Não advirto que a mesa for envernizada, póde dispensar-se a toalha, mas não os guardanapos; o serviço de louça, e talheres, deve ser proprio para desert.
Umas jarros de flores no meio da mesa, quando não haja prato, ou cousa que o suppria, tambem tem todo o lugar.
Quando o jantar fôr de ceremonia, ou etiqueta, deverá ser em trez cobertas, ou mais; sendo em trez, a primeira constará do cozido; e seus accessorios; sendo reunião grande, os pratos fortes devem ser dobrados, para darem mais commodo ao serviço, e para não serem demasiadamente grandes e cheios; os ensopados, ou guizados, e frituras; na segunda, os assados, os pastelinhos, as tortas, e mais doces frescos de cozinha; a terceira que é o desert, como acima se diz, mas com mais profusão.
Na primeira, servem-se vinhos do Porto, verdes, e cerveja; na segunda, os mesmos, champanhe, e outros proprios; no desert, vinhos espirituosos, como Xerez, Malaga, Alicante, Moscatel de Setubal, &c. &c.
Lembro que com as carnes, devem estar na mesa pratinhos de conservas, ou de enjoativos.
A muita variedade de pratos, e a abundancia, não é que faz um jantar lauto, e apparatoso; mas sim o bem disposto de tudo, boas louças, cristais, e talheres; bons criados, e em todo o caso, o bom cozinheiro.
O que tiver de se trinchar, póde ser fóra, em um apparador, para se não incommodarem as pessoas, que estiverem à mesa; servindo os criados em volta, d’ella o que se for trinchando, e sempre em seguida.
N. B. Os pratos, e talheres, podendo ser mais que de luxo, o serão-se servindo em todo o jantar, de differentes qualidades, e padrões; bem como os talheres, sendo estes, de prata, e de marfim, e para o desert, de madre perola; podendo ser variados, nos adornos, ou feitos. O mesmo observar-se-á, no serviço do chá; e a maneira de haver menos suspeita, em trocas, ou nas lavagens.