Categorias
LIVROS posts individuais

2017 Arte de Cozinha de Domingos Rodrigues – reedição

Arte de Cozinha de Domingos Rodrigues

Reedição 2017

TÍTULO: Arte de Cozinha de Domingos Rodrigues

SUB TÍTULO: 

AUTOR: Domingos Rodrigues

NOTAS DE AUTORIA: Leitura, Apresenteção, Notas e Glossário são da autoria de Maria da Graça Pericão e Maria Isabel Faria

PREFÁCIO: Inês de Ornellas de Castro

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 22/05/2017

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: 

EDITORA: Relógio d Água

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: Capa Mole

FORMATO / DIMENSÕES: 15,3 x 23,3 cms

NÚMERO DE PÁGINAS: 408

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN: EAN: 9789896417345

COLECÇÃO DE: SELO DE MAR

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 00

OBSERVAÇÕES:

textos em Arte de Cozinha de Domingos Rodrigues

Nesta edição: Leitura, Apresenteção, Notas e Glossário são da autoria de Maria da Graça Pericão e Maria Isabel Faria

Edições da Arte de Cozinha

Em Portugal a Arte de Cozinha impôs-se definitivamente na culinária das elites, a ponto de se terem esgotado rapidamente as sucessivas edições, o que revela a procura dos exemplares. Algumas delas são assinaladas por Inocêncio, que é muito vago na sua descrição, e não lhes atribui grande destaque. Este bibliógrafo começa por citar a edição princeps, que contém apenas a primeira e segunda partes, e saiu em Lisboa, impressa por João Galrão em 1680.

Além desta edição, tivemos oportunidade de concluir pela existência de muitas outras, que localizámos quer em bibliotecas oficiais quer em bibliotecas particulares. É delas que a seguir daremos conta. Atribui-se ao mesmo impressor uma outra, a segunda, editada em 1683 e que insere uma dedicatória ao Conde de Vimioso, cujo pai o autor serviu durante longos anos. Nela Domingos Rodrigues faz o elogio do ilustre fidalgo e oferece-lhe respeitosamente a obra: “…esta pequena demonstração do meu afecto”, para que a receba “debaixo do seu amparo”.

Gilberto Freyre, em Casa-Grande e Senzala, refere uma edição de 1692. Poderá, no entanto, tratar-se de uma edição fantasma, dado o facto de ser este o único autor a referenciá-la.

Em 1693 Manuel Lopes Ferreira imprimiu em Lisboa uma outra, que saiu adicionada com a Terceira parte da forma dos banquetes para qualquer tempo do anno, e do modo com que se hospedarão os Embaixadores, e como se guarnece huma meza redonda à Estrangeira.

A esta edição seguiu-se outra, dos prelos da Officina Ferreiriana, datada de 1732 e citada também por Inocêncio. Foi esta a que serviu de base ao presente texto. Em 1741 veio a lume uma edição nova, desta feita impressa por Carlos Esteves Mariz, e na Cozinha do Mundo Português é citada uma edição de 1754; quatro anos mais tarde, em 1758, o impressor Manuel António, na sua oficina de Lisboa, imprime de novo a obra, e em 1765 é a vez de a imprimir João António da Costa, também em Lisboa; uma nova edição sai dos prelos de João António dos Reis em 1794, e é reeditada nos mesmos prelos em 1804; dez anos mais tarde, em 1814, a oficina de Eugénio Augusto, em Lisboa, faz vir a lume nova edição e no mesmo ano é editada na Impressão Régia, também em Lisboa; em 1821 é novamente impressa pela Viúva de Lino da Silva Godinho; em 1836 sai mais uma vez da Oficina de J. N. Esteves e Filho, Rua dos Capelistas, 31-C, em Lisboa.

Inocêncio, que menciona apenas seis edições do tratado, diz que poderia referenciar muitas outras. Na opinião deste bibliógrafo, trata-se de um texto “entre nós popularíssimo”. Corroborando esta ideia, assinalamos a existência de uma edição de 1836 impressa em Lisboa na Tipografia de Eugénio Augusto; a última edição que Inocêncio tem presente é esta, embora creia que depois dela mais alguma ou algumas se fizeram, como o comprovam as sucessivas edições até ao século XX.

O interesse motivado por esta publicação na época está bem patente no número de edições acabado de apresentar. Está-o também no facto de este título ter sido retomado pelos autores que posteriormente escreveram obras do mesmo género.

Do título

O título terá sido inspirado pela Arte de cocina, pastelería, vizcochería y conservería, de Francisco Martínez Montiño, publicada em Madrid, por la Viuda de Luis Sánchez, em 1611. Esta hipótese não será de excluir, dado que Martínez Montiño foi cozinheiro de Filipe I, II e III de Portugal. Mais tarde, o título Arte de Cozinha irá permanecer, identificando e lembrando que praticar a cozinha era exercer uma Arte. Exemplo disso são o livro Arte de cozinha para se governarem os que curiosamente quiserem guizar, compilado por Frei Manuel de Santa Teresa, ou o Cozinheiro moderno ou Nova Arte de Cozinha, de Lucas Rigaud, publicado em 1780.

Tanto quanto se sabe, até finais do século XIX há notícia de apenas sete títulos publicados em Portugal; desse elenco fazem parte a Arte de Cozinha, o Cozinheiro Moderno ou Nova Arte de Cozinha, o texto anónimo Arte nova, e curiosa, para Conserveiros, Confeiteiros e Copeiros (1788), a Arte do Cozinheiro e do Copeiro, da autoria do 1.º Visconde de Vilarinho de São Romão (1841), a obra anónima Formulário para cozinha e copa, coordenado por um curioso da província do Minho (1860), o livro de Paul Plantier O Cozinheiro dos Cozinheiros (1870) e a Arte de Cozinha, de João da Matta (1876).