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LIVROS posts individuais

1851 Tratado da manipulação, e fabrico do pão, e bolaxa: offerecido a Sua Magestade Fidelissima a Senhora Dona Maria Segunda 

Tratado da manipulação, e fabrico do pão, e bolaxa: offerecido a Sua Magestade Fidelissima a Senhora DonaMaria Segunda 

1851

TÍTULO: Tratado da manipulação, e fabrico do pão, e bolaxa:

SUB TÍTULO: offerecido a Sua Magestade Fidelissima a Senhora DonaMaria Segunda 

AUTOR: por Domingos Binelli

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1851

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 

LOCAL: Lisboa

EDITORA: Typ. Lisbonense

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO: 

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 16171 8 P.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 685

OBSERVAÇÕES:

685

BINELLI, Domingos
Tratado da manipulação, e fabrico do pão, e bolaxa: offerecido a Sua Magestade Fidelissima a Senhora Dona Maria Segunda / por Domingos Binelli . — Lisboa : Typ. Lisbonense, 1851

Com um retrato  de Domingos Binelli, fornecedor de pão para a Casa Real, no exemplar pertencente à Escola de Hotelaria de Lisboa

BN S.A. 16171 8 P.

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1851 Guia do criado de servir: livro util a criados e a donos de casa

Guia do criado de servir: livro util a criados e a donos de casa

1851

TÍTULO: Guia do criado de servir:

SUB TÍTULO: livro util a criados e a donos de casa

AUTOR: 

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1851

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: Lisboa

EDITORA:

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Typographia da Revista Popular

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 6715  P.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 872

OBSERVAÇÕES:

872

Guia do criado de servir: livro util a criados e a donos de casa. — Lisboa: Typ. da Revista Popular, 1851

BN S.A. 6715  P.

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(s.d.) Arte de cosinhar: guia da cosinheira, confeiteiro e pasteleiro

Arte de cosinhar: guia da cosinheira, confeiteiro e pasteleiro

(s.d.)

TÍTULO: Arte de cosinhar: guia da cosinheira, confeiteiro e pasteleiro

SUB TÍTULO: 

AUTOR: Manuel da Mata

NOTAS DE AUTORIA: ex chef de cozinha do extinto Hotel Bragança

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: (s.d.)

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: Nova edição

LOCAL: Lisboa

EDITORA: Empresa Litteraria Universal

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: 

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 14015 P.
S.A. 28496 P.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 340

OBSERVAÇÕES:

340

Arte de cozinhar: guia da cozinheira, confeiteiro e pasteleiro / Manuel da Matta. – Nova ed. – Lisboa: Emp. Livraria Universal, [s. d.]

Manuel da Matta, ex-chefe de cozinha do extinto Hotel Bragança

BN S.A. 14015 P.
S.A. 28496 P.

 

ebook HOTÉIS DE LISBOA (1845 – 1975)
publicado em Maio de 2025
José Augusto Leite 
Blog: “Restos de Colecção”

Existiram em Lisboa dois hotéis que utilizaram a denominação “Bragança”.

Um tratou-se do “Braganza Hotel”, – que segundo informação no e-book “Hoteis de Lisboa” de José Leite – estava “localizado na, Rua do Ferragial de Cima, (actual Rua Victor Cordon), em Lisboa, num edifício propriedade da “Casa de Bragança” e projectado pelo arquitecto Feliciano de Sousa Correia – um dos arquitectos da Inspecção Geral de Obras Públicas do Reino – abriu as suas portas, como “Hospedaria Braganza” no início do século XIX.”
“Eça de Queiroz menciona o “Braganza Hotel” em “Os Maias”, quando refere que Eça e Carlos «numa luminosa e macia manhã de Janeiro de 1877 (….) almoçaram num salão do Hotel Bragança, com as janelas abertas para o rio».”
“Por outro lado, Maria Rattazzi no seu livro (traduzido) “Portugal de Relançe”, de 1880, relatava: «O Hotel Bragança, erguido n’uma das eminencias da cidade, com uma admiravel vista de mar, é excellente e muito bem administrado, mas caríssimo; é incomparavelmente o melhor de todos.”
O outro foi o “O “Hotel Bragança”, localizado na Rua do Alecrim, em Lisboa, terá iniciado a sua actividade, como Hotel, em 1924, pelas mãos do brasileiro, Mario Xara Brazil. Não confundir este Hotel com o “Braganza Hotel” na Rua Victor Cordon e encerrado definitivamente em 1913, e cuja história pode ser consultada neste livro.”
Não foi possível no entanto até à data estabelecer qualquer ligação do chef Manuel Mata, nem obter qualquer informação sobre o mesmo. Torna-se assim impossível datar o livro.

Por outro lado, a Empresa Literária Universal foi uma editora de Lisboa que esteve ativa entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX.
Assim conseguimos deduzir que o livro terá sido editado depois de 1850 e antes de 1950. Embora cruzando com a informação de que o Braganza Hotel encerrou em 1913 e o Hotel Brangança que inicia a actividade em 1924, não seja possível fechar mais o leque de datas.

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1849 Collecção de verdadeiras e proveitosas receitas que…

Collecção de verdadeiras e proveitosas receitas que servem para fabricar com economia e facilidade varias qualidades de doces , bolachinhas e licores; com o conhecimento dos pontos de assucar, e o modo de preparar bandejas de doces.

TÍTULO: Collecção de verdadeiras e proveitosas receitas que servem para fabricar com economia e facilidade varias qualidades de doces , bolachinhas e licores; com o conhecimento dos pontos de assucar, e o modo de preparar bandejas de doces.

SUB TÍTULO: 

AUTOR: por B.A.B.

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: 

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: 

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1849

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: Lisboa

EDITORA: Typographia de B. A. Rebello

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 12356 P.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 130

OBSERVAÇÕES:

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LIVROS posts individuais

1849 O Cozinheiro, Confeiteiro e Licorista Moderno

1849 O Cozinheiro, Confeiteiro e Licorista Moderno

TÍTULO: O Cozinheiro, Confeiteiro e Licorista Moderno

SUB TÍTULO: 

AUTOR: 

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1849

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO:

LOCAL: Lisboa

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Typ. de Mathias José Marques da Silva

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO: SELO DE MAR

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 12212 P. 
F. 6872

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 172

OBSERVAÇÕES:

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LIVROS posts individuais

1849 O cozinheiro completo ou nova arte de cozinheiro e de copeiro, em todos os seus generos

O cozinheiro completo ou nova arte de cozinheiro e de copeiro, em todos os seus generos:

precedido do methodo para trinchar e servir à meza; contendo as mais modernas e exquisitas receitas para com perfeição e delicadeza se prepararem diferentes sopas e variadissimos manjares, e o modo de fazer massas, dôces e compotas.

TÍTULO: O cozinheiro completo ou nova arte de cozinheiro e de copeiro, em todos os seus generos:

SUB TÍTULO: precedido do methodo para trinchar e servir à meza; contendo as mais modernas e exquisitas receitas para com perfeição e delicadeza se prepararem diferentes sopas e variadissimos manjares, e o modo de fazer massas, dôces e compotas.

AUTOR: 

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: 

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1849

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 1ª edição
2ª edição – 1851 (S.A. 12472 P.)
4ª edição – 1859 – 1851 (S.A. 16606 P.)
7ª edição – 1867 – 1851 (S.A. 12384 P.)
9ª edição – 1873 – 1851 (S.A. 12385 P.)
11ª edição – 1879 – 1851 (S.A. 29938 P.)
14ª edição – 1893 – 1851 (S.A. 13646 P.)

LOCAL: Lisboa

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Typ. de Luiz Correia da Cunha

ENCADERNAÇÃO: Capa dura

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE:
Biblioteca Nacional (de Portugal).
SELO DE MAR (2ª edição – 1851)

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998:  S.A. 12856 P.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 170

OBSERVAÇÕES:

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1843 Cozinheiro imperial, ou nova arte do cozinheiro e do copeiro…

Cozinheiro imperial, ou nova arte do cozinheiro e do copeiro…

precedido do methodo para trinchar e servir bem à mesa, com uma estampa explicativa e seguido de um diccionario dos termos technicos da cozinha

TÍTULO: Cozinheiro imperial, ou nova arte do cozinheiro e do copeiro…

SUB TÍTULO: precedido do methodo para trinchar e servir bem à mesa, com uma estampa explicativa e seguido de um diccionario dos termos technicos da cozinha

AUTOR: R. C. M.

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1843

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 2ª edição
1ª edição 1839

LOCAL: Rio de Janeiro

EDITORA: Livraria Universal de Eduardo e Henrique Laemmert

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: 

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 16024 P.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 174

OBSERVAÇÕES:

174

Cozinheiro imperial, ou nova arte do cozinheiro e do copeiro… precedido do methodo para trinchar e servir bem à mesa, com uma estampa explicativa e seguido de um diccionario dos termos technicos da cozinha / por R. C. M. – Rio de Janeiro: Livr. Universal de Eduardo e Henrique Laemmert, 1843. – BN S.A. 16024 P.

1ª edição 1839

COZINHEIRO IMPERIAL

Ou a nova arte do cozimento e do copeiro em todos os seus ramos

Daniela Pereira de Vargas

– Mestranda do Curso de Turismo da Universidade de Caxias do Sul

(UCS).

 Até o ano de 1839, os livros de culinária que circulavam no Brasil vinham de outros países, em especial da Europa. Apenas em 1840 foi publicado o primeiro livro brasileiro de receitas, denominado COZINHEIRO IMPERIAL OU NOVA ARTE DO COZINHEIRO E DO COPEIRO EM TODOS OS SEUS RAMOS. A edição foi uma iniciativa da livraria Universal de Eduardo & Henrique Laemmert, do Rio de Janeiro. O livro traz como assinatura apenas as iniciais R.C.M., que, supõe-se, sejam de um chefe de cozinha. O livro teria sido um sucesso para a época, pois entre 1840 e 1900 apresentaria onze edições (LAYTANO, 1981), algumas com o subtítulo alterado para DA CIDADE E DO CAMPO EM TODOS OS SEUS RAMOS. E em 1996 foi publicada pela editora Best Seller (São Paulo, ISBN: 857123566X) uma reedição, em versão adaptada por Vera Sandroni, a partir da segunda edição, de 1843. Sandroni é professora universitária e especialista em culinária, e o prefácio da obra vem assinado por Antonio Houaiss. Na versão original, o capítulo de abertura da segunda edição apresenta a proposta da obra: “As mais modernas e exquisitas receitas para com perfeição e delicadeza se prepararem differentes sôpas e variadissimos manjares, carne de vacca, vitella, carneiro, porco e veado; de aves, peixes, mariscos, ovos, leite; o modo de fazer massas, doces e compotas”. Além disso, o texto inclui item intitulado “Método para trinchar e servir bem à mesa” e há, ainda, um dicionário dos termos técnicos de cozinha. Esses, por sua vez, podem ser entendidos como a relação da ciência culinária com a civilização humana, pois, como o Brasil ainda era uma nação jovem no período, seria necessário ensinar às pessoas como praticar os modos e maneiras europeias de cortes e preparo. Tais conhecimentos significariam uma forma de requintar a Corte Imperial luso-brasileira.

As receitas que compõem a segunda edição do COZINHEIRO IMPERIAL possuem ingredientes que, na época, não eram encontrados no Brasil, como por exemplo, alcaparras. Assim, a partir do COZINHEIRO IMPERIAL muitos alimentos passaram a ser cultivados e consumidos no país, bem como foram introduzidos novos hábitos, modos e maneiras que até então não eram praticados nem mesmo na corte imperial. O consumo de produtos considerados exóticos proporcionaria status e, consequentemente, validaria a nação americana como um Império. No entanto, mesmo que as receitas apresentassem estrutura europeia e utilizassem ingredientes inviáveis para o Brasil do período, há algumas preparações originárias do Brasil, como é o caso do Tutu ou Feijão Preto à Mineira, registrado na décima edição da obra. Também na segunda edição se percebem algumas características, como a descrição das informações das receitas e a utilização do alimento como restauradores da saúde. Algumas receitas são indicadas como tratamento de problemas de saúde, porém, não se descrevem informações sobre efeitos e posologia da preparação, para o combate à enfermidade. A descrição das informações das receitas é diferente das que conhecemos hoje, quando são listados, primeiramente, os ingredientes, seguindo-se os modos de preparo. Nessa edição, todas as instruções das receitas são descritas em um único parágrafo. Por essas razões, trata-se de uma obra de importância ímpar, cujo conteúdo deve ser melhor conhecido e estudado. O texto completo está em: REFERÊNCIA: LAYTANO, Dante de. A Cozinha Gaúcha na História do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: EST, 1981.

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1841 Arte do cozinheiro e do copeiro

1841 Arte do cozinheiro e do copeiro,

compilada dos melhores auctores que sobre isso escreveram modernamente

TÍTULO: Arte do cozinheiro e do copeiro,

SUB TÍTULO: compilada dos melhores auctores que sobre isso escreveram modernamente, sendo a parte extrahida da obra que tem por titulo: A Casa de Campo, publicada em 1822 por Mme Aglaé Adanson, dada à luz por Um Amigo dos Progresses da Civilização.

AUTOR: António Lobo de Barbosa Ferreira Teixeira Girão
Visconde de Vilarinho de S. Romão.

NOTAS DE AUTORIA: Extraído principalmente de La maison de campagne, publicado em 1822, por Mmme. Aglae Adanson.

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1841 

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 1ª edição
Outra edição:
2ª edição aumentada 1845 
S.A. 16158 P; S.A. 14936 P.; F. 5942

LOCAL: Lisboa

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Typographia da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos úteis

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal)

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 29684 P.
S.A. 15655 P.
F. 5942

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”:83

OBSERVAÇÕES: compilação de receitas e métodos de culinária e copeiro, traduzida e adaptada para o português.

83

Arte do cozinheiro e do copeiro, compilada dos melhores autores que sobre isso escreveram modernamente… / dada à luz por um Amigo dos Progressos da Civilização. – Lisboa: Typ. da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis, 1841. – O autor é o Visconde de Vilarinho de São Romão. – Extraído principalmente de L’Art du maître d’hôtel et du maître d’office, pub. em 1822 por Mme. Aglaé Adamson. – BN S.A. 29684 P.; S.A. 15655 P.; F. 5942.

Outra ed.:
2.ª ed. aum. – 1845. – (S.A. 16158 P.; S.A. 14936 P.; F. 6129).

TÍTULO: Arte do cozinheiro e do copeiro,

SUB TÍTULO: compilada dos melhores auctores que sobre isso escreveram modernamente, sendo a parte extrahida da obra que tem por titulo: A Casa de Campo, publicada em 1822 por Mme Aglaé Adanson, dada à luz por Um Amigo dos Progresses da Civilização.

AUTOR: António Lobo de Barbosa Ferreira Teixeira Girão
Visconde de Vilarinho de S. Romão.

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Imprenso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1845 

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 2ª edição

LOCAL: Lisboa

EDITORA: 

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Typographia da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos úteis

ENCADERNAÇÃO: 

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO:

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal)

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: S.A. 16158 P; S.A. 14936 P.; F. 5942

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”:

OBSERVAÇÕES:

Edição fac-similada, de 2026, em Os Livros de Culto da Cozinha Portuguesa Público

Prefácio de Guida Cândido, apartir do qual fazemos este resumo.

O livro Arte do Cozinheiro e do Copeiro (1841), atribuído ao visconde de Vilarinho de São Romão, António Lobo de Barbosa Ferreira Teixeira Girão (1785–1863), constitui o quarto livro de cozinha impresso em Portugal. Figura multifacetada — político liberal, académico e empresário agrícola —, o autor teve uma intervenção relevante na vida pública portuguesa do século XIX, sendo também membro de várias instituições científicas e culturais.

A obra, publicada anonimamente e fortemente inspirada em La Maison de Campagne de Aglaé Adanson (1822), apresenta, contudo, uma intervenção autoral significativa, visível em numerosos aditamentos, comentários e adaptações à realidade portuguesa. Reúne mais de quinhentas receitas de cozinha, doçaria e bebidas, incluindo ainda instruções sobre serviço de mesa e conselhos dietéticos, revelando uma preocupação simultânea com o gosto, a saúde e a economia doméstica.

Trata-se de um livro orientado para um público burguês — donas de casa e gastrónomos — afastando-se dos tratados técnicos destinados exclusivamente a cozinheiros profissionais. A obra reflete também práticas alimentares da época, como a organização das refeições (almoço leve e jantar principal) e a crítica ao consumo da ceia.

No capítulo dedicado ao pescado, o autor adapta e amplia significativamente o receituário original, introduzindo preparações como os bolinhos de bacalhau, ainda que diferentes da forma moderna, nomeadamente pela ausência de batata. O livro evidencia igualmente o lento processo de integração de produtos como a batata e o bacalhau na alimentação portuguesa, bem como a sua associação inicial a classes populares e a contextos de abstinência religiosa.

Para além do receituário, a obra inclui observações sobre hábitos alimentares regionais em Portugal, descrevendo práticas de subsistência e preferências locais, desde o consumo de castanhas em Trás-os-Montes até às dietas baseadas em leguminosas e figos noutras regiões.

Finalmente, o livro documenta o contexto social e gastronómico do período, ainda marcado pelo serviço à francesa nas mesas abastadas, num tempo de transição política e cultural. No seu conjunto, Arte do Cozinheiro e do Copeiro constitui um testemunho relevante da construção de uma cozinha burguesa em Portugal, articulando tradição, adaptação e intenção pedagógica.

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LIVROS posts individuais

1836 Annona ou Misto Curioso

Annona, ou Misto Curioso

Annona ou Mixto Curioso

TÍTULO: Annona ou Misto Curioso

SUB TÍTULO: Annona ou Mixto Curioso

AUTOR: 

NOTAS DE AUTORIA: 

PREFÁCIO:

SUPORTE: Impresso

GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia em série

DATA  DE PUBLICAÇÃO: 1836 a 1837

DEPÓSITO LEGAL: 

EDIÇÃO: 1ª edição

LOCAL: Lisboa

EDITORA: José Joaquim Nepomuceno

TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Typ da Viuva Silva e Filhos – até ao 14º número
Imprensa de Cândido António Silva Carvalho – 15º ao 36º número

ENCADERNAÇÃO: Brochado

FORMATO / DIMENSÕES: 

NÚMERO DE PÁGINAS: 

COLECÇÃO: Folheto semanal (publicação periódica de baixo custo).
Formato de folhetim, ou seja, fascículos independentes que podiam ser encadernados.

ISBN/ISSN:

COLECÇÃO DE: 

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN P.P. 7313 P.

NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 547

OBSERVAÇÕES: Folheto semanal que ensina o methodo de cosinha e copa, com um artigo de recreação. Lisboa: Typografia da Viúva Silva e Filhos, 1836–1837.
Publicação em folhetins. Do Tomo 1, nº 1 (1836) ao Tomo 3, nº 36 (1837).

Reedição em 2023 pela Livraria Lello

547
ANONA OU MISTO CURIOSO
Annona, ou Mixto-Curioso : folheto semanal, que ensina o methodo de cozinha e copa, com um artigo de recreação . — T. 1, n. 1 (1836) — t. 3, n. 36 (1837). — Lisboa : na Typ. da Viuva Silva e Filhos, 1836-1837. — 16 cm

Faltam os seguintes números: T. 1, n. 2; t. 2, n. 17; t. 3, n. 32. Existe uma 2.ª colecção, bastante incompleta, mas que tem os ns. 2 e 32 que faltam na 1.ª (J. 5680 B.)

BN P.P. 7313 P.

RESENHA DE ANNONA OU MISTO CURIOSO FOLHETO SEMANAL QUE ENSINA O MÉTODO DE COZINHA E COPA COM UM ARTIGO DE RECREAÇÃO. 1836-1837

Annona é o nome da deusa romana responsável por abastecer Roma nos tempos antigos. Representava a abundância. Seu nome deriva da palavra “ano” em latim, marcando os ritmos das colheitas dos cereais. Geralmente era representada ao lado de Ceres ou Deméter, a deusa das plantas que brotam e do amor maternal. Annona era retratada com uma cornucópia, o chifre da fertilidade, recheado com frutas, plantas e cereais. Vinha à frente da proa dos navios que chegavam a Roma com as delícias de além-mar, e seu retrato aparece com frequência em módios, moedas do império romano.

Não foi, portanto, por acaso que os editores de uma das primeiras revistas de gastronomia editada em Portugal entre 1836 e 1837 escolheram Annona como seu título e padroeira. O título integral da publicação é Annona ou Misto Curioso, com a seguinte informação: “folheto semanal que ensina o método de cozinha e copa com um artigo de recreação”. Foram poucas as revistas de gastronomia voltadas para o público leitor de português no século XIX, assim como foram poucos os livros de gastronomia lançados no mercado português e brasileiro neste período. Com um tema considerado menor, ligado ao universo feminino, à cozinha e aos afazeres domésticos, Annona teve vida relativamente curta de apenas dois anos na década de 1830. Hoje, através de iniciativa pioneira de pesquisadores brasileiros ligados ao Polo de Pesquisas Luso-Brasileiras (PPLB) sediado no Real Gabinete de Leitura, no Rio de Janeiro, e apoio editorial da Livraria Lello, no Porto, em Portugal, o almanaque oitocentista volta ao mercado editorial em formato de livro — essencialmente em Portugal, mas pode-se fazer uma encomenda. A edição em capa dura verde água com título em amarelo conta com apresentação geral de Eduardo Cruz e Gilda Santos. A edição ficou com 523 páginas reunindo receitas, anedotas, poesia, contos, fábulas e histórias em seções separadas. Desta forma, o periódico português não aparece republicado pelo número da edição ou pela data de cada folheto, mas por assunto e, à frente, vêm as receitas, explicitando o assunto principal. A reedição de Annona tem assim o mérito de recolocar nas livrarias e bibliotecas uma obra das mais importantes para se entender as relações de gosto e sociabilidade tanto em Portugal, onde o periódico foi inicialmente editado, como no Brasil, onde também circulava. Na versão ora impressa, cada parte da obra é introduzida por breves textos dos pesquisadores envolvidos no trabalho de edição, sobretudo da área de Letras e História. Além dos organizadores, Ida Alves, Monica Genelhu Fagundes, Gilda Santos, Ana Cristina Comandulli, Pedro Paula Catharina, Andreia de Castro, Elisabeth Martini, Angela Telles, Aline Erthal, Betty Biron e Julianna Bonfim explicam as seções que formavam o almanaque histórico: receitas, poesia, contos, fábulas, história, ditos e anedotas, jogos de salão e adivinhas. Em relação ao conjunto de receitas (de sal e doces), as responsáveis pela transcrição incluíram um glossário ao final da parte das receitas, explicando certos nomes de alimentos ou processos que podem causar estranheza ao leitor de hoje, além de fazerem a equivalência de algumas das medidas antigas mencionadas nos textos.

Joana Monteleone

in ABRIL – Revista do NEPA/UFF, Niterói, v.16, n.33, p. 157-162 jul.-dez. 2024

Joana Monteleone é editora e historiadora, fez Pós-Doutorado na Cátedra Jaime Cortesão da Universidade de São Paulo (USP) com o tema “Açúcar e Industrialização” e na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com o título “O Almanaque Laemmert e o tempo do Império” (2015-2018). Ganhadora do prêmio Jabuti em 2017 como editora, é editora da Alameda Casa Editorial desde 2004. Fez doutorado pelo Programa de Pós-graduação em História Econômica do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP – 2013), com o título de O circuito das roupas: a Corte, o consumo e a moda (Rio de Janeiro, 1840-1889). Possui mestrado em História Econômica pela Universidade de São Paulo (2008), com o título de Sabores Urbanos: alimentação, sociabilidade e consumo (1828-1910). Atua, principalmente, nos seguintes temas: história do império, história do consumo, história da alimentação, história da moda, história e urbanismo. É autora dos livros Sabores Urbanos (Alameda, 2015), Toda comida tem uma história (Oficina Raquel, 2017), O circuito das roupas: a corte, o consumo e a moda, Rio de Janeiro, 1840-1889 (2022) e coorganizadora de A história na moda, a moda na história (Alameda 2019), Histórias de São Paulo: construções e desconstruções (Edusp, 2023) e Cachaça, história

e literatura (Alameda, 2023).

Teria sido interessante, para que a edição permitisse uma compreensão melhor da publicação original, que os editores incluíssem alguns fac-símiles (ou pelo menos um). Estudos recentes mostram como a própria diagramação de uma revista é passível de ser lida e é também uma forma de leitura. Por exemplo, em almanaques de gastronomia, poesias dialogam com as receitas ou mesmo com outros textos. A consulta à Annona em formato facsimilar, contudo, não está totalmente distante dos já interessados. Está online e, ao “folheá-la”, podemos perceber que não existiam anúncios. A diagramação é simples, com as receitas vindo em primeiro lugar e, depois, a parte literária, de recreação — simulando o próprio jantar do século XIX, em que à mesa seguiam-se atividades coletivas, leves e recreativas.

Annona nasceu num momento de efervescência editorial e literária, com diferentes estilos de publicações sendo lançados em vários lugares do mundo — a dianteira desse movimento ficava com a França, impulsionado pelas ideias iluministas e pela Revolução de 1789. Ao mesmo tempo, mudanças tipográficas importantes facilitavam a edição (Hallewell, 1985), já que as primeiras décadas do Oitocentos foram pródigas em pensar o papel da imprensa e dos leitores, com o lançamento de publicação para públicos diferentes. As mulheres, cada vez mais alfabetizadas, entraram em cena como ávidas consumidoras de livros, jornais, revistas, almanaques, folhetos e afins. Annona nasceu voltada preferencialmente para o público feminino.

Mais do que “apenas” uma inspiração cultural, a França fornecia também o conhecimento técnico que permitia a expansão editorial em outros países da Europa e da América Latina. Muitos editores, tipógrafos e trabalhadores do livro partiram para novos destinos, saindo da França, em busca de negócios e trabalho depois da derrota de Napoleão, em 1812.

Trabalhar com publicações sempre foi arriscado econômica e, também, politicamente, e os empresários e tipógrafos estavam sujeitos à censura, a prisões e perseguições políticas de toda espécie. No Brasil, um desses editores franceses expatriados, Pierre Plancher, lançou uma série de produtos editoriais no mesmo período — ele desembarcou no Brasil com uma tipografia e alguns funcionários e abre seu negócio em 1824 (Santana Júnior, 2019). Por uma década, até 1834, Plancher dominou os negócios editoriais do jovem país de Dom Pedro I e, em 1827, publicou um periódico para mulheres que versava, entre outros assuntos, sobre moda — era O Espelho Diamantino. O jornal durou 14 números, de 1 de novembro de 1827 até abril de 1828 e se assemelhava ao Annona em muitos aspectos (diagramação, assuntos, maneiras de se dirigir aos leitores e leitoras). O principal, certamente, era o tipo de público leitor, as mulheres.

A imprensa era uma ferramenta poderosa no século XIX. Tratava de temas políticos, que influíam no cotidiano do país, mas também servia como um dos mais importantes marcadores temporais do século XIX. Números publicados com regularidade, com assuntos voltados para o cotidiano, para a divulgação científica e cultural dos leitores e leitoras, modificaram a noção de tempo no período. Junto com os relógios, que passaram a estar em vários lugares da vida do dia a dia (nas casas, nos bolsos dos coletes, nas ruas ou nas lojas), os periódicos marcaram a vida no século XIX (Benjamin, 1985).

A busca por um novo público leitor, as mulheres, não apenas aumentou as tiragens e as opções de leituras, mas difundiu a ideia de que as mulheres deveriam ser educadas, deveriam aprender a ler, a escrever e a contar, além de outros atributos para um bom casamento, como saber cozinhar, fazer doces e se vestir apropriadamente, dançar ou tocar piano.

Apesar da influência, em Annona estão ausentes algumas palavras que estavam ligadas à tradição francesa e que hoje estamos acostumados a usar. São elas: “gastronomia”, “gastrônomo”, “gourmet”. Se, por um lado, isso mostra que a influência francesa era sensível, mas não avassaladora na cozinha portuguesa, por outro mostra que o refinamento à mesa passava por outros símbolos e signos além da palavra. Foi no começo do século XIX que a França se estabeleceu como referência incontestável na cozinha, com a circulação dos textos do advogado e jurista Jean-Anthelme Brillat-Savarin (1995), que progressivamente fariam as palavras mencionadas anteriormente se tornarem referência da comida de elite.

A moda, como no Espelho Diamantino, ou a culinária, como na Annona, ensejaram publicações que tinham nas leitoras seu público-alvo. Além disso, ambas possuíam seções de divertimentos e literatura, como contos, poesias, fábulas e anedotas — leituras vistas na época como apropriadas às mulheres educadas. A ideia de um tempo de lazer e diversão também nasce com a revolução industrial — o ócio, diria Veblen —, tempo que deveria ser preenchido com atividades civilizadas, como a leitura de jornais e romances (Veblen, 1978).

A maioria das receitas de Annona reproduz, às vezes na íntegra, partes do livro Arte de cozinha, de Domingos Rodrigues, publicado em 1680. O livro é um clássico absoluto da cozinha portuguesa, com uma compilação de 300 receitas, as quais ao longo dos anos volta e meia reaparecem em outros livros de receitas — até o século XX. Domingos Rodrigues nasceu em Vila Cova à Coalheira em 1637 e morreu em Lisboa em 1719. Foi cozinheiro do rei Dom Pedro II de Portugal, tendo estado à frente da cozinha da Marquesa de Valença. Ele tinha 43 anos quando publicou o volume, que, como em Annona, nem sempre apresenta medidas exatas dos ingredientes, apenas modos de fazer, explicados de maneira bem solta, sem maior precisão.

Cento e cinquenta e seis anos separam as duas publicações. Pelas receitas publicadas, percebe-se que os pratos portugueses não mudaram muito nesse período. É nítida uma influência francesa — mais forte na Annona do que na Arte de cozinha (no início do século XVII, essa influência estava se iniciando). São receitas que traduzem não apenas um gosto, particular ou de grupo, por determinados alimentos — elas traduzem também a maneira de comer de classes ociosas, no caso, a alta burguesia e a aristocracia. Desta maneira, estão presentes ostras, enguias, pombos, lampreias, salmão, pargos e doirados, bacalhau, camarões, vitelos e carneiros, perus, trufas, alcachofras, castanhas, aspargos, couve-flor, chicórias, ervilhas, favas, pepinos, entre vários outros ingredientes. A escolha cuidadosa do que se ia colocar à mesa mostrava riqueza, poder e civilidade.

Apesar da influência, em Annona estão ausentes algumas palavras que estavam ligadas à tradição francesa e que hoje estamos acostumados a usar. São elas: “gastronomia”, “gastrônomo”, “gourmet”. Se, por um lado, isso mostra que a influência francesa era sensível, mas não avassaladora na cozinha portuguesa, por outro mostra que o refinamento à mesa passava por outros símbolos e signos além da palavra. Foi no começo do século XIX que a França se estabeleceu como referência incontestável na cozinha, com a circulação dos textos do advogado e jurista Jean-Anthelme Brillat-Savarin (1995), que progressivamente fariam as palavras mencionadas anteriormente se tornarem referência da comida de elite.

Brillat-Savarin não apenas popularizou esses termos em seu livro mais conhecido, La physiologie du goût, lançado em dezembro de 1825, numa edição paga pelo próprio autor, como criou a ideia de que a cozinha era uma arte equivalente à música ou ao teatro, portanto feita por gênios-cozinheiros e passível de ser criticada. Desta forma, quando a Annona passa a ser publicada em 1836, ela está fazendo, ainda que de modo indireto, uma referência a Savarin e ao estilo de vida francês da Restauração, entre 1815 e 1830. Neste momento, jantares privados passavam a ser mostras de civilidade burguesa e eram bastante protocolados.

Desde o século XVIII, cozinheiros franceses eram contratados para diferentes cortes reais na tentativa de modernizá-las, adequá-las aos novos tempos e aos novos governantes. Em Portugal, D. Maria (1734–1816), durante seu reinado entre 1777 e 1792 (quando começaram seus delírios e D. João VI assumiu o trono na prática), contratou o cozinheiro francês Lucas Rigaud,que acabou por escrever Cozinheiro moderno ou Nova arte de cozinha (Rigaud, 1999), chocado com o facto de o livro de Domingos Rodrigues ser o único livro de cozinha de Portugal até então, em meados do século XVIII. Os desconhecidos editor (seria José Joaquim Nepomuceno Arsejas?) e redatores da Annona sabiam, portanto, ao falar para o seu público, que estavam a par tanto da tradição culinária portuguesa, com as receitas de Domingos Rodrigues, como das novas modas culinárias de Vincent Sain Chapelle e Lucas Rigaud e da cozinha francesa. Se a cozinha aristocrática portuguesa ainda exagerava nas especiarias, mostrando o seu valor comercial e a sua importância económica, desde o começo do século XVIII a cozinha francesa buscava o refinamento do “gosto puro” dos alimentos, que pouco depois seria tão exaltado por Brillat-Savarin.

Mas a Annona não foi um periódico apenas de receitas ou de gastronomia, ainda que esse fosse o seu principal chamariz. Além da comida, publicava poesias, contos, fábulas, anedotas e adivinhas, no melhor estilo de “almanaque do século XIX”, com uma variedade notável de assuntos leves e mundanos. A ideia, como referimos, era ser uma revista voltada para o público feminino da alta burguesia e da aristocracia portuguesa — uma revista de entretenimento no sentido mais completo do termo. As receitas deveriam ser servidas em jantares, seguidos por distrações leves, música, recitação de poesia, contos ou anedotas. Dessa maneira, um jantar estaria completo, numa oferenda a Annona, a deusa da abundância, terminando a noite cheia de felicidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas: magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1985.

BRILLAT-SAVARIN, Jean-Anthelme. A fisiologia do gosto. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

CRUZ, Eduardo; SANTOS, Gilda. Annona ou misto curioso. Porto: Livraria Lello, 2023.

HALLEWELL, Laurence. O livro no Brasil: sua história. São Paulo: EdUSP, 1985.

MONTELEONE, Joana. Sistema métrico. In: SLEMIAN, Andréa; AIDAR, Bruno; LIMA LOPES, José Reinaldo. Dicionário histórico de conceitos jurídico-econômicos. São Paulo: Alameda Casa Editorial, 2021.

RIGAUD, Lucas. Cozinheiro moderno ou Nova arte de cozinha. Lisboa: Colares, 1999.

RODRIGUES, Domingos. Arte de cozinha. Lisboa: Biblioteca de Autores Portugueses / Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1987.

SANTANA JÚNIOR, Odair Dutra. Jornais de língua francesa na tipografia de Pierre Plancher (Rio de Janeiro, 1827). Revista Non Plus, ano 7, n. 15, jan.-jun. 2019, ISSN 2316-3976.

VEBLEN, Thorstein. Teoria da classe ociosa. São Paulo: Abril Cultural, 1978.

Recebido para avaliação em 11/07/2024.
Aprovado para publicação em 09/08/2024.

2 A questão das medidas e do sistema métrico é complexa tanto em Portugal como no Brasil. Nos dois países, o sistema métrico demorou a ser implantado e até hoje se utilizam medidas não decimais nas receitas, como colheradas, bacias, xícaras e pitadas (nenhuma dessas medidas aparece na tabela de equivalências, por sinal). Para saber mais sobre a questão das medidas e da implementação do sistema métrico, ver MONTELEONE, Joana. Sistema métrico. In: SLEMIAN, Andréa; AIDAR, Bruno; LIMA LOPES, José Reinaldo. Dicionário histórico de conceitos jurídico-econômicos. São Paulo: Alameda Casa Editorial, 2021.

3 É possível ler o fac-símile em: https://www.docvirt.com/DocReader.net/RealGabObras-Raras/38862.

4 Ver a apresentação de CRUZ, Eduardo; SANTOS, Gilda. “Annona, muito além dos prazeres da mesa”. In: Annona ou misto curioso. Porto: Livraria Lello, 2023, p. 15–20.

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Receitas de licores e de geleias

Receitas de licores e de geleias

TÍTULO: Receitas de licores e de geleias

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NOTAS DE AUTORIA: In: [Miscelânea compilada e copiada por Jacob Frederico Torlade Pereira de Azambuja]. — [1836-1839]. — f. [124v-132v]

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COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).

REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN COD. 600

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[RECEITAS de licores e de geleias (texto em Francês e Português)]
In: [Miscelânea compilada e copiada por Jacob Frederico Torlade Pereira de Azambuja]. — [1836-1839]. — f. [124v-132v]
BN COD. 600