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s.d. [1930] Quaker Oats – Receitas

Quaker Oats- Receitas

circa 1930

TÍTULO: Quaker Oats- Receitas

SUB TÍTULO: Um alimento delicioso e económico con muitas receitas especialmente adaptadas à cozinha Portugueza. 

AUTOR: 

NOTAS DE AUTORIA: Tradução Fernando Pessoa

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: Sem data

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: 

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: Brochado

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 32 páginas

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: 

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 00

OBSERVAÇÕES: (Madrid, Vicente Rico). Trata-se do famoso opúsculo- propaganda dos flocos de aveia Qaker Oats, cuja tradução é atribuída a Fernando Pessoa.

“(…) Este produto, pode dizer-se, constróe, renova, sustenta e reanima as energias do corpo humano. O seu sabor é excelente, a sua preparação fácil e o seu preço económico, sendo também de grande importância o facto de êste alimento se poder preparar de variadíssimas formas. A Senhora D. Melchora Horrero, professora de Arte Culinaria na Escola del Hogar, de Madrid, oferece, nas páginas que se seguem, interessantes e deliciosas fórmulas para empregar a Quaker. Sopas, môlhos, recheios, frituras, pastelões de legumes ou carne — em qualquer dêstes pratos o adicionar a Quaker é um precioso recurso. (…)”.

Edição ?

Edição ?

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c. 1930 Como devo governar a minha casa

Como devo governar a minha casa

c. 1930

TÍTULO: Como devo governar a minha casa

SUB TÍTULO: Orçamento Familiar ou Ecónomia Doméstica por Rosa Maria

AUTOR: 

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: c. 1930

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: Lisboa

EDITORA: Empresa Literária Universal

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: 

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 00

OBSERVAÇÕES:

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1928 Thesouro de Cosinha

Thesouro de Cosinha

Collecção de Manuaes Modernos

TÍTULO: Thesouro de Cosinha

SUB TÍTULO: Collecção de Manuaes Modernos

AUTOR: Jorge Cavalheiro 

NOTAS DE AUTORIA: (cozinheiro-chefe do antigo Hotel Universal)

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1928

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: Lisboa

EDITORA: Escriptorio de Publicações

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO: Collecção de Manuaes Modernos; I 

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998:
BN C.G. 3239 P.
S.A1. 1516º V.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 11

OBSERVAÇÕES:

Thesouro de Cosinha

Variadas receitas dos mais apurados e saborosos pratos de Culinária (Arroz, bacalhau, bolinhos, carnes, conservas, croquetes, aspargos, filetes, fritados, molhos, omelettes, pastellões, peixes, pudins, purés, sopas, tostes, etc.)

— Maneiras várias de fazer os mais deliciosos doces (Cremes, pães, pastéis, pudins, queijadas, queques, licores, etc.)
— Menu especial do Natal e Ano Novo (Aletria, arroz doce, bolo-rei, filhoses, pão de ló, rabanadas, sonhos, etc.)

Por Jorge Cavalheiro
(Cozinheiro-Chefe do antigo Hotel Universal)

Escriptorio de Publicações
Rua da Fábrica, 22 e 24 — Porto

“Todas as receitas aqui publicadas foram experimentadas com o maior êxito, sendo, portanto, de resultado seguro.”

11
CAVALHEIRO, Jorge
Thesouro de cosinha / por Jorge Cavalheiro. — 2.ª ed., aum. — Porto: Escriptorio de Publicações, [s. d.]. — (Col. Manuaes Modernos; 1)
Cozinheiro-chefe do antigo Hotel Universal.
BN C.G. 3239 P.
S.A1. 1516º V.

Hotel Universal de Ramires & C.ª, c.1910. [AHMP |  Portodhonra

Hotel Universal – Porto – 1907  Restos de Colecção

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(s.d.) A Cozinheira Moderna

A Cozinheira Moderna

Interessante guia contendo as mais completas receitas para fazer comida, doces, licores e xaropes

TÍTULO: A Cozinheira Moderna

SUB TÍTULO: Interessante guia contendo as mais completas receitas para fazer comida, doces, licores e xaropes

AUTOR: Maria Saborosa

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: (s.d.)

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:
Outras edições.:
1940 (S.A. 22322P . ; S.A. 23293 P.)
1944 (S.A. 23716P .)

LOCAL: Rua Luz Soriano 31, 33, Lisboa 

EDITORA: Livraria Minerva, Lisboa 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Imprensa Lucas & Cª – Rua do Diário de Notícias, Lisboa

ENCADERNAÇÃO: Brochado

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 112 págs

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: SELO DE MAR
Biblioteca Nacional

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 19929 P.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 464

OBSERVAÇÕES:

 

464

SABOROSA, Maria, pseud.
A cozinheira moderna / Maria Saborosa . — Lisboa : Livr. Minerva, [s. d.]

BN S.A. 19929 P.

Outras edições.:
1940 (S.A. 22322P . ; S.A. 23293 P.)
1944 (S.A. 23716P .)

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1928 Olleboma – Culinária

1928 Olleboma

Culinária

TÍTULO: Olleboma

SUB TÍTULO: Culinária

AUTOR: António Maria de Oliveira Belo

NOTAS DE AUTORIA: António Maria de Oliveira Bello nasceu em Lisboa em 1872. Olleboma é pseudónimo, resultante das iniciais de seu nome lidas ao contrário: OLLEB de Bello, O de Oliveira, M de Maria e A de António.

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1928

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 1ªedição.

LOCAL: Lisboa

EDITORA: Tipografia da Empresa Diário de Notícias

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO: SELO DE MAR

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: 

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998:
BN S.A. 2.320 A.
S.A. 2.321 A

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 93

OBSERVAÇÕES: António Maria de Oliveira Bello (Lisboa, 1872-1935), administrador da Compª Nac. de Navegação e da Sociedade Port. de Seguros, deputado ao Parlamento em 1907 e 1908, foi também coleccionador de mineralogia e grande interessado nas artes culinárias, o que o levou à publicação de 2 livros , sendo esta a 1ª edição. A segunda edição seria editada em 1935/ 36. Foi o fundador da Sociedade Portuguesa de Gastronomia.

93
OLIVEIRA, António Maria de (1872–1935)
Culinária / Olleboma. — Lisboa: Tip. da Emp. Diário de Notícias, 1928.
(Olleboma é o pseudónimo de António Maria de Oliveira Belo.)
BN S.A. 2.320 A.
S.A. 2.321 A.

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LIVROS SELO DE MAR collection

1928 O Doce Nunca Amargou

O Doce Nunca Amargou - 1928

TÍTULO: O Doce Nunca Amargou

SUB TÍTULO: Doçaria portuguesa. História. Decoração. Receituário.

AUTOR: Emanuel Ribeiro

NOTAS DE AUTORIA: Masculino

PREFÁCIO:

SUPORTE:  Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia 

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1928

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 1ª edição

LOCAL: 139 págs

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Imprensa da Universidade

ENCADERNAÇÃO: Brochado

FORMATO / DIMENSÕES: 21x13cm

NÚMERO DE PÁGINAS: 139 págs

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: SELO DE MAR

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

OBSERVAÇÕES:

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1926 A Doceira Familiar:

1926 A Doceira Familiar:

Método Práticto de Fazer Doces, Pudins, Sorvetes, Compotas

TÍTULO: A Doceira Familiar:

SUB TÍTULO: Método Práticto de Fazer Doces, Pudins, Sorvetes, Compotas

AUTOR: Clara T. Costa

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1ª edição -1926

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:
1ª edição -1926 (Livraria Barateira?)
2ª edição
3ª edição
4ª edição
5ª edição
6ª edição
7ª edição – 1957
8ª edição – 1964

LOCAL: 

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: 
SELO DE MAR
Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 27704 P.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 147

OBSERVAÇÕES:

147

COSTA, Clara T.
A doceira familiar: método prático de fazer doces, pudins, sorvetes, compotas… / Clara T. Costa. — 7.ª ed., rev. e aum. — Lisboa: Emp. Literária Universal, 1957.
BN S.A. 27704 P.

in
BiblioAlimentaria

1. Memória gastronómica

29. COSTA, Clara T., A doceira familiar (1957)

Consideraremos as duas obras de Clara T. Costa em conjunto, uma vez que a segunda, como a Autora esclarece nas palavras de abertura Às Leitoras (p.5), constitui um complemento da primeira. N’A doceira familiar são compiladas as receitas doces, ausentes do Guia da cosinheira familiar, mas para as quais remete na proposta de menus semanais, quando indica para o menu do jantar de cada um dos sete dias da semana uma sobremesa, com a menção ao n.º de página no livro Doceira familiar. Como facilmente se depreende, esta é uma estratégia de marketing ao serviço da compra das duas obras pelas mesmas leitoras. Note‑se, também, a afinidade desta obra com outras (Rosa Maria – cat. n.º 15 e 16; Alda de Azevedo – cat. n.º 27) em que se procura orientar as donas de casa, criando sugestões de cardápios diários. Aliás, a preocupação da escritora com a missão formativa da sua obra vem refletida, desde logo, no próprio título. Porque o seu público‑alvo são as “futuras mães de família”, cuja “educação moderna” descura a arte culinária, Clara T. Costa escreve um “guia prático” (p. 6), pois acredita que o prejuízo dessa lacuna na formação da jovem dona de casa pode ser evitado criando material prático, que a oriente, tanto na matéria técnica do cozinhar (para aquelas que “não têm os meios precisos para possuírem uma cozinheira”, p. 5), como na supervisão da cozinha e gestão da economia alimentar doméstica (“É portanto preciso saber…para assim poder mandar”, p. 6).

 “A Doceira Familiar
Clara T.Costa  – Método pratico de fazer Sorvetes, doces, pudins, Bolos Etc – 5º edição revista e aumentada – Edições Populares Lisboa

Os princípios que a Autora apresenta como norteadores das suas publicações são comuns a outras obras publicadas mais ou menos contemporaneamente, todas inspiradas pelos valores da educação feminina vigentes tanto nos inícios da República como sob o Estado Novo. Cuidadora extremosa do bem‑estar e da felicidade da família – provendo‑a com refeições saudáveis e apetitosas – a dona de casa é vista como uma guardiã da boa gestão dos gastos da casa (em especial com a alimentação, que assimila a mais alta renda das despesas do lar). Mas também é tida em conta a necessidade de lhe facilitar uma tarefa que, por ser rotineira, corre o perigo de resvalar na monotonia, o que faria perigar a boa harmonia do lar. É o que se depreende da seguinte observação do prefácio do Guia da cosinheira familiar (p. 6):

“Há muitas donas de casa que se desgostam de fazer comida, mas podem crer que não há satisfação maior para uma boa dona de casa, de que apresentar à família refeições variadas, e que além do seu valor nutritivo tenham o condão de agradarem ao paladar da família”.

É interessante notar um outro denominador comum entre a “filosofia” desta autora e de Alda de Azevedo em matéria de conceção ampla da mesa. Esta não é valorizada só pelas iguarias que são preparadas para serem saboreadas. O próprio paladar depende dos estímulos visuais despertados pela apresentação da comida, da baixela de serviço e pela (boa) disposição de quem serve. Confirma‑se nas seguintes palavras da autora a ideia popular de que “primeiro come‑se com os olhos, depois com a boca”:

“Lembrem‑se sempre que o maior prazer da mesa, não são as iguarias caras, mas sim da maneira que são apresentadas. Um olhar alegre, uma mesa limpa e bem posta, um copo bem limpo e um talher bem areado, fazem o primeiro milagre do apetite”.

Aliás, esta mesma ideia a sintetizara o Editor do primeiro folhetim culinário publicado em Portugal, em 1836, a Annona (n.º cat. 34), quando escreveu no prólogo (Tomo I, n.º 1, p. 16): “O paladar co’ a vista se transforma”.

Porque a obra é escrita a pensar em “futuras mães de família” inexperientes ou pouco conhecedoras da arte culinária, os argumentos apresentados pela autora para tornar os seus livros um produto apetecido são: a simplicidade de execução e a variedade e confiança do receituário. Para merecer a confiança das suas leitoras Clara T. Costa, no prefácio Às Leitoras d’A doceira familiar (p. 5), escuda‑se na autoridade da recolha do receituário em obras da especialidade, na revisão das falhas em sucessivas edições e, sobretudo, na experimentação das receitas. Tão ou mais importante do que a garantia da confiança das compradoras, estímulo imprescindível à venda da obra, é salvaguardar‑se da má publicidade que eventuais fracassos na execução das receitas possam acarretar. Daí a recomendação expressa (p. 5):

“No entanto, como medida de precaução, recomendamos às donas de casa pouco experientes, na maneira de fazer doces, para que comecem pelos mais simples e em pequenas quantidades, aumentando progressivamente as quantidades culinárias à medida da prática e da experiência. Quando não há prática, pode a falta desta resultar em insucessos, que muitas vezes pode prejudicar a boa fama do livro”.

Alguns comentários se impõem ao receituário publicado, desde logo porque na folha de rosto do Guia da cosinheira familiar fica implícita a consciência de identidades e diferenças na culinária apreciada/praticada por indivíduos de Portugal e do Brasil, no subtítulo Para uso dos Portugueses e Brasileiros. Vejamos qual a presença de pratos de “culinárias nacionais” lusófonas numa obra que usa como argumento de diferenciação comercial face a outras obras editadas em Portugal a especificidade cultural dos seus destinatários. A lógica seguida na apresentação das receitas é a ordem alfabética.

A categoria da cozinha dos territórios mais abundante, no caso de Portugal, é a de incidência nacional. Aí deparamos com pratos apelidados de identitários nas mais variadas rubricas, das sopas, às carnes vermelhas, aves e caça, sem esquecer a preparação de ovos, molhos e acompanhamentos. São duas as sopas identificadas: Sopa de grãode bico com espinafres à portuguesa (Guia, p. 88) e Sopa de carne à portuguesa (Guia, pp. 88‑89). A receita deste prato tem o particular interesse de conter uma menção ao Cozido à portuguesa, preparado que não consta do índice, nem tem receita própria, já que mais não é do que o chamado “segundo prato” feito com “o resto do cozido” desta sopa 47. Quanto a carnes de talho, sublinhe‑se a “portugalidade” de consumir partes menos nobres, como a cabeça, seja de porco ou vitela, patente nos pratos: Cabeça de porco com feijão branco e hortaliça à portuguesa (Guia, p. 18); Cabeça de vitela à portuguesa (Guia, p. 19). Noutras circunstâncias a diferença parece apontar para o método de confeção, como sucede com a Carne assada no tacho à portuguesa (Guia, p. 24), a Carne de vaca estufada à portuguesa (Guia, p. 25) e o Leitão assado à portuguesa (Guia, p. 47). As aves de capoeira distinguidas são as mais comuns: galinha (Galinha recheada à portuguesa, Guia, p. 45) e pato (Pato com cabeças de nabo à portuguesa, Guia, p. 70), sem esquecer as apreciadas crias dos pombos, iguaria contemplada nos Borrachos com ervilhas à portuguesa (Guia, p. 17). Em termos de espécies cinegéticas, temos uma única menção feita às nobres Perdizes estufadas à portuguesa (Guia, p. 72). Já a receita de Ovos estrelados à portuguesa (Guia, p. 66) leva‑nos a considerar a prática da cópia de receituários entre livros de culinária. Na verdade encontra‑se na obra de Rosa Maria, A cozinheira das cozinheiras, uma receita não só exatamente com o mesmo nome e forma de preparar, bem como com a mesma referência à frigideira própria para estrelar os ovos, exibindo supressões para fritar em simultâneo vários ovos sem que estes se colassem. Demonstração do brio culinário nacional em afirmar‑se com uma receita homóloga de outra sem filiação cultural definida, mas de longa tradição, é o caso do Molho de vilão à portuguesa (Guia, p. 59). O único acompanhamento a merecer a titulatura nacional entra na rubrica da cozinha rústica e tradicional: as Papas de milho à portuguesa (Guia, p. 67).

47 Por “resto” entendem‑se, naturalmente, as carnes e hortaliças, que se retiravam do caldo e eram servidas em separado, como “segundo prato”.

48 Ensopado de galinha à brasileira (Guia, p. 36); Peru recheado à brasileira (Guia, p. 74); Pudim à brasileira (Doceira, p. 84).

49 Ensopado de galinha à mineira (Guia, p. 36); Sopa mineira de feijão preto (Guia, p. 88); Tripas à mineira (Guia, p. 96); Sopa de batatas à moda de Santa Catarina (Guia, p. 91).

50 Bifes de carne seca à Rio Grande (Guia, p. 17).

No âmbito da cozinha regional, só dois territórios são mencionados, Alentejo e Trás‑os ‑Montes, distinção que, em conjunto com idêntica presença noutros livros de culinária analisados neste catálogo, reforça a primazia que ocupam essas duas regiões na gastronomia nacional portuguesa. Em termos de preparações sobressai a marca identitária da sopa, do pescado e da cebolada, para a região alentejana, conforme denunciam as receitas: Sopa à alentejana (Guia, p. 94), Bacalhau de cebolada à alentejana (Guia, p. 13) e Peixe de cebolada à alentejana (Guia, p. 71). A região transmontana distingue‑se pelas carnes, como sugerem os pratos de Carneiro à transmontana (Guia, p. 26) e Coelho à transmontana (Guia, p. 29). 

Quanto à culinária local, duas observações se impõem nesta categoria: a doçaria suplanta os preparados salgados (com cinco preparados contra três); só duas cidades são mais do que uma vez homenageadas nos títulos destes pratos, o Porto, exclusivamente com pratos salgados (Bacalhau à congregado (Porto), Guia, p. 12; Rosbife à portuense, Guia, p. 83; Tripas à moda do Porto, Guia, p. 95) e Coimbra, pela sua doçaria (Arrufadas de Coimbra, Doceira, p. 13; Pão de ló de Coimbra, Doceira, p. 79). As três restantes iguarias locais são todas doces e de longa tradição gastronómica, a saber: Biscoitos de Oeiras (Doceira, p. 19), Ovos moles de Aveiro (Doceira, p. 78) e Queijadas de Sintra (Doceira, p. 92).

Depreende‑se que a origem ou os destinatários visados são do Brasil pela presença, em algumas receitas, de ingredientes disponíveis e de consumo regular nesse país. Na rubrica das plantas comestíveis deparamos com as farinhas feitas da raiz da mandioca (Caldo de tapioca, Guia, p. 21; Farofa de farinha de pau para recheio, Guia, p. 38; Sopa de aipim, Guia, p. 91; Sopa de farinha de mandioca, Guia, p. 91), com o interior do caule de algumas palmeiras, ou seja, o palmito (Ensopado de palmito, Guia, p. 36) e com frutos tropicais, preparados em fresco, como o ananás (Ananasada, Doceira, p. 10; Carapinhada de ananás, Doceira, p. 45‑46; Compota de abacaxi (ananás), Doceira, p. 49; Compota de ananás, Doceira, p. 50), a banana (Bananada, Doceira, p. 14; Bananas fritas açucaradas, Doceira, p. 15), o coco (Bolo de coco, Doceira, p. 24‑25; Bolos de coco, Doceira, p. 33‑34; Cocada, Doceira, p. 49) e a goiaba (Goiabada, Doceira, p. 73‑74). Também se menciona a carne bovina conservada em sal e seca ao sol, típica da culinária brasileira, através de uma receita de Roupa velha de carne seca (Guia, p. 83). A receita do Tutu (Guia, p. 96) revela claramente que a Autora, ao identificar os seus destinatários como brasileiros (além de portugueses), está a pensar não só na população residente no país, como nos portugueses que regressaram ao país de origem após um período de imigração no Brasil e que eram conhecidos em Portugal precisamente por “Brasileiros”. Conforme indica no parágrafo de abertura da receita, a aparência de um prato é um critério sensorial tido em conta na avaliação imediata do mesmo:

“É um prato muito apreciado pelos Brasileiros e por aqueles que tiveram residência no Brasil. Não podemos dizer, que seja atraente pelo aspecto” (p. 96).

No que se refere à terminologia de ressonância territorial brasileira, registam‑se tanto preparados de âmbito nacional 48, como regional 49 ou local 50. 

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1925 Doces e Cosinhados, Receitas Escolhidas por Isalita

Doces e Cosinhados: Receitas Escolhidas por Isalita - 1925

TÍTULO: Doces e Cosinhados

SUB TÍTULO: : Receitas Escolhidas por Isalita

AUTOR: Isalita

NOTAS DE AUTORIA: O livro ficou a dever-se à colaboração de duas amigas, que publicaram os seus conhecimentos culinários: Maria Isabel de Sousa Campos Henriques e Angela Carvajal y Pinto Leite Telles da Silva (Angelita). O nome «Isalita» resultou da abreviação de “Isabel” e “Angelita”.|
in O livro «Doces e Cozinhados» ou o «Isalita»

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1925

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 1ª edição

LOCAL: Paris – Lisboa

EDITORA: Livrarias Aillaud e Bertrand

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: Capa dura

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO: 

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: 

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 2572 V.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 264

OBSERVAÇÕES: Primeira edição em 1925, publicada pelo Centro Tipográfico Colonial, a que se seguiu a publicação pelas Livrarias Aillaud e Bertrand, sem data ou número de edição (a 2ª edição deve datar de 1928 ou anterior). 4ª edição, de 1935, feita pela Livraria Bertrand, que manteve a publicação desta obra até 1951. A partir desta data foi a Livraria Sá da Costa que o passou a editar e vai agora na 28ª edição que saiu em 2006.

264

ISALITA, pseud.
Doces e cosinhados: receitas escolhidas / por Isalita. –
Lisboa: [s. n.], 1925 (Lisboa: Centro Tip. Colonial)

Isalita, pseud. de Maria Isabel Campos Henriques.

BN S.A. 2572 V.
S.A. 11700 V.

Outras ed.:
– 4.ª ed. – Lisboa: Bertrand, [s. d.] (S.A. 11341 P.)
– 5.ª ed. – [s. d.] (S.A. 12055 V.)
– 6.ª ed. – [s. d.] (S.A. 12493 V.)
– 9.ª ed. – [s. d.] (S.A. 13696 V.)
– 10.ª ed. – [s. d.] (S.A. 24435 V.)
– 11.ª ed. – [s. d.] (S.A. 25136 V.)
– 12.ª ed. – [s. d.] (S.A. 26068 V.)
– [Ed. das bodas de prata] (S.A. 26160 V.)
– 16.ª ed. – Lisboa: Sá da Costa, [D. L. 1952] (S.A. 26456 P.)
– 17.ª ed. – [D. L. 1957] (S.A. 27370 P.)
– 25.ª ed. – 1977 (S.A. 49928 V.)

TÍTULO: Doces e Cosinhados

SUB TÍTULO: : Receitas Escolhidas por Isalita

AUTOR: Isalita

NOTAS DE AUTORIA: Feminino

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 195?

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 6ª edição

LOCAL: Lisboa

EDITORA: Livraria Bertrand

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Imprensa Portugal-Brasil, Lisboa

ENCADERNAÇÃO: Capa dura

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO: 

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: SELO DE MAR

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

OBSERVAÇÕES:

“Se passarmos para os livros de cozinha mais generalistas, então a primeira autora foi Isalita, com Doces e Cosinhados: Receitas Escolhidas, publicado em 1925 e com 25 edições até 1977. Na obra, a autora propôs menus diários de almoços e jantares quotidianos e de refeições mais sumptuosas, uma lista de hors-d’oeuvres e um vasto conjunto de receitas agrupadas nas seguintes tipologias: sopas, molhos, ovos, peixe, entradas, soufflés, carnes, aves e caça, galantines, mousses, aproveitamentos de carnes assadas e aves, massas, massas italianas, batatas, tomates, pimentos, alcachofras, espargos, beringelas, cenouras, couves, couve-flor, pepinos, chuchus, espinafres, favas, ervilhas, feijão, alfaces, castanhas, brócolos, nabos, arroz, saladas, geleia, doces de fruta, pudins, doces de fim de jantar, soufflés, massas (para doces), doces para chá, bolachas, biscoitos, pães para chá e sorvetes. Como se pode verificar, Isalita começou pelos pratos salgados e terminou nos doces, criando muitas subdivisões nas preparações à base de legumes. A obra   importante, serviu de inspiração a outros livros e foi objecto de cópia por parte de autoras menores.”

in Culinária no feminino: Os primeiros livros de receitas escritos por portuguesas. Isabel M. R. Mendes Drumond Braga

Quando se designa um livro pelo autor significa que o título do livro se tornou secundário devido à sua divulgação, e que basta essa referência para imediatamente ser reconhecido. Na área da culinária portuguesa isso aconteceu apenas com o “Oleboma”, apesar de este ter escrito dois títulos e com a “Isalita”.
Em qualquer um dos casos nem se trata do nome dos autores mas de pseudónimos que estes utilizaram jogando com as letras dos seus nomes. Ao primeiro voltarei com mais tempo, mas hoje falo da “Isalita” que foi o meu primeiro livro de culinária. Guardei-o religiosamente e ao longo da minha vida ofereci vários às minhas afilhadas e às filhas das minhas amigas que se interessavam por este tema.
Na realidade o título do livro é «Doces e Cozinhados» e mesmo quando a minha biblioteca começou a aumentar continuei a recorrer a ele inúmeras vezes. Vendo agora à distância é bem possível que a forma rápida como eu escrevo as receitas, directa e sem floreados, nem grandes explicações, tenha a ver com o modo como as receitas se apresentam na Isalita.
A primeira edição saiu em 1925 e foi publicada pelo Centro Tipográfico Colonial, a que se seguiu a publicação pelas Livrarias Aillaud e Bertrand, sem data ou número de edição (a 2ª edição deve datar de 1928 ou anterior). A 4ª edição, de 1935, já foi feita pela Livraria Bertrand, que manteve a publicação desta obra até 1951. A partir desta data foi a Livraria Sá da Costa que o passou a editar e vai agora na 28ª edição que saiu em 2006. Foi portanto um livro de sucesso e devo dizer que fiquei surpreendida ao descobrir que há 7 anos que não era publicado.
O livro ficou a dever-se à colaboração de duas amigas, que publicaram os seus conhecimentos culinários: Maria Isabel de Sousa Campos Henriques e Angela Carvajal y Pinto Leite Telles da Silva (Angelita). O nome «Isalita» resultou da abreviação de “Isabel” e “Angelita”.
Angelita, como era conhecida morreu em 1990 com 99 anos e era neta do Duque de Abrantes (Grande de Espanha) e filha de Manuel Carvajal Jimenes de Molina Giron [1] e de uma senhora de apelido Pinto Leite.
Maria Isabel era filha do engenheiro Álvaro de Sousa Rego que foi director geral dos Caminhos de Ferro e que faleceu em 1946[2]. Casou com o Eng. Artur de Campos Henriques que era chefe de divisão da C.P. Apesar da sociedade das duas amigas era Maria Isabel a responsável pela execução das receitas que eram experimentadas anteriormente na sua casa, como confirmou uma sua empregada doméstica Maria Augusta Velhuco em entrevista recentemente dada[3].
Seguindo o índice do livro vemos que começa por Explicações sobre alguns termos de Cozinha, seguem-se as receitas de “Hors d’Oeuvre”, Sopas, Molhos, Ovos, Peixes, Aspics, Entradas, Souflés, Carnes, Galantines e Mousses e vários capítulos dedicados aos legumes.
Na parte dos doces, após explicar os pontos de açúcar, dá várias receitas onde vamos encontrar os Doces de Fim de Jantar e os Doces para Chá, entre outros.
Termina com uma apresentação de Menus Diários com exemplos de sequências para almoço e para o jantar, seguida de Menus Escolhidos, onde nomeia ementas mais completas e sofisticadas para dias especiais.
Tenho uma dívida de gratidão para com “Isalita” que me ajudou a aprender a cozinhar de forma simples, tal como fez com milhares de portuguesas, que seguramente se identificam nas minhas palavras.

 in O livro «Doces e Cozinhados» ou o «Isalita» Garfadas Online

in
BiblioAlimentaria

1. Memória gastronómica

O nome “Isalita” é um pseudónimo, resultante da junção das duas primeiras sílabas do nome “Isabel” com as duas últimas do nome “Angelita”. Esta foi a forma encontrada por duas amigas para (sem revelar as suas identidades 14, atitude contrária ao decoro exigido às senhoras que nos inícios do século xx se entregavam à atividade editorial, em particular a de teor culinário) publicarem, em 1925, uma obra que chegou à 28.ª ed. em 2006 (Editora: Sá da Costa) 15.

Este livro insere‑se na prática habitual de publicar receitas coligidas a partir de outras fontes, anónimas (podendo ser tanto escritas como orais). A obra tem uma dimensão “pedagógica” de formação do público, decorrente não apenas da simples apresentação de receitas, mas também de uma série de esclarecimentos sobre terminologia técnica (pex.: “Panar – Envolver qualquer elemento em ovo e pão ralado”, p. 3), quantidades recomendáveis por número de comensais (“Um peru grande assado serve para um jantar de 12 pessoas”, p. 5) e equivalências entre medidas e pesos caseiros e convencionais (do tipo: “1 colher de sopa de farinha rasa……..pesa 15 grs.”, p. 7). Esses ensinamentos estão reunidos nas três rubricas de abertura, precisamente intituladas “Explicação dos diferentes termos de cozinha”, “Alguns detalhes úteis” e “Noções sobre medidas e pesos”. Também os dois apartados finais da obra ilustram bem o propósito educativo e, mais ainda, facilitador da vida da dona de casa, uma vez que aí se apresentam duas sequências de 10 ementas cada (em pares de almoço e jantar), umas para o quotidiano (“Menus diários”) e outras para momentos festivos (“Menus escolhidos”). Veremos esta última prática impor‑se na política editorial do livro de Alda de Azevedo, Cozinheira ideal (cat. nº 27). 

A obra contém um índice final, que se limita a elencar as receitas pela ordem que aparecem publicadas, sem qualquer cuidado alfabético. Ainda em termos de aspetos formais, destaque‑se a presença de ilustrações nos cabeçalhos da maioria das rubricas, algumas de nítida pincelada humorística e, no geral, passíveis de leitura socioideológica. Agrupamo‑las por temas tratados:

a) Na cozinha: neste grupo reunimos as representações dos agentes de preparação culinária (cozinheiro, cozinheira e ajudantes) e de serviço. 

É interessante notar a diferenciação de género associada a serviços distintos, como é o caso das funções de “chefe” atribuídas ao homem, patentes nas seguintes ilustrações:

14 Trata‑se da portuguesa Maria Isabel de Sousa Campos Henriques e da espanhola Angela Carvajal y Pinto Leite Telles da Silva (conhecida entre amigos por “Angelita”). Por testemunho de Maria Augusta Velhuco, empregada de servir da casa de Maria Isabel Henriques, prestado em entrevista à revista Visão Gourmet, sabe‑se que a sociedade editorial entre as duas amigas foi sobretudo financeira (tendo permitido pagar os custos das placas de impressão do livro à editora Bertrand). Segundo essa fonte oral, quem escolheu as receitas e as experimentou em sua casa foi a patroa. Leia‑se: “Recordações de Isalita: As histórias da autora de Doces e cozinhados, contadas na primeira pessoa por quem a serviu”, Visão Gourmet Out/Inv 2012: 30‑32.

15 Num estudo de síntese, Isabel Drumond Braga aborda a produção editorial das mais importantes autoras portuguesas de livros de culinária no século XX. Veja‑se: “Culinária no feminino: os primeiros livros de receitas escritos por portuguesas”, Caderno Espaço Feminino 19. 1 (Jan/Jul 2008) 117‑141. Aí, das obras contidas neste catálogo, encontram‑se breves reflexões sobre Rosa Maria (p. 128), Isalita (pp. 126‑127), Clara T. Costa (pp. 128 ‑131), Berta Rosa Limpo (p. 131) e Libânia de Sousa Alves (p. 132).

(cabeçalho de “Explicação dos diferentes termos de cozinha”, p. 1)

(cabeçalho de “Mousses”, p. 139 e de “Doces de fim de jantar”, p. 215)

Resguardando da curiosidade alheia o segredo da sua arte, este par sugere um ambiente descontraído e de eventual jogo de sedução entre os serviçais de cozinha.

(cabeçalho de “Sorvetes”, p. 317)

A posição de observador, sentado, do trabalho feminino e de provador traduzem a superioridade das funções exercidas pelo homem na cozinha.

(cabeçalho de “Ovos”, p. 31)

Além da pincelada humorística da galinha a pôr diretamente o ovo para a frigideira, repare‑se que a função subalterna de executora cabe à mulher, sublinhada pelo uso de chapéu de “chefe” pelo cozinheiro que com ela contracena.

(cabeçalho de “Soufflés”, p. 87 e 235)

Bem humoradas são estas caricaturas dos empregados de cozinha, tão estufados quanto o soufflé que prepararam. A presença de uma colher de pau na mão do cozinheiro, qual bastão do poder, é mais um símbolo das suas funções de chefia. 

(cabeçalho de “Menus”, p. 323)

A autoridade do cozinheiro não lhe advém apenas do chapéu com que cobre a cabeça, mas também da responsabilidade de comandar o serviço de refeições diárias, função aqui representada através da ilustração do registo escrito dessa programação semanal.

Sabemos bem que a senhora da casa tinha um papel importante na decisão da ementa a preparar, pelo que a vemos, também a ela, na cozinha, de livro em punho, ladeada do pessoal encarregue de preparar a refeição.

(cabeçalho de “Alguns detalhes úteis”, p. 5)

A separação de funções na cozinha de acordo com o género é um estereótipo que vemos reproduzido nas ilustrações do cozinheiro como matador e das mulheres como preparadoras dos doces de fruta e das massas.

(cabeçalho de “Carnes”, p. 91)

Repare‑se em nova pincelada humorística, com o cozinheiro a descobrir, em sinal de reverência, a cabeça perante as “vítimas” do seu instrumento “sacrificial”, a faca da matança.

É investido da sua função de “chefe” criador da arte de cozinhar, que deparamos com o cozinheiro, agora descobrindo a cabeça em reverência à sua senhora, a exibir o engenho da criação das mais sofisticadas iguarias, as “galantines” e os “aspics”, ambos pratos franceses com recurso à geleia (pp. 13 e 75).

A jocosidade da ilustração radica na emulação entre a aparência da senhora e a ave que encima o prato. Note‑se que o ingrediente principal da galantine tradicional era carne de aves, prática concordante com a decoração exibida no topo do preparado gelatinoso.

Assim como a mulher é a imagem de uma arte ancestralmente confiada ao seu género, a preparação dos cereais (nas formas mais comuns de pão e massas), também o homem desempenhava com muita frequência funções no serviço de mesa.

(cabeçalho de “Massas”, pp. 149 e 237)

Do frenesim que se apoderava de quem tem de levar à mesa uma série de iguarias, seguindo um protocolo pré‑estabelecido e sem descurar a prontidão esperada, é bom exemplo a seguinte vinheta:

(cabeçalho de “Molhos”, p. 21)

Na linha de humor que caracteriza o traço do ilustrador, repare‑se que a rubrica “Entradas” apresenta a imagem de um mordomo a dar entrada ao criado que transporta o tabuleiro com a refeição a ser servida na sala de jantar:

(cabeçalho de “Entradas”, p. 77)

b) À mesa: sob esta denominação agrupamos desenhos em que são representados os senhores da casa (homem, mulher e crianças) a comer ou a observarem a comida.

O estímulo que as iguarias provocam no comensal é literalmente representada pela figura masculina a salivar perante as travessas que lhe vão sendo apresentadas.

(cabeçalho de “Hors‑d’oeuvre”, p. 9)

O chá, como prática social que é das senhoras, inspirou no ilustrador dois momentos distintos. A observação do rigor com que a mesa se encontra preparada para tomar o chá e a degustação e o convívio com as amigas que a ocasião proporciona:

(cabeçalho de “Pães para chá”, p. 313)

(cabeçalho de “Doces para chá”, p. 261)

Os estereótipos de que se valeu o ilustrador para as rubricas seguintes não perderam ainda hoje atualidade. Ou seja, as crianças devem sempre comer sopa (porque estão a crescer e precisam de mais alimento e porque, no geral, é a forma mais fácil de as fazer consumir legumes e hortaliça).

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(cabeçalho de “Sopas”, p. 11)

É interessante notar a representatividade de género e de variação etária, com um bebé sentado em cadeirinha própria.

Associação imediata em termos de preferências culinárias se estabelece, igualmente, entre crianças e guloseimas. Não estranhamos, por isso, as três vinhetas seguintes:

(cabeçalho de “Pudins”, p. 203)

(cabeçalho de “Bolos”, p. 239)

(cabeçalho de “Bolachas” e de “Biscoitos”, pp. 297 e 305)

Quanto ao receituário selecionado, é, em consonância com a cultura culinária da época e com publicações do género, maioritariamente estrangeiro. Verifica‑se um predomínio claro da culinária francesa, sem se descurar, no entanto, a presença de outras “cozinhas”, como as italiana, inglesa, espanhola, holandesa, russa, americana e turca. Ainda que tímida, a gastronomia nacionalista portuguesa aparece nas suas várias dimensões: territorial, afetiva e honorífica. Com o título de iguaria nacional (denominadas à portuguesa) surgem sete receitas, três de carne e quatro de acompanhamentos: tornedós (p. 98), lombo de vitela assado (p. 108), coelho (127), tomates (162), cenouras (168), couve (170) e feijão branco (p. 180). As regiões do território continental destacadas são apenas duas: o Minho (para a Lampreia do Minho, p. 66) e o Alentejo (para o Feijão branco alemtejano, p. 180). Já as referências a localidades ascendem a 10, das quais a maioria (8) são de pratos doces, predominância que pode ser lida como indício da centralidade da doçaria na gastronomia portuguesa. Regista‑se uma quase total diversidade de origens, à exceção de Coimbra, cidade que figura em duas iguarias doces: Pudim d’ovos á moda de Coimbra (p. 204) e Biscoitos de Coimbra (p. 308). Ainda nesta categoria de doces locais, repare‑se na presença de receitas que ainda hoje são comercializadas ou confecionadas com esses nomes, como os certificados Pasteis de Tentúgal (p. 272), os Biscoitos de Sintra (p. 305), os Biscoitos de Leça (p. 308), os Bolinhos de farinha de milho de Torres Novas (p. 286) 16 e os Bolos de nozes á moda de Bragança (p. 287)17. Acresce a estas receitas doces uma para a qual não encontrámos sobrevivência nas designações atuais: os Beijinhos de Mértola (p. 277). Os únicos pratos salgados que podemos incluir nesta categoria de cozinha dos territórios locais são as Sardinhas de Cascaes (p. 55) e as Costeletas de vitella de Portalegre (p. 107).

Destaque para quatro receitas de “culinária dos afetos”, todas atribuídas a familiares do sexo feminino, sinal evidente do papel da mulher na transmissão geracional dos saberes da cozinha: Sopa da avó (p. 16), Bifes da prima Henriqueta (p. 96), Bolo de nozes da Tia Virgínia (p. 243) e Palitos da Tia Amélia (p. 286). Quando deparamos com receitas exibindo um nome próprio (pessoa ou instituição), sem qualquer evidência de relação de parentesco com quem publica, catalogamos esse receituário de “culinária honorífica”, na medida em que são uma forma de homenagem. Nesta categoria incluem‑se sobretudo pratos com nomes de pessoas (Bacalhau Ermelinda, p. 66; Bifes Engracia, p. 96; Tornedos á Brigida, p. 96; Perdizes á Laurita, p. 132; Amanteigados Maria Thereza, p. 290; Bolachas da Custodia, 297; Bolachas da Joanna, p. 300), mas também duas atribuídas ao Convento de São Pedro de Alcântara, na ilha do Pico, Açores (Perdizes do convento de Alcantara, p. 130; Gallinholas do convento de Alcantara, p. 135).

Tal como sucede com outras obras publicadas durante a primeira metade do século xx, em que tanto o público‑leitor como as informantes das receitas viviam ou tinham ligações com o Brasil, o livro de Isalita apresenta um significativo receituário culturalmente conotado com a ex‑colónia sul ‑americana. Tanto a presença de ingredientes autóctones dessas paragens, como a referência expressa no título das receitas à expressão “à brasileira” ou ao adjetivo “brasileira(o)” são disso evidência. Assim sucede, pex., com as menções ao coco (consumido em fresco) 18, à tapioca 19, à farinha de pau 20 e ao caju 21, bem como com várias iguarias ditas nacionais (Frigideira á Brazileira, p. 61; Perú á Brazileira, p. 123; Brasileiras, p. 275; Pudim Brazileiro, p. 211; Biscoitos Brasileiros, p. 311).

Embora não possamos confirmar por outra via, a inusitada (quando comparada com outros livros de culinária do mesmo período) presença significativa de receitas de origem indiana aponta para uma proximidade das autoras com esse universo culinário. A longa presença de Portugal na Índia (1505‑1961), explica esta menção a pratos salgados e doces conotados com essa província ultramarina: Pescada á Indiana (p. 46), Rissoles á Indiana (p. 83), Figado de vitela á Indiana (p. 109), Vitella á Indiana (p. 111) e Bolo da India (p. 257).

(CS) Carmen Soares

16 Hoje apelidados de Bolinhos de milho de Torres Novas.

17 Hoje conhecidos por Bolos de nozes de Bragança e atribuídos à doçaria do Mosteiro de Santa Clara de Bragança.

18 Créme de côco (p. 216), Doce de côco (p. 224), Bolo de côco (p. 251), Cocada (p. 271) e Quindins (p. 295).

19 Pudim de tapioca (p. 209). Tapioca é a fécula extraída da mandioca.

20 Bacon com farinha de pau (p. 61) e Pudim de farinha de pau (p. 211). Farinha de pau é o nome dado pelos portugueses à farinha de mandioca, uma vez que o tubérculo parecia pau. 

21 Cajusinhos (p. 295).

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LIVROS posts individuais

1925 Arte de Bem Comer

Arte de Bem Comer

1925

TÍTULO: Arte de Bem Comer

SUB TÍTULO: 

AUTOR: Alinanda (Pseudónimo)

NOTAS DE AUTORIA: Alinanda é o pseudónimo de Aurora Fernandes Jardim Aranha e Júlia Alice Davim Martinho

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: 

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Impresso Tipografia Domingos d´Oliveira.

ENCADERNAÇÃO: Encadernação cartonada.

FORMATO / DIMENSÕES: 26×19 cm.

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE:
SELO DE MAR
José Quitério

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 977

OBSERVAÇÕES:

977

ALINANDA

Arte de bem comer / Alinanda. — Porto : Tip. e Enc. Domingos d’Oliveira, 1929

Por seu lado, em 1929, Alinanda ficou conhecida pela Arte de Bem Comer, com toque francês, desenhos para facilitar determinadas preparações e fotografias a preto e branco de alguns pratos já preparados. Alinanda terá inspirado, anos depois, o texto de Auronanda, uma obra um pouco mais sofisticada.

Nos anos 50, destaque para Auronanda com a Arte de bem Saborear, saída dos prelos em 1952, um volumoso livro que faz lembrar o de Alinanda e o de Berta Rosa Limpo e em cujo prefácio se alude à importância da culinária para agradar ao marido. A obra refere a preparação dos alimentos e o material de cozinha e de limpeza, incluiu o desenho de diversos objectos para preparar os alimentos, de um glossário, onde aparecem termos portugueses e franceses (como por exemplo chifonnade, ciseler, glacer…), uma tabela de equivalência de pesos e medidas e muitas receitas de carácter internacional, a par de estampas coloridas de pratos preparados.

Tal como nos manuais de economia doméstica, nos livros de receitas também se perfilam duas grandes linhas: as obras sofisticadas, com referências à culinária internacional, mormente à francesa e, secundariamente, à italiana, e as obras mais populares. Entre as primeiras refiram-se as de Alinanda, Berta Rosa Limpo e Auronanda, pois todas as restantes visaram um público mais modesto, mas desejoso de aprender a cozinhar e a poupar, a bem do equilíbrio do orçamento familiar. Note-se que um autor, que comungava destes ideais e escreveu obras afins às referidas, Manuel da Mata, assinou os seus livros como Febrónia Mimoso, eventualmente para chegar mais facilmente às donas de casa.

In Culinária no feminino: os primeiros livros de receitas escritos por portuguesas

Isabel M. R. Mendes Drumond Braga

Alinanda é o pseudónimo de Aurora Fernandes Jardim Aranha e *Alice David Moutinho que usaram para a publicação do livro Arte de Bem Comer, publicado por Tip. E Enc. Domingos d’Oliveira no Porto, em 1929. Não se conhece uma segunda edição. É um livro extenso, 578 páginas, com índice bem organizado, e apenas algumas receitas tem indicação da sua origem, região ou nacionalidade, e é dirigido “às boas donas de casa para quem o maior prazer consiste em vêr feliz toda a sua família”. Termina o texto introdutório: «A mulher que quiser ser amada pelo marido deve tornar-se indispensável ao seu paladar», outros tempos! Na revista ILUSTRAÇÃO de 16 de Fevereiro de 1929 foi publicado o seguinte: “No salão de «Voga», exporá ALINANDA o livro “Arte de Bem Comer”, uma maravilha num «stand» maravilhoso de pitoresco». O livro contém fotos a preto e branco, desenhos para melhor entendimento das receitas e umas extraordinárias ilustrações, ao que parece serem xilo ou lino gravuras.

O livro apresenta um grande conjunto de receitas e regras para organizar, em casa, a cozinha e suas dependências. Mas, para mim, o mais curioso são as receitas manuscritas das proprietárias do livro. Fiquei sempre fascinado com as receitas manuscritas, e neste caso aparecem três caligrafias diferentes. Tenho comprado alguns cadernos de receitas que aparecem em venda, para poder observar o “estilo” de gosto ou paladar.

https://www.virgiliogomes.com/index.php/cronicas/1185-alinanda-e-pasteis-de-nata

*o nome correcto é Júlia Alice Davim Martinho

revista ILUSTRAÇÃO de 16 de Fevereiro de 1929: “No salão de «Voga», exporá ALINANDA o livro “Arte de Bem Comer”, uma maravilha num «stand» maravilhoso de pitoresco».

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1925 Quadros alentejanos

Quadros Alentejanos

1925

TÍTULO: Quadros Alentejanos

SUB TÍTULO: 

AUTOR: 

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1925

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 1ª edição

LOCAL: Lisboa

EDITORA: Livraria Editôra Guimarães & C.ª

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: Brochado

FORMATO / DIMENSÕES: 19×13 cm

NÚMERO DE PÁGINAS: 277 págs.

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: SELO DE MAR

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 00

OBSERVAÇÕES: Livro que reune seis narrativas de inspiração rural denominadas A Comadre Antónia, A Tosquia, As Janeiras, O Tio Zé Côxo, A Matança e A Verruga. Manuel de Brito Camacho (Aljustrel, 1862 – Lisboa, 1934]), foi um escritor, jornalista e político