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1939 Colecção Agrária

1939 Colecção Agrária

Conservação e secagem de frutas e hortaliças

TÍTULO: Colecção Agrária

SUB TÍTULO: Conservação e secagem de frutas e hortaliças

AUTOR: Ruiz Iglesias Buisan

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: Lisboa

EDITORA: Biblioteca Agrícola

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: 

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 00

OBSERVAÇÕES:

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1939 Subsídios para o estudo do pão de milho

Subsídios para o estudo do pão de milho

1939

TÍTULO: Subsídios para o estudo do pão de milho

SUB TÍTULO: 

AUTOR: Abel da Silva Pereira

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1939

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 

LOCAL: Alcobaça

EDITORA: Of. de José de Oliveira Júnior

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO: 

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 14174 V.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 702

OBSERVAÇÕES:

702

PEREIRA, Abel da Silva
Subsídios para o estudo do pão de milho / Abel da Silva Pereira. — [S. l. : s. n.], 1939 (Alcobaça: Of. de José de Oliveira Júnior)

BN S.A. 14174 V.

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1939 Frutas de Portugal

Frutas de Portugal:

o ananás: algumas receitas para a sua aplicação em sobremesas, pudins, bolos, saladas, gelados, refrescos e «cocktails».

TÍTULO: Frutas de Portugal:

SUB TÍTULO: o ananás: algumas receitas para a sua aplicação em sobremesas, pudins, bolos, saladas, gelados, refrescos e «cocktails».

AUTOR: 

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1939

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: Lisboa

EDITORA: Junta Nacional das Frutas

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 225119 V.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 209

OBSERVAÇÕES:

209

Frutas de Portugal: o ananás: algumas receitas para a sua aplicação em sobremesas, pudins, bolos, saladas, gelados, refrescos e «cocktails». – Lisboa: Junta Nacional das Frutas, 1939. – BN S.A. 225119 V.

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1939 Frutas de Portugal

Frutas de Portugal:

amêndoas, avelãs, castanhas, figos e nozes: algumas receitas para a sua aplicação na doçaria portuguesa.

TÍTULO: Frutas de Portugal:

SUB TÍTULO: amêndoas, avelãs, castanhas, figos e nozes: algumas receitas para a sua aplicação na doçaria portuguesa.

AUTOR: 

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1939

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: Lisboa

EDITORA: Junta Nacional das Frutas

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 55255 V.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 208

OBSERVAÇÕES:

208

Frutas de Portugal: amêndoas, avelãs, castanhas, figos e nozes: algumas receitas para a sua aplicação na doçaria portuguesa. – Lisboa: Junta Nacional das Frutas, 1939. – BN S.A. 55255 V.

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1939 Os frutos de Portugal: alguns apontamentos

Os frutos de Portugal : alguns apontamentos

1939

TÍTULO: Os frutos de Portugal : alguns apontamentos

SUB TÍTULO: 

AUTOR: Amílcar de
Souza

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1939

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: Porto

EDITORA: José S. F. Guimarães

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 23587 P.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 489

OBSERVAÇÕES:

489

SOUSA, Amílcar de
Os frutos de Portugal : alguns apontamentos / Amílcar de
Souza . — Porto : José S. F. Guimarães, imp. 1939

Receitas de vinhos e frutas

BN S.A. 23587 P.

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1939 Alimentação racional e económica

Alimentação racional e económica

1939

TÍTULO: Alimentação racional e económica

SUB TÍTULO: 

AUTOR: Jayme Rebelo Hespanha

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1939

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: Lisboa

EDITORA: Parceria António Maria Pereira

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 12594 V; S.A. 12369 V.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 195

OBSERVAÇÕES:

195

Hespanha, Jayme Rebelo, 1891–1959.
Alimentação racional e económica / Jayme Rebelo Hespanha. – Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1939. – Contém receitas, p. 47–90. – BN S.A. 12594 V; S.A. 12369 V.

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1939 Peixes, Moluscos e Crustáceos na Alimentação e Sua Inspecção Sanitária

Peixes, Moluscos e Crustáceos na Alimentação e Sua Inspecção Sanitária

1939

TÍTULO: Peixes, Moluscos e Crustáceos na Alimentação e Sua Inspecção Sanitária

SUB TÍTULO: 

AUTOR:  João Baptista da Silva Freire

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1939

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: Porto

EDITORA: Livraria Lopes da Silva

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: SELO DE MAR

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 00

OBSERVAÇÕES: “Importância da ictiofagia – Exploração haliêutica das águas e seu valor económico – Principais espécies ictiológicas, malacológicas e de crustáceos do mercado português, seu estudo anatómico e classificação zoológica – Valor alimentício das espécies marinhas e necessidade, para defesa da saúde pública, da sua inspecção sanitária – Transporte, conservação, etc., do peixe, dos moluscos e dos crustáceos e tópicos sobre a sua inspecção sanitária – Patologia das espécies aquáticas, etc., etc.” 

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 1939 Volúpia, A Nona Arte

Volúpia

A Nona Arte: a Gastronomia.

TÍTULO: Volúpia, A Nona Arte

SUB TÍTULO: Volúpia, A Nona Arte: A Gastronomia, de Albino Forjaz de Sampaio

AUTOR: Albino Forjaz de Sampaio

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1939. (na capa diz 1940)

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: 

EDITORA: Domingos Barreira.

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 20 cm

NÚMERO DE PÁGINAS: 261 págs.+ (1) fl. de indice+ 1 estampa extra- texto (o autor portrait- charge de Arnaldo Ressano);

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: 
SELO DE MAR

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 22738 P.
B.R. 8078

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 887

OBSERVAÇÕES: À memória do gastrónomo ilustre que foi Antonio Maria de Oliveira Belo ( Oleboma ). Amigo querido, autor das obras «Culinária» e «Culinaria Portuguêsa», fundador e presidente da «Sociedade de Gastronomia Portuguêsa». . ” Não é este livro que vai seguir- se um livro de cozinha. Êle não tem receitas (…) Não. Filia- se antes naquela literatura que nos predispõe e diz coisas agradáveis de uma arte que não tem ainda em Portugal muitos livros…Tirando O doce nunca amargou… de Emanuel Ribeiro, e a Arte de Beber o Vinho do Pôrto, de J. C. Valente Perfeito, não tem mesmo mais nada. (…)” In- Prefaciando

887

SAMPAIO, Albino Forjaz de, 1884–1949
Volúpia: a nona arte: a gastronomia / Albino Forjaz de Sampaio. — Porto: Domingos Barreira, 1939

BN S.A. 22738 P.
B.R. 8078

PORTUGAL

Nisto de livros de cozinha, o primeiro que entre nós apareceu foi o de Domingos Rodrigues, nascido em Vila Cova da Coelheira, bispado de Lamego, terra pelo nome fadada para berço de quem em artes culinárias a havia de imortalizar. Foi no ano de 1637, dia e mês ignorados. Finou-se em 20 de Dezembro de 1719, com a bonita idade de 82 anos. «Aplicou-se à arte de cozinheiro, em que sahio tão insigne, (diz Diogo Barbosa Machado), que depois de a exercitar nas casas dos Ex.mos Marqueses de Valença e Gouvêa, passou a ser Mestre de Cozinha da Casa Real.»

O seu livro chama-se Arte de Cozinha dividida em duas partes. A primeira trata do modo de cozinhar varios pratos de toda a casta de carne, e de fazer conservas, pasteis, tortas e empadas. A segunda trata de peixes, mariscos, frutas, hervas, lacticínios, conservas, e doces com a forma dos banquetes para qualquer tempo do ano, e foi impresso pela primeira vez em Lisboa, na oficina de João Galrão, em 1680. Em 1683, dos prelos do mesmo impressor saiu a 2.ª edição e em 1698 da Oficina de Manuel Lopes Ferreira.
Daí em diante saiu em 1732 na Oficina Ferreiriana, em 1741 na de Carlos Esteves Mariz, em 1704 na de João António dos Reis, em 1814 e 1836 na de Eugénio Augusto, todas em Lisboa.

Esta é a primeira obra de culinária portuguesa, visto que o livro de cozinha que em 1615 Alvaro Martins, cozinheiro-mór em Castela, da Sereníssima Princesa D. Joana de Austria, mãi de D. Sebastião, e depois de D. Filipe III, escreveu e cujo original se conservava na livraria de Manuel Severim de Faria, nunca foi publicado.

Domingos Rodrigues sofreu forte influência de Francisco Martinez Motiño e não Coutinho como quer Diogo Barbosa Machado que erradamente emenda Nicolau António.
Era, Motiño, e foi cozinheiro-mór de D. Filipe III e não II, como muito bem esclarece Salvá.
Motiño publicou em Madrid, nas oficinas de Luiz Sanches, em 1611, um livro chamado Arte de cozinha, pasteleria, vizcocheria, y conserveria (1). Salvá possuía a edição de 1617, eu tenho a 16.ª, publicada em Madrid em 1809 (1).

(1) Outros livros: Juan Altimiras. Nuevo arte de cocina, sacado de la escuela de la experiencia economica. — Madrid, 1745, 1791, etc.

Folheando as duas obras, a de Rodrigues e a de Motiño, se vê claramente que muitas das receitas do espanhol, ou pelo menos do livro espanhol, passaram para a obra portuguesa sem rebuço. Uma receita há até que, pela sua bizarria, essa transcrição se torna evidente: «Tome-se um peixe e divida-se em tres partes, dando-lhe dois golpes, ficando a cabeça sendo uma parte, o meio outra e o cabo outra; peguem-lhe pela cabeça e pelo cabo e frijam-lhe o meio, e virando-o na mesma forma frijam-no da outra banda; depois de frito o meio, assem-lhe o rabo em uma grelha de uma e outra banda; quando estiver assado embrulhe-se as partes frita e assada em papel, e pegando-lhe com as mãos, cosam-lhe a cabeça em um tacho de água fervente. Feito isto tudo vae á mesa com tres molheiras cada uma com o môlho correspondente á sua parte».

Pode dizer-se que do século XVII aos fins do século XVIII Domingos Rodrigues ditou a lei. E ditou-a mesmo muito tempo depois. Nesse patronato da cozinha veio por 178…compartilhar Lucas Rigaud, de quem Manuel Bernardes Branco informa: «Ignora-se a nacionalidade, mas era estrangeiro». 

(1) Foi obra muito conceituada em Espanha. Depois das 1.ª e 2.ª ed. já citadas, há outras de 1662, 1676, 1693, 1705, 1725, 1728, 1763, 1790, 1791, 1797, 1809, 1822, 1823, 1834, fora as publicadas sem data. A de Altimiras também tem muitas edições. 2.ª em 1745, seguindo-se-lhe em 1758, 1760 (2), 1767, 1779, 1788, 1791, 1812, 1817, 1821, 1822, 1840, 1846, 1850 e 1879 (2).

Lucas Rigaud foi «hum dos Chefes da Cosinha de Suas Magestades Fidelissimas» e foi o autor do livro «Cozinheiro moderno, ou nova arte de cosinha, onde se ensina pelo methodo mais facil, e mais breve o modo de se prepararem varios manjares, tanto de carne, como de peixe: Mariscos, legumes, ovos, lacticinios: Varias qualidades de massas para pães, empadas, tortas, timbales, pasteis e bolos, e outros pratos de entre meio: Varias receitas de caldos para differentes sopas: Caldos para doentes, e hum caldo portativo para viagens longas. Segunda Edição correcta e emendada».

Saiu esta edição em Lisboa da Of. de Lino da Silva Godinho, em 1785, com 469 pág. (1); a 3.ª em Lisboa, Officina de Simão Thaddeo Ferreira, em 1798, com VIII–461 pág.; a 5.ª em 1826; e outra, a ultima que conhecemos, em 1846, com IV–380–56 pág., nova edição mais correcta e emendada.

Rigaud dá o seu livro à estampa porque se o não fizesse nunca mais se comeria em Portugal. Não era vaidoso! Publicava-o porque livros de cozinha só existia um (o de Domingos Rodrigues) mas «tão defeituoso, que se devia rejeitar inteiramente como inutil e incompatível com os ajustados dictames da mesma arte».

Grandes livros de cozinha não os houve em Portugal. Em quatro séculos, dois livros apenas, não se pode dizer que seja maravilha.

(1) É a que possuímos.

Em 1841, António Lobo de Barbosa Ferreira Teixeira Girão, 1.º Visconde de Vilarinho de S. Romão, Par do Reino, deputado e sócio da Academia, traduziu a Arte do Cosinheiro e do Copeiro, compilada dos melhores auctores, que sobre isto escreveram modernamente, sendo a parte principal extrahida da Obra que tem por titulo: La Maison de Campagne publicada em 1822 por Mme. Aglae Adanson. — Lisboa, VII–320 pág. e 3 estampas. Assina-a modestamente com «Um Amigo dos Progressos da Civilisação». Saiu a 2.ª ed. aumentada em 1846. Vê-se que nem só os cozinheiros tratavam do assumpto. E felizmente que não. Que observações e notas maravilhosas! Que profundo saber da língua portugueza!

Veja-se esta nota sobre embammata, por exemplo. «A palavra franceza purée e o sinonimo coulis não podem ser traduzidas em portuguez sem criar um vocábulo novo. Não lhe convém a palavra extracto que se acha nos diccionarios; porque — extracto — quer dizer a parte substanciosa, e o coulis ou purée é um composto temperado com alguma gordura e legumes, hortaliças ou farinha, como adiante se verá, o qual passa atravez de um passador por meio de uma ligeira pressão. Umas vezes passa toda a substancia e não fica nada no passador; outras ficam as partes mais grosseiras, e algumas ha em que nem pelo passador é necessario passar; taes são as embammatas de farinha.»

Eis aqui porque os francezes criaram uma palavra nova, e que eu tambem crio outra derivada do vocabulo latino, que significa toda a qualidade de tempero em forma de môlho. Entenda-se pois que o embammata significa um môlho grosso, tal qual se designa pela grosseira palavra portugueza — bouta — que parece derivada do mesmo vocabulo embammata.

Teixeira Girão dá a seguir a nota de que a embammata se pode fazer de pampolino, erva cabacinha e de diabellha e onde se encontram. Ensina-nos que miroton quer dizer paparrotada, aporta­gueza vinagrete (môlho de vilão) em vinagreta, traduz echalottes em cebolinhas, diz-nos que ravigota é uma espécie de môlho frio em que entra vinagre, azeite, pimenta, sal e cebolinhas, traduz fricassé de vitela do blanquete francez. Explica depois que abatizes «quer dizer as entranhas das aves que se costumam aproveitar para comer»; que reixelo é cabrito montês; adens são pequenos patos que se assam no espêto; que morussa é bacalhau francez; que lotte é a nossa boga de água doce; que rugido é au roux; que cherivia é uma raiz delicada; traduz cocherelles por uma espécie de cogumelos e capucine ou Cresson du Peron por chagas, e usa spernegado e esperregado por esparregado. Ensina o que é gratino, serem beignets os nossos balhelhos (fritos doces) e os balhelhos fofos sonhos; que uma fatia de pão esfregada de alho para deitar na salada se chama capão; e aporta­gueza o confiture francez em confeituaras.

É, em suma, livro que conta no pequeno património dos livros da especialidade.

Em 1860, pouco mais ou menos, João Augusto do Amaral Frazão (1824–1907) e Pedro Martins fizeram imprimir 32 páginas de um Livro das Familias que não chegou a publicar-se. São 32 pág. curiosas, cheias de interesse e que bem mereciam a sua divulgação.

Livros bons de cozinha não temos muitos. Entre os vélhos, chamemos vélhos aos da primeira metade do século XIX, há que distinguir O Cozinheiro dos Cozinheiros. Colaborado por escritores, bem coordenado, é obra de Paulo Plantier, cidadão francez, de longas barbas, relojoeiro e artista, que foi estabelecido na rua Áurea desta cidade de Lisboa. Compilou também um opúsculo sobre a festa das rosas, festa que ele effectuou numa sua propriedade, e que deu lugar a poesias de Lopes de Mendonça, Júlio Dantas e outros. Possuo a nova edição de 1905.

Livro curioso é também a Arte de Cozinha, por João da Matta, prefaciada por Alberto Pimentel. Não sei quando saiu a 1.ª edição, mas presumo que por 1875, que tal data traz o prefácio. A 3.ª julgo ter saído por 1888 e a 6.ª, que possuo, é de 1924. João da Matta foi, no seu tempo, mestre em culinária, cozinheiro e proprietário do Hotel Matta, estabelecimento que marcou.

É também um livro curioso e muito raro, as Memorias dos Makavenkos e receitas culinárias ou como diz o rosto Memorias e receitas culinarias dos Makavenkos. É um volume de 264-2 pág., saído em Lisboa, 1919, e assignado por Fag. Fag é Francisco de Almeida Grandela e os Makavenkos foram e são ainda uma Sociedade ou Clube, onde uma boa dúzia de amigos se reúne, nos baixos do Teatro da Rua dos Condes, para comer e conversar, saindo dela por vezes auxílio valioso para obras filantrópicas e de caridade. Foram seus presidentes Ferreira do Amaral e o Dr. Azevedo Neves. O livro de Memórias e receitas é cheio de espírito e curiosíssimo para a história gastronómica de Portugal.

Em 1890 saiu no Porto um livro chamado O Cozinheiro popular das famílias portuguesas e brasileiras. Parece ser livro velho de novo reproduzido. Ainda reproduz a receita do Caldo de víboras para purificar o sangue, do Caldo para vapores e flatos que sobem à cabeça, Caldo amargoso para todas as doenças de peito e vómitos e Caldo de rãs e de caracóis para tosses sêcas.

O livro que em 1909 saiu da Parceria António Maria Pereira, de Lisboa, A Arte de Cosinha, reproduz algumas das receitas do velho Domingos Rodrigues.

Livros modernos dignos de menção e apreço são O Tratado Completo de Cozinha e de Copa, por Carlos Bento da Maia; a Arte de Bem Comer, de Alinanda (pseudónimo da ilustre escritora Aurora Jardim Aranha), Arte e Economia, por Estela Brandão (vol. I), e A Cozinha Ideal, por Manuel Ferreira, edição da Agência Eva, de Lisboa.

São livros sérios, livros a valer, que se podem pôr a par dos bons livros do estrangeiro.

Como curiosidade apontaremos um pequeno livro, publicado em Lisboa, em 1914: Livro de cozinha, à inglesa, traduzido dum inglês, com alguns dos pratos mais simples e mais em uso, por Louisa Smith.

E somos chegados aos do grande mestre em culinária, gastrónomo insigne que se chamou António Maria de Oliveira Bello (Oleboma) Culinária, saído em 1928, XV-I-748-4 págs., e Culinária Portuguesa, aparecido em 1936 — XVIII-336–12 págs. e o retrato do autor.

São dois trabalhos modelares acima de toda a crítica, só se podendo comparar com o melhor entre o melhor do que em qualquer parte do mundo se tenha publicado. Livros para gastrónomos requintados, são honra para Portugal, pois que neste ramo jamais foram excedidos. O segundo foi publicado após a sua morte.

Livros de cozinha há inúmeros. Estes, porém, são o suco, como se diz no Brasil. Honra lhes seja.

FRANÇA

A mais antiga obra que sobre culinária se conhece em França é um manuscrito existente na Biblioteca Nacional de Paris, escrito em 1290 e publicado por Drouet d’Arc em 1865. Chama-s «Traité ou l’on enseigne à faire et appareiller tous bouires comme vin, clairet, mouré et autres, ainsi qu’à appareiller et assaisonner toutes viandes selon divers usages de divers pays», e temos notícia dela por abrir La fleur de la cuisine française, Paris, 1920, de que falaremos adiante.

Mas a primeira obra que sôbre culinária se publicou foi o livro célebre do famoso Taillevent, ou Taillevant, nascido por 1310. Guilherme Tirel ou Taillevent, que foi o primeiro cozinheiro do seu tempo, mereceu de François Villon os versos:

Si allé veoir en Taillevent
Ou chappitre de fricassure.

Em 1346 era chefe das cozinhas de Filipe VI, depois de ter servido a rainha Jeanne d’Evreux. Em 1355 era cozinheiro do «dauphin de Viennois, puis du duc de Normandie». Carlos V, em 1373, fá-lo «premier queux du roi» e encarrega-o de escrever o seu livro. Carlos VI nomeia-o «premier écuyer de cuisine», primeiro cozinheiro e em 1392 «maistre des garnisons de sa cuisine». Morre por 1395 e pode ter-se notícias do seu túmulo no Museu de S.t Germain, perto de Paris, para onde foi da igreja de Notre Dame d’Hennemont. Figura de homem de armas entre as suas duas mulheres, Jeanne Bonnard e Isabeau le Chandelier. Teve um escudo em que há três panelas e seis rosas bordadas.

Êste cozinheiro notável é autor de um livro muito raro, que, mesmo no século XVI, teve muitas edições. Chama-se Tailleuet. Grant cuisinier du Roy de France. Geralmente todas as edições começam: «Ci apres sen suyt le viandier pour appareiller toutes manieres de viãdes que tailleuent queulx du roi nre sire fit tant pour abiller r appeiller boully rousty poissons de mer et deaue doulce: saulces espices et aultres choses a ce conuenables et necessaires comme cy apres sera dit. Et priemerement du premier chapitre». A primeira edição é de fins do século XV e em gótico. Foi muitas vezes reimpresso, como dissemos, e com vários títulos: Le viander, Le liure de tailleuent, Le cuisinier Tailleuant, Le liure du grant r très excellent (sic) cuysinier Tailleuent, etc.

Há uma reedição de 1892, por diligências de J. Pichon e G. Vicaire. A maioria das suas primeiras edições não traz data nem lugar de impressão, mas uma revela-nos que em 1515 era já «Imprime nouuellement».

Livros do mesmo género, tam curiosos como raros, são ainda Le Grand Cuysinier de toute cuysine tres vtile et profitable, contenant la maniere d’habiller toutes sortes de viandes, tant chair que poisson: et seruir es banquetz et festes; le tout compose par plusieurs cuysiniers fort expers. — Paris. Jean Bonfons. Saiu sem data, mas crê-se que apareceu por 1560. A 2.ª ed. apareceu em 1512, com o título Livre fort excellent de Cuysine, e a 3.ª chama-se La Fleur de toute cuysine e diz-se «revue et corrigée» por Pierre Pidoux. (Paris, 1543).

Desta obra célebre publicou-se um resumo Petit traicté Auquel verrez la maniere de faire cuisine… (por 1540). Foi reimpressa em nossos dias. Presume-se que fosse composta entre 1350 e 1380.

Livro velho é também Le Ménagier de Paris, que composto de Julho de 1392 a Setembro de 1394 «par un bourgeois parisien» velho, que acabara de esposar uma orfã de 15 anos, só em 1846 foi publicado pela Sociedade dos Bibliófilos Franceses. Deve-se a sua publicação ao barão Jérôme Pichon e foi um belo serviço prestado às letras. Contém «un traité de cuisine fort étendu, et un autre non moins complet sur la chasse à l’épervier». 2 vols. No 2.º vol. desta obra encontra-se uma colecção de receitas de Hotin, cozinheiro de Monsenhor de Roubaix, muito estimada.

Também em Le livre pour la santé du corps garder de mestre Aldebrandin, médico do rei de França, se encontra a descrição e crítica dos condimentos, curiosas pois que o livro apareceu em Lyon, 1480.

Em 1507 aparecia o primeiro livro de dietética, que nós saibamos. Intitula-se La Nef de santé. Avec le gouvernail du corps humain et la condamnation des banquets à la louenge de diète et sobriété et le traictié des passions de l’âme (par Nicolas de La Chesnaye). Saíram outras edições em 1511, 1512 (?), 1561, etc.

Esta última compreende apenas duas primeiras partes das quatro que compõem La Nef intitula-se Régime de vivre et conservation du corps humain.

O século de 500 é fértil nestes e noutros livros iguais, pois o comer foi sempre uma preocupação francesa, ou não fosse o francês considerado o melhor cozinheiro do mundo. La pratique de faire toutes confitures, condiments… etc., Lyon, 1558, é o primeiro tratado de confeiteiro. A primeira edição é de Paris, 1550, e é autor do livro Baptiste de Cavagioles. Seguem-se-lhe a obra de Mestre Michel de Nostre Dame, médico e astrólogo que se ocupa de doces; a de Girolamo Ruscelli, 1567; a do médico Jacques Pons, sobre os melões, Lyon, 1583, livro bem curioso reimpresso em 1680; até que o século XVII abre com o tratado de agricultura, de Olivier de Serres.

Os médicos têm uma certa tendência para a gastronomia. É também de «Joseph du Chesne, sieur de la Violette» Le Pourtrait de la Santé, livro de dietética que é também pleno de boas receitas. Duchesne publicou o seu livro em 1606. Médico foi Barthélemy Linand, gastrónomo de 1700, como hoje o é Pomiane e como entre nós, embora não escrevam sobre o assunto, os Drs. Aleu Saldanha, Azevedo Neves, Sobral Cid, Medeiros de Almeida e outros.

É em 1651, Paris, que aparece Le cuisinier françois, «par le Sieur de la Varenne, écuyer de cuisine de M. le Marquis d’Uxelles». Foi reimpresso na colecção Elzeviriana e é dos grandes livros, dos que marcam e que as multidões disputam.

La Varenne, François Pierre, foi realmente um grande cozinheiro. Além dêste livro ainda escreveu outro sôbre pastelaria, Le Pastissier françois, publicado em 1653, sem nome do autor. Saiu em 1555 a edição de Amsterdam, muito rara, tem atingido em leilões a soma de 10.000 francos. Saiu em 1662, pela primeira vez assinado. Também é de La Varenne Le Parfait Confiturier que Ribou publica em 1667.

Um inovador em cozinha foi Pierre de Lune, autor de Le Cuisinier, que saiu em 1656. Saíram, após a obra de compilação, L’Escole parfaite des Officiers de bouche, em 1662, e uma curiosa Art de bien traiter (1674). Em 1691 apareceu um livro que ràpidamente fez esquecer La Varenne. Foi Le Cuisinier Royal et Bourgeois e a Nouvelle instruction pour les confitures, les liqueurs et les fruits (1696). Seu autor, Massialot, foi cozinheiro de muitas casas ilustres, que o disputaram, e os seus livros tiveram o que hoje se chama, ainda à francesa, um grande sucesso.

Grande cozinheiro foi também La Chapelle (Vincent), autor do Modern Cook, publicado em Londres em 1733, que Carême achava «livro digno de consideração», e do Cuisinier Modern, sua tradução. A La Chapelle se deve também uma edição aumentada do Cozinheiro real e burguês de Massialot. Em 1738 apareceu em Paris o Festin Joyeux ou La Cuisine en Musique por Lebas. É sobretudo original neste a maneira de dar receitas em verso.

Inaugura a série dos livros das especialidades regionais Le Cuisinier Gascon (1740), de que se não conhece nome de autor. Em 1746 aparece La Cuisinière bourgeoise, de Menon, que foi logo considerado um clássico da culinária. O seu livro Les Soupers de la cour (4 vols.), 1755, são — diz La fleur de la Cuisine française — com Les Dons de Comus ou Les Délices de la Table, por Marin (1739) e Le Cuisinier moderne, de Vincent La Chapelle, «les plus précieux documents culinaires que nous ait légués le XVIII.e siècle».

Quanto ao século XIX foi o século dos grandes cozinheiros. Em 1808 logo nos aparece Grimod de La Reynière com o Manuel des amphitryons e o Almanach des gourmands, até que em 1842 nos aparece o grande Antoine Carême com Le Maître d’hôtel français e Le cuisinier parisien.

Hoje os trabalhos bons são inúmeros. E como tal não seria, se há gastrónomos como Curnonsky, Henri Babinski (Ali Bab), o autor da Gastronomie Pratique, Ernest Verdier, A. Escoffier, o autor de Le guide culinaire e tantos outros.

A França conserva ainda a flâmula azul da gastronomia. Honra lhe seja.

ITÁLIA

O mais antigo livro de cozinha que conhecemos em italiano é a tradução de outro, escrito em latim… por um italiano. Chamava-se o livro Di Platina: la honesta voluptate: & valitudine: ad lo aplissimo & doctissimo signore B. Roverella. Di scto clemente. pte Cardiale. Foi impresso em Veneza, em 1487. Depois reproduziu-se ainda em 1494, 1500, 1508, 1516.

Foi seu autor Bartolomeu de Sacchi, que nasceu em Piadena, em 1421 e morreu em Roma, em 1481. Historiador, bibliotecário do Vaticano, prisioneiro político, além da sua obra sobre os Papas, deixou também êste livro, onde são tratadas as coisas de cozinha. Conhecido por Platina, o seu livro intitula-se Opusculum de obsoniis ac honesta voluptate, e foi impresso em Veneza, em 1475.

Saiu, sucessivamente, em 1470, 1498, 1499, 1502, 1517, 1529, 1530, 1541, sendo traduzido em francês e publicado em Lyon, em 1505. Chama-se:
Platine en françoys tresutile r necessaire pour le corps humain qui traicte de honeste volupte et de toutes viandes et choses que lôme menge, quelles vertus ont et en quoy nuysent ou prouffitent au corps humain, et comment se doyuent apprester ou appareiller, et de faire a chascune dicelles viandes soit chair ou poisson sa propre saulce, r des propriétés r vertus que ont les dites viandes. Et du lieu et place couenable a l’ôme pour abiter, et de plusieurs aultres gentillesses par quoy lomme se peult maintenir em prosperite et sante sans auoir grāt indigēce dauoir aultre medecin sil est homme de rayson.

No fim declara-se que a obra foi muito aumentada por «messire Desdier». Didier Christol foi certamente o tradutor. Era prior de S.te Maurice perto de Montpelier. Desta tradução aumentada se fizeram edições em 1509, 1528, 1530, 1539, 1548, 1567, 1571, 1602, etc.

Depois de Platina, o mais antigo livro que conhecemos de culinária italiana é a Opera nuova di Ricette et secreti che insegna apparechiare una Mensa a uno convito. Et etiam, a tagliar in tavola de ogni sorte carne et dar li cibi secondo lordine che usano li scalchi: et seguita il modo de incalmar ogni sorte frutti a conservar quelli con altre gentilezze. Foi impresso cêrca de 1500 e traduzido em francês, publicando-se em Lyon em 1541 com o título Le batiment de recettes.

A esta obra segue-se a de Roselli ou Rosseli Opera nova chiamata Epulario, quale tracta il modo de cucinare ogni carne, uccelli, pesci d’ogni sorte. Et fare sapori, torte, pastelli, al modo de tutte la provincie, composta por maestro Giovanne de Rosselli. Foi impressa em Veneza em 1516 e é tanto mais curiosa quanto é certo que é escrita por um francês «maestro Giouane, Rosselli francês», se declara na 2.ª ed. impressa em Veneza no ano seguinte, 1517. Parece que a obra agradou imenso, pois ainda em 1517 se fez outra edição, repetindo-se em 1518, 1521, 1536, 1557, 1579, etc.

Perante a aceitação do francês, não podiam os tratadistas nacionais ficar insensíveis e assim apareceu entre as obras da especialidade a de Jo. Francesco Colle Refugio de Porfro gentiluomo, que foi impressa em Ferrara em 1520 e reimpressa em 1532, com o título Refugio over ammonitorio de Gentilhuomo, dedicada a «Alphonso duca di Ferrara». É um curioso tratado de cozinha e trinchante. As receitas são em verso e traz uma gravura representando um garfo e uma faca.

A esta seguiu-se a de Christoforo de Messisburgo Banchetti, compositioni di vivande, et apparecchio generale, aparecida em Ferrara, em 1549 e em Veneza, em 1581. Esta 2.ª edição tem por título Libro novo nel qual s’insegna il modo d’ordin ar banchetti, apparecchiar tavole, fornir palazzi et ornar camere per ogni gran principe et a far ogni sorte di vivanda secondo la diversità de i tempi…

Em 1566 saiu dos prelos de Veneza La singolare dottrina dell’ officio dello scalco, dei condimenti, di tutte le vivande, por Domenico Romoli «sopra-nominato Panunto» e mantinha-se o interesse no seu apogeu quando surgiu o famoso Il Trinciante di M. Vicenzo Cervio, ampliato et ridotto a perfettione dal Cav. R. Fusoritto da Nagni. Saiu a primeira edição de Veneza, 1581, lembrando-nos de outras: Roma, 1593;Veneza, 1593; e Veneza, 1710. A edição de Roma é raríssima, desconhecida dos bibliógrafos. Só sabemos que L. Olschki, livreiro de Florença, teve um exemplar à venda em 1900, anotando no seu catálogo: «Livro de cozinha muito raro e curioso indicando a maneira como se deve cortar toda a sorte de carnes, peixes e frutos; dizendo igualmente a ordem a seguir para receber um papa, um rei e outros príncipes; contendo um tratado sobre peixes e uma curiosa peça em verso sobre a qualidade e preparação de carnes, aves, caça, etc.».

Cervio teve um seguidor: Bartolomeo Scappi, que foi cozinheiro particular do papa Pio V. O seu livro, muito estimado pelos pormenores sobre o luxo e a magnificência da mesa no século XVI, em Roma, intitula-se Opera divisa in sei libri, (I. Ragionamento dell’ autore con Gio, suo discepolo. II. Di diverse vivande di carne, si di quadrupedi, come di volatili. III. Della statura e stagione de pesci. IV. Le liste del presentar le vivande in tavola. V. L’ordine di far diverse sorti di paste, etc. VI. Sorti di vivande per convalescenti et infermi). — Veneza, 1596. Tem o retrato do autor e 26 curiosas gravuras. Foi como as outras obras muito reproduzido. Na edição de Veneza em 1622, diz-nos Graesse, que junto vem Il Trinciante e a obra de Cesar Pandini Il Maestro di casa.

Mas entre Cervio e Scappi apareceu um livro que passou despercebido Dello scalco et gli ordini di una casa da Principe e i modi di servirlo così in banchetti come il tavole ordinarie, saído de Ferrara em 1584 e da autoria de Giov. Batt. Rossetti. Este é um velho livro de quinhentos, sem data, original do Maestro Giovane, Opera dignissima: et utile per che si diletta di Cucinar e: con molti bellissimi secreti di comporre, et conservare vivande: et molti altri secreti di più cose: composto p. il valete, Maestro Giovanni de la Cucina de la Santità di nostro Summo Pontifici, não tiveram êxito notável, visto o ruído anunciador os ter abandonado.

No século seguinte, Vittorio Lancelloti di Camerino publicou Lo Scalco prattico (Roma, 1627), e Mattia Giegher, Li tre trattati di Mattia Giegher, bavaro di Mosburg, trinciante dell’ illustrissima natione alemanna in Padova, nel primo si mostra il modo de piegare ogni sorte di panni lini, cioè, Salviette e Tovaglie, e d’apparecchiare una Tavola, con altre galanterie: nel secondo, intitolato lo Scalco, s’insegna oltr’al conoscere le stagioni di tutte le cose che si mangiano, la maniera di mettere in tavola le vivande: nel terzo, detto il Trinciante, s’insegna il modo di trinciare ogni sorte di vivande. Saiu em Pádua em 1639 e, segundo Brunet, é curioso e assás raro.

ESPANHA

Espanha, e em Espanha a Catalunha levou-nos a primazia. O primeiro livro de arte culinária apareceu em Barcelona antes de 1520. Chamava-se Llibre de doctrina Pera ben Seruir: de Tallar: y del Art de Coch: ço es de qualsevol manera de Potatges y salses e assina-o Robert de Nola, ou como diz o próprio volume mestre Robert coch del Serenissimo senyor dõ Fernando Rey de Napols. Tem na capa um cozinheiro sentado numa «banqueta de três pies dando volta ao que n’uma panela está ao lume».

Depois aparece-nos a 2.ª edição, estampada em Barcelona em 1520. Na capa um pagem apresenta uma taça a um cavaleiro sentado à mesa. À direita, um cozinheiro prova o conteúdo de uma panela que o fogo rodeia. Em 1520 aparece-nos ainda outra edição. Uma é impressa por Carles Amoros prouensal, outra por Jaume Cortey librater.

Saiu então em 1525 de Toledo, oficinas de Ramón de Petras, custeada pelo Alcaide de Logronho, D. Diogo Perez Dauila, a 1.ª edição castelhana (¹). Intitula-se, (vale a pena transcrever o rosto de tal monumento):

Libro de cozina cõpuesto por maestre Roberto de Nola cozinero q fue d’l serenissimo señor rey dõ Hernãdo de Napoles: de muchos potajes y salsas y guisados para al tiempo d’l carnal y de la quaresma: y manjares y salsas y caldos para dolientes de muy grã sustancia, y frutas de sarten: y marçapanes: y otras cosas muy prouechosas. y del seruicio y oficios de las casas de los reyes y grandes señores e caualleros: cada vno como ade seruir su cargo, y el trinchant como ade cortar todas maneras de carnes; y de aues, e otras muchas cosas en añadidas mui prouechosas. Teve privilégio real por dez anos. (¹) Saíram edições: Em Barcelona 1535, 1560, 1564, 1568, 1575 e 1578; Toledo 1529, 15-8, 1543, 1544, 1577; Logroño, 1529; Medina, 1549; Zaragoza, 1552, 1568; Valladolid, 1566; e modernamente em Barcelona, 1835, 1837 e 1852.

Diz-se no prólogo que mestre Ruberto de Nola era «cozinero mayor» do rei D. Fernando de Nápoles e que muitas vezes este lhe mandou «que hiziesse vn tractado desta arte de mi officio por que quedasse de mi alguna memoria a mis criados para que tuuiessen algun fundamento en la dicha arte de adereçar de comer: y guisar manjares y potajes…».

Afirma-se que saiu uma edição em Toledo, em 1477. Nada podemos encontrar. Haebler não a aponta e o nosso Salvá nada nos diz.

Também um livro curioso é o de D. Henrique de Aragon, Marquês de Villena, Arte cisória, o tratado del arte de cortar del cuchillo. Esta arte em Portugal chama-se arte de trinchar.

Em 1599 também se imprimiu em Madrid, por Luis Sánchez, Libro del Arte de Cozina, por Diego Granado. Foi livro muito apreciado, pois logo em 1609 se reimprimiu em Madrid, e em 1614 em Lérida.

Estes, e o de Francisco Martinez Motiño, de quem atrás falamos, são alguns dos mais velhos livros da culinária sugestiva e curiosa do país irmão.

INGLATERRA

Brunet, sobre livros de cozinha ingleses, aponta-nos dois, o primeiro de 1500 This is the boke of Cokery. Here beginneth a noble boke of festes royalle and Cokery a boke for a pryncis housholde or any other estates; and the makynge therof accordynge as ye shall fynde more playnly within this boke, e o segundo de 1508 Here begynneth the boke of Kervynge, publicado em Londres.
Ambos, diz o nosso informador, nos revelam a ordem dos festins e usos culinários ingleses de fins do século XV.

É também notável para a história da culinária inglesa a obra de Richard Warner Antiquitates culinariæ; or, curious tracts relating to the culinary affairs of the old english, with a preliminary discourse, notes, and illustrations. London, 1791 livro que é raro e muito curioso.

ALEMANHA

O primeiro livro de cozinha alemão sem data mas do século XV é o Kuchenmaistrey de que saíram várias edições em 1480, 1500, 1530, 1545, 1559, etc.

Depois temos notícia de dois livros. Um o de Abrahão Werner Oratio de confectione ejus potus, qui Germaniæ usitatus, veteri vocabulo, secundum Plinium, Cerevisia vocatur, que foi impresso em Wiebergæ em 1567. O outro de Marx Rumpolt Ein new Kochbuch, d. i. gründliche Beschreibung wie man nicht allein von vierfüssigen, heymischen und wilden Thieren, sondern auch von mancherley Vögeln und Fewrwildpret, grünen und dürren Fischen allerlei Speyss auf teutsche, ungerische, hispanische, italian u. französische weyss zubereiten soll. Freckt. a. M., Feyerabend 1576, in-fol. Há outras edições de 1581, 1583 e 1604. Marx Rumpolt publicou em 1581 O Koch vnd Kellermeisterei, Daraus man alle Heimligkeit desz Kochns zu lernen hat, von allen Speissen wie man sie bereiten sol, sampt eines jeden essens wirckung. 1581.

LATINAS

As obras latinas mais afamadas em culinária são Apiciys in re cvoquinaria, 1498. Este livro, do celebrado gastrónomo da antiguidade, teve várias edições, umas no século XV, outras no princípio do século XVI. Em Londres em 1705, e em Amstelod., 1709, fizeram-se duas edições, havendo outra de 1791. Em Paris saiu ultimamente uma de luxo.

Também cêrca de 1540 saiu Ars magirica hoc est coquinariæ de cibariis ferculis opsoniis alimentis et potibus diversis parandis, etc., de Willichius.

E aqui tem o leitor em breves traços uma resenha dos monumentos primitivos da gastronomia dos povos. Saiu-me em sorte fazê-la porque ninguém a fizera antes. Mas se não satisfaz, leitor, passa adiante.

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Lisboa de outrora / João Pinto de Carvalho, sobre O Cozinheiro João da Matta

Lisboa de outrora

AUTOR: João Pinto de Carvalho

CARVALHO, Pinto de, 1858-1936

Lisboa de outrora / João Pinto de Carvalho ; edição literária, coordenação e notas de Gustavo de Matos Sequeira e Luís de Macedo. — Lisboa : Grupo de Amigos de Lisboa, 1939. — v. ; 21 cm.

VIII

O cozinheiro João da Mata

A arte da cozinha, l’art de gueule, no dizer de Montaigne, foi apreciada por altas individualidades políticas e literárias. Luís XV perdoou a derrota de Rosbach ao duque de Soubise, por causa de uma omelette, que este marechal inventara; e Napoleão I avaliava a importância daquela arte, quando fornecia estas únicas instruções diplomáticas ao abade de Pradt: — Soignez les femmes et donnez des bons dîners. Voisenon compoz esta sextilha apetitosa:

La sagesse est de bien dîner,
En commençant par le potage ;
La sagesse est de bien souper,
En finissant par le fromage ;
On est heureux si l’on peut se gaver,
Et si l’on digère, on est sage.

Alexandre Dumas escreveu o Grand Dictionnaire de Cuisine; Balzac gabava de descrever as ceias de Corália e da alegre sociedade que gravitava em torno de Rubempré; George Sand, no castelo de Nohant, frequentemente cozinhava para os seus convidados; e Henri de Villemessant, fundador do Figaro, comia pantagruelicamente.

Alguns escritores portugueses cultivaram a culinária. Assim, Bernardino Martins preparava esplendidamente o arroz de Caril; Teixeira de Vasconcellos fazia um divino arroz doce; Bulhão Pato cozinhava toda a espécie de caça; Ramalho Ortigão manipulava alguns acepipes; e Júlio César Machado atingia o sublime em vários pratos, especialmente nas caldeiradas.

João da Mata era filho do velho cozinheiro João da Mata, rival dos mais célebres cozinheiros do seu tempo: o Domingos Carena e Manuel José Barreiros, o Manuel do Lumiar. O velho Mata faleceu, quando o filho contava apenas doze annos. Como sua mãe e sua irmã ficassem nas mais precárias circunstâncias, o petiz tratou de procurar occupação adequada à sua idade, a-fim de poder ganhar a vida. Com esse intuito, sua mãe pediu a um capitão de navios, que o levasse para o Brasil, onde se empregaria no commercio. Combinou-se tudo, e, na véspera da partida, João da Mata, acompanhado por um baú cheio de roupa, foi dormir em casa do capitão.

Durante a noite, porém, atemorizado com os perigos de uma viagem marítima, não pregou olho. Ao pintar da aurora, sahiu de casa e foi sentar-se no Rossio, decididamente resolvido a não abandonar Lisboa. Mas um cozinheiro, amigo do pai Mata, passou por ali, em direcção à praça da Figueira, e encontrou-o. Perguntando-lhe o que fazia naquele sítio e àquela hora, o pequeno, lavado em lágrimas, contou-lhe tudo. O bom do homem offereceu-se, então, para o empregar, como marmiton, na casa onde servia, ao que o rapazito annuiu.

João da Mata demonstrou prodigiosamente, que tinha queda para a manipulação dos manjares.

Ascendendo das modestas funcções de bicho de cozinha à categoria de cordon bleu, trabalhou nas primeiras casas lisboetas, a última das quaes foi a do Visconde da Várzea da Ordem. Em 1848, estabeleceu-se com restaurante num 1.º andar da rua do Alecrim, esquinando para o Cais do Sodré.

No anno de 1851, o immortal cozinheiro renovou-o «com todo o gôsto parisiense», annunciando elle no Diário do Governo.

O notável restaurante figurou na comédia em 5 actos Lisboa à noite, imitada de Paris, quadros por Mendes Leal e representada no theatro de D. Maria II em 1851, cujo 3.º acto se intitulava Uma ceia no Mata.

Em 1858, o Mata mudou-se para a loja e 1.º andar do prédio agora ocupado pelo Monte-Pio Geral. Ahi se deu um célebre banquete, presidido pelo Duque de Saldanha, que, circunstância curiosa, jamais dispensou um prato de açorda nos seus almoços caseiros.

O restaurante do Mata acabou em 1864.

E o grande manipulador de petiscos, não desejando ficar inactivo, abriu um hotel no Chiado, onde hoje está o Turf-Club. Estabeleceu depois um restaurante num 1.º andar da rua do Ouvidor e um hotel no palácio do Rêgo do Chiado, fronteiro à Casa Havanesa. Mais tarde, reuniu todos estes estabelecimentos só, o Grande Hotel do Mata, instalando-o no palácio do Calhariz (actual Caixa Geral dos Depósitos). Ahi se hospedaram D. Pedro II, Imperador do Brasil, os condes de Eu, Sarah Bernhardt e outras notabilidades.

Do Calhariz mudou o seu hotel para a Avenida da Liberdade, n.º 55, dando-lhe o título de Grande Hotel de Lisboa. Em 1886 e 1888 esteve aqui a eminente cantora Adelina Patti.

João da Mata compoz um Arte de Cozinha, em que ensina a cozinhar todas as iguarias: desde a sopa de rabioli à Tivoli até aos filés de cedorinhas à Vallayran.

A sua vida teve episódios interessantes. O seguinte foi-nos referido por elle próprio, em 1893.

Mendes Leal, escritor pobre e filho de um simples maquinista de theatros, jantava frequentemente no Mata, onde aparecia envolto no seu amplo capote de bandas de veludo carmezim e onde ficou a dever dez tostões. Muitos annos depois, exercia o cargo de ministro da marinha no gabinete de Loulé, quando o governo offereceu um grande jantar na Sala do Risco, no Arsenal de Marinha, por occasião do casamento de el-rei D. Luiz. Mendes Leal fez chamar o Mata, e, depois de se fixar o custo do banquete, meteu a mão na algibeira, tirou dez tostões e entregou-lhos, dizendo:

— «Sr. Mata, aqui tem os dez tostões que lhe devo desde o tempo em que frequentava o seu restaurante do Cais do Sodré. Desculpe, mas não lhos pude pagar mais cedo.»

João da Mata faleceu octogenário. Com elle desapareceu um cozinheiro, que podia ser desdobrado, como dinastia culinária, que principiou com Domingos Rodrigues, cozinheiro de D. João V; continuou com Francisco Mettras, cozinheiro de D. Maria I; José da Cruz Alvarenga, cozinheiro de D. João VI; Jacques Étienne Francbourg Bonnay, cozinheiro de D. Pedro IV (a quem acompanhou da ilha Terceira); e João André, cozinheiro de D. Maria II, para vir terminar em Francisco Guéri e Manoel Ferreira, cozinheiros de D. Luiz I.