Esta última compreende apenas duas primeiras partes das quatro que compõem La Nef intitula-se Régime de vivre et conservation du corps humain.
O século de 500 é fértil nestes e noutros livros iguais, pois o comer foi sempre uma preocupação francesa, ou não fosse o francês considerado o melhor cozinheiro do mundo. La pratique de faire toutes confitures, condiments… etc., Lyon, 1558, é o primeiro tratado de confeiteiro. A primeira edição é de Paris, 1550, e é autor do livro Baptiste de Cavagioles. Seguem-se-lhe a obra de Mestre Michel de Nostre Dame, médico e astrólogo que se ocupa de doces; a de Girolamo Ruscelli, 1567; a do médico Jacques Pons, sobre os melões, Lyon, 1583, livro bem curioso reimpresso em 1680; até que o século XVII abre com o tratado de agricultura, de Olivier de Serres.
Os médicos têm uma certa tendência para a gastronomia. É também de «Joseph du Chesne, sieur de la Violette» Le Pourtrait de la Santé, livro de dietética que é também pleno de boas receitas. Duchesne publicou o seu livro em 1606. Médico foi Barthélemy Linand, gastrónomo de 1700, como hoje o é Pomiane e como entre nós, embora não escrevam sobre o assunto, os Drs. Aleu Saldanha, Azevedo Neves, Sobral Cid, Medeiros de Almeida e outros.
É em 1651, Paris, que aparece Le cuisinier françois, «par le Sieur de la Varenne, écuyer de cuisine de M. le Marquis d’Uxelles». Foi reimpresso na colecção Elzeviriana e é dos grandes livros, dos que marcam e que as multidões disputam.
La Varenne, François Pierre, foi realmente um grande cozinheiro. Além dêste livro ainda escreveu outro sôbre pastelaria, Le Pastissier françois, publicado em 1653, sem nome do autor. Saiu em 1555 a edição de Amsterdam, muito rara, tem atingido em leilões a soma de 10.000 francos. Saiu em 1662, pela primeira vez assinado. Também é de La Varenne Le Parfait Confiturier que Ribou publica em 1667.
Um inovador em cozinha foi Pierre de Lune, autor de Le Cuisinier, que saiu em 1656. Saíram, após a obra de compilação, L’Escole parfaite des Officiers de bouche, em 1662, e uma curiosa Art de bien traiter (1674). Em 1691 apareceu um livro que ràpidamente fez esquecer La Varenne. Foi Le Cuisinier Royal et Bourgeois e a Nouvelle instruction pour les confitures, les liqueurs et les fruits (1696). Seu autor, Massialot, foi cozinheiro de muitas casas ilustres, que o disputaram, e os seus livros tiveram o que hoje se chama, ainda à francesa, um grande sucesso.
Grande cozinheiro foi também La Chapelle (Vincent), autor do Modern Cook, publicado em Londres em 1733, que Carême achava «livro digno de consideração», e do Cuisinier Modern, sua tradução. A La Chapelle se deve também uma edição aumentada do Cozinheiro real e burguês de Massialot. Em 1738 apareceu em Paris o Festin Joyeux ou La Cuisine en Musique por Lebas. É sobretudo original neste a maneira de dar receitas em verso.
Inaugura a série dos livros das especialidades regionais Le Cuisinier Gascon (1740), de que se não conhece nome de autor. Em 1746 aparece La Cuisinière bourgeoise, de Menon, que foi logo considerado um clássico da culinária. O seu livro Les Soupers de la cour (4 vols.), 1755, são — diz La fleur de la Cuisine française — com Les Dons de Comus ou Les Délices de la Table, por Marin (1739) e Le Cuisinier moderne, de Vincent La Chapelle, «les plus précieux documents culinaires que nous ait légués le XVIII.e siècle».
Quanto ao século XIX foi o século dos grandes cozinheiros. Em 1808 logo nos aparece Grimod de La Reynière com o Manuel des amphitryons e o Almanach des gourmands, até que em 1842 nos aparece o grande Antoine Carême com Le Maître d’hôtel français e Le cuisinier parisien.
Hoje os trabalhos bons são inúmeros. E como tal não seria, se há gastrónomos como Curnonsky, Henri Babinski (Ali Bab), o autor da Gastronomie Pratique, Ernest Verdier, A. Escoffier, o autor de Le guide culinaire e tantos outros.
A França conserva ainda a flâmula azul da gastronomia. Honra lhe seja.