajal y Pinto Leite Telles da Silva (Angelita). O nome «Isalita» resultou da abreviação de “Isabel” e “Angelita”.|
in O livro «Doces e Cozinhados» ou o «Isalita»
PREFÁCIO:
SUPORTE: Impresso
GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia
DATA DE PUBLICAÇÃO: 1925
DEPÓSITO LEGAL:
EDIÇÃO: 1st edition
LOCAL: Paris – Lisboa
PUBLISHER: Livrarias Aillaud e Bertrand
TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR:
ENCADERNAÇÃO: Capa dura
FORMATO / DIMENSÕES:
NÚMERO DE PÁGINAS:
COLECÇÃO:
ISBN/ISSN:
COLECÇÃO DE:
REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 2572 V.
NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 264
OBSERVAÇÕES: First edition in 1925, published by the Centro Tipográfico Colonial, followed by publication by Livrarias Aillaud and Bertrand, with no date or edition number (the 2nd edition must date from 1928 or earlier). The 4th edition, from 1935, was published by Livraria Bertrand, which continued to publish this work until 1951. Since then it has been published by Livraria Sá da Costa and is now in its 28th edition, which came out in 2006.
264
ISALITA, pseud.
Doces e cosinhados: receitas escolhidas / por Isalita. –
Lisboa: [s. n.], 1925 (Lisboa: Centro Tip. Colonial)
Isalita, pseud. de Maria Isabel Campos Henriques.
BN S.A. 2572 V.
S.A. 11700 V.
Outras ed.:
– 4.ª ed. – Lisboa: Bertrand, [s. d.] (S.A. 11341 P.)
– 5.ª ed. – [s. d.] (S.A. 12055 V.)
– 6.ª ed. – [s. d.] (S.A. 12493 V.)
– 9.ª ed. – [s. d.] (S.A. 13696 V.)
– 10.ª ed. – [s. d.] (S.A. 24435 V.)
– 11.ª ed. – [s. d.] (S.A. 25136 V.)
– 12.ª ed. – [s. d.] (S.A. 26068 V.)
– [Ed. das bodas de prata] (S.A. 26160 V.)
– 16.ª ed. – Lisboa: Sá da Costa, [D. L. 1952] (S.A. 26456 P.)
– 17.ª ed. – [D. L. 1957] (S.A. 27370 P.)
– 25.ª ed. – 1977 (S.A. 49928 V.)
TITLE: Doces e Cosinhados
SUB TITLE: : Receitas Escolhidas por Isalita
AUTHOR: Isalita
NOTAS DE AUTORIA: Feminino
PREFÁCIO:
SUPORTE: Impresso
GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia
DATA DE PUBLICAÇÃO: 195?
DEPÓSITO LEGAL:
EDIÇÃO: 6th edition
LOCAL: Lisbon
PUBLISHER: Livraria Bertrand
TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Imprensa Portugal-Brasil, Lisboa
ENCADERNAÇÃO: Capa dura
FORMATO / DIMENSÕES:
NÚMERO DE PÁGINAS:
COLECÇÃO:
ISBN/ISSN:
COLECÇÃO DE: SELO DE MAR
REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998:
OBSERVAÇÕES:
"If we move on to more general cookery books, then the first author was Isalita, with Doces e Cosinhados: Receitas Escolhidas, published in 1925 and with 25 editions until 1977. In the book, the author proposed daily menus for everyday lunches and dinners and more sumptuous meals, a list of hors-d'oeuvres and a wide range of recipes grouped into the following categories: soups, sauces, eggs, fish, starters, soufflés, meat, poultry and game, galantines, mousses, uses of roast meats and poultry, pasta, Italian pasta, potatoes, tomatoes, peppers, artichokes, asparagus, aubergines, carrots, cabbage, cauliflower, cucumbers, chayote, spinach, broad beans, peas, beans, lettuce, chestnuts, broccoli, turnips, rice, salads, jam, fruit jams, puddings, end-of-dinner sweets, soufflés, pasta (for sweets), tea jams, biscuits, tea breads and ice cream. As you can see, Isalita started with savoury dishes and ended with sweets, creating many subdivisions in vegetable-based preparations. Her important work inspired other books and was copied by lesser authors."
in Culinária no feminino: Os primeiros livros de receitas escritos por portuguesas. Isabel M. R. Mendes Drumond Braga
Quando se designa um livro pelo autor significa que o título do livro se tornou secundário devido à sua divulgação, e que basta essa referência para imediatamente ser reconhecido. Na área da culinária portuguesa isso aconteceu apenas com o “Oleboma”, apesar de este ter escrito dois títulos e com a “Isalita”.
Em qualquer um dos casos nem se trata do nome dos autores mas de pseudónimos que estes utilizaram jogando com as letras dos seus nomes. Ao primeiro voltarei com mais tempo, mas hoje falo da “Isalita” que foi o meu primeiro livro de culinária. Guardei-o religiosamente e ao longo da minha vida ofereci vários às minhas afilhadas e às filhas das minhas amigas que se interessavam por este tema.
Na realidade o título do livro é «Doces e Cozinhados» e mesmo quando a minha biblioteca começou a aumentar continuei a recorrer a ele inúmeras vezes. Vendo agora à distância é bem possível que a forma rápida como eu escrevo as receitas, directa e sem floreados, nem grandes explicações, tenha a ver com o modo como as receitas se apresentam na Isalita.
A primeira edição saiu em 1925 e foi publicada pelo Centro Tipográfico Colonial, a que se seguiu a publicação pelas Livrarias Aillaud e Bertrand, sem data ou número de edição (a 2ª edição deve datar de 1928 ou anterior). A 4ª edição, de 1935, já foi feita pela Livraria Bertrand, que manteve a publicação desta obra até 1951. A partir desta data foi a Livraria Sá da Costa que o passou a editar e vai agora na 28ª edição que saiu em 2006. Foi portanto um livro de sucesso e devo dizer que fiquei surpreendida ao descobrir que há 7 anos que não era publicado.
O livro ficou a dever-se à colaboração de duas amigas, que publicaram os seus conhecimentos culinários: Maria Isabel de Sousa Campos Henriques e Angela Carvajal y Pinto Leite Telles da Silva (Angelita). O nome «Isalita» resultou da abreviação de “Isabel” e “Angelita”.
Angelita, como era conhecida morreu em 1990 com 99 anos e era neta do Duque de Abrantes (Grande de Espanha) e filha de Manuel Carvajal Jimenes de Molina Giron [1] e de uma senhora de apelido Pinto Leite.
Maria Isabel era filha do engenheiro Álvaro de Sousa Rego que foi director geral dos Caminhos de Ferro e que faleceu em 1946[2]. Casou com o Eng. Artur de Campos Henriques que era chefe de divisão da C.P. Apesar da sociedade das duas amigas era Maria Isabel a responsável pela execução das receitas que eram experimentadas anteriormente na sua casa, como confirmou uma sua empregada doméstica Maria Augusta Velhuco em entrevista recentemente dada[3].
Seguindo o índice do livro vemos que começa por Explicações sobre alguns termos de Cozinha, seguem-se as receitas de “Hors d’Oeuvre”, Sopas, Molhos, Ovos, Peixes, Aspics, Entradas, Souflés, Carnes, Galantines e Mousses e vários capítulos dedicados aos legumes.
Na parte dos doces, após explicar os pontos de açúcar, dá várias receitas onde vamos encontrar os Doces de Fim de Jantar e os Doces para Chá, entre outros.
Termina com uma apresentação de Menus Diários com exemplos de sequências para almoço e para o jantar, seguida de Menus Escolhidos, onde nomeia ementas mais completas e sofisticadas para dias especiais.
Tenho uma dívida de gratidão para com “Isalita” que me ajudou a aprender a cozinhar de forma simples, tal como fez com milhares de portuguesas, que seguramente se identificam nas minhas palavras.
in O livro «Doces e Cozinhados» ou o «Isalita» Garfadas Online
in
BiblioAlimentaria
1. Memória gastronómica
O nome “Isalita” é um pseudónimo, resultante da junção das duas primeiras sílabas do nome “Isabel” com as duas últimas do nome “Angelita”. Esta foi a forma encontrada por duas amigas para (sem revelar as suas identidades 14, atitude contrária ao decoro exigido às senhoras que nos inícios do século xx se entregavam à atividade editorial, em particular a de teor culinário) publicarem, em 1925, uma obra que chegou à 28.ª ed. em 2006 (Editora: Sá da Costa) 15.
Este livro insere‑se na prática habitual de publicar receitas coligidas a partir de outras fontes, anónimas (podendo ser tanto escritas como orais). A obra tem uma dimensão “pedagógica” de formação do público, decorrente não apenas da simples apresentação de receitas, mas também de uma série de esclarecimentos sobre terminologia técnica (pex.: “Panar – Envolver qualquer elemento em ovo e pão ralado”, p. 3), quantidades recomendáveis por número de comensais (“Um peru grande assado serve para um jantar de 12 pessoas”, p. 5) e equivalências entre medidas e pesos caseiros e convencionais (do tipo: “1 colher de sopa de farinha rasa……..pesa 15 grs.”, p. 7). Esses ensinamentos estão reunidos nas três rubricas de abertura, precisamente intituladas “Explicação dos diferentes termos de cozinha”, “Alguns detalhes úteis” e “Noções sobre medidas e pesos”. Também os dois apartados finais da obra ilustram bem o propósito educativo e, mais ainda, facilitador da vida da dona de casa, uma vez que aí se apresentam duas sequências de 10 ementas cada (em pares de almoço e jantar), umas para o quotidiano (“Menus diários”) e outras para momentos festivos (“Menus escolhidos”). Veremos esta última prática impor‑se na política editorial do livro de Alda de Azevedo, Cozinheira ideal (cat. nº 27).
A obra contém um índice final, que se limita a elencar as receitas pela ordem que aparecem publicadas, sem qualquer cuidado alfabético. Ainda em termos de aspetos formais, destaque‑se a presença de ilustrações nos cabeçalhos da maioria das rubricas, algumas de nítida pincelada humorística e, no geral, passíveis de leitura socioideológica. Agrupamo‑las por temas tratados:
a) Na cozinha: neste grupo reunimos as representações dos agentes de preparação culinária (cozinheiro, cozinheira e ajudantes) e de serviço.
É interessante notar a diferenciação de género associada a serviços distintos, como é o caso das funções de “chefe” atribuídas ao homem, patentes nas seguintes ilustrações:
14 Trata‑se da portuguesa Maria Isabel de Sousa Campos Henriques e da espanhola Angela Carvajal y Pinto Leite Telles da Silva (conhecida entre amigos por “Angelita”). Por testemunho de Maria Augusta Velhuco, empregada de servir da casa de Maria Isabel Henriques, prestado em entrevista à revista Visão Gourmet, sabe‑se que a sociedade editorial entre as duas amigas foi sobretudo financeira (tendo permitido pagar os custos das placas de impressão do livro à editora Bertrand). Segundo essa fonte oral, quem escolheu as receitas e as experimentou em sua casa foi a patroa. Leia‑se: “Recordações de Isalita: As histórias da autora de Doces e cozinhados, contadas na primeira pessoa por quem a serviu”, Visão Gourmet Out/Inv 2012: 30‑32.
15 Num estudo de síntese, Isabel Drumond Braga aborda a produção editorial das mais importantes autoras portuguesas de livros de culinária no século XX. Veja‑se: “Culinária no feminino: os primeiros livros de receitas escritos por portuguesas”, Caderno Espaço Feminino 19. 1 (Jan/Jul 2008) 117‑141. Aí, das obras contidas neste catálogo, encontram‑se breves reflexões sobre Rosa Maria (p. 128), Isalita (pp. 126‑127), Clara T. Costa (pp. 128 ‑131), Berta Rosa Limpo (p. 131) e Libânia de Sousa Alves (p. 132).
(cabeçalho de “Explicação dos diferentes termos de cozinha”, p. 1)
(cabeçalho de “Mousses”, p. 139 e de “Doces de fim de jantar”, p. 215)
Resguardando da curiosidade alheia o segredo da sua arte, este par sugere um ambiente descontraído e de eventual jogo de sedução entre os serviçais de cozinha.
(cabeçalho de “Sorvetes”, p. 317)
A posição de observador, sentado, do trabalho feminino e de provador traduzem a superioridade das funções exercidas pelo homem na cozinha.
(cabeçalho de “Ovos”, p. 31)
Além da pincelada humorística da galinha a pôr diretamente o ovo para a frigideira, repare‑se que a função subalterna de executora cabe à mulher, sublinhada pelo uso de chapéu de “chefe” pelo cozinheiro que com ela contracena.
(cabeçalho de “Soufflés”, p. 87 e 235)
Bem humoradas são estas caricaturas dos empregados de cozinha, tão estufados quanto o soufflé que prepararam. A presença de uma colher de pau na mão do cozinheiro, qual bastão do poder, é mais um símbolo das suas funções de chefia.
(cabeçalho de “Menus”, p. 323)
A autoridade do cozinheiro não lhe advém apenas do chapéu com que cobre a cabeça, mas também da responsabilidade de comandar o serviço de refeições diárias, função aqui representada através da ilustração do registo escrito dessa programação semanal.
Sabemos bem que a senhora da casa tinha um papel importante na decisão da ementa a preparar, pelo que a vemos, também a ela, na cozinha, de livro em punho, ladeada do pessoal encarregue de preparar a refeição.
(cabeçalho de “Alguns detalhes úteis”, p. 5)
A separação de funções na cozinha de acordo com o género é um estereótipo que vemos reproduzido nas ilustrações do cozinheiro como matador e das mulheres como preparadoras dos doces de fruta e das massas.
(cabeçalho de “Carnes”, p. 91)
Repare‑se em nova pincelada humorística, com o cozinheiro a descobrir, em sinal de reverência, a cabeça perante as “vítimas” do seu instrumento “sacrificial”, a faca da matança.
É investido da sua função de “chefe” criador da arte de cozinhar, que deparamos com o cozinheiro, agora descobrindo a cabeça em reverência à sua senhora, a exibir o engenho da criação das mais sofisticadas iguarias, as “galantines” e os “aspics”, ambos pratos franceses com recurso à geleia (pp. 13 e 75).
A jocosidade da ilustração radica na emulação entre a aparência da senhora e a ave que encima o prato. Note‑se que o ingrediente principal da galantine tradicional era carne de aves, prática concordante com a decoração exibida no topo do preparado gelatinoso.
Assim como a mulher é a imagem de uma arte ancestralmente confiada ao seu género, a preparação dos cereais (nas formas mais comuns de pão e massas), também o homem desempenhava com muita frequência funções no serviço de mesa.
(cabeçalho de “Massas”, pp. 149 e 237)
Do frenesim que se apoderava de quem tem de levar à mesa uma série de iguarias, seguindo um protocolo pré‑estabelecido e sem descurar a prontidão esperada, é bom exemplo a seguinte vinheta:
(cabeçalho de “Molhos”, p. 21)
Na linha de humor que caracteriza o traço do ilustrador, repare‑se que a rubrica “Entradas” apresenta a imagem de um mordomo a dar entrada ao criado que transporta o tabuleiro com a refeição a ser servida na sala de jantar:
(cabeçalho de “Entradas”, p. 77)
b) À mesa: sob esta denominação agrupamos desenhos em que são representados os senhores da casa (homem, mulher e crianças) a comer ou a observarem a comida.
O estímulo que as iguarias provocam no comensal é literalmente representada pela figura masculina a salivar perante as travessas que lhe vão sendo apresentadas.
(cabeçalho de “Hors‑d’oeuvre”, p. 9)
O chá, como prática social que é das senhoras, inspirou no ilustrador dois momentos distintos. A observação do rigor com que a mesa se encontra preparada para tomar o chá e a degustação e o convívio com as amigas que a ocasião proporciona:
(cabeçalho de “Pães para chá”, p. 313)
(cabeçalho de “Doces para chá”, p. 261)
Os estereótipos de que se valeu o ilustrador para as rubricas seguintes não perderam ainda hoje atualidade. Ou seja, as crianças devem sempre comer sopa (porque estão a crescer e precisam de mais alimento e porque, no geral, é a forma mais fácil de as fazer consumir legumes e hortaliça).
(
(cabeçalho de “Sopas”, p. 11)
É interessante notar a representatividade de género e de variação etária, com um bebé sentado em cadeirinha própria.
Associação imediata em termos de preferências culinárias se estabelece, igualmente, entre crianças e guloseimas. Não estranhamos, por isso, as três vinhetas seguintes:
(cabeçalho de “Pudins”, p. 203)
(cabeçalho de “Bolos”, p. 239)
(cabeçalho de “Bolachas” e de “Biscoitos”, pp. 297 e 305)
Quanto ao receituário selecionado, é, em consonância com a cultura culinária da época e com publicações do género, maioritariamente estrangeiro. Verifica‑se um predomínio claro da culinária francesa, sem se descurar, no entanto, a presença de outras “cozinhas”, como as italiana, inglesa, espanhola, holandesa, russa, americana e turca. Ainda que tímida, a gastronomia nacionalista portuguesa aparece nas suas várias dimensões: territorial, afetiva e honorífica. Com o título de iguaria nacional (denominadas à portuguesa) surgem sete receitas, três de carne e quatro de acompanhamentos: tornedós (p. 98), lombo de vitela assado (p. 108), coelho (127), tomates (162), cenouras (168), couve (170) e feijão branco (p. 180). As regiões do território continental destacadas são apenas duas: o Minho (para a Lampreia do Minho, p. 66) e o Alentejo (para o Feijão branco alemtejano, p. 180). Já as referências a localidades ascendem a 10, das quais a maioria (8) são de pratos doces, predominância que pode ser lida como indício da centralidade da doçaria na gastronomia portuguesa. Regista‑se uma quase total diversidade de origens, à exceção de Coimbra, cidade que figura em duas iguarias doces: Pudim d’ovos á moda de Coimbra (p. 204) e Biscoitos de Coimbra (p. 308). Ainda nesta categoria de doces locais, repare‑se na presença de receitas que ainda hoje são comercializadas ou confecionadas com esses nomes, como os certificados Pasteis de Tentúgal (p. 272), os Biscoitos de Sintra (p. 305), os Biscoitos de Leça (p. 308), os Bolinhos de farinha de milho de Torres Novas (p. 286) 16 e os Bolos de nozes á moda de Bragança (p. 287)17. Acresce a estas receitas doces uma para a qual não encontrámos sobrevivência nas designações atuais: os Beijinhos de Mértola (p. 277). Os únicos pratos salgados que podemos incluir nesta categoria de cozinha dos territórios locais são as Sardinhas de Cascaes (p. 55) e as Costeletas de vitella de Portalegre (p. 107).
Destaque para quatro receitas de “culinária dos afetos”, todas atribuídas a familiares do sexo feminino, sinal evidente do papel da mulher na transmissão geracional dos saberes da cozinha: Sopa da avó (p. 16), Bifes da prima Henriqueta (p. 96), Bolo de nozes da Tia Virgínia (p. 243) e Palitos da Tia Amélia (p. 286). Quando deparamos com receitas exibindo um nome próprio (pessoa ou instituição), sem qualquer evidência de relação de parentesco com quem publica, catalogamos esse receituário de “culinária honorífica”, na medida em que são uma forma de homenagem. Nesta categoria incluem‑se sobretudo pratos com nomes de pessoas (Bacalhau Ermelinda, p. 66; Bifes Engracia, p. 96; Tornedos á Brigida, p. 96; Perdizes á Laurita, p. 132; Amanteigados Maria Thereza, p. 290; Bolachas da Custodia, 297; Bolachas da Joanna, p. 300), mas também duas atribuídas ao Convento de São Pedro de Alcântara, na ilha do Pico, Açores (Perdizes do convento de Alcantara, p. 130; Gallinholas do convento de Alcantara, p. 135).
Tal como sucede com outras obras publicadas durante a primeira metade do século xx, em que tanto o público‑leitor como as informantes das receitas viviam ou tinham ligações com o Brasil, o livro de Isalita apresenta um significativo receituário culturalmente conotado com a ex‑colónia sul ‑americana. Tanto a presença de ingredientes autóctones dessas paragens, como a referência expressa no título das receitas à expressão “à brasileira” ou ao adjetivo “brasileira(o)” são disso evidência. Assim sucede, pex., com as menções ao coco (consumido em fresco) 18, à tapioca 19, à farinha de pau 20 e ao caju 21, bem como com várias iguarias ditas nacionais (Frigideira á Brazileira, p. 61; Perú á Brazileira, p. 123; Brasileiras, p. 275; Pudim Brazileiro, p. 211; Biscoitos Brasileiros, p. 311).
Embora não possamos confirmar por outra via, a inusitada (quando comparada com outros livros de culinária do mesmo período) presença significativa de receitas de origem indiana aponta para uma proximidade das autoras com esse universo culinário. A longa presença de Portugal na Índia (1505‑1961), explica esta menção a pratos salgados e doces conotados com essa província ultramarina: Pescada á Indiana (p. 46), Rissoles á Indiana (p. 83), Figado de vitela á Indiana (p. 109), Vitella á Indiana (p. 111) e Bolo da India (p. 257).
(CS) Carmen Soares
16 Hoje apelidados de Bolinhos de milho de Torres Novas.
17 Hoje conhecidos por Bolos de nozes de Bragança e atribuídos à doçaria do Mosteiro de Santa Clara de Bragança.
18 Créme de côco (p. 216), Doce de côco (p. 224), Bolo de côco (p. 251), Cocada (p. 271) e Quindins (p. 295).
19 Pudim de tapioca (p. 209). Tapioca é a fécula extraída da mandioca.
20 Bacon com farinha de pau (p. 61) e Pudim de farinha de pau (p. 211). Farinha de pau é o nome dado pelos portugueses à farinha de mandioca, uma vez que o tubérculo parecia pau.
21 Cajusinhos (p. 295).
The Art of Eating Well
1925
TITLE: The Art of Eating Well
SUB TITLE:
AUTHOR: Alinanda (Pseudónimo)
NOTAS DE AUTORIA: Aurora Jardim
PREFÁCIO:
SUPORTE: Impresso
GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia
DATA DE PUBLICAÇÃO:
DEPÓSITO LEGAL:
EDIÇÃO:
LOCAL:
PUBLISHER:
TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Impresso Tipografia Domingos d´Oliveira.
ENCADERNAÇÃO: Encadernação cartonada.
FORMATO / DIMENSÕES: 26×19 cm.
NÚMERO DE PÁGINAS:
COLECÇÃO:
ISBN/ISSN:
COLECÇÃO DE:
SELO DE MAR
José Quitério
REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998:
NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 977
OBSERVAÇÕES:
977
ALINANDA
Arte de bem comer / Alinanda. — Porto : Tip. e Enc. Domingos d’Oliveira, 1929
Por seu lado, em 1929, Alinanda ficou conhecida pela Arte de Bem Comer, com toque francês, desenhos para facilitar determinadas preparações e fotografias a preto e branco de alguns pratos já preparados. Alinanda terá inspirado, anos depois, o texto de Auronanda, uma obra um pouco mais sofisticada.
Nos anos 50, destaque para Auronanda com a Arte de bem Saborear, saída dos prelos em 1952, um volumoso livro que faz lembrar o de Alinanda e o de Berta Rosa Limpo e em cujo prefácio se alude à importância da culinária para agradar ao marido. A obra refere a preparação dos alimentos e o material de cozinha e de limpeza, incluiu o desenho de diversos objectos para preparar os alimentos, de um glossário, onde aparecem termos portugueses e franceses (como por exemplo chifonnade, ciseler, glacer…), uma tabela de equivalência de pesos e medidas e muitas receitas de carácter internacional, a par de estampas coloridas de pratos preparados.
Tal como nos manuais de economia doméstica, nos livros de receitas também se perfilam duas grandes linhas: as obras sofisticadas, com referências à culinária internacional, mormente à francesa e, secundariamente, à italiana, e as obras mais populares. Entre as primeiras refiram-se as de Alinanda, Berta Rosa Limpo e Auronanda, pois todas as restantes visaram um público mais modesto, mas desejoso de aprender a cozinhar e a poupar, a bem do equilíbrio do orçamento familiar. Note-se que um autor, que comungava destes ideais e escreveu obras afins às referidas, Manuel da Mata, assinou os seus livros como Febrónia Mimoso, eventualmente para chegar mais facilmente às donas de casa.
In Culinária no feminino: os primeiros livros de receitas escritos por portuguesas
Isabel M. R. Mendes Drumond Braga
Alinanda é o pseudónimo de Aurora Fernandes Jardim Aranha e Alice David Moutinho que usaram para a publicação do livro Arte de Bem Comer, publicado por Tip. E Enc. Domingos d’Oliveira no Porto, em 1929. Não se conhece uma segunda edição. É um livro extenso, 578 páginas, com índice bem organizado, e apenas algumas receitas tem indicação da sua origem, região ou nacionalidade, e é dirigido “às boas donas de casa para quem o maior prazer consiste em vêr feliz toda a sua família”. Termina o texto introdutório: «A mulher que quiser ser amada pelo marido deve tornar-se indispensável ao seu paladar», outros tempos! Na revista ILUSTRAÇÃO de 16 de Fevereiro de 1929 foi publicado o seguinte: “No salão de «Voga», exporá ALINANDA o livro “Arte de Bem Comer”, uma maravilha num «stand» maravilhoso de pitoresco». O livro contém fotos a preto e branco, desenhos para melhor entendimento das receitas e umas extraordinárias ilustrações, ao que parece serem xilo ou lino gravuras.
O livro apresenta um grande conjunto de receitas e regras para organizar, em casa, a cozinha e suas dependências. Mas, para mim, o mais curioso são as receitas manuscritas das proprietárias do livro. Fiquei sempre fascinado com as receitas manuscritas, e neste caso aparecem três caligrafias diferentes. Tenho comprado alguns cadernos de receitas que aparecem em venda, para poder observar o “estilo” de gosto ou paladar.
https://www.virgiliogomes.com/index.php/cronicas/1185-alinanda-e-pasteis-de-nata
revista ILUSTRAÇÃO de 16 de Fevereiro de 1929: “No salão de «Voga», exporá ALINANDA o livro “Arte de Bem Comer”, uma maravilha num «stand» maravilhoso de pitoresco».
1925 em maneiras de cozinhar carne de porco
- Post author By canthecan_bfmhxg
- Post date January 1, 1925
Cem maneiras de cozinhar carne de porco
Biblioteca culinária 9
TITLE: Cem maneiras de cozinhar carne de porco
SUB TITLE: VOLUME IX
AUTHOR: Febrónia Mimoso
NOTAS DE AUTORIA: Pseudónimo literário
PREFÁCIO:
SUPORTE: Impresso
GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia em série
DATA DE PUBLICAÇÃO: 1929 ?
DEPÓSITO LEGAL:
EDIÇÃO: 1ª edição ?
LOCAL: Porto
PUBLISHER: Casa editora de A. Figueirinhas.
TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR:
ENCADERNAÇÃO: Brochado
FORMATO / DIMENSÕES: 17×12 cm.
NÚMERO DE PÁGINAS: 56 págs.
COLECÇÃO: Biblioteca culinária
ISBN/ISSN:
COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).
REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.S: 25273 P.
S.A. 19913 P.
NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”:
OBSERVAÇÕES:
1925 Cem maneiras de fazer pudins
- Post author By canthecan_bfmhxg
- Post date January 1, 1925
Cem maneiras de fazer pudins
Biblioteca culinária 7
TITLE: Cem maneiras de fazer pudins
SUB TITLE: VOLUME VII
AUTHOR: Febrónia Mimoso
NOTAS DE AUTORIA: Pseudónimo literário
PREFÁCIO:
SUPORTE: Impresso
GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia em série
DATA DE PUBLICAÇÃO: 1925
DEPÓSITO LEGAL:
EDIÇÃO: 1st edition
LOCAL: Porto
PUBLISHER:Livraria Civilização – Editora
TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR:
ENCADERNAÇÃO: Brochado
FORMATO / DIMENSÕES: 17×12 cm.
NÚMERO DE PÁGINAS: 56 págs.
COLECÇÃO: Biblioteca culinária
ISBN/ISSN:
COLECÇÃO DE:
SELO DE MAR
Biblioteca Nacional (de Portugal).
REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 19140 P.
OBSERVAÇÕES:
1925 Cem maneiras de cozinhar peixes
- Post author By canthecan_bfmhxg
- Post date January 1, 1925
Cem maneiras de cozinhar peixes
Biblioteca culinária 6
TITLE: Cem maneiras de cozinhar peixes
SUB TITLE: VOLUME VI
AUTHOR: Febrónia Mimoso
NOTAS DE AUTORIA: Pseudónimo literário
PREFÁCIO:
SUPORTE: Impresso
GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia em série
DATA DE PUBLICAÇÃO: 1925
DEPÓSITO LEGAL:
EDIÇÃO: 1st edition
LOCAL: Porto
PUBLISHER: Tipografia Civilização. Porto.
TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Tipografia Civilização. Porto.
ENCADERNAÇÃO: Brochado
FORMATO / DIMENSÕES: 17×12 cm.
NÚMERO DE PÁGINAS: 56 págs.
COLECÇÃO: Biblioteca culinária
ISBN/ISSN:
COLECÇÃO DE:
SELO DE MAR
Biblioteca Nacional (de Portugal).
REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 19140 P.
S.A. 21731 P.
OBSERVAÇÕES:
1925 Cem maneiras de cozinhar de fazer doces de frutas
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- Post date January 1, 1925
Cem maneiras de cozinhar de fazer doces de frutas
Biblioteca culinária 5
TITLE: Cem maneiras de cozinhar de fazer doces de frutas
SUB TITLE: VOLUME V
AUTHOR: Febrónia Mimoso
NOTAS DE AUTORIA: Pseudónimo literário
PREFÁCIO:
SUPORTE: Impresso
GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia em série
DATA DE PUBLICAÇÃO: 1925
DEPÓSITO LEGAL:
EDIÇÃO: 1st edition
LOCAL: Porto
PUBLISHER: Livraria Civilização
TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR:
ENCADERNAÇÃO: Brochado
FORMATO / DIMENSÕES: 17×12 cm.
NÚMERO DE PÁGINAS: 56 págs.
COLECÇÃO: Biblioteca culinária
ISBN/ISSN:
COLECÇÃO DE:
SELO DE MAR
Biblioteca Nacional (de Portugal).
REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 19140 P.
OBSERVAÇÕES:
1925 Cem maneiras de cozinhar carne
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- Post date January 1, 1925
Cem maneiras de cozinhar carne
Biblioteca culinária 4
TITLE: Cem maneiras de cozinhar carne
SUB TITLE: VOLUME IV
AUTHOR: Febrónia Mimoso
NOTAS DE AUTORIA: Pseudónimo literário
PREFÁCIO:
SUPORTE: Impresso
GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia em série
DATA DE PUBLICAÇÃO: 1925
DEPÓSITO LEGAL:
EDIÇÃO: 1st edition
LOCAL: Porto
PUBLISHER:Livraria Civilização – Editora
TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR:
ENCADERNAÇÃO: Brochado
FORMATO / DIMENSÕES: 17×12 cm.
NÚMERO DE PÁGINAS: 56 págs.
COLECÇÃO: Biblioteca culinária 4
ISBN/ISSN:
COLECÇÃO DE:
SELO DE MAR
Biblioteca Nacional (de Portugal).
REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 19140 P.
S.A. 21731 P.
NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 354
OBSERVAÇÕES:
354
MIMOSO, Febrónia
Cem maneiras de cozinhar carne / Febrónia Mimoso. – 2.ª ed. –
Porto: Livr. Civilização, 1925. – (Biblioteca Culinária; 4)
BN S.A. 19140 P.
S.A. 21731 P.
1925 Cem maneiras de fazer doces de prato
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- Post date January 1, 1925
Cem maneiras de fazer doces de prato
Biblioteca culinária 3
TITLE: Cem maneiras de fazer doces de prato
SUB TITLE: VOLUME III
AUTHOR: Febrónia Mimoso
NOTAS DE AUTORIA: Pseudónimo literário
PREFÁCIO:
SUPORTE: Impresso
GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia em série
DATA DE PUBLICAÇÃO: 1925
DEPÓSITO LEGAL:
EDIÇÃO: 1st edition
LOCAL: Porto
PUBLISHER: Livraria Civilização – Editora
TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR:
ENCADERNAÇÃO: Brochado
FORMATO / DIMENSÕES: 17×12 cm.
NÚMERO DE PÁGINAS: 56 págs.
COLECÇÃO: Biblioteca culinária
ISBN/ISSN:
COLECÇÃO DE:
SELO DE MAR
Biblioteca Nacional (de Portugal).
REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 19140 P.
OBSERVAÇÕES:
192? Cem maneiras de fazer doces para chá
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- Post date January 1, 1925
Cem maneiras de fazer doces para chá
Biblioteca culinária 2
TITLE: Cem maneiras de fazer doces para chá
SUB TITLE: VOLUME II
AUTHOR: Febrónia Mimoso
NOTAS DE AUTORIA: Pseudónimo literário
PREFÁCIO:
SUPORTE: Impresso
GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia em série
DATA DE PUBLICAÇÃO: 1925?
DEPÓSITO LEGAL:
EDIÇÃO: 1ª edição ?
LOCAL: Porto
PUBLISHER: Livraria Civilização – Editora
TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR:
ENCADERNAÇÃO: Brochado
FORMATO / DIMENSÕES: 17×12 cm.
NÚMERO DE PÁGINAS: 56 págs.
COLECÇÃO: Biblioteca culinária
ISBN/ISSN:
COLECÇÃO DE:
SELO DE MAR
Biblioteca Nacional (de Portugal).
REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 19140 P.
S.A. 19896 P.
TR. 5501
OBSERVAÇÕES: