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1841 Arte do cozinheiro e do copeiro

1841 Arte do cozinheiro e do copeiro,

compilada dos melhores auctores que sobre isso escreveram modernamente

TÍTULO: Arte do cozinheiro e do copeiro,

SUB TÍTULO: compilada dos melhores auctores que sobre isso escreveram modernamente, sendo a parte extrahida da obra que tem por titulo: A Casa de Campo, publicada em 1822 por Mme Aglaé Adanson, dada à luz por Um Amigo dos Progresses da Civilização.

AUTOR: António Lobo de Barbosa Ferreira Teixeira Girão
Visconde de Vilarinho de S. Romão.

NOTAS DE AUTORIA: Extraído principalmente de La maison de campagne, publicado em 1822, por Mmme. Aglae Adanson.

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1841 

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 1ª edição
Outra edição:
2ª edição aumentada 1845 
S.A. 16158 P; S.A. 14936 P.; F. 5942

LOCAL: Lisboa

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Typographia da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos úteis

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal)

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 29684 P.
S.A. 15655 P.
F. 5942

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”:83

OBSERVAÇÕES: compilação de receitas e métodos de culinária e copeiro, traduzida e adaptada para o português.

83

Arte do cozinheiro e do copeiro, compilada dos melhores autores que sobre isso escreveram modernamente… / dada à luz por um Amigo dos Progressos da Civilização. – Lisboa: Typ. da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis, 1841. – O autor é o Visconde de Vilarinho de São Romão. – Extraído principalmente de L’Art du maître d’hôtel et du maître d’office, pub. em 1822 por Mme. Aglaé Adamson. – BN S.A. 29684 P.; S.A. 15655 P.; F. 5942.

Outra ed.:
2.ª ed. aum. – 1845. – (S.A. 16158 P.; S.A. 14936 P.; F. 6129).

TÍTULO: Arte do cozinheiro e do copeiro,

SUB TÍTULO: compilada dos melhores auctores que sobre isso escreveram modernamente, sendo a parte extrahida da obra que tem por titulo: A Casa de Campo, publicada em 1822 por Mme Aglaé Adanson, dada à luz por Um Amigo dos Progresses da Civilização.

AUTOR: António Lobo de Barbosa Ferreira Teixeira Girão
Visconde de Vilarinho de S. Romão.

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Imprenso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1845 

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 2ª edição

LOCAL: Lisboa

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Typographia da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos úteis

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal)

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: S.A. 16158 P; S.A. 14936 P.; F. 5942

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”:

OBSERVAÇÕES:

Edição fac-similada, de 2026, em Os Livros de Culto da Cozinha Portuguesa Público

Prefácio de Guida Cândido, apartir do qual fazemos este resumo.

O livro Arte do Cozinheiro e do Copeiro (1841), atribuído ao visconde de Vilarinho de São Romão, António Lobo de Barbosa Ferreira Teixeira Girão (1785–1863), constitui o quarto livro de cozinha impresso em Portugal. Figura multifacetada — político liberal, académico e empresário agrícola —, o autor teve uma intervenção relevante na vida pública portuguesa do século XIX, sendo também membro de várias instituições científicas e culturais.

A obra, publicada anonimamente e fortemente inspirada em La Maison de Campagne de Aglaé Adanson (1822), apresenta, contudo, uma intervenção autoral significativa, visível em numerosos aditamentos, comentários e adaptações à realidade portuguesa. Reúne mais de quinhentas receitas de cozinha, doçaria e bebidas, incluindo ainda instruções sobre serviço de mesa e conselhos dietéticos, revelando uma preocupação simultânea com o gosto, a saúde e a economia doméstica.

Trata-se de um livro orientado para um público burguês — donas de casa e gastrónomos — afastando-se dos tratados técnicos destinados exclusivamente a cozinheiros profissionais. A obra reflete também práticas alimentares da época, como a organização das refeições (almoço leve e jantar principal) e a crítica ao consumo da ceia.

No capítulo dedicado ao pescado, o autor adapta e amplia significativamente o receituário original, introduzindo preparações como os bolinhos de bacalhau, ainda que diferentes da forma moderna, nomeadamente pela ausência de batata. O livro evidencia igualmente o lento processo de integração de produtos como a batata e o bacalhau na alimentação portuguesa, bem como a sua associação inicial a classes populares e a contextos de abstinência religiosa.

Para além do receituário, a obra inclui observações sobre hábitos alimentares regionais em Portugal, descrevendo práticas de subsistência e preferências locais, desde o consumo de castanhas em Trás-os-Montes até às dietas baseadas em leguminosas e figos noutras regiões.

Finalmente, o livro documenta o contexto social e gastronómico do período, ainda marcado pelo serviço à francesa nas mesas abastadas, num tempo de transição política e cultural. No seu conjunto, Arte do Cozinheiro e do Copeiro constitui um testemunho relevante da construção de uma cozinha burguesa em Portugal, articulando tradição, adaptação e intenção pedagógica.

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1836 Annona ou Misto Curioso

Annona, ou Misto Curioso

Annona ou Mixto Curioso

TÍTULO: Annona ou Misto Curioso

SUB TÍTULO: Annona ou Mixto Curioso

AUTOR: 

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia em série

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1836 a 1837

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 1ª edição

LOCAL: Lisboa

EDITORA: José Joaquim Nepomuceno

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Typ da Viuva Silva e Filhos – até ao 14º número
Imprensa de Cândido António Silva Carvalho – 15º ao 36º número

ENCADERNAÇÃO: Brochado

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO: Folheto semanal (publicação periódica de baixo custo).
Formato de folhetim, ou seja, fascículos independentes que podiam ser encadernados.

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: 

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN P.P. 7313 P.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 547

OBSERVAÇÕES: Folheto semanal que ensina o methodo de cosinha e copa, com um artigo de recreação. Lisboa: Typografia da Viúva Silva e Filhos, 1836–1837.
Publicação em folhetins. Do Tomo 1, nº 1 (1836) ao Tomo 3, nº 36 (1837).

Reedição em 2023 pela Livraria Lello

547
ANONA OU MISTO CURIOSO
Annona, ou Mixto-Curioso : folheto semanal, que ensina o methodo de cozinha e copa, com um artigo de recreação . — T. 1, n. 1 (1836) — t. 3, n. 36 (1837). — Lisboa : na Typ. da Viuva Silva e Filhos, 1836-1837. — 16 cm

Faltam os seguintes números: T. 1, n. 2; t. 2, n. 17; t. 3, n. 32. Existe uma 2.ª colecção, bastante incompleta, mas que tem os ns. 2 e 32 que faltam na 1.ª (J. 5680 B.)

BN P.P. 7313 P.

RESENHA DE ANNONA OU MISTO CURIOSO FOLHETO SEMANAL QUE ENSINA O MÉTODO DE COZINHA E COPA COM UM ARTIGO DE RECREAÇÃO. 1836-1837

Annona é o nome da deusa romana responsável por abastecer Roma nos tempos antigos. Representava a abundância. Seu nome deriva da palavra “ano” em latim, marcando os ritmos das colheitas dos cereais. Geralmente era representada ao lado de Ceres ou Deméter, a deusa das plantas que brotam e do amor maternal. Annona era retratada com uma cornucópia, o chifre da fertilidade, recheado com frutas, plantas e cereais. Vinha à frente da proa dos navios que chegavam a Roma com as delícias de além-mar, e seu retrato aparece com frequência em módios, moedas do império romano.

Não foi, portanto, por acaso que os editores de uma das primeiras revistas de gastronomia editada em Portugal entre 1836 e 1837 escolheram Annona como seu título e padroeira. O título integral da publicação é Annona ou Misto Curioso, com a seguinte informação: “folheto semanal que ensina o método de cozinha e copa com um artigo de recreação”. Foram poucas as revistas de gastronomia voltadas para o público leitor de português no século XIX, assim como foram poucos os livros de gastronomia lançados no mercado português e brasileiro neste período. Com um tema considerado menor, ligado ao universo feminino, à cozinha e aos afazeres domésticos, Annona teve vida relativamente curta de apenas dois anos na década de 1830. Hoje, através de iniciativa pioneira de pesquisadores brasileiros ligados ao Polo de Pesquisas Luso-Brasileiras (PPLB) sediado no Real Gabinete de Leitura, no Rio de Janeiro, e apoio editorial da Livraria Lello, no Porto, em Portugal, o almanaque oitocentista volta ao mercado editorial em formato de livro — essencialmente em Portugal, mas pode-se fazer uma encomenda. A edição em capa dura verde água com título em amarelo conta com apresentação geral de Eduardo Cruz e Gilda Santos. A edição ficou com 523 páginas reunindo receitas, anedotas, poesia, contos, fábulas e histórias em seções separadas. Desta forma, o periódico português não aparece republicado pelo número da edição ou pela data de cada folheto, mas por assunto e, à frente, vêm as receitas, explicitando o assunto principal. A reedição de Annona tem assim o mérito de recolocar nas livrarias e bibliotecas uma obra das mais importantes para se entender as relações de gosto e sociabilidade tanto em Portugal, onde o periódico foi inicialmente editado, como no Brasil, onde também circulava. Na versão ora impressa, cada parte da obra é introduzida por breves textos dos pesquisadores envolvidos no trabalho de edição, sobretudo da área de Letras e História. Além dos organizadores, Ida Alves, Monica Genelhu Fagundes, Gilda Santos, Ana Cristina Comandulli, Pedro Paula Catharina, Andreia de Castro, Elisabeth Martini, Angela Telles, Aline Erthal, Betty Biron e Julianna Bonfim explicam as seções que formavam o almanaque histórico: receitas, poesia, contos, fábulas, história, ditos e anedotas, jogos de salão e adivinhas. Em relação ao conjunto de receitas (de sal e doces), as responsáveis pela transcrição incluíram um glossário ao final da parte das receitas, explicando certos nomes de alimentos ou processos que podem causar estranheza ao leitor de hoje, além de fazerem a equivalência de algumas das medidas antigas mencionadas nos textos.

Joana Monteleone

in ABRIL – Revista do NEPA/UFF, Niterói, v.16, n.33, p. 157-162 jul.-dez. 2024

Joana Monteleone é editora e historiadora, fez Pós-Doutorado na Cátedra Jaime Cortesão da Universidade de São Paulo (USP) com o tema “Açúcar e Industrialização” e na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com o título “O Almanaque Laemmert e o tempo do Império” (2015-2018). Ganhadora do prêmio Jabuti em 2017 como editora, é editora da Alameda Casa Editorial desde 2004. Fez doutorado pelo Programa de Pós-graduação em História Econômica do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP – 2013), com o título de O circuito das roupas: a Corte, o consumo e a moda (Rio de Janeiro, 1840-1889). Possui mestrado em História Econômica pela Universidade de São Paulo (2008), com o título de Sabores Urbanos: alimentação, sociabilidade e consumo (1828-1910). Atua, principalmente, nos seguintes temas: história do império, história do consumo, história da alimentação, história da moda, história e urbanismo. É autora dos livros Sabores Urbanos (Alameda, 2015), Toda comida tem uma história (Oficina Raquel, 2017), O circuito das roupas: a corte, o consumo e a moda, Rio de Janeiro, 1840-1889 (2022) e coorganizadora de A história na moda, a moda na história (Alameda 2019), Histórias de São Paulo: construções e desconstruções (Edusp, 2023) e Cachaça, história

e literatura (Alameda, 2023).

Teria sido interessante, para que a edição permitisse uma compreensão melhor da publicação original, que os editores incluíssem alguns fac-símiles (ou pelo menos um). Estudos recentes mostram como a própria diagramação de uma revista é passível de ser lida e é também uma forma de leitura. Por exemplo, em almanaques de gastronomia, poesias dialogam com as receitas ou mesmo com outros textos. A consulta à Annona em formato facsimilar, contudo, não está totalmente distante dos já interessados. Está online e, ao “folheá-la”, podemos perceber que não existiam anúncios. A diagramação é simples, com as receitas vindo em primeiro lugar e, depois, a parte literária, de recreação — simulando o próprio jantar do século XIX, em que à mesa seguiam-se atividades coletivas, leves e recreativas.

Annona nasceu num momento de efervescência editorial e literária, com diferentes estilos de publicações sendo lançados em vários lugares do mundo — a dianteira desse movimento ficava com a França, impulsionado pelas ideias iluministas e pela Revolução de 1789. Ao mesmo tempo, mudanças tipográficas importantes facilitavam a edição (Hallewell, 1985), já que as primeiras décadas do Oitocentos foram pródigas em pensar o papel da imprensa e dos leitores, com o lançamento de publicação para públicos diferentes. As mulheres, cada vez mais alfabetizadas, entraram em cena como ávidas consumidoras de livros, jornais, revistas, almanaques, folhetos e afins. Annona nasceu voltada preferencialmente para o público feminino.

Mais do que “apenas” uma inspiração cultural, a França fornecia também o conhecimento técnico que permitia a expansão editorial em outros países da Europa e da América Latina. Muitos editores, tipógrafos e trabalhadores do livro partiram para novos destinos, saindo da França, em busca de negócios e trabalho depois da derrota de Napoleão, em 1812.

Trabalhar com publicações sempre foi arriscado econômica e, também, politicamente, e os empresários e tipógrafos estavam sujeitos à censura, a prisões e perseguições políticas de toda espécie. No Brasil, um desses editores franceses expatriados, Pierre Plancher, lançou uma série de produtos editoriais no mesmo período — ele desembarcou no Brasil com uma tipografia e alguns funcionários e abre seu negócio em 1824 (Santana Júnior, 2019). Por uma década, até 1834, Plancher dominou os negócios editoriais do jovem país de Dom Pedro I e, em 1827, publicou um periódico para mulheres que versava, entre outros assuntos, sobre moda — era O Espelho Diamantino. O jornal durou 14 números, de 1 de novembro de 1827 até abril de 1828 e se assemelhava ao Annona em muitos aspectos (diagramação, assuntos, maneiras de se dirigir aos leitores e leitoras). O principal, certamente, era o tipo de público leitor, as mulheres.

A imprensa era uma ferramenta poderosa no século XIX. Tratava de temas políticos, que influíam no cotidiano do país, mas também servia como um dos mais importantes marcadores temporais do século XIX. Números publicados com regularidade, com assuntos voltados para o cotidiano, para a divulgação científica e cultural dos leitores e leitoras, modificaram a noção de tempo no período. Junto com os relógios, que passaram a estar em vários lugares da vida do dia a dia (nas casas, nos bolsos dos coletes, nas ruas ou nas lojas), os periódicos marcaram a vida no século XIX (Benjamin, 1985).

A busca por um novo público leitor, as mulheres, não apenas aumentou as tiragens e as opções de leituras, mas difundiu a ideia de que as mulheres deveriam ser educadas, deveriam aprender a ler, a escrever e a contar, além de outros atributos para um bom casamento, como saber cozinhar, fazer doces e se vestir apropriadamente, dançar ou tocar piano.

Apesar da influência, em Annona estão ausentes algumas palavras que estavam ligadas à tradição francesa e que hoje estamos acostumados a usar. São elas: “gastronomia”, “gastrônomo”, “gourmet”. Se, por um lado, isso mostra que a influência francesa era sensível, mas não avassaladora na cozinha portuguesa, por outro mostra que o refinamento à mesa passava por outros símbolos e signos além da palavra. Foi no começo do século XIX que a França se estabeleceu como referência incontestável na cozinha, com a circulação dos textos do advogado e jurista Jean-Anthelme Brillat-Savarin (1995), que progressivamente fariam as palavras mencionadas anteriormente se tornarem referência da comida de elite.

A moda, como no Espelho Diamantino, ou a culinária, como na Annona, ensejaram publicações que tinham nas leitoras seu público-alvo. Além disso, ambas possuíam seções de divertimentos e literatura, como contos, poesias, fábulas e anedotas — leituras vistas na época como apropriadas às mulheres educadas. A ideia de um tempo de lazer e diversão também nasce com a revolução industrial — o ócio, diria Veblen —, tempo que deveria ser preenchido com atividades civilizadas, como a leitura de jornais e romances (Veblen, 1978).

A maioria das receitas de Annona reproduz, às vezes na íntegra, partes do livro Arte de cozinha, de Domingos Rodrigues, publicado em 1680. O livro é um clássico absoluto da cozinha portuguesa, com uma compilação de 300 receitas, as quais ao longo dos anos volta e meia reaparecem em outros livros de receitas — até o século XX. Domingos Rodrigues nasceu em Vila Cova à Coalheira em 1637 e morreu em Lisboa em 1719. Foi cozinheiro do rei Dom Pedro II de Portugal, tendo estado à frente da cozinha da Marquesa de Valença. Ele tinha 43 anos quando publicou o volume, que, como em Annona, nem sempre apresenta medidas exatas dos ingredientes, apenas modos de fazer, explicados de maneira bem solta, sem maior precisão.

Cento e cinquenta e seis anos separam as duas publicações. Pelas receitas publicadas, percebe-se que os pratos portugueses não mudaram muito nesse período. É nítida uma influência francesa — mais forte na Annona do que na Arte de cozinha (no início do século XVII, essa influência estava se iniciando). São receitas que traduzem não apenas um gosto, particular ou de grupo, por determinados alimentos — elas traduzem também a maneira de comer de classes ociosas, no caso, a alta burguesia e a aristocracia. Desta maneira, estão presentes ostras, enguias, pombos, lampreias, salmão, pargos e doirados, bacalhau, camarões, vitelos e carneiros, perus, trufas, alcachofras, castanhas, aspargos, couve-flor, chicórias, ervilhas, favas, pepinos, entre vários outros ingredientes. A escolha cuidadosa do que se ia colocar à mesa mostrava riqueza, poder e civilidade.

Apesar da influência, em Annona estão ausentes algumas palavras que estavam ligadas à tradição francesa e que hoje estamos acostumados a usar. São elas: “gastronomia”, “gastrônomo”, “gourmet”. Se, por um lado, isso mostra que a influência francesa era sensível, mas não avassaladora na cozinha portuguesa, por outro mostra que o refinamento à mesa passava por outros símbolos e signos além da palavra. Foi no começo do século XIX que a França se estabeleceu como referência incontestável na cozinha, com a circulação dos textos do advogado e jurista Jean-Anthelme Brillat-Savarin (1995), que progressivamente fariam as palavras mencionadas anteriormente se tornarem referência da comida de elite.

Brillat-Savarin não apenas popularizou esses termos em seu livro mais conhecido, La physiologie du goût, lançado em dezembro de 1825, numa edição paga pelo próprio autor, como criou a ideia de que a cozinha era uma arte equivalente à música ou ao teatro, portanto feita por gênios-cozinheiros e passível de ser criticada. Desta forma, quando a Annona passa a ser publicada em 1836, ela está fazendo, ainda que de modo indireto, uma referência a Savarin e ao estilo de vida francês da Restauração, entre 1815 e 1830. Neste momento, jantares privados passavam a ser mostras de civilidade burguesa e eram bastante protocolados.

Desde o século XVIII, cozinheiros franceses eram contratados para diferentes cortes reais na tentativa de modernizá-las, adequá-las aos novos tempos e aos novos governantes. Em Portugal, D. Maria (1734–1816), durante seu reinado entre 1777 e 1792 (quando começaram seus delírios e D. João VI assumiu o trono na prática), contratou o cozinheiro francês Lucas Rigaud,que acabou por escrever Cozinheiro moderno ou Nova arte de cozinha (Rigaud, 1999), chocado com o facto de o livro de Domingos Rodrigues ser o único livro de cozinha de Portugal até então, em meados do século XVIII. Os desconhecidos editor (seria José Joaquim Nepomuceno Arsejas?) e redatores da Annona sabiam, portanto, ao falar para o seu público, que estavam a par tanto da tradição culinária portuguesa, com as receitas de Domingos Rodrigues, como das novas modas culinárias de Vincent Sain Chapelle e Lucas Rigaud e da cozinha francesa. Se a cozinha aristocrática portuguesa ainda exagerava nas especiarias, mostrando o seu valor comercial e a sua importância económica, desde o começo do século XVIII a cozinha francesa buscava o refinamento do “gosto puro” dos alimentos, que pouco depois seria tão exaltado por Brillat-Savarin.

Mas a Annona não foi um periódico apenas de receitas ou de gastronomia, ainda que esse fosse o seu principal chamariz. Além da comida, publicava poesias, contos, fábulas, anedotas e adivinhas, no melhor estilo de “almanaque do século XIX”, com uma variedade notável de assuntos leves e mundanos. A ideia, como referimos, era ser uma revista voltada para o público feminino da alta burguesia e da aristocracia portuguesa — uma revista de entretenimento no sentido mais completo do termo. As receitas deveriam ser servidas em jantares, seguidos por distrações leves, música, recitação de poesia, contos ou anedotas. Dessa maneira, um jantar estaria completo, numa oferenda a Annona, a deusa da abundância, terminando a noite cheia de felicidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas: magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1985.

BRILLAT-SAVARIN, Jean-Anthelme. A fisiologia do gosto. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

CRUZ, Eduardo; SANTOS, Gilda. Annona ou misto curioso. Porto: Livraria Lello, 2023.

HALLEWELL, Laurence. O livro no Brasil: sua história. São Paulo: EdUSP, 1985.

MONTELEONE, Joana. Sistema métrico. In: SLEMIAN, Andréa; AIDAR, Bruno; LIMA LOPES, José Reinaldo. Dicionário histórico de conceitos jurídico-econômicos. São Paulo: Alameda Casa Editorial, 2021.

RIGAUD, Lucas. Cozinheiro moderno ou Nova arte de cozinha. Lisboa: Colares, 1999.

RODRIGUES, Domingos. Arte de cozinha. Lisboa: Biblioteca de Autores Portugueses / Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1987.

SANTANA JÚNIOR, Odair Dutra. Jornais de língua francesa na tipografia de Pierre Plancher (Rio de Janeiro, 1827). Revista Non Plus, ano 7, n. 15, jan.-jun. 2019, ISSN 2316-3976.

VEBLEN, Thorstein. Teoria da classe ociosa. São Paulo: Abril Cultural, 1978.

Recebido para avaliação em 11/07/2024.
Aprovado para publicação em 09/08/2024.

2 A questão das medidas e do sistema métrico é complexa tanto em Portugal como no Brasil. Nos dois países, o sistema métrico demorou a ser implantado e até hoje se utilizam medidas não decimais nas receitas, como colheradas, bacias, xícaras e pitadas (nenhuma dessas medidas aparece na tabela de equivalências, por sinal). Para saber mais sobre a questão das medidas e da implementação do sistema métrico, ver MONTELEONE, Joana. Sistema métrico. In: SLEMIAN, Andréa; AIDAR, Bruno; LIMA LOPES, José Reinaldo. Dicionário histórico de conceitos jurídico-econômicos. São Paulo: Alameda Casa Editorial, 2021.

3 É possível ler o fac-símile em: https://www.docvirt.com/DocReader.net/RealGabObras-Raras/38862.

4 Ver a apresentação de CRUZ, Eduardo; SANTOS, Gilda. “Annona, muito além dos prazeres da mesa”. In: Annona ou misto curioso. Porto: Livraria Lello, 2023, p. 15–20.

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1824 O Bacalhau triunfante: relação divertida, e curiosa offerecida a todo o apreciador de boa posta do mesmo bacalhau

O Bacalhau triunfante: relação divertida, e curiosa offerecida a todo o apreciador de boa posta do mesmo bacalhau / por hum apaixonado deste petisto.

1824

TÍTULO: O Bacalhau triunfante:

SUB TÍTULO: relação divertida, e curiosa offerecida a todo o apreciador de boa posta do mesmo bacalhau / por hum apaixonado deste petisto.

AUTOR: José Alfredo da Costa Azevedo

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1824

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: Porto

EDITORA: impressa na Rua de Santo Antonio

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO: (Velharias de Sintra; 3)

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN R. 31912 P.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 732

OBSERVAÇÕES:

732

O Bacalhau triunfante: relação divertida, e curiosa offerecida a todo o apreciador de boa posta do mesmo bacalhau / por hum apaixonado deste petisto. — Porto: impressa na Rua de Santo Antonio, 1824

¹² Inclui espécies sobre assuntos variados, complementares aos livros de cozinha.

BN R. 31912 P.

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1816 Sentença de proscrição, que contra Dom Bacalhão, alcançou Dona Sardinha, no tribunal dos cabazeiros,

Sentença de proscrição, que contra Dom Bacalhão, alcançou Dona Sardinha, no tribunal dos cabazeiros, [...]

1816

TÍTULO: Sentença de proscrição, que contra Dom Bacalhão, alcançou Dona Sardinha, no tribunal dos cabazeiros, […]

SUB TÍTULO: 

AUTOR: 

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1816

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: 

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Impressão Régia

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN L. 29500 V.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 828

OBSERVAÇÕES:

828

Sentença de proscrição, que contra Dom Bacalhão, alcançou Dona Sardinha, no tribunal dos cabazeiros, […] — Lisboa: na Impressão Régia, 1816

BN L. 29500 V.

Bacalhau e sardinha servidos com humorem folhetos portugueses do final do Antigo Regime

Resumo: Depois de uma reflexão sobre a Li-teratura enquanto fonte histórica, designada-mente sobre os seus alcances e limites, procu-ra-se, a partir de cinco folhetos humorísticos portugueses do final do Antigo Regime, per-ceber como eram entendidos o bacalhau e a sardinha no quotidiano das populações, ao mesmo tempo que se confrontam estas fontes literárias com outras diversas, de modo a cor-roborar as informações, no intuito de avaliar o valor destes textos

Isabel Drumond Braga1

Palavras-Chaves: Bacalhau; sardinha; Portugal; século XIX

1. História e Literatura enquanto formas diferenciadas de apreensão da realidade

Atendendo a que a Literatura apreende a realidade humana, abordar as representações através dos textos literários tem merecido alguma atenção (Chartier, 2000), constituindo uma possibilidade para os historiadores e dando origem a profícuos diálogos entre as duas áreas do saber, que utilizam estratégicas retóricas diferenciadas 2. Efetivamente, História e Literatura narram acontecimentos, ao mesmo tempo que a criação literária se revela como expressão da sociedade. Como Sandra Jatahy Pesavento chamou a atenção, «a História, tal como a Literatura, é uma narrativa que constrói um enredo e desvenda uma trama» (Pesavento, 2003: 33). Porém, as duas abordagens apresentam diferentes compromissos com a realidade, embora com recurso a discursos verosimilhantes, apesar de a História ter a pretensão de alcançar a verdade. Não obstante, a Literatura pode ser uma fonte histórica, dependendo dos problemas formulados, designadamente se o objetivo for a perceção das sensibilidades, dos valores, das razões e dos sentimentos (Pesavento, 2003: 33). Neste sentido, os folhetos em estudo constituem um objeto literário que permite reler os consumos dos grupos sociais, em especial dos populares, no final do Antigo Regime. Isto é, autoriza o conhecimento das representações culturais, na conceptualização de Roger Chartier (1987). É neste entendimento teórico que se fundamenta a utilização de textos literários para o estudo da história cultural da alimentação 3.Quando as personagens são apresentadas de forma coerente e verosímil, os seus comportamentos e opções são completamente credíveis. Assim, a utilização de fontes literárias para melhor conhecer a alimentação e os comportamentos à mesa do passado teve entre os seus cultores, por exemplo, os que se dedicaram à temática no teatro de Gil Vicente (Palla, 1998), na poesia de Gregório de Matos (Papavero, 2007), nas obras de Camilo Castelo Branco (Queiroga, 2015) e de Eça de Queirós (Peixinho, 20164), na paremiologia (Braga e Mourão, 2015), na oratória sacra (Marques, 2005) ou na literatura humorística de Armando Ferreira (Braga, no prelo). Menos ambiciosas foram as recolhas de excertos de obras de Almeida Garrett (Garret…, 2000) e de Eça de Queirós (Alves, 1992; Alves, 2001; Goes, 2004) relativos a produtos e preparados, para nos limitarmos a um conjunto de obras de autores portugueses. Se alargarmos o horizonte geográfico, importa referir, por exemplo, e de novo sem qualquer objetivo de exaustividade, estudos sobre contos medievais ingleses, nos quais a análise se centrou no estudo das metáforas e nas considerações antifemininas produzidas de forma satírica (Rompato, 2007), a investigação aprofundada e contextualizada acerca dos produtos locais franceses abordados na obra de Rabelais (Margolin, 2004), a interpretação das refeições em três obras de José de Alencar, evidenciando os momentos à mesa enquanto marcos temporais e sociais e espaços de partilha (Kaspar 2016), a identidade alimentar do sul de Itália a partir de obras literárias do passado e da atualidade (Bona, 2009; Bona, 2013), os alimentos tradicionais do nordeste brasileiro nas letras das canções de Luiz Gonzaga (Rocha, 2014) ou a muito original análise da comida nos romances de Agatha Christie, num estudo que privilegiou o papel dos alimentos e dos utensílios de cozinha enquanto armas de crimes, sem perder a noção do paradoxo entre as relações comida, vida, cuidado e comida, morte, assassinato (Baučeková, 2014). Já textos que se limitam a proceder ao levantamento de produtos e preparados sem qualquer contextualização, caso das receitas sicilianas na literatura (Bona, 2005) ou de referências a comida em autores como Dalcídio Jurandir, de novo sem qualquer enquadramento, (Bona, 2019), revelam-se de nulo interesse para o historiador.

1 Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa; CIDEHUS, Universidade de Évora; Centro de História, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa. Professora associada com agregação, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa.Resumo: Depois de uma reflexão sobre a Literatura enquanto fonte histórica, designada-mente sobre os seus alcances e limites, procura-se, a partir de cinco folhetos humorísticos portugueses do final do Antigo Regime, perceber como eram entendidos o bacalhau e a sardinha no quotidiano das populações, ao mesmo tempo que se confrontam estas fontes literárias com outras diversas, de modo a corroborar as informações, no intuito de avaliar o valor destes textos.Palavras-Chaves: Bacalhau; sardinha; Portugal; século XIX.Abstract: After reflecting on Literature as a historical source, namely its scope and limits, we seek, based on five portuguese humorous leaflets from the end of the Ancien Régime, to understand how cod and sardines were understood in the daily lives of populations. The paper also aims analises how these literary sources are importants, compared with several others, in order to corroborate the information, to evaluate the valour of this texts.Keywords: Codfish; sardine; Portugal; 19th century. 

2 Não se pretende, de forma alguma, fazer o elenco dos trabalhos sobre a matéria. Refira-se apenas que o assunto tem despertado o interesse e a reflexão de autores em diversos países. Entre os portugueses, vejam-se os trabalhos de Fonseca, 2004 e de Matos, 2015. Ao arrepio destas posições, leia-se a entrevista dada, em 2007, por Maria Vitalina Leal de Matos, durante a qual a autora afirmou: «Enquanto as outras “ciências” so-ciais ou humanas encaram o seu objeto de um determinado ângulo, e apenas desse, seja o psicológico, o sociológico, o linguístico, o histórico… o estudo da literatura olha o homem como um todo; qualquer das abordagens acima mencionadas são pertinentes e bem-vindas para focalizar aquele objeto de estudo que é a obra literária. Claro que, justamente no século xx, os estudos literários pretendem ter o seu enfoque próprio, e deste modo a literatura concentrou-se nos estudos de texto. Mas, excetuando alguns casos mais radicais, nunca desprezou as contribuições que as outras ciências lhe davam» (cf. Matos, 2016: 345-346).

4 Sobre este tema em Eça de Queirós, veja-se o elenco bibliográfico citado por Peixinho, 2016

2. Bacalhau e sardinha:os peixes dos pobres

Portugal, enquanto país marítimo com uma longa costa, esteve sempre vocacionado para a pesca, o consumo e a pontual exportação de diversas espécies piscícolas. A esta realidade há que juntar duas outras igualmente não negligenciáveis, embora com importância diferenciada ao longo dos tempos: a pescaria fluvial, que facilitou o abastecimento de algumas zonas do interior do país, e a pesca em águas internacionais, em especial na costa norte-africana e no Atlântico Norte (Magalhães, 1970: 160-161; Braga, 1998: 230-231).

A partir de cinco folhetos anónimos, publicados no final do Antigo Regime, concretamente entre 1790 e 18425, pode verificar-se o recurso ao sarcasmo e ao humor para abordar as principais características de dois peixes baratos, e consequentemente de consumo popular, por parte dos portugueses, isto é, o bacalhau e a sardinha.

Na atual fase de investigação, sobre os autores dos textos nem sequer se conseguem colocar hipóteses. Já os conteúdos insistem em aspetos como as características dos peixes, os tempos de consumo (em especial durante a Quaresma), os modos de os preparar, os espaços de degustação e os grupos consumidores, sem esquecer algumas críticas ao comércio bacalhoeiro inglês.

Uns folhetos apresentaram-se em diálogo (entre bacalhau e sardinha e entre bacalhau e carne), outros sob a forma de julgamento com argumentos pró e contra, terminando com uma sentença 6.

 Não é um caso inédito, em termos de textos sobre produtos alimentares. Veja-se o caso do Suplicio dos doces, um texto jocoso do século XVIII, da autoria do padre jesuíta Silvestre Aranha (Sousa, 2011: 111-113).vista material, as obras em estudo tiveram entre 2 e 15 páginas, foram publicadas em papel de má qualidade, num caso com texto em colunas, por editores diferentes, três de Lisboa e dois do Porto, conforme se pode verificar pelo quadro s sardinhas portuguesas eram boas, abundantes, objeto de exportação desde a Idade Média (Rau, 1968: 62; González Jiménez, 1993: 45-48) e fascinavam nacionais e estrangeiros. Por exemplo, Carrère, em 1796, referiu a abundância das espécies piscícolas portuguesas e o seu preço elevado, com exceção das sardilnhas, o grande recurso do povo (Carrère, 1989: 96); enquanto Ruders, em carta datada de 3 de março de 1801, as comparou com o sueco strömminger e considerou que «raras vezes se vê na mesa de gente rica, mas é muito apre-ciada pelos estrangeiros e constitui uma boa parte da alimentação da gente menos remediada» (Ruders, 1991: 184-185).

Efetivamente, outras fontes já estudadas corroboram as impressões dos estrangeiros. Sabe-se que na alimentação medieval do campesinato, em matéria piscícola, o destaque incidia nas sardinhas (Coelho, 1990: 9-22). Por outro lado, junto da Ribeira, em Lisboa, durante o século de Quinhentos, havia 10 cabanas com braseiros manipulados por homens e mulheres que aí assavam sardinhas e outros peixes, os quais alimentavam homens livres e escravos que trabalhavam nas imediações (Brandão (de Buarcos) 1990: 107).

Na Descrição da cidade de Lisboa (1730), afirmou-se que eram salgadas e enviadas para o interior do reino, onde constituíam um grande recurso para a alimentação dos pobres (Descrição,1983: 45). Segundo Link (1797-1799), eram em grande quantidade e tanto serviam para alimentar o povo como os porcos, constituindo o jantar habitual de soldados, serventes e grupos baixos em geral (Link, 1803: 256).

Na descrição de Ruders (1801), os mendigos costumavam assar as sardinhas na rua servindo-se de pedaços de carvão (Ruders, 1991: 184-185).

Sobre o bacalhau, as referências foram mais escassas. Tendo entrado na alimentação portuguesa séculos depois das sardinhas, só passou a ter lugar de destaque a partir do século XVI. Na centúria seguinte, concretamente em 1668, uma natureza morta dos pintores Josefa de Ayalla e Baltazar Gomes Figueira apresenta-o pela primeira vez em contexto culinário. Porém, está ausente das compilações de provérbios da Época Moderna, ao contrário da sardinha, o peixe mais referenciado, com 11 ocorrências (Braga e Mourão, 2015)7. Portugal tornou-se um dos principais consumidores a nível mundial, ao mesmo tempo que a história da presença deste peixe nas mesas, inicialmente ligada aos sectores mais desfavorecidos e, concomitantemente, ausente das refeições festivas dos abastados (Silva, 2007: 423-436; Braga, 2012: 889-893; Sobral, 2013: 619-649)8, foi particularmente rica, pois tratou-se de um género abundante e barato, situação que só se alterou durante as últimas décadas do século xx, quando se metamorfoseou definitivamente. As características quer do bacalhau quer da sardinha foram amplamente referidas nestes folhetos. Nas Aventuras ou lograções, referenciaram-se os atributos da sardinha fresca e da que já não deveria ser objeto de consumo. Assim, o bacalhau considerou que a sua interlocutora estava transfigurada, pois «era clara e está amarela, era gorda e está tísica, era gentil e está encarquilhada» (Aventuras, 1790: 3), para continuar considerando que fora «esbelta, delicada, guapa, mocetona, chibante, e vejo-a tisnada, magricela, alcorcovada, indigesta e até remelosa, quando vossa mercê tinha uns olhos pequenos sim, porém marotos e vivos o mais que podiam ser» (Aventuras, 1790: 3). 

5 Para a segunda metade do século XIX continuam a aparecer este tipo de publicações. Cf., por exemplo, Suplício do bacalhau e degredo de Judas em sábado de aleluia (1874).Tipografia Universal. Lisboa. 
 
6 Não é um caso inédito, em termos de textos sobre produtos alimentares. Veja-se o caso do Suplicio dos doces, um texto jocoso do século XVIII, da autoria do padre jesuíta Silvestre Aranha (Sousa, 2011: 111-113)
 
7 Posteriormente, o bacalhau aparecerá sempre conotado com questões depreciativas: «amarelo, salgado, cru e mau, chama o povo ao bacalhau», «para quem é bacalhau basta» ou ainda «ficar tudo em águas de bacalhau» (Abel e Consiglieri, 1998).
 
8 O mesmo acontecia em outros espaços europeus, cf. Kur-lansky, 1999; Davidson, 2006; Panayi, 2014. Saliente-se o caso inglês, com um significativo consumo de bacalhau fresco, no famoso prato designado Fish and ships. Não obstante, se o consumo de bacalhau em Inglaterra remontou ao Antigo Regime, a associação do peixe às batatas fritas é bastante mais recente, como sublinhou Panayi, 2014.
 

Em outro folheto, a sardinha foi caracterizada como «amarela e sarnenta» (Sentença,1816: 4).Um dos elementos mais referenciados a desfavor do bacalhau foi o cheiro, «amarelo e mal-cheiroso, a retalhos reduzido» (Sentença, 1816: 2), ou «muito podre, muito pestilente e muito fedorento» (Um açoutado, 1826: 3), ou ainda «porque razão combalido tu vens botando mau cheiro, empestar a loja toda do gordo bacalhoeiro» (Sentença, 1842: 1). O facto de o bacalhau ser quase sempre consumido depois de ter sido salgado levou a observações que relacionaram falta de salubridade e doenças, para gáudio de médicos e boticários (Um açoutado, 1826: 4). Na Sentença de proscrição,considerou-se que a «pérfida raça marinha» era «salgado como salitre, tão nefasto à humanidade, que só dele podem ter as boticas saudade» (Sentença, 1816: 1) e que «mil crimes tem perpetrado este indómito perverso, tem infecionado as amas de criancinhas de berço, não lhe escapando os cantores, que se queixam amargamente» (Sentença, 1816: 2).

Porém, quando usado em fresco, poderia ser dado aos doentes (Sentença, 1816: 4).

Um outro folheto insistiu nos problemas decorrentes do uso do produto depois de salgado, afirmando que tal justificava uma fonte de insultos: «chamando-me nomes os mais injuriosos, como são badejo, mata-frades, ladrão e até galinha de galegos» (O bacalhau, 1824: 4). Repare-se na alusão aos galegos, um grupo genericamente muito pobre que desempenhava funções modestas na capital. Não se estranha que a má cura do bacalhau fosse frequentemente responsabilizada por diversas moléstias capazes de «atirar um Hercules à sepultura» (Um açoutado, 1826: 3) ou, mais ironicamente, «na mesa de uma taberna empanzinas o galego com uma cólica eterna» (Sentença, 1824: 1).Tendo em atenção o mais famoso dos tratados de bromatologia do século XVIII, o da autoria de Francisco da Fonseca Henriques, médico de D. João V, vejamos como era visto este peixe tão criticado.

Ora, para este físico, na perspetiva da saúde, o bacalhau era pior do que a pescada, difícil de cozer e gerador de humores melancólicos. Sob a ótica social, esclareceu que era comida de pobres e rústicos, adequada para quem trabalhava exercitando-se muito, sendo desaconselhado às pessoas delicadas e sedentárias (Henriques, 1731: 199).

A identificação dos consumidores foi frequentemente evidenciada. Sendo certo que em qualquer sociedade do Antigo Regime o consumo estava dependente do poder económico, da sazonalidade dos produtos, da localização e do tipo de refeição, a carne constituiu sempre o alimento por excelência dos abastados, em detrimento do peixe que, tal como a carne, co-nhecia preços diversificados, havendo espécies muito mais valorizadas do que outras (Braga, 2015).

Assim, em Aventuras ou lograções, referiu-se claramente que, em tempo quaresmal, os grupos privilegiados só recorriam ao consumo de bacalhau se não existissem outros peixes nobres no mercado. Porém, os pratos que se preparavam com aquele ingrediente menos nobre não ficavam isentos de alguma sofisticação, tornando as refeições bem diferentes das dos não abastados, inclusivamente quando utilizavam o mesmo produto base.O texto forneceu ainda uma imagem da geografia social da cidade, por bairros:

Os fidalgos, os condes, os marqueses, os estrangeiros, os médicos, homens de negócio, ricaços e a maior parte dos homens de gravata lavada, que todas estas pessoas que nós avaliamos em muito, todas assistem do rossio para cima: Bairro Alto, Patriarcal Queimada, São Bento, Cruz de Buenos Aires, Estrela, etc. e que todos estes na Quaresma, comem bom peixe se o há, e só na extrema necessidade é que saltam no bacalhau, mas ainda então o tratam com um bocado de distinção; porque uns o fazem albardados, outros com ovos, outros numa espécie de filhós, outros com manteiga, outros com molho de alho. (Aventuras, 1790: 4)

Repare-se que a cidade de Lisboa estava dividida em duas grandes áreas. Se o Chiado, nascido na primeira metade do século XIX, se tornou o palco da vida cultural e social da cidade, já antes toda aquela zona constituía uma parte nobre, contando com a presença de palacetes de várias famílias aristocráticas, de conventos e de igrejas, destruídos, total ou parcialmente, pelo terramoto de 1755.

Por outro lado, as freguesias de Santa Justa, São Nicolau, São Julião e Madalena tinham uma ampla tradição de presença de gentes do mar e dos ofícios em geral (Couto, 2003: 241-242; França, 2008: 445-448). Ora, claramente o autor do texto conhecia bem as duas Lisboas. Um outro folheto insistiu nesta ideia do alargamento dos públicos consumidores. Na Sentença contra o réu bacalhau, a defesa alegou, além do preço modesto e da utilidade em dias de jejum, que: 

Quando assado entro na adega,os tonéis deixo sem pinga.

Na taberna mais grosseira, na mesa de mais finura, vou com molho de manteiga fazer brilhante figura.Até os mesmos tafuis em mim acham conforto, sobre bacalhau com ovos, chupam garrafas de Porto.[…] Se com cebola ou batatas me poem em prato redondo, já julga toda a família que tem banquete de estrondo.Se apareço desfiado dentro de algum pastelão, todos gostam, todos gabão esta minha condição.(Sentença,1842: 1-2)

Enquanto peixe habitualmente consumido por indivíduos de fracos recursos, o bacalhau foi frequentemente apresentado como um preparado disponível em tascas, tabernas, baiucas e estalagens 9 — espaços relevantes para as refeições dos grupos populares —, onde era adquirido por marujos, mochilas e «vil canalha», que o comia assado, por vezes queimado, nos estabelecimentos de Alfama, aparentemente os piores da capital. Sofríveis seriam os da Ribeira das Naus e do Bairro Alto (Aventuras, 1790: 5). A sardinha não tinha um destino diferente. Estava nas alcofas, nas gigas, nos sacose nas selhas dos moradores da Ribeira Nova, «tanto o rico como o pobre, o lacaio como o marujo, toda a vil canalha cá destes bairros do mar» (Aventuras,1790: 6).

A referência ao consumo por parte de galegos (Sentença, 1842: 1) tornou também de novo evidente um outro grupo com escassos recursos entre os que integravam o bacalhau na sua alimentação. Sabe-se que, em 1825, a população residente ou forasteira que passasse por Lisboa dispunha de mais de 1600 estabelecimentos de comes e bebes, distribuídos pela urbe e mais concentrados nas zonas dos cais e mercados, com ênfase em três núcleos: Baixa-Chiadoo–Bairro Alto, São Bento e a zona da Calçada da Ajuda. Como polos secundários, refiram-se a Graça, a Mouraria e o Castelo. Em muitos destes estabelecimentos, podia-se comer, beber, adquirir comida para consumir em outros locais e jogar (Lousada, 2004).A população conventual e monástica, enquanto consumidora de peixe, não foi esquecida num dos folhetos. Porém, apresentou-se a aquisição de bacalhau dependente da não existência de alternativas, o que deu lugar a uma crítica clara aos carmelitas de Lisboa, «sempre de mim [bacalhau] se servem quando não têm peixe fresco, ou quando não têm algum pequeno pretexto de saúde para comer carne, pois não há um que não ralhe de mim e não maldiga o voto de abstinência» (O bacalhau, 1824: 4).

Refira-se que a abundância e a diversidade das espécies ictiológicas permitiam que o peixe fosse um dos alimentos presentes na dieta de ricos e pobres, tanto mais que os dias de jejum e abstinência prescritos pela Igreja eram em número elevado (Pommarède, 2002: 83-93; Marques, 1981: 10; Coelho, 1993: 97; Coelho, 2000: 96-97), o que levou alguns autores a salientar a influência daquela instituição no consumo das populações (Mutgé i Vives, 1988: 110).

Por outro lado, não esqueçamos que o peixe ocupou um lugar de relevo no regime alimentar das comunidades monásticas, um pouco por todo o lado (Ignace e Laborie, 2002: 263-299; Braga, 2015a) e até em alguns dias de festa. Recorde-se que a renúncia era entendida como um instrumento de mortificação, mas que privação não significa ausência. Por outro lado, a abstinência de certos alimentos tinha uma relação direta com a desejada continência sexual. A gula e o sexo apareciam como os dois prazeres corporais por excelência. Logo, de acordo com os entendimentos dietéticos da época, uma alimentação fria e seca inibia a prática sexual, a qual era estimulada por alimentos quentes e húmidos (Montanari, 2012: 196-197).

O modo de preparar o bacalhau e a sardinha foi objeto de inventariação na Sentença de proscrição. Assim, o primeiro podia ser servido cozido, assado, albardado, preparado com ovos e manteiga, molho de alho e em almondegas;

enquanto a sardinha era cozida, assada, preparada no forno, em tigelada, espichada, temperada com orégãos e até metida em piveradas (Sentença, 1816: 5).

O elenco não destoa de um outro anterior, no qual se referiu que era servida assada, cozida, em fresco, em seco e salgada, tal como acontecia no bairro lisboeta dos Remolares (Aventuras,1790: 11-12).De permeio, um dos folhetos referiu uma refeição, no caso um almoço, então designado jantar, de um letrado. O autor mostrou-se crítico das mulheres e dos homens que nelas confiavam e censurou a refeição servida pelas 14 horas, composta por caldo de lentilhas, ovos e sardinhas. Ainda acrescentou que «outras ridicularias semelhantes» eram cebolas, chícharos e feijão-frade (Aventuras, 1790: 9).

Outro folheto referiu ainda arroz de bacalhau, migas de bacalhau e tigelada de bacalhau, preparada com tomate, salsa, cravo e pimenta(Sentença, 1842: 2).

Em contextos leigos, a primeira receita de bacalhau que nos aparece está contida no manuscrito inédito de Francisco Borges Henriques intitulado Receitas de milhores doces e de alguns guizados particullares e remedios de conhecida experiencia que fes Francisco Borges Henriques para o uzo da sua caza (1715-1729), uma obra até ao momento só parcialmente estudada (Braga, 2004 e 2017).

Este autor apresentou o modo de demolhar peixe seco, um molho para bacalhau e uma receita de frigideira de bacalhau, o que não deixa de ser interessante, já que estamos perante uma espécie pouco apreciada pelo grupo aristocrata. Assim, escreveu:

…todo o peixe seco se deitara de molho em água quente, não muito, e depois em vinagre, um pouco de tempo, e depois o cozerão com umas pernas de salsa e se coma com o molho de assado. O peixe seco de pele depois de estar de molho em água quente, e tirando-lha deitado em vinagre um pouco, se porá a ferver e o limarão, e limado picarão salsa e cebola e com duas outras colheres de manteiga e pouca água se deite o peixe dentro e se lhe deite pimenta e açafrão com uma pouca de farinha que engrosse o molho. Se coma com limão e uma gema de ovo batida. [Molho:] depois do bacalhau cozido, deitarão bastante manteiga e uns quartinhos de cebola já co-zida que ferva na manteiga e terão feita mostarda de grão e a ferveram na manteiga e o bacalhau e assim o comerão com a mostarda deitada no molho. [Finalmente a frigideira de bacalhau:] desfiarão o bacalhau e o deitarão na frigideira com manteiga, cebola e salsa picada e sua pimenta e gemas de ovos batidas e seu sumo de limão. (Braga, 2004: 57-58)

Se nos detivermos nas obras de cozinha impressas, até à data da publicação dos folhetos 10 apenas o Cozinheiro moderno ou nova arte de cozinha, da autoria de Lucas Rigaud, cuja primeira edição datou de 1780, integrou várias receitas de bacalhau. A saber, à provençal, à bechamel e assado nas grelhas e por outros modos 11. Neste último caso, apareceram mais cinco receitas. Portanto, oito pratos diferentes (Rigaud, 1999: 196). Atendendo a que, nesta época, todos os livros de cozinha se destinavam aos grupos com poder aquisitivo, em concreto aos profissionais que os preparavam e serviam, não é de estranhar que as receitas apresentem alguma sofisticação. Se, a partir do final do século xv, os portugueses se dedicaram à pesca do bacalhau, situação que posteriormente se alterou 12, no século xviii, o consumo estava dependente da importação via Inglaterra, a qual não deixou de ser objeto de reflexão crítica. Assim, referiu-se que o bacalhau sem cabeça corria mundo para enriquecer tiranos, isto é, os ingleses, pois os portugueses «trocam o ouro por peixe seco que por maltratado em sua cura serve mais a arruinar os corpos que deles se alimentam do que à sua nutrição» (O bacalhau, 1824: 5-6).

Num outro folheto, alguém se interroga:«Diz-me, pois, bacalhau, porque sais tu de Inglaterra e te acodes a Lisboa, fazendo aos mais peixes guerra» (Sentença, 1842: 1). Recorde-se que, em 1715, o tratado de Utreque implicou o desaparecimento das rotas peninsulares do bacalhau, favorecendo os ingleses (Moutinho, 1985: 22-23; Amorim, 2001: 66-67).

Após um longo interregno, só a partir dos anos de 1830 Portugal apetrechou de novo a frota bacalhoeira, devido a incentivos diversos. Com a Companhia das Pescas Lisbonenses (1837–1856), a atividade piscatória nos bancos da Terra Nova e da Islândia conheceu novo fôlego, ainda que por um curto período. Porém, a atividade continuaria contando com a participação da frota açoriana da firma Salomão Bensaúde e Filhos (1858-1862) e suas sucessoras, que aproveitaram para diversificar a expansão da casa comercial (Moutinho, 1985: 24-29).

Ora, a maior parte dos folhetos foi publicada antes do ressurgimento da frota bacalhoeira diminuir a participação portuguesa na pesca do bacalhau, levando à necessidade de o importar. portuguesa, não a podendo referir. Por outro lado, em nenhum deles houve referências à pesca portuguesa no Atlântico Norte no passado.

 9 Sobre as particularidades destes estabelecimentos poliva-lentes – ali se comia, se bebia, se jogava –, as dificuldades de os caracterizar e os tipos de alimentos que serviam e vendiam para fora, cf. Lousada, 2004 e 2009.

10 Uma análise desta matéria, até aos nossos dias, pode ser vista em Sobral 2013: 619-649.

11 Esta obra integrou também uma receita de sardinhas com ervas finas, um prato preparado no forno (Rigaud, 1999: 192).

12 No final do século xv, as viagens de Descobrimento deram conta de uma nova realidade geográfica com interesse económico. Com uma cronologia até hoje imprecisa, terão ocorrido as viagens de João Fernandes Labrador, um açoriano da ilha Terceira, as de Gaspar e Miguel Corte Real, igualmente aç-rianos, e a de Giovanni Caboto que, com marinheiros de Bristol e a cargo de Henrique VII, rei de Inglaterra, em 1497, teria chegado à Gronelândia. Da segunda viagem de Gaspar Corte Real, em 1502, chegaram a Portugal autóctones vestidos com peles. Em 1508, já se estabelecera uma colónia portuguesa na Terra Nova, Terra Verde ou Terra dos Corte Reais, financiada por mercadores de Viana da Foz do Lima (atualmente Viana do Castelo), de Aveiro e da ilha Terceira. Os portugueses controlavam o litoral e mantinham contactos amistosos com as populações locais, que mais tarde se deterioraram (Moutinho, 1985: 15-22; Magalhães: 2001: 17-30; Varela, 2001: 31-50). A exploração piscícola sistemática do bacalhau havia começado concentrando-se, sobretudo, entre fins de março e princípios de outubro, com a rota Aveiro – ilha Terceira – Gulf Stream – Península do Labrador. A existência de sal português em quantidade e qualidade facilitou a conservação do produto. Novas vagas de colonização iriam reforçar a colónia portuguesa, nos anos 30 do século xvi, com gente oriunda de Viana e, em 1567, com naturais da ilha Terceira (Açores). Em meados do século xvi, de Aveiro saíam anualmente 150 navios pesqueiros, conferindo à vila uma situação de desafogo económico que terminará no final da centúria (Moutinho, 1985: 19; Amorim, 2001: 66). Entretanto, a concorrência de outros povos começou a fazer-se notar. A França foi manifestando um interesse crescente, especialmente a partir de 1534, com a viagem de Jacques Cartier. Portugal começou a perder terreno face a franceses, ingleses e espanhóis, o que se tornou particularmente visível durante a segunda metade do século XVI, quando o corso e a exploração do açúcar brasileiro fizeram diminuir a participação portuguesa na pesca do bacalhau, levando à necessidade de o importar.

3. Em jeito de balanço

De comida de pobres a prato apreciado por endinheirados, eis um percurso que, embora só se tenha concretizado cabalmente durante o século xx, tem antecedentes documentados desde Setecentos, para a sardinha e, em especial, para o bacalhau.

Porém, desde logo se tornou claro que, durante o Antigo Regime, o peixe vindo do Atlântico Norte chegava à mesa dos aristocratas preparado com sofisticação, ao contrário do que era servido em espaços de restauração popular, caso das tabernas e baiucas. Presente igualmente nas refeições do clero e de consumo crescente devido à abundância, aos preços baixos e ao elevado número de dias magros, nunca deixou de ser alvo de más vontades, quer por quem o consumia quer pelos médicos, que o consideravam útil apenas para os que gastassem muita energia, em trabalhos que implicassem esforço físico.

Apresentado pelos folhetos em estudo de forma satírica, tentando suscitar o riso dos leitores, pelos diálogos, pelas críticas e pelas imagens e metáforas neles incluídos, o bacalhau e a sardinha foram mostrados nos seus vários espaços de consumo, fazendo alusão a diversos bairros da capital, mas também referenciados em relação a consumidores pobres e abastados, leigos e eclesiásticos.

Não foram  esquecidas as características dos peixes — aspetos, cores, cheiros, sabores —, as formas de preparação dos pratos e as épocas de maior consumo, bem como as críticas ao comércio inglês, antes do ressurgimento da frota bacalhoeira portuguesa.

Nestas obras literárias, recriaram-se ambientes, gestos e objetos que eram familiares aos que então viviam. Ao situarem acontecimentos e espaços conhecidos, os autores procuraram a proximidade e a identificação de quem lia os folhetos, permitindo conhecer as sociabilidades à volta da cozinha, da mesa e dos gestos ligados à produção, à circulação e ao consumo do bacalhau e da sardinha.

Os testemunhos literários foram totalmente corroborados por outras fontes, evidenciando-se, deste modo, o valor que apresentam.

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1788 Arte Nova e Curiosa para Conserveiros, Confeiteiros e Copeiros

Arte Nova e Curiosa para Conserveiros, Confeiteiros e Copeiros - 1788

TÍTULO: Arte Nova e Curiosa para Conserveiros, Confeiteiros e Copeiros 

SUB TÍTULO: e mais pessoas que se occupaõ em fazer doçes, e confervas com frutas de varias qualidades, e outras muitas receitas particulares, que pertencem á mesma Arte.

AUTOR: Desconhecido

NOTAS DE AUTORIA: Anónimo

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1788

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 1ª edição

LOCAL: Lisboa

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Na offic. de José de Aquino Bolhoens

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 25017 P.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 84

OBSERVAÇÕES:

84

Arte nova e curiosa para conserveiros, confeiteiras e copeiros e mais pessoas… – Lisboa: na Off. de José de Aquino Bulhões, 1788. – Anunciado na Gazeta de Lisboa, 30 Dez. 1788, supl. 3 Jan. 1789, p. [4]; 10, 25 (10 M). – BN S.A. 25017 P.

in
BiblioAlimentaria

1. Memória gastronómica

Alimentação, Saúde e Sociabilidade à Mesa no acervo bibliográfico da Universidade de Coimbra

Carmen Soares (Coord.)

Imprensa da Universidade de Coimbra
Coimbra University Press

Trata‑se de uma obra anónima e da qual se conhecem poucos exemplares, apresentando‑se como a primeira publicação, em solo nacional, exclusivamente dedicada à arte doceira.

De pequenas dimensões, compreende 162 receitas sem qualquer tipo de organização em capítulos ou livros. Isabel Drumond Braga, que a este volume dedicou um estudo aprofundado, agrupa as receitas em seis grupos distintos: biscoitos, broas e pastéis, doces de frutos, doces de colher, bolos de forma, gelados e sorvetes e, ainda, um grupo heterogéneo de receitas (açúcar rosado, águas de flores, entre outros)6.

O conjunto de receitas registadas não se apresenta inovador nem mesmo original, uma vez que grande parte delas, em maior ou menor grau de semelhança, aparecem já em outros livros de culinária cronologicamente anteriores. Há, no entanto, a destacar não só as cuidadosas instruções para a produção de sorvetes (incluindo indicações sobre a forma como a sorveteira deveria ser feita), mas também o curioso registo de receitas associadas a determinadas casas monásticas, como a “Receita de bolos de Manteiga da Esperança” ou a “Receita de pastilhas, que se fazem na Madre de Deus”.

Arte Nova e Curiosa apresenta‑se, assim, como uma pequena janela para o vasto mundo da doçaria portuguesa setecentista, da qual hoje subsiste ainda um grande número de receitas, como as “Cavacas”, “Broinhas”, “Marmelada vermelha”, “Ovos Moles” ou “Sonhos”.

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1780 Cozinheiro Moderno ou Nova Arte de Cozinha

Cozinheiro Moderno ou Nova Arte de Cozinha, Lucas Rigaud - 1780

TÍTULO: O cozinheiro moderno ou Nova Arte de Cozinha

SUB TÍTULO: 

AUTOR: Lucas Rigaud

NOTAS DE AUTORIA: Masculino

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1780

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 1ª edição

LOCAL: Lisboa

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Typografia Lacerdina

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN RES. 4085 P.
F. 5663

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 455

OBSERVAÇÕES: Obra clássica da culinária portuguesa da época barroca, com diversas edições publicadas nos séculos XVIII e XIX:
1ª edição de 1780;
2ª 1785; correcta e emendada – Lisboa: na Off. de Lino da Silva Godinho
3ª 1798; correcta e emendada – Lisboa: na Off. de Simão Thaddeo Ferreira (S.A 25498 P.)
4ª 1807; correcta e emendada – Lisboa: Na Typ. Lacerdina (S.A. 12185 P.)
5ª 1826; correcta e emendada – Lisboa: Na Typ. Lacerdina (S.A. 12481 P.)
6ª 1846.

455
RIGAUD, Lucas
Cozinheiro moderno, ou nova arte de cozinha, onde se ensina pelo methodo mais fácil e mais breve o modo de se prepararem vários manjares […] / dado à luz por Lucas Rigaud. – Lisboa: na Off. Patriarchal de Francisco Luiz Ameno, 1780

BNR ES 4085 P.
F. 5663

Outras ed.:
– 2.ª ed. correcta e emendada. – Lisboa: na Off. de Lino da
Silva Godinho, 1785
– 3.ª ed. correcta e emendada. – Lisboa: na Off. de Simão
Thaddeo Ferreira, 1798 (S.A. 25498 P.)
– 4.ª ed. correcta e emendada. – Lisboa: na Typ. Lacerdina,
1807 (S.A. 12185 P.)
– 5.ª ed. correcta e emendada. – Lisboa: na Typ. Lacerdina,
1826 (S.A. 12481 P.)

Foi o segundo livro de culinária a ser editado em Portugal. De acordo com o próprio autor, “O que me obrigou a dar á luz esta obra, foi ver hum pequeno livro, que corre com o título de Arte de Cozinha [da autoria de Domingos Rodrigues], escrito no idioma Portuguez; o qual he tão defeituoso, que sem lhe notar os erros, e impropriedades em particular, se deve regeitar inteiramente como inutil, e incompativel com os ajustados dictames da mesma Arte”.

A obra de Rigaud actualizou a cozinha portuguesa no século XVIII, retirando o excesso de temperos e inserindo-a num gosto comum a outras cozinhas europeias. Não utilizava o gengibre, cominhos, anis ou açafrão nas suas receitas, advogando que os alimentos deveriam ter o seu gosto “natural”. Em substituição destes temperos usava diferentes ervas, como o manjericão, alecrim, cebolinho, funcho, coentros e trufas brancas. Dada a sua origem francesa, o azeite não consta de nenhuma das suas receitas, sendo a manteiga utilizada em sua substituição.

Inocêncio V, 203. “Lucas Rigaud, estrangeiro, como bem o indica o seu appellido, mas domiciliario por algum tempo em Portugal, onde se declara «um dos Chefes da cosinha de Suas Magestades Fidelissimas», compoz, ou como elle diz, deu á luz a obra seguinte: Cosinheiro moderno, ou nova arte de cosinha, Terceira edição correcta e emendada. Lisboa na Offic. de Simão Thaddeo Ferreira 1798. 8.º de VIII-461 pag. É esta a edição que possuo, e ainda não tive opportunidade de examinar as anteriores. Depois se fizeram mais algumas, e a ultima de que hei noticia é de 1846.»”

in
BiblioAlimentaria

1. Memória gastronómica

Alimentação, Saúde e Sociabilidade à Mesa no acervo bibliográfico da Universidade de Coimbra

Carmen Soares (Coord.)

Imprensa da Universidade de Coimbra
Coimbra University Press

Os dados biográf icos deste cozinheiro são escassos. De provável origem francesa, terá contado com uma larga atividade profissional em várias cortes europeias ao longo de trinta anos, fixando residência em Portugal em data indeterminada e tornando‑se um dos cozinheiros reais de D. José e, após a morte deste, de D. Maria I. Publica em 1780 o seu próprio receituário, intitulado Cozinheiro Moderno.

A par da Arte de Cozinha de Domingos Rodrigues, contra a qual se pretende opor, o Cozinheiro Moderno será igualmente um sucesso de vendas, contando com cinco edições até 1826.

Lucas Rigaud, certamente inspirado por Vincent La Chapelle, ao registar a experiência adquirida ao longo de 30 anos de serviço nas grandes cozinhas europeias (como ele bem faz questão de referir no prólogo “Ao Leitor”), pretende renovar a cozinha aristocrática portuguesa, presa aos grosseiros sabores cristalizados por Domingos Rodrigues, e adaptá‑la à nova filosofia do “bom gosto”, mais equilibrado e suave, onde as especiarias orientais davam lugar às ervas aromáticas finas.

A obra de Rigaud conta com mais de 700 receitas (incluindo conselhos e anotações sobre a qualidade de alguns ingredientes), divididas em 30 capítulos e agrupadas tanto por ingredientes principais como tipos de preparados: carnes vermelhas (capítulos 1 a 7), aves (capítulos 8 ao 14), peixes (capítulos 18 e 19), massas de pastelaria (capítulo 20), ovos (capítulo 21), legumes (capítulo 26), geleias e doces (capítulo 28), qualidades dos legumes e formas de conservar (capítulo 29), frutas (capítulo 30, onde também se incluem receitas de bolos secos e sorvetes) e preparados culinários específicos (capítulos 15 a 17, 22, 24 e 25).

Mais evidente do que na obra de Domingos Rodrigues é o grau de internacionalização e receção de receitas “à moda de” outras nacionalidades, sendo notória a influência da cozinha francesa, tanto de âmbito nacional como regional, bem como de receitas “à Inglesa”, “à Italiana”, “à Alemã” e “à Espanhola” (as mais expressivas). É de registar a inclusão na coletânea de um conjunto de catorze receitas “à Portuguesa”, refletindo a longa permanência do cozinheiro em Portugal e a adoção de receitas que seriam comummente consumidas nas mesas mais abastadas.

A obra de Lucas Rigaud constitui‑se, assim, mais do que como um reflexo das práticas alimentares portugueses durante o século XVIII, como a visão pessoal de um dos cozinheiros reais do que deveria ser a cozinha e o cozinheiro modernos.

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Livro de receitas de doces e cosinhados varios deste Convento de Stta. Clara d’Évora.

Livro de receitas de doces e cosinhados varios deste Convento de Stta. Clara d’Évora.

Soror Maria Leocadia do Monte do Carmo Abbadeça. Stta. Clara de Evora 26 de Outubro de 1729.

TÍTULO: Livro de receitas de doces e cosinhados varios deste Convento de Stta. Clara d’Évora.

SUB TÍTULO: Soror Maria Leocadia do Monte do Carmo Abbadeça. Stta. Clara de Evora 26 de Outubro de 1729.

AUTOR: 

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Manuscrito 

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: 

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1715

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: 

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 203×146 mm

NÚMERO DE PÁGINAS: [1] f., 60 p.

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN COD. 10763

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 2

OBSERVAÇÕES:
MONTE DO CARMO, Maria Leocádia, Clarissa
Livro de receitas de doces e cosinhados varios deste Convento de Stta. Clara d’Évora. Soror Maria Leocadia do Monte do Carmo Abbadeça. Stta. Clara de Evora 26 de Outubro de 1729. — 1729 Out. 26, Évora. — [1] f., 60 p. ; 4.º (203×146 mm)
Cópia da mão de Soror Maria do Rosário. — Páginas 17 a 59 em branco. — Manchas de humidade e de acidez
V. ns. 41 e 382 desta bibliografia (Livro de receitas de doces…)
BN COD. 10763

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1885 Pastelinhos de dama

Pastelinhos de dama

1885

TÍTULO: Pastelinhos de dama

SUB TÍTULO: 

AUTOR: 

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1885

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: 

EDITORA: Jornal da Noite, Lisboa, ano 15, n.º 4507, 20–21 de novembro de 1885, página 3, coluna “Um conselho por dia”.

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BNJ. 265 G.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 806

OBSERVAÇÕES:

806

Pastelinhos de dama

Jornal da Noite. — Lisboa. — A. 15, n. 4507 (20-21 Nov. 1885), p. [3], coln. Um conselho por dia

BNJ. 265 G.

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1954 Bolos de Natal / Irene Vizi

Acepipes frios e quentes

1960

TÍTULO: Acepipes frios e quentes

SUB TÍTULO: 

AUTOR: Irene Vizi

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1960

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: Instituto Culinário Irene Vizi

LOCAL: Lisboa

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 50766 V.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 527

OBSERVAÇÕES:

527

VIZI, Irene
Acepipes frios e quentes / Irene Vizi. — Lisboa : Inst. Culinário Irene Vizi, [D. L. 1960]

BN S.A. 50766 V.

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1958 Receitas experimentadas – Recipes tested and approved

Receitas experimentadas - Recipes tested and approved

1958

TÍTULO: Receitas experimentadas – Recipes tested and approved

SUB TÍTULO: 

AUTOR: Maria Isabel

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1958

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: Lisboa

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 20935 V.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 263

OBSERVAÇÕES: Ed. bilingue Português-Inglês

263

ISABEL, Maria
Receitas experimentadas = Recipes tested and approved /
por Maria Isabel. – Lisboa: [s. n.], 1958

Ed. bilingue Português-Inglês

BN S.A. 20935 V.