Edições da Arte de Cozinha
Em Portugal a Arte de Cozinha impôs-se definitivamente na culinária das elites, a ponto de se terem esgotado rapidamente as sucessivas edições, o que revela a procura dos exemplares. Algumas delas são assinaladas por Inocêncio, que é muito vago na sua descrição, e não lhes atribui grande destaque. Este bibliógrafo começa por citar a edição princeps, que contém apenas a primeira e segunda partes, e saiu em Lisboa, impressa por João Galrão em 1680.
Além desta edição, tivemos oportunidade de concluir pela existência de muitas outras, que localizámos quer em bibliotecas oficiais quer em bibliotecas particulares. É delas que a seguir daremos conta. Atribui-se ao mesmo impressor uma outra, a segunda, editada em 1683 e que insere uma dedicatória ao Conde de Vimioso, cujo pai o autor serviu durante longos anos. Nela Domingos Rodrigues faz o elogio do ilustre fidalgo e oferece-lhe respeitosamente a obra: “…esta pequena demonstração do meu afecto”, para que a receba “debaixo do seu amparo”.
Gilberto Freyre, em Casa-Grande e Senzala, refere uma edição de 1692. Poderá, no entanto, tratar-se de uma edição fantasma, dado o facto de ser este o único autor a referenciá-la.
Em 1693 Manuel Lopes Ferreira imprimiu em Lisboa uma outra, que saiu adicionada com a Terceira parte da forma dos banquetes para qualquer tempo do anno, e do modo com que se hospedarão os Embaixadores, e como se guarnece huma meza redonda à Estrangeira.
A esta edição seguiu-se outra, dos prelos da Officina Ferreiriana, datada de 1732 e citada também por Inocêncio. Foi esta a que serviu de base ao presente texto. Em 1741 veio a lume uma edição nova, desta feita impressa por Carlos Esteves Mariz, e na Cozinha do Mundo Português é citada uma edição de 1754; quatro anos mais tarde, em 1758, o impressor Manuel António, na sua oficina de Lisboa, imprime de novo a obra, e em 1765 é a vez de a imprimir João António da Costa, também em Lisboa; uma nova edição sai dos prelos de João António dos Reis em 1794, e é reeditada nos mesmos prelos em 1804; dez anos mais tarde, em 1814, a oficina de Eugénio Augusto, em Lisboa, faz vir a lume nova edição e no mesmo ano é editada na Impressão Régia, também em Lisboa; em 1821 é novamente impressa pela Viúva de Lino da Silva Godinho; em 1836 sai mais uma vez da Oficina de J. N. Esteves e Filho, Rua dos Capelistas, 31-C, em Lisboa.
Inocêncio, que menciona apenas seis edições do tratado, diz que poderia referenciar muitas outras. Na opinião deste bibliógrafo, trata-se de um texto “entre nós popularíssimo”. Corroborando esta ideia, assinalamos a existência de uma edição de 1836 impressa em Lisboa na Tipografia de Eugénio Augusto; a última edição que Inocêncio tem presente é esta, embora creia que depois dela mais alguma ou algumas se fizeram, como o comprovam as sucessivas edições até ao século XX.
O interesse motivado por esta publicação na época está bem patente no número de edições acabado de apresentar. Está-o também no facto de este título ter sido retomado pelos autores que posteriormente escreveram obras do mesmo género.