Membros da Sociedade Portuguesa de Gastronomia
A Sociedade de Gastronomia divide-se nas seguintes comissões técnicas de estudo: Bibliografia e História da Culinária e Gastronomia; Vinhos; Peixes e Carnes (frescas e em conserva); Lacticínios; Doces; Cozinha regional; Azeites e gorduras alimentares; A Culinária no turismo; Higiene alimentar; Contrafacções e fraudes alimentares; Propaganda e orientação; Cafés, Cacaos, Chocolate e outros produtos alimentares coloniais; Escolas de culinária; Cozinhas e organização doméstica.
São seus sócios, entre outros: os professores da Faculdade de Medicina de Lisboa e os médicos Drs. Azevedo Neves, Dr. Carlos de Melo (falecido), Dr. Aleu Saldanha, Dr. Carlos Larroudé, Dr. Alvaro Lapa, Dr. Borges de Sousa, Dr. Ernesto Roma, Dr. Rafael da Cunha Franco, Dr. Fernando da Costa Cabral, Dr. Roberto d’Almeida; os professores da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra Drs. Fezas Vital e Dr. Mário de Figueiredo; os professores da Faculdade Técnica Drs. Luiz Cincinato da Costa e Dr. Tavares da Silva; os advogados Drs. Bustorff Silva, Dr. Mário Pinheiro Chagas e Dr. Rangel de Sampaio; os engenheiros Carlos Alves e José Duarte Ferreira; o mestre d’armas Carlos Gonçalves; os condes de Penha Garcia e de Vinhó e Almedina; o Dr. Cândido de Sotto Maior, Dr. Francisco Machado, Francisco Meira, João Sequeira Nunes, Dr. António Soares Franco, Eduardo Buzaglo, Ermette Pires, Fortunato Abecassis, Guilherme Cardim, e Joaquim Nunes Freire, Alvaro de Lacerda, Dr. Mário Gusmão Madeira, Diogo Joaquim de Matos, Jaime Verde, Fausto de Figueiredo, Dr. Eduardo Burnay, Pedro Bordalo Pinheiro, Fidelino de Figueiredo, Carlos Nunes Teixeira e Albino Forjaz de Sampaio.
Inaugurou-se a Sociedade reunindo-se num almoço em casa do Dr. Bustorff, no Pátio do Pimenta, e teve a sua última reunião em vida do seu dedicado presidente numa ceia no Hotel Aviz, a que assistiu o meu velho amigo e ilustre professor da Faculdade de Direito, embaixador de Portugal no Rio de Janeiro, Dr. Martinho Nobre de Melo. — 16 de Janeiro de 1933 — 17 de Agosto de 1935. Em todos estes banquetes o génio culinário de António Bello exercia uma acção preponderante. Ele organizava a ementa, trabalho ingrato e difícil que exige conhecimentos profundos e gosto de eleição. Era ele quem adquiria os géneros de primeira qualidade; quem guiava os cozinheiros, vigiava pela execução, pela apresentação, pelo serviço. Ele soube criar e dar vida a uma linda cousa. Durante dois anos ele e os seus amigos gastrónomos reuniram sucessivamente no Pátio do Pimenta, em Azeitão, no Palace do Estoril, a bordo da fragata ribeirinha Afonso d’Albuquerque, na Penha Longa, no Hotel Aviz, no Grémio do Minho, na Peninha, em casa do Dr. Rangel de Sampaio, no salão de chá do Tivoli, no Restaurante do Campo Grande, no Avenida Palace, no Maxim’s, e no Pavilhão de Golf do Estoril.
O que essas reuniões eram não pode ser descrito ao correr da pena. Os primores gastronómicos, o brilho e encanto da conversa, o espírito de alguns, os conceitos profundos de outros, a discussão de problemas que com a culinária e a gastronomia contendiam, o juízo sôbre êste ou aquele prato, êste ou aquele vinho, momentos foram que a saudade já hoje faz inolvidáveis. Eram sempre escolhidas as ementas. Primoroso e magnífico o seu componente. É porque elas sejam verdadeiros poemas sinfónicos de côr, de brilho e de perfume, obras primas da ciência dos Savarins, dos Cournousky e dos Roupp, dos Ali-Baba; dignas de perpetuação, guia de futuros gastrónomos e dos que queiram a fundo estudar as magnificências da cozinha portuguesa aqui se transcrevem, parecendo-nos que em melhor local elas não podiam deixar de ficar exumadas ao esquecimento.
Começaremos pela ementa do almoço em casa do Dr. Bustorff, seguindo-se as outras por ordem cronológica.