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LIVROS posts individuais

Eu e ela na cozinha

Eu e ela na cozinha

1975

TÍTULO: Eu e ela na cozinha

SUB TÍTULO: 

AUTOR: Maria do Carmo Abreu.

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 1.ª edição
Outra ed.:
– 2.ª ed. – 1977. – (S.A. 33758 P.).

LOCAL: Lisboa

EDITORA: Fada do Lar

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 33367 P.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 43

OBSERVAÇÕES:

43

Eu e ela na cozinha / por Maria do Carmo Abreu. – 1.ª ed. – Lisboa: Fada do Lar, 1975. – BN S.A. 33367 P.

Outra ed.:
2.ª ed. – 1977. – (S.A. 33758 P.).

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1975 Cozinha no lar / Irene Vizi

Cozinha no lar

1975

TÍTULO: Cozinha no lar

SUB TÍTULO: 

AUTOR: Irene Vizi

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1975

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:
1ª edição Livraria Bertrand 1953

LOCAL: Lisboa

EDITORA: Ed. Associados

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO: Biblioteca Universal Unibolso; 90

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 33186 P.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 531

OBSERVAÇÕES:

531

VIZI, Irene
Cozinha no lar / Iréne Vizi. — [Lisboa] : Ed. Associados, [D. L. 1975]. — (Biblioteca Universal Unibolso; 90)

BN S.A. 33186 P.

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1975 Tele-Culinária: revista semanal de cozinha e doçaria 

Tele-Culinária: revista semanal de cozinha e doçaria

N. 1 [D. L. Nov. 1975] — n. 55 (30 Nov. 1977)

TÍTULO: Revista de alimentação

SUB TÍTULO: 

AUTOR: director técnico António Silva

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Publicação Periódica

DATA  DE PUBLICAÇÃO: N. 1 [D. L. Nov. 1975] — n. 55 (30 Nov. 1977)

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: Lisboa

EDITORA: Liber

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN P.P. 14685 V.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 569

OBSERVAÇÕES:

569

TELE-CULINÁRIA
Tele-Culinária: revista semanal de cozinha e doçaria / dir. técnico António Silva . — N. 1 [D. L. Nov. 1975] — n. 55 (30 Nov. 1977). — Lisboa : Liber, [D. L. 1975]-1977 . — 27 cm

Continuado por: Tele-Culinária e Doçaria

BN P.P. 14685 V.

in
BiblioAlimentaria

1. Memória gastronómica

36. TELE CULINÁRIA: revista semanal de cozinha e doçaria (1976…)

Tal como sucede com outros setores da vida quotidiana dos leitores, o aparecimento de publicações especializadas em temas da “mesa”, primeiro sob a forma de folhetos e depois de revistas, acompanha a expansão crescente da imprensa periódica em Portugal56. Dessa história nos dão conta os três grandes pilares do periodismo culinário, constantes deste catálogo: Annona, ou mixtocurioso (1836‑37), Banquete (1960‑74, 1976) e Teleculinária (1976‑…). O mais antigo, iniciador de um periodismo que haveria de conquistar o seu próprio terreno no vasto mundo editorial, apareceu, conforme testemunham as palavras do seu editor, na rubrica “Ao Leitor”, como consequência natural da proliferação de revistas de especialização artística:

“na occasião em que apareciam Jornaes de Modas, de Musica, e de Recreio, devia tambem apparecer um que tratasse do objecto mais necessario, e mais conveniente, qual é o recreio do paladar, e a conservação satisfatoria da existencia”. (n.º 1, p. 3)

Mas como muitas vezes sucede com “produtos” novos, a receção do público nem sempre é a melhor. O editor da coleção, anónimo que se dá pela inicial R. com que assina o soneto “Despedida aos Senhores Assignantes” (n.º 36, p. 277), revela, nessa mesma introdução à obra, ter consciência da incompreensão que o género novo causa (e que lhe valeu muitas críticas), a qual aproveita para refutar com argumentos de natureza utilitária. Daí que enfatize o especial contributo da parte de cada folheto dedicada a ensinar os leitores a animar as receções que deem em suas casas:

“Todos aquelles, que não satisfeitos com esta nossa obra, nos acusarem, sirva‑lhes a nossa boa vontade para nos desculpar, lembrando‑se que nem tudo agrada a todos, e consultando a parte recreativa, ou variedades, entreterão as sobremezas dos seus banquetes com este novo modo de divertimento, que sujeitamos ao voto publico, e imparcial” (n.º 1, pp. 4‑5).

Aliás, mesmo em termos quantitativos se percebe, do número de páginas francamente superior dedicado à “recreação”, que, nas suas origens, o periodismo da mesa era dominado pelas orientações culturais e não pela técnica culinária

Repare‑se no grande intervalo temporal entre a obra mãe do género, Annona, e a que aparece nos inícios da segunda metade do século xx, Banquete. Como observa a editora deste último, Maria Emília Cancella de Abreu, a revista que dirige é a herdeira literária do primeiro periódico culinário português. Daí que, no n.º 2 da Banquete, chame à Annona “avó” da revista que coordena. Este hiato temporal, adicionado a outros aspetos que apontarei de seguida, permite perceber os traços mais marcantes da evolução de mentalidades por que passou a sociedade portuguesa dos dois últimos séculos em termos de conceção da literatura culinária. Uma primeira conclusão a retirar da comparação entre a “filosofia” de cada um dos periódicos é de que se evoluiu de um entendimento da literatura periodística sobre a mesa como apresentação de receitas e técnicas de preparo e de serviço, mas também de lazer e formação cultural das elites (aceção muito marcada na publicação da primeira metade do século xix e ainda presente na revista de meados do século xx) para um progressivo afunilamento dos seus sentidos, reduzidos, a partir do pós‑25 de abril, ao papel de coletânea de receitas de cozinha. 

Ou seja, a evolução do periodismo da mesa traduziu‑se na passagem da dupla conceção de “arte” e “técnica” para o domínio exclusivo da valência técnica. Aliás, os subtítulos das três publicações denunciam essa mesma realidade. Na Annona a dupla valência técnica e artística ressalta dos nomes sublinhados: Folheto semanal que ensina o methodo de cosinha e copa, com um artigo de recreação. Embora, como se sabe, os termos ‘culinária’ e ‘cozinha’ possam ser tomados como sinónimos, a verdade é que o primeiro, no seu uso adjetival (‘culinária’), pressupõe que se aplica ao substantivo ‘arte’, ao passo que o segundo (‘cozinha’) aponta para um conhecimento maioritariamente prático. Não estranhamos, por isso, que na Banquete, revista com numerosas e variadas rubricas culturais em torno da mesa, o subtítulo escolhido seja Revista portuguesa de culinária, ao passo que a Teleculinária opta pela terminologia técnica, como se depreende da denominação Revista semanal de cozinha e doçaria (sendo que aqui “cozinha” é também sinónimo de pratos salgados).

Acresce ainda explicar que esta especialização e redução do campo de trabalho dos redatores dos periódicos de literatura culinária reflete, de forma inequívoca, a política editorial por detrás das respetivas publicações. Assim, Maria Emília Cancella de Abreu (1920‑1998) imprime ao periódico que dirige uma linha editorial de natureza cultural e educativa ampla, resultado da sua atuação enquanto senhora e dona de casa de uma família proeminente no seu tempo 57 e de formadora em cursos de culinária (nomeadamente os ministrados no Instituto Culinário Cidla) 58. António Silva (1934‑2015), Chefe de cozinha e formador em hotelaria, por seu turno, funda e dirige uma revista apostada exclusivamente na publicação de receitas de cozinha, com breves informações sobre alimentos, utensílios de cozinha e dicas 59.

Também o público‑alvo, leitor e comprador das obras, determinou o perfil conferido aos periódicos de culinária. Assim, nos anos trinta do século xix, quem compraria os folhetos semanais seriam membros das classes sociais mais elevadas (formados no culto da leitura e da literatura e desejosos de se cultivarem na arte de bem receber), no pós‑segunda ‑guerra e pleno Estado Novo, a classe média e uma burguesia média‑alta, e, já sob os auspícios da democracia do pós‑25 de abril, as camadas populares, muito em particular compradores do sexo feminino. Repare‑se que, muito provavelmente em resultado dos conteúdos culturais mais abrangentes da Annona e do papel que o marido tinha de senhor da esfera social da família (em particular a receção de convidados comensais), nas palavras Ao Leitor da coleção desse folheto do século xix se referem três perfis sociológicos distintos de destinatários da obra: o profissional da arte culinária, indivíduo do sexo masculino, na obra apelidado de “um mestre bom de cozinha” (p. 4); ainda desse género, também os homens de família (independentemente do extrato social), que nesta obra adquirem ensinamentos para assistirem as senhoras da casa nas suas obrigações do lar; quanto ao sexo feminino, o Editor tem consciência de que entre as suas leitoras há que distinguir duas faixas etárias, uma mais proactiva na prática e gestão da cozinha, as mulheres casadas, justamente designadas de “boas Donas de casa”, e outra respeitante às donzelas (apelidadas de “Bellas”), a necessitarem de instrução e prática, pois a matéria também pode ser palco para brilhar (a par de outras artes em que era instruída, como o canto, a música ou a literatura). É o que se depreende do parágrafo que encerra a rubrica Ao Leitor (p. 5):

“Nada pois mais lindo a qualquer pessoa, ainda nobre ou plebéa, como o saber de tudo: olhai que vos não desdoura entrar na cópa, ou na cosinha; as boas Donas de casa devem entender de seu ministerio; as Bellas saber para praticar, em qualquer ocasião de prazer, onde adquirem sempre gloria; e os Homens, para coadjuvarem as mesmas Damas”.

57 Descendente de famílias nobiliárquicas portuguesas (Alto Mearim, Rio Vez, Sistelo e Aguiar de Andrada), foi esposa do médico Lopo de Carvalho Cancella de Abreu, ministro da Saúde e Assistência entre 1968‑70, sob o primeiro governo de Marcelo Caetano.

58 Sobre a biografia de Maria Emília Cancela de Abreu, leia‑se À volta da mesa. As receitas preferidas de Maria Emília Cancella de Abreu. Colares Editora, Sintra, 2004, p. 13.

59 Para maior informação sobre a vida e percurso profissional de António Silva, veja‑se Amílcar Malhó, 74 anos de vida intensa. Chefe Silva, o Sr. Tele Culinária. Edições Plural, Lisboa 2008.

De seguida apresenta‑se uma análise sucinta das características formais e de conteúdo dos periódicos de literatura culinária constantes da exposição.

Anona ou mixtocurioso: publicação de 36 folhetos, com 277 páginas numeradas sequencialmente (no topo da página) e paginação por folheto (no pé da página), organiza‑se em 3 tomos, cada um com 12 n.os (Tomo I: n.º 1‑12, ano de 1836; Tomo II: n.º 13‑17, ano de 1936, e n.º 18‑24, ano de 1937; Tomo III: n.º 25 ‑36). O preço por assinatura (de 12 folhetos) é de 440 reis, montante mais baixo do que o pago pela aquisição individual do mesmo número de vols., cobrados a 40 reis a unidade. 

Cada folheto é constituído por duas secções, iniciando‑se com o receituário, a que o editor chama “provisões para a boca” (n.º 1, p. 3), seguido da “recreação”. Aliás foi esta dupla natureza temática da obra que determinou a escolha do título e subtítulos, conforme explica mais adiante (p. 5): Annona, em homenagem à deusa romana do mesmo nome, que literalmente significa ‘[produção de géneros alimentares] anual’, por derivação do substantivo annus (port. ‘ano’); Mixtocurioso, expressão que agrega sob a mesma rubrica uma série variada de formas de divertimento intelectual, apropriadas ao momento de descontração da refeição, as sobremesas.

Além desta divisão de cada folheto em duas secções de teor literário bem diverso (a primeira sobre matéria técnica, o referido “methodo de cosinha e copa”; a segunda versando sobre a instrução dos convivas e exercitação das suas capacidades literárias), o editor segue a lógica dos livros de cozinha, filiando‑se na ordem de apresentação de pratos que lhes era habitual. Recordemos que no primeiro livro de cozinha português impresso (Domingos Rodrigues, Arte de cozinha, cat. nº 3) havia duas partes (partição que a editor da Annona se propõe adotar), a primeira dedicada aos pratos de carne (que abre com as sopas) e a segunda ao pescado e doces. Daí que no folheto n.º 1 inicie com a “Primeira Parte –potages, ou sôpas”, a que se vão seguindo nos opúsculos seguintes indicações sobre preparação de carnes e sua confeção. Porém, em chegando ao nº 7 (muito provavelmente para manter o interesse do público e não demorar tanto a revelar o receituário das partes subsequentes), o editor começa a adiantar conteúdos que caberiam na segunda parte, dedicada ao pescado, cujo título anuncia: “Dos peixes do mar, dos rios, e mariscos, o que ordinariamente se come cosido, assado, ou frito” (p. 150 do tomo I). 

Que o desejo de cativar o leitor para um género novo determinou que, ao contrário do projeto inicial, o editor não siga à risca a tradicional segmentação dos livros de cozinha, percebe‑se desde o primeiro folheto. Chegamos a esta suposição a partir do facto de incluir sempre, em cada número, a rubrica “Doce”, tradicionalmente reservada à segunda parte dos manuais de culinária. Não esqueçamos, todavia, que a própria lógica do “programa” da obra impunha essa obrigatoriedade, pois, é durante a sobremesa que ao anfitrião‑leitor é dada ocasião de explanar e pôr em prática os ensinamentos fornecidos na rubrica “recreação” do folheto. 

Sobre o elenco de receitas publicado, importa reter duas notas reveladoras do convívio entre uma culinária de origem nacional e outra de influência estrangeira. Da presença que se fazia sentir na literatura culinária portuguesa da cozinha de origem francesa (de forma mais acentuada desde o século xviii, conforme atesta a obra do cozinheiro francês Lucas Rigaud, Cozinheiro moderno ou Nova Arte de Cozinha, 1780) nos dá declaradamente conta o editor, quando, no anúncio de mais uma edição de 12 folhetos, declara que já encomendou:

“livros de França, donde deve vir o Novo Diccionário de Cosinha, publicado este anno em Paris, que deve merecer a geral aceitação; assim como tambem os que tocam ao artigo de Recreação, o que melhor se explicará no Prospecto que se vai publicar” (n.º 11, p. 269)

Em suma, as modas eram ditadas de França, não só para a cozinha, como para o convívio cultural que se gera em torno da mesa. No entanto, quer no que se refere às “provisões para a boca” quer as destinadas a animar o espírito, a Annona revela interessantes afloramentos da história e cultura portuguesas. A título exemplificativo destacamos receitas doces como “Ovos moles de Aveiro” (n.º 5, p. 104), “Compota de pessegos á Portugueza” (n.º 8, p. 178) e “Fartes de especies” (n.º 11, p. 249) e um prato salgado de “Gallinhas com arroz á Portugueza” (n.º 29, p. 102). Nem mesmo a cozinha luso‑brasileira foi esquecida, conforme se depreende da presença do “Doce do Brasil” (n.º 5, p. 104), iguaria cuja identidade vem desvendada no folheto seguinte, no qual o editor revela tratar‑se do que habitualmente se chama de “canjica” (n.º 6, p. 130). Na parte da recreação o leitor é contemplado com textos de cariz mais lúdico (anedotas, adivinhas e charadas), outros de pendor literário (poemas, contos e fábulas) e ainda narrativas históricas. Sendo a mesa a temática agregadora entre a parte técnica e a artística deste periódico, não nos surpreendemos com a inclusão, logo no folheto n.º 2, na rubrica recreação, de uma reflexão sobre “Estilos da Mesa dos Romanos” (pp. 46‑48).

Banquete.

Revista Portuguesa de Culinária, sob a direção de Maria Emília Cancella de Abreu, era uma revista de periodicidade mensal, de que foram publicados 176 números (entre março de 1960 e dezembro de 1974). O custo inicial de compra foi fixado em 42$00 por assinatura anual e em 3$50 para a venda avulso. 

Decorrido mais de um século sobre a publicação da sua “avó” Annona, a revista Banquete apresenta um muito maior e mais diversificado conjunto de rubricas temáticas, fontes valiosíssimas para o estudo das mentalidades da sociedade portuguesa durante os últimos 14 anos do regime ditatorial. 

Tal como a sua antepassada longínqua, esta revista tem um claro programa de formação cultural, educação e recreio dos leitores. Não ignora a consciência de que há um património alimentar que importa recuperar e divulgar, patente na rubrica “Isto e Aquilo”, de que destacamos os exemplos dos artigos “Manjares dos Antepassados” (n.º 8, p. 16) e “Notas sobre Iconografia da Culinária I” (n.º 11, pp. 10‑11). Que a literatura é um género em que a temática alimentar ocupa um lugar de destaque é uma consciência que a diretora da revista deixa bem clara, com a criação da rubrica “A culinária na Literatura Portuguesa”. O binómio cozinha portuguesa e estrangeira permanece um polo de interesse da redação e dos leitores, mesmo num período político em que os nacionalismos falavam mais alto60. Essa dicotomia de interesses da sociedade da época vem espelhada nas rubricas “Petiscos da nossa terra” e “Cozinha internacional”. O universo feminino, não só adulto, mas também jovem (a necessitar de instrução nas lides culinárias), continua a ser o público‑alvo maioritário da revista, conforme evidenciam, no primeiro caso, as secções “Entre comadres” e “Pela porta da cozinha” (verdadeiro correio das leitoras, em que se transcrevem as perguntas enviadas à redação e as respostas da sua diretora). Aliás, logo no n.º 1 da revista, nas palavras de apresentação da obra aos seus destinatários, M. E. Cancella de Abreu referira, de forma inequívoca, o perfil do seu público, nos seguintes termos (p. 3):

“Por todas estas razões nos parece não ser descabido o aparecimento desta revista, que surge sem pretensões e ùnicamente com a finalidade de ajudar as donas de casa na preparação das suas ementas, quer estas sejam simples ou de alta cozinha, de execução rápida ou demorada, económicas ou dispendiosas”.

60 Sobre nacionalismo culinário em Portugal, vd. Sobral, J. M. (2007), “Nacionalismo, Culinária e Classe: a Cozinha Portuguesa da Obscuridade à Consagração (séculos xix‑xx)”, Ruris 1. 2: 13‑52; idem (2014), “The country, the nation, and the region in representations of Portuguese food and cuisine”, in Domingos, N., Sobral, J. M. & West, H. (eds.), Food between the country and the city: ethnographies of a changing global foodscape. London, pp. 145‑160; idem (2014), “The high and the low in the making of a Portuguese national cuisine in the nineteenth and twentieth centuries”, in Klein, J. A., Murcott, A. (eds.), Food consumption in global perspective: essays in the anthropology of food in honour of Jack Goody. Basingstoke, pp. 108‑134.

Também as meninas que davam os seus primeiros passos na confeção de receitas, por seu turno, tinham ao seu dispor a “Cozinha para principiantes”. Procurando cobrir todas as necessidades de um público feminino sofisticado e, em alguns casos, já colocado no mercado de trabalho e, por essa razão, com menos tempo para se dedicar a um (muitas vezes) demorado labor culinário, Cancella de Abreu contempla conselhos e (in)formação tanto para momentos em que se espera um maior requinte na mesa doméstica (em “Há convidados”), como para ocasiões de menor disponibilidade para cozinhar (em “Se tem pouco tempo”). Testemunho inegável de que, nessas décadas de 60 e 70 do século xx, a gastronomia adquirira já em Portugal a importância que se traduz na emergência nos media da figura do gourmet encontramo‑la na criação de uma rubrica denominada “Segredos de um gastrónomo”. Célebres eram também os responsáveis pelas cozinhas dos mais afamados restaurantes e cozinhas de hotéis, pelo que se abriu um espaço na revista para entrevistas a esses experts da arte culinária (a “Página do Chef”). Na senda da filosofia segundo a qual a mesa é um espaço de divertimento, e fazendo jus ao espírito fundador da “avó” Annona, a Banquete oferece ao seu leitor uma “Página humorística”. Fruto da realidade da época, aí se encontra, por exemplo, a piada baseada em estereótipos colonialistas, conforme imagem abaixo apresentada.

Impõe‑se uma observação final ao grafismo da revista, em que se destaca um esforço em apresentar bastantes imagens, que nos primeiros números são maioritariamente ilustrações, com uma paleta de cores ainda pouco variada. À medida que os anos vão passando, registam‑se melhorias assinaláveis a este nível, com uma presença cada vez maior da fotografia e um aumento da policromia.

A periodicidade da revista e a sua identidade são abaladas pela mudança de regime político ocorrida em abril de 74. Assim, entre junho e dezembro desse ano são publicados três números duplos (junho‑julho, n.º 172; agosto ‑setembro, n.º 173; outubro‑novembro, n.º 174), sendo a última revista, a 175, publicada em dezembro desse ano sob o formato de índice geral das receitas de toda a coleção. Suspensa durante dois anos, a revista tem um fugaz renascimento, resumido à edição de um número, o 176 de dezembro de 1977.

No editorial que dirige nesse último número às suas “queridas, dedicadas e habituais leitoras” (p. 2), Maria Emília Cancella de Abreu explica as causas políticas que estiveram por detrás da suspensão do periódico culinário. A reestruturação da anterior empresa nacional Cidla dera lugar à Petrogal, nova proprietária da revista, tendo sido necessários dois anos para se atingir a estabilização que permitiu retomar a publicação herdada da estrutura anterior. Embora não tenha prosseguido, a obra evidenciava uma viragem que novos ventos impunham à redação editorial. Reduz‑se drasticamente o espaço de formação e lazer, passando a aposta a residir no predomínio técnico da apresentação de receitas. Uma nota final, denunciadora da inflação a que se assistira no período que mediou entre a série contínua de 1960‑1974 e a que se tentava reiniciar em 1977. O custo por revista quase triplicou, passando de 7$50 (preço do n.º 174) para 20$00 cada.

Teleculinária. Revista semanal de cozinha e doçaria: o primeiro número aparece no ano em que a revista Baquete sai do mercado, em 1976, com o preço de capa de 5$00. 

Esta revista inaugura uma filosofia editorial exclusivamente centrada na culinária como técnica de preparação de alimentos/refeições, pelo que fica reduzida à apresentação de receitas. Além disso, como o próprio título indica, reflete a ascensão da televisão a principal meio de comunicação social, protagonismo que a imprensa sabe aproveitar em favor próprio, já que imprime em papel não apenas a receita e respetiva foto de pratos, mas uma “narrativa” fotográfica da receita filmada e passada na televisão em cada semana. Ou seja, a popularidade alcançada pelo Chefe António Silva nos écrans da RTP1 à frente de um programa de televisão, no ano de 1975, permite ao cozinheiro ser fundador e diretor, durante trinta anos, de uma revista ainda hoje no mercado. O seu nome, tal como o perfil da revista, ficou sempre conotado com a divulgação e promoção da culinária tradicional. Essa matriz está patente logo no nº 1, cuja contracapa apresenta como rubrica a “Cozinha portuguesa”, de que consta a receita 95 

de “Carne de porco frita à portuguesa”. Embora sejam bastante minimalistas os comentários reflexivos do Chefe e diretor da revista ao receituário publicado, neste caso o desejo de promover o que entende ser a cozinha típica do seu país levou‑o a publicar o seguinte breve comentário: “É dos pratos mais fáceis da cozinha portuguesa e sempre muito agradável”.

(CS) Carmen Soares

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1975 Diversos Modos de Fazer Doces, Pudins, Saladas de Fruta, Bolos, etc.

Diversos Modos de Fazer Doces, Pudins, Saladas de Fruta, Bolos, etc.

1975

TÍTULO: Diversos Modos de Fazer Doces, Pudins, Saladas de Fruta, Bolos, etc.

SUB TÍTULO: 

AUTOR: 

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1975

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: 

EDITORA: Rosa Celeste Castro Fernandes

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: SELO DE MAR

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 00

OBSERVAÇÕES:

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1975 O Guia da Cozinheira

O Guia da Cozinheira

A Arte de bem cozinhar

TÍTULO: O Guia da Cozinheira

SUB TÍTULO: A Arte de bem cozinhar
Mais de 500 receitas para cozinhar, fazer doces, gelados, compotas, etc.

AUTOR: 

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: dezembro 1975

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: Porto

EDITORA: Edições Aurora Branca Ferreira

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Tipografia Colégios dos Orfãos

ENCADERNAÇÃO: Brochado

FORMATO / DIMENSÕES: 17×12 cm

NÚMERO DE PÁGINAS: 295, [9] páginas

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: SELO DE MAR

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 31980 P.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 249

OBSERVAÇÕES:

249
O GUIA da cozinheira. – Porto : Tip. Colégio dos Órfãos,
[D. L. 1969]
BN S.A.3 1980 P.

TÍTULO: O Guia da Cozinheira

SUB TÍTULO: A Arte de bem cozinhar
Mais de 500 receitas para cozinhar, fazer doces, gelados, compotas, etc.

AUTOR: 

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: dezembro 1975

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: Porto

EDITORA: Edições Aurora Branca Ferreira

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Tipografia Colégios dos Orfãos

ENCADERNAÇÃO: Capa dura

FORMATO / DIMENSÕES: 17×12 cm

NÚMERO DE PÁGINAS: 295, [9] páginas

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: SELO DE MAR

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

OBSERVAÇÕES:

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1975 Várias maneiras de cozinhar carnes e sopas deliciosas

Várias maneiras de cozinhar carnes e sopas deliciosas

1975

TÍTULO: Várias maneiras de cozinhar carnes e sopas deliciosas

SUB TÍTULO: 

AUTOR: Rosa Celeste Castro Fernandes

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 

DEPÓSITO LEGAL: 1975

EDIÇÃO:

LOCAL: Porto

EDITORA: Edição do autor

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 33114 P.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 199

OBSERVAÇÕES:

199

Fernandes, Rosa Celeste Castro.
Várias maneiras de cozinhar carnes e sopas deliciosas / Rosa Celeste Castro Fernandes. – Porto: ed. do A., [D.L. 1975]. – BN S.A. 33114 P.

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1975 Cozinha da Quinta

Cozinha da Quinta

Título da capa: Doces e licores.

TÍTULO: Cozinha da Quinta

SUB TÍTULO: Título da capa: Doces e licores.

AUTOR: 

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1975

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 1.ª edição

LOCAL: Lisboa

EDITORA: Fada do Lar

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: S.A. 33754 P.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 166

OBSERVAÇÕES:

167

Cozinha da Quinta. – 1.ª ed. – Lisboa: Fada do Lar, 1975. – Tít. da capa: Doces e licores. – BN S.A. 33754 P.

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LIVROS posts individuais

1975 A cerveja «Sagres» na cozinha portuguesa

A cerveja «Sagres» na cozinha portuguesa

1975

TÍTULO: A cerveja «Sagres» na cozinha portuguesa

SUB TÍTULO: 

AUTOR: Sociedade Central de Cervejas

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1975

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 1.ª edição

LOCAL: Lisboa

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 81600 V.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 120

OBSERVAÇÕES:

120

A cerveja «Sagres» na cozinha portuguesa. – [Lisboa]: Sociedade Central de Cervejas, imp. 1975. – Contém receitas. – BN S.A. 81600 V.

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LIVROS posts individuais

1975 Um parêntesis — a cozinha chinesa / Carlos Humberto da Silva

Um parêntesis — a cozinha chinesa

1975

TÍTULO: Um parêntesis — a cozinha chinesa

SUB TÍTULO: 

AUTOR: Carlos Humberto da Silva

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1975

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: 

EDITORA: In: A arte popular em Portugal, Ilhas Adjacentes e Ultramar / dir. Fernando de Castro Pires de Lima. — Lisboa : Verbo, imp. 1975. — 3.º v., p. 376-380

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO: Cidades e Vilas de Portugal; 6

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN B.A. 1454 A.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 832

OBSERVAÇÕES:

832

SILVA, Carlos Humberto da

Um parêntesis — a cozinha chinesa / Carlos Humberto da Silva

In: A arte popular em Portugal, Ilhas Adjacentes e Ultramar / dir. Fernando de Castro Pires de Lima. — Lisboa : Verbo, imp. 1975. — 3.º v., p. 376-380

BN B.A. 1454 A.