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1780 Cozinheiro Moderno ou Nova Arte de Cozinha

Cozinheiro Moderno ou Nova Arte de Cozinha, Lucas Rigaud - 1780

TÍTULO: O cozinheiro moderno ou Nova Arte de Cozinha

SUB TÍTULO: 

AUTOR: Lucas Rigaud

NOTAS DE AUTORIA: Masculino

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1780

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 1ª edição

LOCAL: Lisboa

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Typografia Lacerdina

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN RES. 4085 P.
F. 5663

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 455

OBSERVAÇÕES: Obra clássica da culinária portuguesa da época barroca, com diversas edições publicadas nos séculos XVIII e XIX:
1ª edição de 1780;
2ª 1785; correcta e emendada – Lisboa: na Off. de Lino da Silva Godinho
3ª 1798; correcta e emendada – Lisboa: na Off. de Simão Thaddeo Ferreira (S.A 25498 P.)
4ª 1807; correcta e emendada – Lisboa: Na Typ. Lacerdina (S.A. 12185 P.)
5ª 1826; correcta e emendada – Lisboa: Na Typ. Lacerdina (S.A. 12481 P.)
6ª 1846.

455
RIGAUD, Lucas
Cozinheiro moderno, ou nova arte de cozinha, onde se ensina pelo methodo mais fácil e mais breve o modo de se prepararem vários manjares […] / dado à luz por Lucas Rigaud. – Lisboa: na Off. Patriarchal de Francisco Luiz Ameno, 1780

BNR ES 4085 P.
F. 5663

Outras ed.:
– 2.ª ed. correcta e emendada. – Lisboa: na Off. de Lino da
Silva Godinho, 1785
– 3.ª ed. correcta e emendada. – Lisboa: na Off. de Simão
Thaddeo Ferreira, 1798 (S.A. 25498 P.)
– 4.ª ed. correcta e emendada. – Lisboa: na Typ. Lacerdina,
1807 (S.A. 12185 P.)
– 5.ª ed. correcta e emendada. – Lisboa: na Typ. Lacerdina,
1826 (S.A. 12481 P.)

Foi o segundo livro de culinária a ser editado em Portugal. De acordo com o próprio autor, “O que me obrigou a dar á luz esta obra, foi ver hum pequeno livro, que corre com o título de Arte de Cozinha [da autoria de Domingos Rodrigues], escrito no idioma Portuguez; o qual he tão defeituoso, que sem lhe notar os erros, e impropriedades em particular, se deve regeitar inteiramente como inutil, e incompativel com os ajustados dictames da mesma Arte”.

A obra de Rigaud actualizou a cozinha portuguesa no século XVIII, retirando o excesso de temperos e inserindo-a num gosto comum a outras cozinhas europeias. Não utilizava o gengibre, cominhos, anis ou açafrão nas suas receitas, advogando que os alimentos deveriam ter o seu gosto “natural”. Em substituição destes temperos usava diferentes ervas, como o manjericão, alecrim, cebolinho, funcho, coentros e trufas brancas. Dada a sua origem francesa, o azeite não consta de nenhuma das suas receitas, sendo a manteiga utilizada em sua substituição.

Inocêncio V, 203. “Lucas Rigaud, estrangeiro, como bem o indica o seu appellido, mas domiciliario por algum tempo em Portugal, onde se declara «um dos Chefes da cosinha de Suas Magestades Fidelissimas», compoz, ou como elle diz, deu á luz a obra seguinte: Cosinheiro moderno, ou nova arte de cosinha, Terceira edição correcta e emendada. Lisboa na Offic. de Simão Thaddeo Ferreira 1798. 8.º de VIII-461 pag. É esta a edição que possuo, e ainda não tive opportunidade de examinar as anteriores. Depois se fizeram mais algumas, e a ultima de que hei noticia é de 1846.»”

in
BiblioAlimentaria

1. Memória gastronómica

Alimentação, Saúde e Sociabilidade à Mesa no acervo bibliográfico da Universidade de Coimbra

Carmen Soares (Coord.)

Imprensa da Universidade de Coimbra
Coimbra University Press

Os dados biográf icos deste cozinheiro são escassos. De provável origem francesa, terá contado com uma larga atividade profissional em várias cortes europeias ao longo de trinta anos, fixando residência em Portugal em data indeterminada e tornando‑se um dos cozinheiros reais de D. José e, após a morte deste, de D. Maria I. Publica em 1780 o seu próprio receituário, intitulado Cozinheiro Moderno.

A par da Arte de Cozinha de Domingos Rodrigues, contra a qual se pretende opor, o Cozinheiro Moderno será igualmente um sucesso de vendas, contando com cinco edições até 1826.

Lucas Rigaud, certamente inspirado por Vincent La Chapelle, ao registar a experiência adquirida ao longo de 30 anos de serviço nas grandes cozinhas europeias (como ele bem faz questão de referir no prólogo “Ao Leitor”), pretende renovar a cozinha aristocrática portuguesa, presa aos grosseiros sabores cristalizados por Domingos Rodrigues, e adaptá‑la à nova filosofia do “bom gosto”, mais equilibrado e suave, onde as especiarias orientais davam lugar às ervas aromáticas finas.

A obra de Rigaud conta com mais de 700 receitas (incluindo conselhos e anotações sobre a qualidade de alguns ingredientes), divididas em 30 capítulos e agrupadas tanto por ingredientes principais como tipos de preparados: carnes vermelhas (capítulos 1 a 7), aves (capítulos 8 ao 14), peixes (capítulos 18 e 19), massas de pastelaria (capítulo 20), ovos (capítulo 21), legumes (capítulo 26), geleias e doces (capítulo 28), qualidades dos legumes e formas de conservar (capítulo 29), frutas (capítulo 30, onde também se incluem receitas de bolos secos e sorvetes) e preparados culinários específicos (capítulos 15 a 17, 22, 24 e 25).

Mais evidente do que na obra de Domingos Rodrigues é o grau de internacionalização e receção de receitas “à moda de” outras nacionalidades, sendo notória a influência da cozinha francesa, tanto de âmbito nacional como regional, bem como de receitas “à Inglesa”, “à Italiana”, “à Alemã” e “à Espanhola” (as mais expressivas). É de registar a inclusão na coletânea de um conjunto de catorze receitas “à Portuguesa”, refletindo a longa permanência do cozinheiro em Portugal e a adoção de receitas que seriam comummente consumidas nas mesas mais abastadas.

A obra de Lucas Rigaud constitui‑se, assim, mais do que como um reflexo das práticas alimentares portugueses durante o século XVIII, como a visão pessoal de um dos cozinheiros reais do que deveria ser a cozinha e o cozinheiro modernos.

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1758 Arte de Cozinha, dividida em três partes

1758 Arte de Cozinha

dividida em três partes

TÍTULO: Arte de Cozinha

SUB TÍTULO:
dividida em três partes

AUTOR: Domingos Rodrigues, cozinheiro da Casa Real Portuguesa

NOTAS DE AUTORIA: DIVIDIDA EM TRES PARTES, A primeira trata do modo de cosinhar varios pratos de todo o genero de carnes, e conserva, tortas, e empadas. A segunda de peixes, marisco, frutas, hervas, óvos, lacticinios, doces, e conserva, tocantes ao mesmo genero. A terceira da fòrma e de banquete para qualquer tempo do anno, e do modo com que se hospedaõ os Embaixadores, e como se guarnece huma mesa redonda à Franceza. E nesta ultima impressaõ acccrescentada [sic] OFFERECIDA AO SR. ANTONIO MONTEIRO DE CAMPOS. AUTOR DOMINGOS RODRIGUES, Mestre da cozinha de Sua Magestade. LISBOA: Na Offic. de Manoel Antonio, e á sua custa impresso M. DCC. LVIII. [1758] Com as licenças necessarias.

PREFÁCIO:

SUPORTE: 

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: 

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1758

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: Publicada três anos após o Terramoto de 1755, esta edição de 1758 representa o apogeu da estrutura “clássica” da obra.

LOCAL: Lisboa

EDITORA: 1758— Lisboa: na Off. de Manoel Antonio, 1758 (S.A. 12209 P.)

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: 

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998:

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 

OBSERVAÇÕES:

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Livro de receitas de doces e cosinhados varios deste Convento de Stta. Clara d’Évora.

Livro de receitas de doces e cosinhados varios deste Convento de Stta. Clara d’Évora.

Soror Maria Leocadia do Monte do Carmo Abbadeça. Stta. Clara de Evora 26 de Outubro de 1729.

TÍTULO: Livro de receitas de doces e cosinhados varios deste Convento de Stta. Clara d’Évora.

SUB TÍTULO: Soror Maria Leocadia do Monte do Carmo Abbadeça. Stta. Clara de Evora 26 de Outubro de 1729.

AUTOR: 

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Manuscrito 

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: 

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1715

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: 

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 203×146 mm

NÚMERO DE PÁGINAS: [1] f., 60 p.

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN COD. 10763

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 2

OBSERVAÇÕES:
MONTE DO CARMO, Maria Leocádia, Clarissa
Livro de receitas de doces e cosinhados varios deste Convento de Stta. Clara d’Évora. Soror Maria Leocadia do Monte do Carmo Abbadeça. Stta. Clara de Evora 26 de Outubro de 1729. — 1729 Out. 26, Évora. — [1] f., 60 p. ; 4.º (203×146 mm)
Cópia da mão de Soror Maria do Rosário. — Páginas 17 a 59 em branco. — Manchas de humidade e de acidez
V. ns. 41 e 382 desta bibliografia (Livro de receitas de doces…)
BN COD. 10763

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1727 Suplicio dos Doces

Suplicio dos doces - 1727

TÍTULO: Suplicio dos doces

SUB TÍTULO: 

AUTOR: Silvestre Aranha

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Manuscrito 

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: 

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1727

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 1ª edição

LOCAL: 

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: 

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

OBSERVAÇÕES:

in
BiblioAlimentaria

1. Memória gastronómica

Alimentação, Saúde e Sociabilidade à Mesa no acervo bibliográfico da Universidade de Coimbra

Carmen Soares (Coord.)

Imprensa da Universidade de Coimbra
Coimbra University Press

Escrito por um Padre Jesuíta e mestre de teologia, Silvestre Aranha, o texto jocoso copiado em três páginas de um manuscrito em que se reúne matéria muito diversa (o Ms. 120 da BGUC7) constitui um excelente testemunho da literatura composta por autores eclesiásticos, destinada ao entretenimento moralizante e pedagógico de alunos dos colégios de Coimbra. Conforme esclarecem as palavras introdutórias ao traslado do texto, o mesmo foi tornado público em duas aulas do referido mestre, ocorridas a 1 e 15 de março de 1727, no Colégio das Artes, então propriedade da Companhia de Jesus (1555‑1759, ano da expulsão da Ordem de Portugal). Ao padre jesuíta atribuem‑se, nos manuscritos 120 e 336, quatro composições, identificadas com nomes distintos em ambos os lugares. Assim, em Ms.120 dá‑se pelo título de “Banquete contencioso”8, de que a Parte 1 é o “Suplício dos doces”, a Parte 2 “Descrevece de seu nascim.[ento] o Rio Mondego, em methaphora de pessoa humana, Academico Conimbricense”, a Parte 3 “Descripção da Corte dos animaes terrestres”9 e a Parte 4 e última “Descrevece hũ Banquete em forma de Batalha”.

Deste conjunto, interessa particularmente ao nosso tema a Parte I. Na verdade, o “Suplício dos doces” constitui um bom retrato da doçaria que chegava às mesas pelo menos da comunidade docente e discente de estudos pré‑universitários da Coimbra dos inícios do séc. XVIII. O motivo de inspiração é retirado do quotidiano estudantil, onde os doces (muitos preparados nas numerosas casas de religiosas da cidade) são consumidos com um prazer não isento das culpas do luxo e da gula. A metáfora que serviu ao autor para construir uma narrativa em simultâneo satírica e moralizante foi precisamente a do julgamento em tribunal. Os réus são os doces, os juízes pertencem à Academia, os delitos apresentam uma dupla natureza – económica (“as boas pancadas [dadas] na bolsa [dos estudantes]”) e sanitária (“fazia tanto mal à saúde dos Académicos”) – e a sentença traduz‑se na condenação (quase) geral dos “criminosos”. 

Do cardápio guloso desse julgamento fazem parte tipologias diversas de doces: bolos secos (pão‑de ‑ló) e fritos (sonhos), frutas (amêndoa, pêssego, abóbora, ameixa, pera, melão, limão e laranja), conservadas em açúcar de maneiras diversas (cobertas, cristalizadas, em calda e de doce – caso da marmelada e da geleia), plantas comestíveis conservadas em açúcar (talos de alface e o tubérculo da escorcioneira), um doce de ovos (os fios de ovos, então conhecidos por “ovos reais”) e outro doce de ancestral tradição medieval, portuguesa e europeia, o manjar branco; doces obtidos de várias formas de preparar o açúcar (caramelo, alfenim, pastilhas). Há igualmente menção, entre os réus, à preparação do açúcar com pétalas ou água de rosas (por isso denominado de “açúcar rosado”), que alega em sua defesa ser sobretudo um doce de utilidade médica, usado na botica como purgante. Chamado à barra do tribunal foi também o grande cúmplice dos criminosos doces: o açúcar. Neste caso a sentença dos juízes foi unânime: ser queimado!

Como se percebe por este último exemplo de pena aplicada aos condenados, o autor tira partido das técnicas de preparação ou de apresentação dos doces para obter o desejado efeito jocoso. Vejamos alguns exemplos: o pão‑de ‑ló apresenta ‑se “todo fofo e com o seo vestido de amarello gemado com cuberta tostada”, não se livrando da condenação capital de “morrer affogado em vinho” (numa alusão ao seu consumo ensopado em vinho); ao caramelo, que em frio solidifica, só se podendo comer chupando (“pedia humildemente [aos juízes] que lhe perduassem atendendo que no Verão passado lhe confiscarão os bens chupando‑lhe tudo quanto tinha”) sentencia‑se a pena correspondente ao método de ser eliminado (“morrer afogado em agua”); o alfenim, uma massa de açúcar repuxada à mão para moldar, graças a essa técnica de confeção, é dos poucos réus não condenados, valendo‑se para tal dessa arte (pois “deo tantas voltas athe que escapou”); os confeitos de açúcar, graças às suas reduzidas dimensões, receberam a indulgência do perdão, precisamente por serem considerados “menores”; sorte inversa tiveram os réus seguintes, os talos de alface, cuja maturidade (“por serem já taludos e espigados”) lhes valeu a condenação10; também a marmelada escapou à condenação, desta feita justifica o autor a divisão dos votos dos juízes em determinarem formas de “execução” que retratam as duas formas em que era vendida: inteira ou aos bocados; o duplo sentido do vocabulário é recurso estilístico agora explorado na metáfora entre comida e política, uma vez que o jesuíta afirma que valeu a salvação da ré marmelada ter “sido de grande utilidade a todos na dieta de Cambray” – usando a palavra “dieta” tanto no sentido de “regime” como de “assembleia”, numa remissão clara

para as recentes negociações europeias do Congresso de Cambrai (1721‑1724)11; livraram‑se igualmente da forca as amêndoas, ainda que tenham visto a sua pena transformada em perpétuo castigo anual, alusivo à tradição estudantil de serem consumidas, pela Páscoa, mais concretamente “em 5ª feira de endoenças”; a condenação dos “pêssegos de Coimbra” foi a “caixa”, numa alusão ao recipiente de madeira em que eram colocados depois de feitos de conserva; numa clara referência ao método de preparo de doces de abóbora, o Autor diz que a pena desse fruto foi ser ralado, punição que em particular penalizou a variedade da gila caiota, “que esteve por hum fio” (clara alusão à morfologia do miolo do fruto); condenadas à clausura conventual (numa evidente menção à sua produção em mosteiros) foram as ameixas (de Santa Clara); nesse mosteiro conimbricense de Clarissas foram também aprisionados “certos pastelinhos”, condenados a serem “feitos em picado” (remissão provável para os pasteis de Santa Clara, de cujo recheio faz parte amêndoa picada). 

A lista de réus e penas continua, com as peras condenadas a serem cobertas, com os Doces de Natal (morgados e argolinhas) a tudo fazerem para escaparem a uma sentença pesada e o Maçapão a jurar “pela ostia que não tem culpa” (procurando refúgio naquele que era o suporte sobre o qual se colocava a massa de açúcar e amêndoa, a obreia ou hóstia). Já a escorcioneira vê‑se sentenciada a partirem‑lhe as pernas (numa alusão ao facto de se usar apenas o rizoma da planta para cristalizar, desprezando a ramagem, que, por oposição, corresponderia aos braços). Os limões de conserva vindos do Brasil são remetidos para um cárcere de nome bem apropriado aos réus (o Limoeiro) e as laranjas em calda são condenadas à prática comum do seu consumo (serem cortadas ao meio). A geleia, de flexível consistência, apresenta‑se em tribunal “tremendo”, acabando condenada a ser esmagada com garfos, uma vez que os juízes não foram sensíveis às alegações pretensiosas de uma “escudeyra de meya tigela” (numa alusão ao recipiente que a acondiciona). Os ovos reais, dispostos em fios bem amontoados, não ouviram a sentença que os condenava, precisamente graças a essa apresentação (ou, como se lê no texto: “por serem bem vinculados em capella”). Também a forma em seio do manjar branco é usada pelo autor para potenciar o tom bem‑humorado e, nesta parte, mesmo algo licencioso do seu texto. Embora a sua cor branca pudesse indiciar um certo perigo de desfalecimento em pleno tribunal (“à vista de tanto rigor não desmaiava o manjar branco”), a verdade é que “quando, vio que o sentenciavão e que cada hum lhe comesse huã teta, ficou mamado”. Quanto aos sonhos, a pena proposta pelos juízes evoca o seu método de cozedura (“amiessavão que os havião de fregir”), ao passo que a defesa dos réus se baseia no trocadilho que o nome do doce permite, “provando com evidencia, que todas suas culpas erão sonhos”, o que os livrava de qualquer castigo. Por fim as pastilhas de boca, de que o autor aproveita para brincar com o tamanho (“ninguém fazia dellas cazo por serem ainda muito pequenas”), o aroma (“conhecendo‑as hum seo inimigo pelo cheyro”), as embalagens de acondicionamento (“vendo que alguãs traziam bolças”) e a apresentação multicolor (“chegarão a ouvir as culpas e muitas dellas se fizerão de mil cores”). A sentença proferida contra elas evoca, por sua vez, o uso que tinham em contexto hospitalar as pastilhas doces de cor branca (“porem como erão pessoas muito brancas forão somente degradadas para os hospitais, onde servissem de ajuda as enfermeyras em certas doenças”).

O corolário desta longa lista de doces cabe ao açúcar, extensa passagem em que o autor convoca cinco perspetivas diversas, mas complementares, do produto: a sua condição de planta (“ve‑lo na sua terra sem qualquer galhofa erão canas”), a proveniência além‑mar (“sujeyto de tão perigrinas partes”), a produção industrial (“de engenho bem conhecido”), algumas técnicas de cocção (“por votos unânimes foi queimado”; “tumou ponto de condição tão suave”), a presença na doçaria (“que se fazia de mil manjares para todos”) e o contexto social de consumo (“de genio tão festivo”). 

Uma última observação deve ser feita em relação à presença nesta composição jocosa da noção de produtos e culinária ligados aos territórios. Além do património doceiro conimbricense (os pêssegos de Coimbra, as ameixas e os pastelinhos de Santa Clara), regista‑se um outro doce da metrópole (“o cellebrado mellão de Santarém”) e as conservas de limão importadas do principal território ultramarino português produtor de açúcar, o Brasil.

(CS) Carmen Soares

7 O texto foi transcrito e publicado por Dina Sousa, mas a partir de uma outra cópia existente na BGUC (Ms. 555, pp. 442‑445), na obra A doçaria conventual de Coimbra. Colares Editora, Coimbra, 2011, pp. 111‑113. Seguimos essa transcrição. Na BGUC há ainda um outro manuscrito com traslado do texto de Silvestre Aranha, o nº 336, folhas 83‑86.

8 No M s. 336 vem intitulada “Descripçoẽs jocoserias que recitou nas Mesas da Compª. da Universide. de Coimbra o Pe. Sylvestre Aranha no anno de 1727.

9 Pequena alteração do título, no Ms. 336: “Descripçaõ Da Corte e Republica dos animais terrestres”.

10 O aproveitamento dos talos da alface, que geralmente eram desperdiçados no consumo do vegetal em fresco, revela bem como o açúcar permitia, através da transformação em conserva, não só prolongar a “vida” dos produtos alimentares, como tornar consumível um produto eventualmente votado ao desperdício. Já aparece receita de “talos de alface” no Livro de Cozinha da Infanta D. Maria (receita XLVIII, in Arnaut, S. D., Manupella, G. (1967), O “Livro de Cozinha” da Infanta D. Maria de Portugal. Coimbra).

11 Negociações protagonizadas por França, Inglaterra, Países Baixos e Sacro Império Romano‑Germânico, na localidade de Cambrai (norte da França), em que Portugal acabou por não ter presença efetiva, devido à posição neutral que assumiu nos esforços dessa quádrupla aliança para restaurar o equilíbrio das potências territoriais e oceânicas europeias. Esse reequilíbrio passava por refrear o expansionismo de Filipe V de Espanha. Para informação essencial sobre o assunto, consulte‑se a página do Instituto Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros (https://idi.mne.pt/pt/relacoes‑diplomaticas‑de‑portugal/786‑congresso‑de‑cambrai.html ‑consultado em 26 ‑12 ‑2016).

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Receitas de milhores doces e de alguns guizados particulares e remedios de conhecida expiriência que fes Francisco Borges Henriques para o uzo da sua caza.

Receitas de milhores doces e de alguns guizados particulares e remedios de conhecida expiriência que fes Francisco Borges Henriques para o uzo da sua caza.

Sub título

TÍTULO: Receitas de milhores doces e de alguns guizados particulares e remedios de conhecida expiriência que fes Francisco Borges Henriques para o uzo da sua caza.

SUB TÍTULO: 

AUTOR: Francisco Borges Henriques

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: 

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: 

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1715

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: 

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 320×220 mm

NÚMERO DE PÁGINAS: [2] f., [224] p.

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN COD. 7376

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 1

OBSERVAÇÕES:
HENRIQUES, Francisco Borges
Receitas de milhores doces e de alguns guizados particulares e remedios de conhecida expiriência que fes Francisco Borges Henriques para o uzo da sua caza. No anno de 1715. Tem seo alfabeto no fim. — 1715-1728. — [2] f., [224] p. ; 2.º (320×220 mm)
Acrescentos, emendas e anotações. — Adquirido à viúva do Dr. Teixeira de Aragão em 1905. — Encadernação da época, em pele. Rótulo: «Várias rezeitas»
BN COD. 7376

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Manuscrito 142 do Arquivo Distrital de Braga, atribuído a Frei Luís de Távora

Manuscrito 142 do Arquivo Distrital de Braga, atribuído a Frei Luís de Távora

TÍTULO: Manuscrito 142 do Arquivo Distrital de Braga, atribuído a Frei Luís de Távora

SUB TÍTULO: 

AUTOR: Frei Luís de Távora

NOTAS DE AUTORIA: PREFÁCIO:

SUPORTE: Manuscrito 

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: 

DATA  DE PUBLICAÇÃO: Século XVII

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: 

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: 

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 

OBSERVAÇÕES:

O Manuscrito 142 é um códice que reúne três cadernos distintos, escritos à mão pela mesma pessoa, com poucos acrescentos posteriores. O primeiro caderno contém cerca de trezentas receitas de cozinha, incluindo pratos, doces e guisados. O segundo reúne os chamados “Remédios vários e Receitas Aprovadas”, ou seja, remédios caseiros que muitas vezes derivam ou adaptam conhecimentos médicos da época, com fórmulas, ingredientes e instruções de uso.

O manuscrito inclui ainda receitas relacionadas com agricultura e pecuária: instruções para o cultivo de plantas — comestíveis, medicinais e aromáticas —, cuidados com árvores, técnicas de enxertia, modos de semear e conservar frutos, bem como orientações sobre o tratamento de animais domésticos. Trata-se, portanto, de um conjunto de práticas agropecuárias e domésticas estreitamente ligadas à alimentação e à saúde.

Estas três áreas — culinária, medicina caseira e agricultura/pecuária — surgem integradas num único códice, o que era comum à época, já que estes saberes conviviam no quotidiano doméstico e eram vistos como complementares. Este tipo de manuscrito revela a natureza holística do saber doméstico, que articulava a preparação dos alimentos, os cuidados de saúde e o manejo da produção rural. O Manuscrito 142 é hoje considerado uma das raras fontes portuguesas dos séculos XVI–XVII que documentam de forma integrada este conjunto de práticas.

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1693 Arte de Cozinha, dividida em três partes

1693 Arte de Cozinha

dividida em três partes

TÍTULO: Arte de Cozinha

SUB TÍTULO:
dividida em três partes

AUTOR: Domingos Rodrigues, cozinheiro da Casa Real Portuguesa

NOTAS DE AUTORIA:

Arte de cozinha devidida em tres partes : a primeyratratta do modo de cozinhar varios pratos de todo o genero de carnes, & de fazer conservas, pasteis, tortas, & empadas. A segunda tratta de peyxes, marisco, frutas, hervas, ovos, lacticinios, doces, & conservas pertencentes ao mesmo genero. A terceyratratta da forma de banquetes para qualquer tempo do anno, & do modo com que se hospedaraõ os embayxadores, & como se guarnece hu[m]a mesa redonda a estrangeyra / composta, & terceyra vez accrescentada por Domingos Rodrigues…. – Lisboa : na Officina de Manoel Lopes Ferreyra, 1693. – [16], 256 p., 2 f. desdobr. : il.; 8º (15 cm)

registo no catálogo na Biblioteca Nacional

PREFÁCIO:

SUPORTE: 

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: 

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1693

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:
1ª edição
Outras ed.:
— Lisboa: na Off. de João Galrão, 1683 (RES. 2248 P.)
— 3.ª ed. — Lisboa: na Off. de Manoel Lopes Ferreyra, 1693 (S.A. 20243 P.)
— Lisboa Occidental: na Off. Ferreiriana, 1732 (S.A. 12200 P.; F. 4934)
— Lisboa: na Off. de Manoel Antonio, 1758 (S.A. 12209 P.)
— 7.ª impressão. — Lisboa: na Off. de Joam Anton. da Costa, 1765 (S.A. 12354 P.; F. 5654)
— 8.ª impressão. — Lisboa: na Off. de João Antonio Reis, 1794 (S.A. 29641 P.)
— Lisboa: na Impressão Regia, 1814 (Col. A. H. de Oliveira Marques)
— Lisboa: Typ. de Eugenio Augusto, 1836 (S.A. 27744 P.)
— Lisboa: Typ. de M. J. Coelho, 1844 (S.A. 12845 P.)
Leitura, apres., notas e glossário por Maria da Graça Pericão, Maria Isabel Faria; il. Noronha da Costa. — Lisboa: Imp. Nac.-Casa da Moeda, [1987]. — (Bibl. Autores Portugueses) (S.A. 65802 V.)
Com um estudo do pref. Alfredo Saramago. — Sintra: Colares Editora, D. L. 1995 (S.A. 80699 V.)

LOCAL: Lisboa

EDITORA: Lisboa : na Officina de Manoel Lopes Ferreyra, 1693

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Brasiliana e Guita José Mindlin

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998:

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 

OBSERVAÇÕES:

AUTOR(ES): 
Rodrigues, Domingos, 1637-1719; Ferreira, Manuel Lopes, fl. 1675-1742, impr.
ANT.POSSUIDOR(ES): 
S. José, Domingas de, ant. possuidor; Coutinho, António, ant. possuidor
PUBLICAÇÃO: 
Lisboa : na Officina de Manoel Lopes Ferreyra, 1693
DESCR.FÍSICA: 
[16], 256 p., 2 f. desdobr. : il. ; 8o (15 cm)
REF.EXT.: 
Inocêncio 2, 197 e 9, 149
Monteverde 4599
Ávila Perez 6640
Santos, M. Bibliogr. geral 2, 5973
NUC 500, 78
Arouca R 533
BN Lisboa. Livros port. de cozinha 280
Iberian Books C77412 [124809]
PROVENIÊNCIA: 
Na f. de guarda, nota manuscrita : P [e]ra a S.ra Domingas de S. Joseph. Que lhe oferece o P.e […] An.to Coutinho PTBN: RES. 6522 P
NOTAS: 
Sob o pé de imprensa: “Com todas as licenças necessarias, & Privilegio Real”
END. WWW: 
https://purl.pt/28672

PDF disponibilizado pela Biblioteca Brasiliana e Guita José Mindlin

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LIVROS posts individuais

1683 Arte de Cozinha, dividida em duas partes

1683 Arte de Cozinha

dividida em duas partes

TÍTULO: Arte de Cozinha

SUB TÍTULO:
1683 Arte de Cozinha, dividida em duas partes

AUTOR: Domingos Rodrigues, cozinheiro da Casa Real Portuguesa

NOTAS DE AUTORIA: RODRIGUES, Domingos, 1637-1719

Arte de cozinha dividida em duas partes: a primeyra trata do modo de cozinhar varios pratos de toda a casta de carne, & de fazer conservas, pasteis, tortas, & empadas. A segunda trata de peyxes, marisco, fruttas, hervas, ovos, lacticinios, conservas, & doces: com a forma dos banquetes para qualquer tempo do anno / Composta, & de novo accrescentada por Domingos Rodriguez…. – Lisboa : na Officina de Joaõ Galraõ, 1683. – [16], [246] p.; 8º (15 cm)

registo no catálogo na Biblioteca Nacional

PREFÁCIO:

SUPORTE: 

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: 

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1683

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:
1ª edição
— Lisboa: na Off. de João Galrão, 1683 (RES. 2248 P.)
— 3.ª ed. — Lisboa: na Off. de Manoel Lopes Ferreyra, 1693 (S.A. 20243 P.)
— Lisboa Occidental: na Off. Ferreiriana, 1732 (S.A. 12200 P.; F. 4934)
— Lisboa: na Off. de Manoel Antonio, 1758 (S.A. 12209 P.)
— 7.ª impressão. — Lisboa: na Off. de Joam Anton. da Costa, 1765 (S.A. 12354 P.; F. 5654)
— 8.ª impressão. — Lisboa: na Off. de João Antonio Reis, 1794 (S.A. 29641 P.)
— Lisboa: na Impressão Regia, 1814 (Col. A. H. de Oliveira Marques)
— Lisboa: Typ. de Eugenio Augusto, 1836 (S.A. 27744 P.)
— Lisboa: Typ. de M. J. Coelho, 1844 (S.A. 12845 P.)
Leitura, apres., notas e glossário por Maria da Graça Pericão, Maria Isabel Faria; il. Noronha da Costa. — Lisboa: Imp. Nac.-Casa da Moeda, [1987]. — (Bibl. Autores Portugueses) (S.A. 65802 V.)
Com um estudo do pref. Alfredo Saramago. — Sintra: Colares Editora, D. L. 1995 (S.A. 80699 V.)

LOCAL: Lisboa

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE:
Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 

OBSERVAÇÕES:

ARTE DE COZINHA DIVIDIDA EM DUAS PARTES : A PRIMEYRA TRATA DO MODO DE COZINHAR VARIOS PRATOS DE TODA A CASTA DE CARNE, & DE FAZER CONSERVAS, PASTEIS, TORTAS, & EMPADAS. A SEGUNDA TRATA DE PEYXES, MARISCO, FRUTTAS, HERVAS, OVOS, LACTICINIOS, CONSERVAS, & DOCES: COM A FORMA DOS BANQUETES PARA QUALQUER TEMPO DO ANNO / COMPOSTA, & DE NOVO ACCRESCENTADA POR DOMINGOS RODRIGUEZ…

AUTOR(ES): 
Rodrigues, Domingos, 1637-1719; Ferreira, Manuel Lopes, fl. 1675-1742, ed. com.; Galrão, João, fl. 1669-169-, impr.
ANT.POSSUIDOR(ES): 
Silva, António José da, fl. 168-, ant. possuidor
PUBLICAÇÃO: 
Lisboa : na officina de Joaõ Galraõ : a custa de Manoel Lopes Ferreira, 1683
DESCR.FÍSICA: 
[16], [246] p. ; 8o (15 cm)
REF.EXT.: 
Barbosa Machado 1, 715
Inocêncio 2, 197
Arouca R 532
BN Lisboa. Livros port. de cozinha 279
Iberian Books C77414 [124808]
NOTAS: 
No pé de impr.: Com todas as licenças necessarias, & Privilegio Real
Colação segundo exemplar da BN, a que falta, aparentemente, 1 última f. em branco? ao último cad. (R); última f. impr. está mutilada, não permitindo ver a pag
END. WWW: 
https://purl.pt/16742

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LIVROS SELO DE MAR collection

1680 Arte de cozinha

Arte de cozinha

Arte de cozinha : primeira parte. Trata do modo de cozinhar varios manjares, e diversas iguarias de todo o genero de carnes, tortas, empadas, e pasteis, &c

TÍTULO: Arte de cozinha

SUB TÍTULO: 

AUTOR: Rodrigues, Domingos, 1637-1719

NOTAS DE AUTORIA: Masculino

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia 

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1680

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:
1ª edição – 1680 – impresso por João Galvão, Lisboa
2ª edição – 1683 – mesmo impressor
3ª edição – 1689 – na officina de Manoel Lopes Ferreira
1732 – oficina Ferreiriana;
1741 – oficina de Carlos Esteves Mariz;
1704 (?) na oficina de João Antonio dos Reis; 
1814 na de Eugenio Augusto e 1836, na mesma impressora

LOCAL: Lisboa

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: João Galvão

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO: SELO DE MAR

ISBN/ISSN:

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: 

OBSERVAÇÕES: Primeiro livro de Culinaria editado em Portugal. O autor é Domingos Rodrigues, nascido em 1637 e falecido em 1719. O livro foi impresso por João Galvão, Lisboa, 1680. Teve 2ª edição em 1683, mesmo impressor. 3ª ed. em 1668 na officina de Manoel Lopes Ferreira. Reeditado ainda em 1732, oficina Ferreiriana; 1741, of. de Carlos Esteves Mariz; em 1704 (?) na de João Antonio dos Reis; em 1814 na de Eugenio Augusto e 1836, na mesma impressora. 

in
BiblioAlimentaria

1. Memória gastronómica

3. 

RODRIGUES, Domingos,

1637‑1719

Arte de cozinha devidida [sic] em tres partes, a primeira trata do modo de cozinhar varios pratos de todo o genero de carnes, e de fazer conservas, pasteis tortas, e empadas, a segunda trata de peixes, marisco, frutas, hervas, ovos, lacticinios, doces, e conservas, pertencentes ao mesmo genero, a terceira trata da forma de banquete para qualquer tempo do anno, e do modo com q[ue] se hospedaraõ os embaixadores, e como se guarnece huma mesa redonda à estrangeira. Lisboa Occidental: na Officina Ferreiriana, 1732.

Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, RB‑14 ‑37.

. RODRIGUES, Domingos, Arte de cozinha (1732)

Trata‑se do primeiro livro de cozinha impresso em Portugal. Representando um marco na cozinha nacional seiscentista, a Arte de Cozinha é considerado um retrato dos hábitos alimentares das classes mais abastadas da sociedade portuguesa. Definindo‑se como um autêntico “best‑seller”, com edições conhecidas até ao século xix (a última é de 1844), pouco se sabe sobre o seu autor, Domingos Rodrigues. 

Arte de Cozinha não se destaca nem pelo volume de receitas registadas nem pela originalidade destas: a coletânea culinária reflete um acentuado gosto por pratos agridoces e abundantemente sazonados com especiarias, privilegiando‑se as carnes assadas e os compostos guisados. 

A primeira edição de 1680 é acrescentada pelo autor duas vezes, em 1683 e em 1693, passando a compor‑se de três partes, sendo esta a edição que é repetidamente reimpressa ao longo dos séculos xviii e xix, como a de 1732, que faz parte do acervo da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.

A primeira parte da obra é maioritariamente dedicada a receitas de sopa e carne, às quais se acrescentam receitas de “pratinhos”, “olhas” e receitas de pastelaria. A segunda parte, mais heterogénea, é dedicada aos peixes e mariscos, receitas de pratos de leite, “doces de massa”, ovos e fruta, bem como pastelaria doce. A terceira parte, fruto de acrescentos à primeira edição, compreende vários tipos de informação: fórmulas para banquetes, específicas para cada mês; banquetes para a Quaresma e para merendas; algumas receitas de carne, peixe e verduras; fórmulas de refeições para “meia dúzia de hóspedes”, para todos os dias da semana e, ainda, para um “comer para uma jornada”, terminando numa fórmula de servir um banquete a um embaixador.

A obra de Domingos Rodrigues, apresenta‑se, pois, como original e única no panorama culinário português moderno: o cozinheiro de D. Miguel de Portugal, 6.º Conde do Vimioso, pretendia, por um lado, difundir receitas por si experimentadas (ou inventadas) ao longo de 29 anos de serviço, refletindo já a crescente influência internacional na cozinha portuguesa. Daí que no seu livro figurem pratos “à Francesa”, “à Romana” ou “à Turca”, a par com a discriminação de receitas com características identitárias nacionais e, por isso consideradas “à Portuguesa”.

Por outro lado, a Arte de Cozinha pretendia contribuir para a formação de novos cozinheiros, ensinando não só técnicas e preceitos culinários, mas também formas de preparar e servir banquetes para todas as ocasiões e segundo o protocolo da época. 

Desta forma, Domingos Rodrigues, tal como o seu congénere italiano Bartolomeu Scappi um século antes, seria o responsável pelo que podemos definir como o primeiro manual de cozinha escrito em português e impresso em Portugal, transformando‑se em um sucesso de vendas, largamente difundido ao longo do século xviii.

(JPG) João Pedro Gomes

Obs. manuscrita: Primeiro livro de Culinaria editado em Portugal. O autor é Domingos Rodrigues, nascido em 1637 e falecido em 1719. O livro foi impresso por João Galvão, Lisboa, 1680. Teve 2ª edição em 1683, mesmo impressor. 3ª ed. em 1668 na officina de Manoel Lopes Ferreira. Reeditado ainda em 1732, oficina Ferreiriana; 1741, of. de Carlos Esteves Mariz; em 1704 (?) na de João Antonio dos Reis; em 1814 na de Eugenio Augusto e 1836, na mesma impressora. Não foi possível identificar a edição dada a mutilação do presente exemplar que foi adquirido num sebo de Lisboa.

O mais conhecido, e considerado o primeiro tratado de cozinha publicado em Portugal, é o de Domingos Rodrigues (1637-1719), A arte da cozinha, que saiu em 1680. Domingos Rodrigues dizia ter 29 anos de fogão, e uma infinidade de banquetes devorados pelos convivas da mesa real portuguesa, quando publicou um pequeno volume dedicado às artes da cozinha. “Todas as coisas que ensino experimentei por minha própria mão e as mais delas inventei por minha habilidade”, escreveu no prólogo. O cozinheiro real teria começado a exercer o ofício cedo, ainda sob o reinado de D. João IV, o primeiro soberano da dinastia dos Bragança. Alcançou a graça de Sua majestade D. Pedro II, “o pacífico”, trabalhando duro e “com asseio e limpeza”. A história de Arte de cozinha é curiosa. Conhecido como o primeiro livro de cozinha de Portugal, o volume escrito por Domingos Rodrigues teve três edições durante a vida do autor. A primeira em 1680, a segunda em 1683 e finalmente, a última, em 1698. Outras viriam ao longo do século XVIII, em 1732, em 1741, em 1758, 1765 e 1794. Um verdadeiro sucesso editorial num país em que, no período, publicar um livro não era fácil ou tão comum. No tempo de Domingos Rodrigues – isto é, no final do século XVII –, percebemos que a utilização do açafrão, do açúcar e das mais variadas especiarias e pimentas é um dos elementos que demonstra o poderio econômico do império português, que podia mandar vir dos lugares mais distantes do globo alimentos que custavam fortunas. Desta maneira, o livro de Domingos Rodrigues nos dá uma pista tanto do que significava a cozinha do rei como do que se comia nos jantares reais portugueses. O livro é, portanto, ao mesmo tempo, um reflexo da vida cotidiana e um lugar de encontro dos costumes através dos séculos. O livro sofria modificações a cada nova edição, tendo sido acrescidas ou suprimidas diferentes receitas. Entre as próprias edições disponíveis na Brasiliana USP, sendo a primeira delas de data não especificada e a segunda de 1732, vemos algumas alterações. A edição de 1732 é considerada a mais completa que já se encontrou em Portugal. Esta, inclusive, serviu de base para que o livro fosse reeditado pela Imprensa Nacional/Casa da Moeda em 1987. Já a edição de 1836 tem uma história curiosa: foi impressa em 1836 nas oficinas de J.J. Barroso e Cia. no Rio de Janeiro. Na história das edições do livro, esta – a brasileira – nunca foi contada como “oficial” pelas pesquisadoras portuguesas Maria da Graça Pericão e Maria Isabel Faria.

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LIVROS posts individuais

1621 Arte de Cozinha, de Domingos Rodrigues

1680 Arte de Cozinha

dividida em duas partes

TÍTULO: Arte de Cozinha

SUB TÍTULO:
dividida em duas partes

AUTOR: Domingos Rodrigues, cozinheiro da Casa Real Portuguesa

NOTAS DE AUTORIA: RODRIGUES, Domingos, 1637-1719
Arte de cozinha dividida em quatro partes, a primeira trata do modo de cozinhar varios guizados de todo o genero de carnes, e conservas, tortas, empadas, e pasteis. A segunda de peixes, mariscos, frutas, hervaa [sic], ovos, lacticinios, doces, conservas do mesmo genero. A terceira de preparar mezai [sic] em todo o tempo do anno, para hospedar principes, e embaixadores. A quarta de fazer pudins, e preparar massas… Correcta, e emendada nesta ultima edição. / Author Domingos Rodrigues… – Lisboa : na Offic. da Viuva de Lino da Silva Godinho : vende-se na loja de João Nunes Esteves, 1821. – 286, [2 br.] p. ; 8º (16 cm)

PREFÁCIO:

SUPORTE: 

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: 

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1680

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 1ª edição
Outras ed.:
— Lisboa: na Off. de João Galrão, 1683 (RES. 2248 P.)
— 3.ª ed. — Lisboa: na Off. de Manoel Lopes Ferreyra, 1693 (S.A. 20243 P.)
— Lisboa Occidental: na Off. Ferreiriana, 1732 (S.A. 12200 P.; F. 4934)
— Lisboa: na Off. de Manoel Antonio, 1758 (S.A. 12209 P.)
— 7.ª impressão. — Lisboa: na Off. de Joam Anton. da Costa, 1765 (S.A. 12354 P.; F. 5654)
— 8.ª impressão. — Lisboa: na Off. de João Antonio Reis, 1794 (S.A. 29641 P.)
— Lisboa: na Impressão Regia, 1814 (Col. A. H. de Oliveira Marques)
— Lisboa: Typ. de Eugenio Augusto, 1836 (S.A. 27744 P.)
— Lisboa: Typ. de M. J. Coelho, 1844 (S.A. 12845 P.)
Leitura, apres., notas e glossário por Maria da Graça Pericão, Maria Isabel Faria; il. Noronha da Costa. — Lisboa: Imp. Nac.-Casa da Moeda, [1987]. — (Bibl. Autores Portugueses) (S.A. 65802 V.)
Com um estudo do pref. Alfredo Saramago. — Sintra: Colares Editora, D. L. 1995 (S.A. 80699 V.)

LOCAL: Lisboa

EDITORA: Off. da Viuva de Lino da Silva Godinho

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE:
Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN RES. 3925 P.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 459

OBSERVAÇÕES:

V. n. 886 desta bibliografia, p. 173-174 “Livros Portugueses de Cozinha”

Arte de Cozinha dividida em duas partes

EDIÇÃO COLECÇÃO DE: SELO DE MAR

3
CATHALOGO
DOS LIVROS, E MAIS
papeis curioſos.

Vende-ſe em caza de Joſé Luiz de Carvalho Mercador de Livros, e morador na Calçada de Santa Anna, aonde ſe achará hum grande ſortimento de Livros de Direito, e Hiſtoria, e de todas as mais faculdades, e ſe achará tambem; Mendes a Caſtro. 2. vol. França Adicionador ao dito. 2. vol. Lima de Gabelis. 1. vol. Cardozo in Praxi. 1. vol. Zachias de Salarios. 1. vol. Manual Pratico. Principios de Direito Natural. Artiſas das Cizazas. Nova Eſcola de Andrade. Hiſtoria Sagrada. 2. vol. Vida de Chriſto. 2. vol. Novelas galantes. 2. vol. Memorias Hiſtoricas. 2. vol. Hiſtoria da Bezia. 2. vol. Orthographia de Pinheiro. Taboada curioza de Garrido. Arte de Brilhantes Vernizes. Arte de Conſerveiros. Arte de Pintora. Agricultor Inſtruido por Garrido. Guia de Contadores. Onde ſe achará toda a qualidade de cartas feitas.

4
Vizitas ao SS. Sacramento, accreſcentadas com o Manual da Miſſa em Portuguez. Horas Portuguezas de Carlos do Valle Carneiro, e ditas de Francisco Vilella. Manual da Miſſa. Penſamentos Chriſtãos. Oraçaõ Mental. Preparaçaõ ad Miſſa. Officio de Defunctos. Officio de N. Senhora em Portuguez. Divino em Latim. Manual Devoto. Actos de todas as qualidades, e varias Comedias. E ſob o dito compra qualquer Livraria, que lhe ſe offerece.