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1963 A arte de cozinhar

The art of cooking

1963

TITLE: The art of cooking 

SUB TITLE: As melhores receitas para bem Cozinhar e fazer Doces

AUTHOR: Rosinha Costa

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1963

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 3a ed. aumentada e melhorada.

LOCAL: Lisbon

PUBLISHER: Livraria Progresso Editora

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: 
SELO DE MAR
Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 27744 V.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 00

OBSERVAÇÕES:

152
COSTA, Rosinha
Arte de cozinhar / por Rosinha Costa. — 3.ª ed., aum. e melhorada. — Lisboa: Livr. Progresso Ed., [D. L. 1963].
BN S.A. 27744 V.

Outras ed.:
— 4.ª ed. — [D. L. 1954] (S.A. 46196 V.)
— [1965] (S.A. 26923 P.)
— 20.º milhar — [s.d.] (S.A. 28514 P.)

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1963 O Vinho do Porto na Culinária

O Vinho do Porto na Culinária

1963

TITLE: O Vinho do Porto na Culinária

SUB TITLE: 

AUTHOR: Grémio de Exportadores de Vinho do Porto

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1963

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 1.ª edição

LOCAL: Porto

PUBLISHER: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 173 mm x 116 mm

NÚMERO DE PÁGINAS: 28 páginas

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: SELO DE MAR

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 00

OBSERVAÇÕES:

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1962 Cozinha do mundo portuguêsFicha Livro

Portuguese world cuisine

1962

TITLE: Portuguese world cuisine

SUB TITLE: 

AUTHOR: M.A.M. [pseud. colectivo de Maria Adelina Monteiro Grillo e Margarida Futscher Pereira]

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1962

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: Porto

PUBLISHER: Livr. Tavares Martins

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: 
SELO DE MAR
Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 27335 V.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 00

OBSERVAÇÕES: As 1001 receitas deste livro foram coligidas e experimentadas ao longo de muitos anos por Maria Adelina e Joaquim Monteiro Grillo — o poeta Tomaz Kim — e Margarida e Vasco Futscher Pereira

156
COZINHA DO MUNDO PORTUGUÊS: 1001 receitas experimentadas / M.A.M. — [Porto]: Livr. Tavares Martins, [D. L. 1963].
Tem folhas com ementas.
M.A.M. é pseudónimo coletivo de Maria Adelina Monteiro Grilo e Margarida Fautsche Pereira (?).
BN S.A. 27335 V.

DUAS PALAVRAS

Principiantes, não se assustem!
Este não é mais um tratado de exclusiva «Alta Cozinha» em que as nossas simples, corriqueiras e quotidianas dificuldades ficam sem auxílio ou resposta.

Será antes uma «Iniciação à Culinária» dirigida a todas as donas de casa, que tantas vezes se têm visto em sérios apuros, ao ter que ensinar ou mesmo preparar um peixe cozido de modo a ficar branco e durinho, um arroz solto e enxuto, um simples ovo quente. Ficará passado demais? … De menos? …

E as já iniciadas ou antes «Sacerdotisas» deste sublime culto da arte de Vatel, não nos acolham com desdenhosa comiseração!
Vamos indicar receitas de iguarias da «Alta Cozinha Portuguesa» e também mesmo da nossa simples «Cozinha Regional», as quais esperamos, não serão destituidas de todo o interesse. Certamente será ocioso frisar que certas contribuições exóticas se integraram, entre nós, na prática culinária quotidiana.

Ora, será moroso e difícil de determinar quando ou como a espécie humana, que primitivamente se alimentava de frutos e outros produtos crus, descobriu as vantagens e o prazer dos cozinhados.

O requinte e variedade que hoje possui e exige a Arte Culinária é resultado de longa experiência e, quantas vezes do mero acaso…

E, por «mero acaso», lembra-nos o engraçado e simbólico ensaio de Charles Lamb, em que nos é contada a seguinte história, passada na China:

Ardera uma casa e não tendo sido possível salvar um suíno, este foi mais tarde encontrado completamente assado no brasido. O aroma delicioso que exalava, e porque era conhecida a causa da sua morte, levaram a família a comê-lo. Foi tão grandemente apreciado que, volta não volta, já deitavam fogo à casa do porco, para poderem deleitar-se com este magnífico manjar!

Felizmente que o género humano é um ser mais evolutivo do que o apresenta este ensaísta, procurando sempre juntar o útil ao agradável — neste caso o mais prático ao apetitoso — e não se serve de semelhantes processos para satisfazer os seus desejos gastronómicos…

Com o correr dos tempos passou o «comer» de simples necessidade individual a acontecimento social em que o Homem encontrou uma das formas mais requintadas de se deleitar e obsequiar o seu semelhante. Também à medida que se tornava um ser sedentário ia exigindo uma alimentação mais leve e mais fácil de digerir.

As razões por que hoje se preparam e cozinham os alimentos e as vantagens que daí advêm parecem-nos ser as seguintes:
a) Torná-los mais tenros;
b) Facilitar a mastigação e a digestão (exceptuando a clara de ovo);
c) Aumentar o valor alimentício pela adição ou mistura de vários e diferentes produtos;
d) Destruir as bactérias nocivas e afastar o perigo de certas doenças;
e) Tornar os alimentos mais agradáveis ao paladar, ao olfacto e à vista;

Esta última alínea é como que um complemento da alínea b), pois «também se come com os olhos» e um bom aroma estimula o apetite, facilitando a digestão. Principalmente quando se trata de dietas prolongadas e pouco variadas, são estes factores da maior importância.

Combinar certos alimentos uns com os outros trará a vantagem de suprir as faltas de cada um, e obter um resultado que mais eficientemente satisfaça as necessidades do nosso organismo. Por isso, ao arroz, rico em amido, se junta uma gordura; às ervilhas e favas, o toucinho; e a carne, rica em proteínas, se completa com batatas.

Mas, como já há cem anos comentava um grande tratadista destes assuntos de culinária, uma das causas mais frequentes das discórdias conjugais deriva das mal cozinhadas e preparadas refeições.

Pode hoje um marido ser tão bem servido nalguns restaurantes e no seu clube que uma dona de casa terá de estar atenta e pronta a poder competir com tais requintes e conservar o ambiente do lar igualmente agradável e atraente.

Mas cuidado com o equilíbrio do orçamento doméstico! Nisto também estaremos presentes a ajudar-vos com conselhos económicos.

Só não poupem a paciência. Certas iguarias poderão levar bastante tempo a ser confeccionadas, somente uns escassos minutos a saborear… Mas serão recordadas a vida inteira!

Uma obra da natureza desta resulta do aproveitamento de muitas indicações que vão desde as receitas de família passadas de geração em geração, aos esboços, esquemas e orientações colhidos em fontes diversas, adiante mencionadas na bibliografia.

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1961 Manual de Gastronomia e Culinária Profissional

Manual de Gastronomia e Culinária Profissional

1961

TITLE: Manual de Gastronomia e Culinária Profissional

SUB TITLE: 

AUTHOR: José Albano B. Marques

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1961

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:
Outra ed.:
Manual de gastronomia. – Lisboa: Inst. Nac. Formação
Turística, imp. 1985. – 2 vol. (S.A. 63 576–577 V.)

LOCAL: Lisbon

PUBLISHER: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Tipografia da Emprêsa Nacional de Publicidade

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 19,2×13,5

NÚMERO DE PÁGINAS: 729

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: SELO DE MAR

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 29510 P.
B.R. 6030

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 336

OBSERVAÇÕES:

336
MARQUES, José Albano B.
Manual de gastronomia e culinária profissional / José Albano B. Marques. – Lisboa: [s. n.], 1961 (Lisboa: Tip. E.N.P.)
BN S.A. 29510 P.
B.R. 6030

Outra ed.:
Manual de gastronomia. – Lisboa: Inst. Nac. Formação
Turística, imp. 1985. – 2 vol. (S.A. 63 576–577 V.)

Publicado em Lisboa, em 1961, o Manual de Gastronomia e Culinária Profissional de José Albano Barbosa Marques, conhecido no meio profissional como Albano Marques, constitui um marco singular na história da literatura gastronómica portuguesa. Diferentemente da esmagadora maioria dos livros de cozinha editados em Portugal até então, esta obra não se dirige ao espaço doméstico nem às donas de casa, mas assume-se, desde a folha de rosto, como um instrumento técnico de trabalho destinado a profissionais da restauração e da hotelaria.

O subtítulo é inequívoco: trata-se de um “guia prático e útil, para Directores, Chefes de Mesa, Cozinheiros, Profissionais de Restaurante, Gastrónomos, etc.”. A ambição do projecto confirma-se na sua dimensão e estrutura: cerca de 8.000 receitas, organizadas de forma classificada e alfabetada, em português e francês, complementadas por secções dedicadas a ementas, serviço de mesa, trinchagem, vinhos e bebidas, bem como um vocabulário gastronómico em seis idiomas. Estamos, portanto, perante um verdadeiro compêndio técnico, concebido para responder às necessidades concretas do exercício profissional.

A trajectória de José Albano Barbosa Marques ajuda a compreender a natureza e a autoridade do livro. Formado na tradição da hotelaria europeia clássica, iniciou-se muito cedo na profissão, numa unidade hoteleira de familiares, nas Caldas da Rainha, tendo contactado desde o início com todos os sectores operacionais de um hotel. Trabalhou posteriormente em hotéis de bom nível em Portugal e em Inglaterra, realizou estágios no Hôtel Plaza Athénée, em Paris, e ocupou cargos de direcção em unidades de referência como o Hotel Eduardo VII e o Hotel Lutécia, em Lisboa. Foi ainda responsável pela inauguração do Hotel do Mar, em Sesimbra, e do Hotel Trópico, em Luanda.

A sua ligação à formação profissional é igualmente central: foi Director-Assistente da Escola Hoteleira de Luanda, palestrante itinerante do Centro Nacional de Formação Turística de Portugal, e sócio-fundador da Associação dos Directores de Hotéis de Portugal. Possuía formação em Administração Hoteleira e Relações Humanas pelo Educational Institute of the American Hotel & Motel Association, bem como qualificações em qualidade e gestãoobtidas no Brasil. Este percurso confere ao manual uma base prática, internacional e pedagógica rara no panorama editorial português da época.

A Introdução e a Breve Nota Histórica do livro revelam uma concepção da culinária como arte, técnica e produto de civilização, profundamente ancorada na tradição clássica europeia. As referências a Escoffier, Carême, Vatel, Apício e à cozinha romana e francesa não são ornamentais: servem para situar a prática culinária moderna numa linhagem histórica de saber acumulado, onde a cozinha se organiza a partir de princípios estruturais — fundos, molhos, métodos, hierarquias de serviço.

É particularmente relevante a insistência na articulação entre cozinha e sala, na gestão do tempo, na coordenação de equipas e na responsabilidade partilhada entre chefes de mesa e cozinheiros — temas praticamente ausentes da literatura culinária doméstica portuguesa do período. O livro não ensina apenas a cozinhar; ensina a servir, organizar, planear e pensar a restauração como sistema.

Com base na documentação disponível, é legítimo afirmar que o Manual de Gastronomia e Culinária Profissional é um dos primeiros grandes manuais técnicos portugueses concebidos explicitamente para profissionais da restauração. A sua posterior reedição em volumes separados — A Culinária Profissional e A Cozinha de Sala — pelo Centro Nacional de Formação Turística, para uso nas escolas hoteleiras, confirma o seu papel estruturante na formação profissional em Portugal.

Mais do que um simples receituário, o livro de José Albano Barbosa Marques representa um momento de transição entre a cozinha como prática empírica e a cozinha como saber técnico organizado, antecipando a consolidação do ensino hoteleiro e da profissionalização do sector nas décadas seguintes.

VV

J. Albano Marques
José Albano Barbosa Marques, conhecido no Trade por “Albano Marques”, é um hoteleiro formado na tradição da antiga hotelaria Europeia, que dava ênfase á qualidade de serviços e atendimento ao cliente, com glamour e muita eficiência. Iniciou-se na profissão muito cedo, começando num estabelecimento de parentes, na estância termal de Caldas da Raínha, em Portugal, tendo tomado logo no início, contacto com todos os sectores que compõem um hotel. Pode dizer-se que esse aprendizado básico foi um alicerce de valor para o que seria a sua formação, tendo toda a vivência, estudo e contactos posteriores, servido para aprimorar, evoluir ou aprofundar os conhecimentos obtidos nessa fase. Trabalhou em Hotéis de bom nível em Portugal e Inglaterra, fez estágios no Hotel Plaza Athenée de Paris e foi Director do Hotel Eduardo VII e do Lutécia, em Lisboa, inaugurou o Hotel do Mar em Sesimbra, Portugal e o Hotel Trópico em Luanda. Foi Director Assistente da escola Hoteleira de Luanda e Palestrante itinerante do Centro Nacional de Formação Turística de Portugal, durante alguns anos.

Sócio-fundador da Associação dos Directores de Hotéis de Portugal, é formado em Administração Hoteleira e em Relações Humanas pelo Educational Institute of the American Hotel & Motel Association. É formado em Qualidade (TQC) pela Associação Anhanguera de Controle de Qualidade – Campinas, Brasil e Certificado pelo Centro Brasileiro da Qualidade, Segurança e Produtividade – São Paulo, Brasil. Fez vários Cursos e participou de Seminários, tendo sido convidado pela Air France em 1976 a visitar as suas cozinhas em Orly e a Escola de Restaurateurs Jean Drouand, em Paris. Colaborou em revistas e jornais da especialidade com artigos e opiniões. Em 1961, lançou em Portugal o livro “Manual de Gastronomia”, que foi muito bem aceite pelos profissionais de Restaurante para os quais se tornou uma ferramenta de trabalho. Este livro foi depois editado em dois volumes, “A Culinária Profissional” e a “Cozinha de Sala”, pelo Centro Nacional de Formação Turística, para uso nas Escolas Hoteleiras de Portugal e entra agora nesta colecção com a sua terceira edição em Portugal. No Brasil, trabalhou 30 anos para Hotéis Eldorado de São Paulo, onde exerceu cargos de Director de Hotel, Director Geral de Operações e Director de Qualidade. Actualmente encontra-se na reforma.Tem publicados no Brasil, os livros “Manual do Barman e do Escanção”, “Manual de Hotelaria / Políticas e Procedimentos”, “Manual de Restaurante e Bar”, “Manual de Cozinha e Copa” e “Introdução à Hotelaria”.É um estudioso da hotelaria e um fervoroso didacta, tendo um carinho especial pelos valores embrionários e profissionais com potencial para ascensão que por estarem longe dos grandes centros, não têm possibilidade de evoluir por falta de acesso ao conhecimento.É este pensamento que tem norteado o seu trabalho de publicação de livros técnicos especializados de hotelaria. Esta colecção destina-se assim a servir os novos profissionais no seu aprendizado.

BREVE NOTA HISTÓRICA

Cozinhar, não é mais do que um produto de civilização, pois com o avanço da inteligência, nasceu no homem a necessidade de conforto.

No seu primitivo estado, o habitante da terra alimentava-se de frutos e raízes, que comia tal como se encontravam. Ao fazer nascer, pela fricção de duas pedras, uma faísca luminosa — o fogo — o homem dera um dos maiores passos no sentido de melhorar a sua dieta, incluindo nela alimentos cozinhados. Essa faísca que crescia e rugia, crepitante e ameaçadora, produzindo ao contacto uma dor forte e insuportável, proporcionava-lhe também — ao aprender a controlá-la — vantagens das mais extraordinárias.

Com a progressão dos seus conhecimentos, tornou-se pescador e agricultor, primeiros passos para o desenvolvimento da «Arte Culinária», que nasceu com o princípio da cocção dos alimentos.

Ao estabelecer-se em comunidades, criou novos hábitos e ideias, tais como o direito de propriedade e a utilização da água na cozinha.

A floresta, o rio e o mar, tornaram-se insuficientes à sua ânsia de buscar novas variedades de comestíveis. Da mesma maneira, a máxima «Comer para Viver», foi sendo esquecida.

Começaram a usar-se, o sal e outros condimentos.
O vinho, dá a sua entrada, como companheiro inseparável da Culinária.

O necessário não será já viver, mas viver bem, viver o mais confortável e luxuosamente possível. Disso, vem o Império Romano dar-nos o maior exemplo, e a prova indiscutível.

Tal como se desenvolvem as artes, a cozinha avança; tal como surgem vitórias sobre a pedra, em estátuas, túmulos e monumentos, das mãos dos cozinheiros começam surgindo novas composições, que deliciam os paladares, entorpecem os membros, e tornam a volúpia da mesa num prazer único.

Em Roma, as bacanais duravam dias seguidos. Os convivas depois de saciados deixavam a sala de jantar (Triclinium), vinham a outro compartimento, já para o efeito preparado, onde se recompunham, e regressavam depois ao seu lugar, para recomeçar de novo.

É o grande triunfo da Culinária, que se sobrepõe a tudo na vontade do homem e no seu sentir. Um bom cozinheiro é um grande senhor.

Nos tempos de luxúria da Grécia antiga, os cozinheiros Sicilianos eram disputados, e recebiam altos honorários pelos seus serviços. Entre eles, um chamado Trimalcião, tornou-se famoso pela maneira admirável como cozinhava peixe.

Um chefe cozinheiro, nos tempos áureos de Roma, ganhava anualmente o equivalente a cerca de 8 mil escudos; Marco António ofereceu uma cidade, ao cozinheiro que fez a ceia, capaz de satisfazer Cleópatra.

São famosas, as ceias romanas, dos tempos de Tibério, Calígula e Nero. Apício, gastrónomo conceituado e libertino famoso, ainda hoje representa, através da literatura, o valor da ciência culinária de então.

A ocupação da Ibéria pelas legiões da República, influenciou a cozinha nativa, razão por que se nota acentuada relação, entre as especialidades típicas, portuguesas e italianas, descendentes directas, das que até nós foram trazidas, pelos cozinheiros dos generais romanos.

Com a queda do Império, a arte culinária caiu em menor consideração; na Idade-Média, os cozinheiros lutavam por impor-se e ganhar reputação, compondo novos molhos e fazendo estranhas combinações, em busca de novidade.

Foi na Europa Central, que gradualmente a Culinária se foi impondo, e entre todos os países do mundo, a França mantém ainda o primeiro lugar, pela excelência e cuidado dos seus pratos.

A contribuição portuguesa foi enorme, pois no século XVI, com a descoberta do caminho marítimo para a Índia, Vasco da Gama tornou possível a baixo preço, a utilização das especiarias vindas do Oriente nas nossas naus. Mercê da grande procura das mesmas, pela sua enorme necessidade na cozinha, Lisboa elevou-se ao primeiro lugar das capitais comerciais da Europa desse tempo, competindo com Veneza, que até então detinha o quase monopólio da comercialização desses produtos.

A pimenta, o cravinho, a canela e outros tão culinariamente necessários condimentos, até então caríssimos devido às enormes sobrecargas do transporte por terra — motivadas por penosas caminhadas através de desertos, e pelos ataques dos piratas assaltadores de caravanas — tornaram-se mais acessíveis, aos que confeccionavam os ágapes dos grandes senhores.

Essas tão disputadas sementes, foram o fruto das invejas e ataques que os portugueses sofreram; da Espanha, como rival mais directo na conquista das terras donde elas provinham, e da Holanda, Alemanha e potências árabes, que os comercializavam, ou recebiam taxas de passagem pelos seus territórios, das caravanas de transporte.

Muitos foram, os pioneiros desta grande Arte que alguns chamam (e com razão) Ciência Culinária. Não vamos enumerá-los, mas à sua persistência, imaginação e poder criador, que ficámos devendo, o conceito que ela actualmente merece. Isso prova bem que, «Gutta cavat lapidem».

 

INTRODUÇÃO

A Arte Culinária é uma das mais sublimes, sendo a única talvez, que tem a força imensa de fazer amigos.
Enquanto em todas as épocas, houve artistas perseguidos ou maltratados, não consta ter havido algum bom cozinheiro que não gozasse de reputação, ou não tivesse amigos na Corte, muitas vezes até, na própria pessoa do Rei.

Em França, os cozinheiros do palácio real, tinham os seus títulos honoríficos, usando espada como os fidalgos; isto dá-nos bem a ideia, do alto conceito em que eram tidos.

Entre outros, podemos até citar Auguste Escoffier, que foi Cavaleiro da Legião de Honra, Carême, que depois de uma atribulada infância, se cotou como «Mestre de mestres», e Vatel, de quem o grande Condé dizia maravilhas.

Sobre este último, é interessante referir-nos que Prosper Montagné, no Larousse Gastronomique, apresenta a hipótese de ele ser, não cozinheiro, mas Maître d’Hotel, numa época em que essa categoria ainda não existia. Para isso, baseia-se em cartas de Mme de Sévigné a Mme de Grignan, uma das quais diz: «Vatel, le grand Vatel, Maître d’Hotel de M. Fouquet, qui était présentement de M. le Prince, s’est poignardé». Com efeito, Mme de Sévigné que conhecia bem — segundo nos cita o autor — a categoria de Vatel e qual a sua posição na casa, designa-o aqui, ao dar a notícia da sua morte, como Maître d’Hotel.

Aliás, ele podia muito bem ser, como um biógrafo pretende, um Maître d’Hotel-cozinheiro, ou, para o que eu me inclino, um Maître d’Hotel imaginativo, de real categoria. Com um grande poder criador, aliado a profundos conhecimentos de culinária, fez furor pelas confecções que idealizava, mas isso não quer obrigatoriamente dizer que fosse cozinheiro.

Nós, como o autor citado, assim o admitimos, não só por essa razão, como por tudo o que ele nos diz em seguida, para reforçar as suas palavras.

Para uma boa cozinha, é necessário dispor de bons utensílios, de bons géneros, de muitos conhecimentos técnicos, e de tempo.

Por esta última razão, é aconselhável aos Chefes de Mesa e Empregados de Restaurante, nunca insistirem neste ponto, nas suas relações com a cozinha, nem deixarem ao cliente uma ideia errada sobre o tempo de preparação. Isso depende de muitos factores; um prato que hoje demorou 20 minutos, pode amanhã requerer 30 para a sua confecção.

Sendo isto muitas vezes motivo de questões entre a cozinha e a sala, ao evitá-lo, dá-se um grande passo no caminho da compreensão mútua, tão necessária para o bom andamento dos serviços.

As bases da cozinha são os Fundos. Deles se preparam depois, os molhos, os pratos, ou suas guarnições.
Posto isto, será com eles que preencheremos o primeiro capítulo.

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1961 Eis aqui a boa cozinha

Eis aqui a Boa Cozinha

1961

TITLE: Eis aqui a Boa Cozinha

SUB TITLE: 

AUTHOR: Françoise Bernard

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1961

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: 

PUBLISHER: edição SEB – Société d’Emboutissage de Bourgogne

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: SELO DE MAR

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 00

OBSERVAÇÕES:

SEB = Société d’Emboutissage de Bourgogne
Uma empresa francesa fundada em 1857, especializada em utensílios de cozinha em metal.

É a empresa que lançou, nos anos 1950, a Super Cocotte, uma panela de pressão pensada como símbolo da “cozinha económica”:
menos tempo
menos combustível
aproveitamento máximo dos alimentos

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1961 Eis aqui a boa cozinha

Eis aqui a Boa Cozinha

1961

TITLE: Eis aqui a Boa Cozinha

SUB TITLE: 

AUTHOR: Françoise Bernard

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1961

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: 

PUBLISHER: edição SEB – Société d’Emboutissage de Bourgogne

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: SELO DE MAR

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 00

OBSERVAÇÕES:

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Gelados e Refrescos / Irene Vizi (nº12)

Gelados e Refrescos / Irene Vizi (nº12)

circa 1960

TITLE: Gelados e Refrescos

SUB TITLE: Revista de Culinária Instituto Culinário Irene Vizi nº12

AUTHOR: Irene Vizi

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia em série

DATA  DE PUBLICAÇÃO: circa 1960

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 

LOCAL: Lisbon

PUBLISHER: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO: Revista de Culinária Instituto Culinário Irene Viz

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: SELO DE MAR

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”:

OBSERVAÇÕES:

.

 

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1960 Grande enciclopédia da Cozinha

Grande enciclopédia da Cozinha

(s.d.) 1960

TITLE: Grande enciclopédia da Cozinha

SUB TITLE: 

AUTHOR: Maria de Lurdes Modesto

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO: Fernando de Castro Pires de Lima

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: (s.d.) 1960

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: 

PUBLISHER: Editorial Verbo

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 2 volumes com 442 (6) e 452 (6) páginas

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE:
SELO DE MAR
Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 31056-57 V.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 242

OBSERVAÇÕES:

242

GRANDE enciclopédia de cozinha / dir. Maria de Lourdes Modesto. — Lisboa : Verbo, [D.L. 1960]. — 2 vol.
BN S.A. 31056-57 V.

prefácio

A conservação da espécie, lei inexorável da Natureza, não escapa ao Homem, que, para subsistir, tem de alimentar-se, função primordial que sobreleva todas as outras. Mas, ser inteligente, rei da Criação, cônscio do papel que desempenha no Mundo, procura a todo o transe afastar-se de tudo o que possa confundi-lo com os outros animais. De início, como estes, os alimentos seriam o que apanhasse às mãos, mais pròpriamente poderosas garras, numa luta feita de astúcia, de força e de permanente terror. Até ao dia, entre todos glorioso, em que conseguiu fazer lume, a sua barba hirsuta empastava-se no sangue da carne crua do animal que matara, ou dos despojos abandonados, como restos dum festim, pelos gigantes da floresta. Esse sabor da carne fresca, palpitante, que hoje nos causa náuseas, ainda havia de subsistir através dos séculos, e vemos, por exemplo, os Hunos, cavaleiros infatigáveis que dormiam montados, meterem debaixo de si, para simplesmente os aquecer, pedaços de carne, que depois devoravam em silêncio, com os olhos miudinhos postos nesse Ocidente onde em breve iriam espalhar, flagelo de Deus, o pavor, a ruína e a morte.
O homem apurado não se resignava a ser assim, e a arte da cozinha acompanhou, de perto, as civilizações e sempre constituiu um dos seus maiores requintes.

Na antiga Grécia, à frugalidade, tanto tempo seguida, dos filósofos, sucedeu, pelo contacto com o Oriente, o gosto da boa mesa, do conforto e do bem-estar. Cozinheiro, não o era quem queria, mas só depois de obter aprovação em cursos complicados e profundos. Para alguns mestres, eram indispensáveis conhecimentos preliminares de astrologia, arquitectura e ciência militar, porque o sabor dos alimentos varia com a posição dos astros, não é indiferente a situação da cozinha, e a ordem e a disciplina, a táctica e a estratégia, para a escolha do momento próprio, têm capital importância.

Com uma preparação assim, que mergulhava até aos alicerces e subia até à subtileza, os bons cozinheiros — tão raros como hoje — tornavam-se personagens de relevo, frequentemente célebres, incensados pelos poetas e merecendo a honra de serem citados por Platão e Aristóteles.

A rusticidade romana, nisto como em tantas outras coisas, veio a polir-se no convívio com os vencidos, mas extraviando-se nos desmandos e exageros próprios de quem domina o Mundo. Os ricos entraram à compita na sumptuosidade das baixelas e na originalidade das iguarias, cujas matérias-primas iam buscar-se a regiões, por vezes longínquas, do imenso império. Vinham da Espanha os coelhos e as salmouras para os ovos; da Gália a salsicharia; da Grécia os faisões; da África as trufas; da Ásia Menor, os pavões; do Oriente as especiarias; e os vinhos da Grécia e da Sicília. A raridade e a excentricidade eram, porém, de bom- …tom, e os snobs chegaram ao ponto de exigir línguas de rouxinol, miolos de papagaio e trombas de elefante! Tudo isto — muitas receitas chegaram até nós — seria hoje dum gosto muito discutível, mesmo admitindo que o estômago consentisse…

Mas os antigos amavam a magnificência, as cores berrantes, os pratos profusamente ornamentados, as peças inteiras que derreavam os ombros dos escravos e concitavam a admiração dos convivas:

«Os olhos fulgem sob as cr’ôas de verbenas,
Passam guisados mil, nadando em molhos flavos,
E em belos pratos de ouro os céleres escravos
Trazem nobres pavões de consteladas penas.
Três grandes javalis e dois veados inteiros
Produzem mudo assombro…»

escreveu Eugénio de Castro em versos rutilantes como jóias, ao evocar um festim de Herodes Antipas, aquele mesmo festim que, a pedido de Salomé, havia de terminar com a decapitação de João Baptista.

Compreendia-se que estes banquetes, verdadeiramente monstruosos, arruinassem os anfitriões, ainda que fossem riquíssimos, como aconteceu a Apicius, autor de dez livros de cozinha, que preferiu suicidar-se a renunciar às opulências e exotismo da mesa.

As pessoas, porém, que se continham numa sobriedade racional e elegante, ainda eram muitas, sobretudo entre os homens cultos.

Vejamos, por exemplo, por simples curiosidade, a ementa de um jantar que Juvenal, o famoso autor das Sátiras, ofereceu a um amigo: ovos; galinha; um cabrito gordo, com mais leite do que sangue; espargos da montanha; uvas, peras e maçãs.

O jantar, que se realizava ao cair da tarde, era a refeição principal, e os Gregos e os Romanos gostavam de tomá-la em companhia de amigos. As outras refeições, que muitos suprimiam, eram extremamente simples, tomadas à pressa, como hoje num snack-bar. Os espíritos delicados buscavam naquelas horas de lassidão e repouso, mais do que um fim, o pretexto para, na ocasião da sobremesa — o simpósio dos Gregos — conversarem sobre Arte, Literatura e Filosofia. O próprio Marcial, o dos terríveis e libérrimos Epigramas, ao fazer um convite em que anunciava a ementa acrescentava que haveria graciosos sem fel, franqueza que os não assustaria no dia seguinte e que nem uma palavra se diria de que houvessem de arrepender-se.

Exemplos destes atenuavam um pouco a vida, sob tantos aspectos cruel e repugnante, da velha Roma imperial. Com a invasão dos Bárbaros, grandezas e misérias ficaram sepultadas nas ruínas dos palácios e dos templos, e a vasta literatura que se ocupava de cozinha perdeu-se para sempre nos incêndios de Alexandria.

A implantação definitiva do Cristianismo, com o seu espírito de austeridade e de renúncia, de que os ascetas, isolados na solidão das suas grutas, eram os guardas vigilantes e um anátema vivo que fulminava todos quantos enveredavam pelos caminhos da sensualidade e da gula, ressuscitou o preceito simples, a pura função vegetativa «comer para viver». Em todo o período vastíssimo da Idade Média regressou-se, de certo modo, aos tempos primitivos, e a caça, exercida pelos senhores feudais, com normas e minúcias que enchem tratados, era a principal fornecedora das mesas nobres.

A Renascença, com a sua admiração desmedida e tanta vez insensata pela Antiguidade Clássica, traria, com o seu amor ao luxo e às artes que falavam aos sentidos, o gosto dos vinhos capitosos e das suculentas vitualhas. E, até nesse ramo, os descobrimentos dos Portugueses influenciaram profundamente os usos e costumes, trazendo para a Europa produtos novos,

ou outros de que os Ocidentais haviam perdido a memória. Renascida, triunfante, a arte culinária, que, mais tarde, no século XVII, viria a fazer uma vítima que ficou célebre: Vatel, mordomo do Grande Condé, o qual, vendo que não chegava a tempo o peixe que devia figurar no jantar que seu amo oferecia a Luís XIV, considerou-se desonrado e atravessou-se na própria espada. De então, e à parte, é claro, os pratos regionais, a cozinha, sobretudo a francesa, atingiu perfeições ignoradas, pela criteriosa selecção das peças, a sábia confecção dos molhos e a larga aplicação dos produtos hortícolas.

Hoje abundam os livros de receitas, os tratados de cozinha, os livros que ensinam a ornamentar as travessas e as mesas. Efectivamente, nunca se tornou tão necessário saber cozinhar bem como na época actual. Porque, cozinhar bem, contràriamente ao que muita gente pensa, não é cozinhar caro, antes representa um valor económico no aproveitamento daquilo que, para os ignorantes, só serve para dar aos gatos.

Saber cozinhar é uma honra, e cultivar uma arte que foi amada dos deuses, os quais, cansados da insipidez da ambrosia, dilatavam as narinas sôfregas para melhor sorverem o aroma forte das reses votivas.

As ligações da Culinária com a Estética parecem ser íntimas, tão grande é o número de escritores e artistas que a ela se dedicavam ou a tinham em grande conta.

No estrangeiro, são legião. Entre nós, Bulhão Pato, por exemplo, poeta interessantíssimo, é, decerto, mais conhecido pela sua caldeirada do que pelos seus poemas; e Eça de Queirós mostra-se-nos um gourmet por excelência, tantas são as suas alusões à mesa delicada, aos vinhos «que falam à alma» e, também, à velha cozinha portuguesa, pesada, talvez, mas consoladora e saborosíssima. Ficará para sempre famoso, como ilustração dum contraste, a ceia do 202, nos Campos Elíseos, com o peixe do grão-duque, encharcado no elevador, e o «barão de Paulliac», cordeiro das lezírias, e, num vetusto solar de Portugal, as favas e o frango assado, cozinhados por uma avó de olhos vesgos, «que tinham um paladar de génio»…

Presente-se bem que Jacinto, o super-requintado Jacinto, foi pela cozinha que começou a iniciar-se nas coisas de Portugal, que depois viria a amar, sincera e enternecidamente.

Simples apodo histórico, como o de Tripéiros aos Portuenses, perpetuar-se-á na celebríssima dobrada que os nossos cozinheiros, em competições internacionais, têm elevado a invejadas culminâncias, arrebatando valorosamente o troféu do vencedor. E quantos exemplos mais não poderíamos citar!

Depois — com vista às senhoras ciumentas… —, mais do que a telefonia, mais do que a televisão, os pratos variados e bem feitos prendem os maridos aos lares. E muitas noivas, que em tudo pensam menos nos tachos e panelas, muito lucrarão com a leitura desta obra, não vá suceder… Mas é melhor contar. Após a primeira refeição por ela preparada, perguntava uma recém-casada ao marido, cheia de solicitude e carinho:

— Diz-me querido, de que prato gostaste mais?
— Das sardinhas de conserva.

A obra monumental da Senhora D. Maria de Lourdes Modesto, eminente especialista, verdadeira doutora em Culinária, evitará, certamente, a ironia destas respostas.

Fernando de Castro Pires de Lima

duas palavras

O CRIADOR, OBRIGANDO O HOMEM A COMER PARA VIVER,
CONVIDA-O PELO APETITE E RECOMPENSA-O PELO PRAZER.

BRILLAT-SAVARIN

A arte de cozinhar tem sido através dos tempos, através de sucessivas gerações, o resultado do esforço bem conhecido e apreciado das donas de casa.
Fruto muitas vezes de graves apreensões e desconsolos, alternando com sucessos e auréolas de fama, um bom prato faz história, quer seja apresentado à mesa dum anfitrião quer seja descrito com mais ou menos pormenor, com mais ou menos sabor a quem o saiba preparar.
Porque uma invenção séria em cozinha é o resultado de várias experiências e diferentes aprovações, a alimentação deixou de ser para a dona de casa de hoje um acto irreflectido, um acaso. Ela sabe que da alimentação dependem a saúde, o bem-estar e o humor dos seus familiares.

Grande Enciclopédia da Cozinha surge no momento em que a dona de casa reclama essa consciência gastronómica que Alexandre Dumas resumia nesta célebre frase: Os animais comem, os homens alimentam-se e os filósofos gastronomizam.

Grande Enciclopédia da Cozinha não pretende ser um livro de receitas. Procura, antes, para a dona de casa um guia útil onde encontrará um sem-número de artifícios da técnica da arte culinária, para a jovem mais ou menos inexperiente um professor incansável e para o amador de bons pratos um excitante para o apetite e onde, de quando em vez, encontrará uma história ou comentário que o farão sorrir.

Assim não tivemos a preocupação de que as receitas incluídas nesta obra fossem originais. Procurámos sobretudo adaptar as fórmulas clássicas aos tempos modernos e ao paladar actual; de velhas fórmulas fizemos novas receitas. Simplificámos principalmente, porque hoje, em cozinha, simplicidade é sinónimo de bom gosto.

O método, a prática e a experiência são factores muito importantes; é por isso que muitas das receitas incluídas neste livro não trazem as quantidades determinadas.
Ninguém desconhece que a cozinha é ao mesmo tempo uma ciência e uma arte — uma ciência não se inventa, portanto também não se inventa um artista culinário.

Grande Enciclopédia da Cozinha é pois uma homenagem a todos os que sabem que a cozinha é, ao mesmo tempo, uma ciência e uma arte.

Maria de Lourdes Modesto

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Ementas para Festas / Irene Vizi (nº28)

Ementas para Festas

circa 1960

TITLE: Bolos Rápidos

SUB TITLE: Revista de Culinária Instituto Culinário Irene Vizi nº28

AUTHOR: Irene Vizi

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia em série

DATA  DE PUBLICAÇÃO: circa 1960

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 

LOCAL: Lisbon

PUBLISHER: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO: Revista de Culinária Instituto Culinário Irene Viz

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: SELO DE MAR

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”:

OBSERVAÇÕES:

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Poupar e Cozinhar / Irene Vizi (nº14)

Poupar e Cozinhar

circa 1960

TITLE: Bolos Rápidos

SUB TITLE: Revista de Culinária Instituto Culinário Irene Vizi nº14

AUTHOR: Irene Vizi

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia em série

DATA  DE PUBLICAÇÃO: circa 1960

DEPÓSITO LEGAL: 

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LOCAL: Lisbon

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FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO: Revista de Culinária Instituto Culinário Irene Viz

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: SELO DE MAR

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”:

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