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195? Lições de Culinária – Colecção Laura Santos
- Autor do artigo Por canthecan_bfmhxg
- Data do artigo Janeiro 1, 1950
Lições de Culinária - Colecção Laura Santos
TÍTULO: Lições de Culinária
SUB TÍTULO:
AUTOR:
NOTAS DE AUTORIA:
PREFÁCIO:
SUPORTE:
GÉNERO BIBLIOGRÁFICO:
DATA DE PUBLICAÇÃO:
DEPÓSITO LEGAL:
EDIÇÃO:
LOCAL: Lisboa
EDITORA: Editorial Lavores.
TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Composto e impresso na Sociedade Tipográfica, Lda. Agência Peninsular.
ENCADERNAÇÃO:
FORMATO / DIMENSÕES: 25×19 cm.
NÚMERO DE PÁGINAS:
COLECÇÃO: Colecção Laura Santos
ISBN/ISSN:
COLECÇÃO DE: SELO DE MAR
REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998:
OBSERVAÇÕES:
Obra dividida em 6 cadernos com os temas principais da gastronomia portuguesa:
nº1 A Noite da Consoada e a Ceia do Ano Novo;
nº2 A mesa de todos os dias, aves e caça;
nº3 Ementas para quando recebe visitas;
nº4 Festas de aniversário, lanches ajantarados, mariscos e bacalhau;
nº5 Arroz, massas, tartes, pudins e bolos;
nº6 Cozinha regional, doces regionais e bolinhos.
1 A Noite da Consoada e a Ceia do Ano Novo
2 A mesa de todos os dias, aves e caça
3 Ementas para quando recebe visitas
4 Festas de aniversário, lanches ajantarados, mariscos e bacalhau
5 Arroz, massas, tartes, pudins e bolos
6 Cozinha regional, doces regionais e bolinhos
471
SANTOS, Laura
Lições de culinária : caderno 1 / Laura Santos . — Lisboa :
Editorial Lavores, [1965]
BN S.A. 63500 V.
TÍTULO: Lições de Culinária
SUB TÍTULO:
AUTOR:
NOTAS DE AUTORIA:
PREFÁCIO:
SUPORTE: Impresso
GÉNERO BIBLIOGRÁFICO:
DATA DE PUBLICAÇÃO:
DEPÓSITO LEGAL:
EDIÇÃO: 3.ª ed
LOCAL: Lisboa
EDITORA: Editorial Lavores.
TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Composto e impresso na Sociedade Tipográfica, Lda. Agência Peninsular.
ENCADERNAÇÃO:
FORMATO / DIMENSÕES: 25×19 cm.
NÚMERO DE PÁGINAS: 283-(iv) pags.
COLECÇÃO: Colecção Laura Santos
ISBN/ISSN:
COLECÇÃO DE:
REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN S.A. 75188 V.
NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 472
OBSERVAÇÕES:
472
SANTOS, Laura
Lições de culinária : clássicos da cozinha tradicional
portuguesa / Laura Santos . — 3.ª ed. — Estarreja : Moderna
Editorial Lavores, imp. 1992
BN S.A. 75188 V.
Lisboa de outrora / João Pinto de Carvalho, sobre O Cozinheiro João da Matta
- Autor do artigo Por canthecan_bfmhxg
- Data do artigo Janeiro 1, 1939
Lisboa de outrora
AUTOR: João Pinto de Carvalho
CARVALHO, Pinto de, 1858-1936
Lisboa de outrora / João Pinto de Carvalho ; edição literária, coordenação e notas de Gustavo de Matos Sequeira e Luís de Macedo. — Lisboa : Grupo de Amigos de Lisboa, 1939. — v. ; 21 cm.
VIII
O cozinheiro João da Mata
A arte da cozinha, l’art de gueule, no dizer de Montaigne, foi apreciada por altas individualidades políticas e literárias. Luís XV perdoou a derrota de Rosbach ao duque de Soubise, por causa de uma omelette, que este marechal inventara; e Napoleão I avaliava a importância daquela arte, quando fornecia estas únicas instruções diplomáticas ao abade de Pradt: — Soignez les femmes et donnez des bons dîners. Voisenon compoz esta sextilha apetitosa:
La sagesse est de bien dîner,
En commençant par le potage ;
La sagesse est de bien souper,
En finissant par le fromage ;
On est heureux si l’on peut se gaver,
Et si l’on digère, on est sage.
Alexandre Dumas escreveu o Grand Dictionnaire de Cuisine; Balzac gabava de descrever as ceias de Corália e da alegre sociedade que gravitava em torno de Rubempré; George Sand, no castelo de Nohant, frequentemente cozinhava para os seus convidados; e Henri de Villemessant, fundador do Figaro, comia pantagruelicamente.
Alguns escritores portugueses cultivaram a culinária. Assim, Bernardino Martins preparava esplendidamente o arroz de Caril; Teixeira de Vasconcellos fazia um divino arroz doce; Bulhão Pato cozinhava toda a espécie de caça; Ramalho Ortigão manipulava alguns acepipes; e Júlio César Machado atingia o sublime em vários pratos, especialmente nas caldeiradas.
João da Mata era filho do velho cozinheiro João da Mata, rival dos mais célebres cozinheiros do seu tempo: o Domingos Carena e Manuel José Barreiros, o Manuel do Lumiar. O velho Mata faleceu, quando o filho contava apenas doze annos. Como sua mãe e sua irmã ficassem nas mais precárias circunstâncias, o petiz tratou de procurar occupação adequada à sua idade, a-fim de poder ganhar a vida. Com esse intuito, sua mãe pediu a um capitão de navios, que o levasse para o Brasil, onde se empregaria no commercio. Combinou-se tudo, e, na véspera da partida, João da Mata, acompanhado por um baú cheio de roupa, foi dormir em casa do capitão.
Durante a noite, porém, atemorizado com os perigos de uma viagem marítima, não pregou olho. Ao pintar da aurora, sahiu de casa e foi sentar-se no Rossio, decididamente resolvido a não abandonar Lisboa. Mas um cozinheiro, amigo do pai Mata, passou por ali, em direcção à praça da Figueira, e encontrou-o. Perguntando-lhe o que fazia naquele sítio e àquela hora, o pequeno, lavado em lágrimas, contou-lhe tudo. O bom do homem offereceu-se, então, para o empregar, como marmiton, na casa onde servia, ao que o rapazito annuiu.
João da Mata demonstrou prodigiosamente, que tinha queda para a manipulação dos manjares.
Ascendendo das modestas funcções de bicho de cozinha à categoria de cordon bleu, trabalhou nas primeiras casas lisboetas, a última das quaes foi a do Visconde da Várzea da Ordem. Em 1848, estabeleceu-se com restaurante num 1.º andar da rua do Alecrim, esquinando para o Cais do Sodré.
No anno de 1851, o immortal cozinheiro renovou-o «com todo o gôsto parisiense», annunciando elle no Diário do Governo.
O notável restaurante figurou na comédia em 5 actos Lisboa à noite, imitada de Paris, quadros por Mendes Leal e representada no theatro de D. Maria II em 1851, cujo 3.º acto se intitulava Uma ceia no Mata.
Em 1858, o Mata mudou-se para a loja e 1.º andar do prédio agora ocupado pelo Monte-Pio Geral. Ahi se deu um célebre banquete, presidido pelo Duque de Saldanha, que, circunstância curiosa, jamais dispensou um prato de açorda nos seus almoços caseiros.
O restaurante do Mata acabou em 1864.
E o grande manipulador de petiscos, não desejando ficar inactivo, abriu um hotel no Chiado, onde hoje está o Turf-Club. Estabeleceu depois um restaurante num 1.º andar da rua do Ouvidor e um hotel no palácio do Rêgo do Chiado, fronteiro à Casa Havanesa. Mais tarde, reuniu todos estes estabelecimentos só, o Grande Hotel do Mata, instalando-o no palácio do Calhariz (actual Caixa Geral dos Depósitos). Ahi se hospedaram D. Pedro II, Imperador do Brasil, os condes de Eu, Sarah Bernhardt e outras notabilidades.
Do Calhariz mudou o seu hotel para a Avenida da Liberdade, n.º 55, dando-lhe o título de Grande Hotel de Lisboa. Em 1886 e 1888 esteve aqui a eminente cantora Adelina Patti.
João da Mata compoz um Arte de Cozinha, em que ensina a cozinhar todas as iguarias: desde a sopa de rabioli à Tivoli até aos filés de cedorinhas à Vallayran.
A sua vida teve episódios interessantes. O seguinte foi-nos referido por elle próprio, em 1893.
Mendes Leal, escritor pobre e filho de um simples maquinista de theatros, jantava frequentemente no Mata, onde aparecia envolto no seu amplo capote de bandas de veludo carmezim e onde ficou a dever dez tostões. Muitos annos depois, exercia o cargo de ministro da marinha no gabinete de Loulé, quando o governo offereceu um grande jantar na Sala do Risco, no Arsenal de Marinha, por occasião do casamento de el-rei D. Luiz. Mendes Leal fez chamar o Mata, e, depois de se fixar o custo do banquete, meteu a mão na algibeira, tirou dez tostões e entregou-lhos, dizendo:
— «Sr. Mata, aqui tem os dez tostões que lhe devo desde o tempo em que frequentava o seu restaurante do Cais do Sodré. Desculpe, mas não lhos pude pagar mais cedo.»
João da Mata faleceu octogenário. Com elle desapareceu um cozinheiro, que podia ser desdobrado, como dinastia culinária, que principiou com Domingos Rodrigues, cozinheiro de D. João V; continuou com Francisco Mettras, cozinheiro de D. Maria I; José da Cruz Alvarenga, cozinheiro de D. João VI; Jacques Étienne Francbourg Bonnay, cozinheiro de D. Pedro IV (a quem acompanhou da ilha Terceira); e João André, cozinheiro de D. Maria II, para vir terminar em Francisco Guéri e Manoel Ferreira, cozinheiros de D. Luiz I.
1932 Livraria Barateira, Catálogo 3ª Feira do Livro
- Autor do artigo Por canthecan_bfmhxg
- Data do artigo Janeiro 1, 1932
1932 Livraria Barateira, Catálogo 3ª Feira do Livro
Livraria Barateira
OBRAS Á VENDA
NA
LIVRARIA BARATEIRA
34, RUA DO DUQUE, 36 — LISBOA — Telef. 26755
STAND N.º 15
3.ª FEIRA DO LIVRO
Obras diversas: — Trajo Popular em Portugal no século XVI e XVII, Alberto de Sousa, 10$00 — Gustavo o Estroina, Paulo de Kock, 5$00 — Os Fidalgos da Casa Mourisca, Julio Diniz, 5$00 — Pupilas do Sr. Reitor, Julio Diniz, 5$00 — Amor á Parisiense, Clément Vautel, 7$50 — Angela Pinto, 5$00 — Amor de Perdição, Camilo C. Branco, 7$50 — Cego da Beira, Henrique Roldão, 2$50 — Cozinheiro Pratico Portuguez, Maria do Carmo, 3$00; enc. 6$00 — Como se chega a milionário, Frederico Clément Ferrer, 5$00 — Camilo Castelo Branco, Paulo Osorio, 3$00 — Cultura da Estetica e Beleza da Mulher, Dr. Arny de Plandolit, obra com dezenas de gravuras, 6$00 — Coração, Edmund de Amicis, 8$00 — Corações doloridos, Jorge Ohnet, 3$00 — O Carlitos, publicação infantil, cêrca de 50 variedades, 5$00 — D. Carlos, drama em verso, Teixeira de Pascoaes, 5$00 — Corações sem rumo, Pedro Mata, 7$50 — A Doceira Familiar, 3$00 — Dois anos de troca, Eduardo Fernandes (Esculapio), 2$50 — A Divina Canção, Henri Ardel, 5$00 — Eduardo Brazão, Dr. Eduardo Brazão (filho), 5$00 — Em campanha no Quartel, Maximiliano de Azevedo, 5$00; enc. 7$00 — Eva e a Serpente, Henri Ardel, 5$00 — Edições anuais: Almanaques, Borda d’Agua, Seringador e almanaque dos Fados — Agendas para algibeira, 1$50 — Agenda para algibeira, edição Gonçalves, 3$50 — Agenda para Todos, 3$00 — Agenda Escritório, 7$50 — Blocos calendarios mensal e diario de todos os formatos — Blocos memorandum para escritorio — Felicidade do século XIX, Oliveira de Castro, 2$50 — O Jogador de Xadrez, H. Dupuy de Mazuel, romance, 7$50 — Mulheres Histericas, Alberto Insúa, 7$50 — Mocidade de D. João V, Rebelo da Silva, 12$50; enc. 20$00 — Maria do Sól, romance, 1$00 — Morte do Sonho, Alio Barretta, 7$50 — Mártires da Virgindade, Alfredo Gallis, 6$00 — Maximina, A. Palácio Valdés, romance, 7$50 — Notas de viagens do Porto a Lourdes, Pereira Pinto Balsemão, 3$00 — Mademoiselle de la Ferté, romance, Pierre Benoit, 7$50 — A Orgia, José Más, romance, 7$50 — Os que não foram á Guerra, W. Fernandez Flórez, 7$50 — Palavras Cínicas, Albino Forjaz de Sampaio, 5$00 — Para se apreciar devidamente um automóvel, 1$50 — A Rosa do Adro, M. M. Rodrigues, 5$00; enc. 7$50 — Roteiro da cidade de Lisboa, 2$50 — Reinado Trágico, vida de D. Carlos e D. Manuel II, por Alfredo Gallis, 2 grossos vols. profusamente illustrados e primorosamente encadernados, 50$00 — O Sêlo Misterioso, romance policial, 2 vols. 10$00 — A Sereia, Camilo C. Branco, obra illustrada, 10$00; enc. 17$50 — Sonetos, Teixeira de Pascoaes, 2$50 — S. Cypriano, 7$50; enc. 10$00 — Vingança do Sargento, tradução de Pinheiro Chagas, 4 vols. profusamente illustrados, 10$00; enc. num unico volume, 15$00 — Vida de Um Rapaz Pobre, Octave Feuillet, 4$00; enc. 6$50 — Obras da Colecção de Hoje, 20 vols. diferentes, 7$50 — Bibliotheca do Lar, 25 lindissimos romances dos melhores autores Portuguezes e Estrangeiros, 5$00 — Obras de Antonio F. de Castilho, 50 vols. diferentes, 2$50; enc. 3$00 — Colecção Rebelo da Silva, 41 vols. diferentes, 2$50; enc. 3$00 — Obras completas de Paulo de Kock, 50 vols. diferentes, 2$50; enc. 5$00.
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Coleção Novelas e Contos (a $50 cada uma) — A Audácia dum Tímido, Mario Domingues — O Baile das Chamas, Edgar Poe — A Cidade da Morte, Adolfo Coelho — O Crime da 109.ª Avenida, F. Santos — Eterna Tragédia, Augusto Ferreira Gomes — Gomes Freire-Avenida, Henrique Roldão — O Homem da Cabeleira Branca, Reynaldo Ferreira — A Morte do Bêbado, Ch. Dickens — O Que eu vi em Sonho, Leo Tolstoi — O Que Viveu de Amor — João de Sousa Fonseca — Preto e Branco, Reynaldo Ferreira — A Rainha Sem Nome, Reynaldo Ferreira — O Solar Maldito, Adolfo Coelho — Willian Wilson, Edgar Poe.
Obras Diversas: — Reinado Trágico, Vida de D. Carlos e D. Manuel II, por Alfredo Gallis, 2 grossos volumes, profusamente illustrados e primorosamente enc., 50$00 — Santos e Mártires do Cristianismo, Dr. Santos Farinha, obra em papel couché, com centenas de gravuras, enc. 30$00 — A Aviação, Amadeu de Vasconcelos (Mariote) 1$50 — Bon-Odori, Wenceslau de Moraes, 12$50 — Banco Fantástico, Eugénio Battaglia, 2$50 — A Caverna do Tesouro, 1$50 — A Conquista dos Pólos, Mariote, 1$50 — Caim, António de Eça de Queiroz, 2 vols. 15$00 — Cantares de Amigo, Severo Portela, 10$00 — Camilo, a sua vida, o seu génio e a sua obra, Paulo Osorio, 12$50 — Contos das Crianças, Maria P. Figueirinhas, 6$00, enc. 8$00 — Contos para as Crianças, António Figueirinhas, 6$00, enc. 8$00 — Cartas a Luiza, D. Maria Amália Vaz de Carvalho, 10$00 — Discursos Parlamentares, 17$50 — O Escaravelho de Ouro, $50 — O Homem das Pernas de Ferro, $50 — Formosura da Alma, Henrique P. Escrich, 5 volumes 40$00 — D. Carlos o Desventuroso, Joaquim Leitão, 10$00 — Formosa Lusitana, Tradução de Camilo Castelo Branco, 50$00 — O Livro da Esposa, Paulo Combes, 10$00 — O Livro da Guerra, Cap. David Magno, 2 vols. 12$00 — Memórias de um Doido, A. P. Lopes de Mendonça, enc. 3$00 — O Mistério do Quarto Negro, $50 — A Mocidade de um Bandido Célebre, $50 — Marqueza de Alorna, Hernani Cidade, 7$50 — Os Lusíadas, comentados por Epifanio da Silva Dias, 2 vols. 30$00 — Memórias do Tempo de Camilo, Alberto Pimentel, 10$00 — Método da Língua Ingleza, Jacob Bensabat, cart. 10$00 — Método da Língua Franceza, Jacob Bensabat, cart. 10$00 — A Madona do Convento, Manuel Ribeiro, $50 — Mulheres histéricas, romance da actualidade, Alberto Insua, 7$50 — Os Meus Pequeninos, Teatro Infantil e Canções e Gesto, para crianças, 7$50 — Narcóticos, Camilo Castelo Branco, 2 vols. 15$00 — No País dos Lumininosos, E. Severim de Azevedo, 12$50, enc. 15$00 — A Orgia, José Más, romance da actualidade, 7$50 — Os que não foram à Guerra, W. Fernandez Florez, 7$50 — A Porta da Havanaeza, Eduardo Noronha, 12$50 — Primeiros Versos de Garrett, Moniz Bettencourt — Perfil do Marquez de Pombal, C. Castelo Branco, 12$50 — Relicario, Simão Gouveia 25$00 — O Radium, (Mariote), 1$50 — O Registo de Uma Cocotte, Eugénio Battaglia, 2$50 — Situação Portugueza, David J. G. Magno, 10$00 — Sou um Burguês Terrível, Clement Vautel, 10$00 — Santa Olivia, Campos Monteiro, 7$50 — A Telegrafia Sem Fios, Mariote, 1$50 — Verdade, Francisco Lage e J. Correia, 12$50 — Vinte Cartas de Camilo, José Caldas, 10$00 — Vinte anos nos Bastidores da Política, Eduardo Noronha, 12$50 — Zion, Alfredo Cortez, 10$00 — Lusíadas, edição popular, 2$50, enc. 4$00 — As Pupilas do Snr. Reitor, Julio Diniz, 5$00 — Os Fidalgos da Casa Mourisca, Julio Diniz, 5$00, enc. 7$00 — Gustavo, o Estroina, Paulo de Kock, 5$00 — A Vida de um Rapaz Pobre, 4$00, enc. 6$00 — Poliglota, para aprender o Portuguez, Francez, Inglez e Alemão, 3$00 — O Diccionario Popular da Lingua Portugueza, A. Moreno, 20$00 — Obras completas de Paulo de Kock, 40 vols. diferentes, 2$50, enc. 5$00 — Obras de António Feliciano de Castilho, 50 vols. diferentes, 2$50, enc. 3$00 — Obras de Rebelo da Silva, 35 variedades, 2$50, enc. 3$00 — Obras de Almeida Garrett, 15 vols. diferentes, 2$50 — Bibliotheca do Lar, 25 lindissimos romances dos melhores autores, 5$00 — Colecção de Hoje, 20 vols. diferentes, 7$50 — Grande sortido de livros para crianças.
Colecção nacional, a 1$00:
- Branca-flôr — 2. D. Inez de Castro — 3. Rainha S. Izabel — 4. Padeira de Aljubarrota — 5. Cartas de amor de Soror Mariana — 6. O milagre de Fátima — 7. João de Calais — 8. Touro azul — 9. Aventuras de Bertoldo — 10. Princeza Magalona — 11. Donzela Teodora — 12. Marquez de Pombal — 13. Vasco da Gama — 14. Vida de Cassasseno — 15. Diccionario das flores — 16. Grande Roberto do diabo — 17. Disparates em verso — 18. Pensamentos, provérbios e sentenças — 19. Carlos Magno — 20. Antigas apparicções de N. Senhora, em Fátima — 21. Imperatriz Porcina — 22. Maria da Fonte — 23. O cavalo encantado — 24. Aladino ou a lampada maravilhosa — 25. Casamento de Cremilda — 26. Palácio encantado — 27. Touro branco encantado — 28. Vida da Severa — 29. Oráculo das damas — 30. Princeza sanguinária — 31. Piadas do Bocage — 32. Secretário completo dos amantes — 33. Explicações dos sonhos — 34. Fados e Canções — 35. Aida — 36. Histórias Infantis (em prosa) — 37. Criminosas célebres — Casar é bom — 39. Nero e suas amantes — 40. A Deusa dos Mares — 41. História do Fado.
Fados a $50:
- Fado Bexigueiro — 2. Fado Brejeiro — 3. Fado Hilário — 4. Fado Funebre — 5. Fado Desventura — 6. Fado das Salas — 7. Fado das Noivas — 8. Fado das Torradinhas — 9. Fado da Mariana — 10. Fado da Mouraria — 11. Fado ao Luar — 12. Fado Sonho de Amor — 13. Fado Liró — 14. Fado do negro melro — 15. Fado de S. João — 16. Fado dos Artistas — 17. Fado Além da campa — 18. O Fadista Popular — 19. O Bom Fadista — 20. Fado da Vassourinha.
Histórias diversas (verso) a $50:
- Jardim Infernal — 2. Malícia das mulheres — 3. Barba Azul — 4. João Urso — 5. Menino Deus — 6. Gata Borralheira — 7. João Ninguém — 8. Mercedes e dois amigos — 9. Mariquinhas Padeira — 10. Dois compadres — 11. Bernabé Pisa Mansinho — 12. Bertoldinho — 13. João das Moças — 14. Feiticeiro de Bronze — 15. Adão e Eva — Galego que trocou a mulher por uma porca — 17. Joana d’Arc — 18. Donzela Teodora — 19. Mil e uma noites — 20. Romance duma infeliz — 21. Mártir — 22. Quarenta ladrões — 23. Aventuras do Zé Pardinho — 24. Vicente Marujo — 25. Vida de um militar — 26. Zé Pardal — 27. Cofres de cantigas populares — 28. Tesouro dos cantores e cantadeiras — 29. Príncipe com orelhas de burro — 30. João Soldado — 31. Brilhante Sargento — 32. Filha Maldita — 33. Mártir da honra — 34. Castelo de ouro — 35. Rei das Montanhas — 36. Gato de Botas — 37. Abade em calças pardas — 38. Segredo da Pastora — 39. Bruxas das Rochas Negras — 40. Amores de Laurinha — 41. Amores do Mimi — 42. Manuel e Maria — 43. António Nabica — 44. Anatólio o Pintadinho — 45. Carlos Magno — 46. Imperatriz Porcina.
- Etiquetas BARATEIRA livraria, Livraria Barateira
Indústrias caseiras – Licores – Conhaques Vinhos Licorosos
- Autor do artigo Por canthecan_bfmhxg
- Data do artigo Janeiro 1, 1930
Indústrias caseiras - Licores - Conhaques Vinhos Licorosos
TÍTULO: Indústrias caseiras
SUB TÍTULO: Licores – Conhaques Vinhos Licorosos
AUTOR: Rosa Maria
NOTAS DE AUTORIA: Feminino
PREFÁCIO:
SUPORTE: Impresso
GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia em série
DATA DE PUBLICAÇÃO: circa 1930
DEPÓSITO LEGAL:
EDIÇÃO: 1ª edição
LOCAL: Lisboa
EDITORA: Emprêsa Literária Universal. 15, Rua da Era, 17.
TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR:
ENCADERNAÇÃO: Brochado
FORMATO / DIMENSÕES: 13×19 cm
NÚMERO DE PÁGINAS:
COLECÇÃO: Indústrias Caseiras
ISBN/ISSN:
COLECÇÃO DE:
REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998:
OBSERVAÇÕES:
Arte de Cozinha no Diário Ilustrado – 28 dezembro 1875
- Autor do artigo Por canthecan_bfmhxg
- Data do artigo Dezembro 28, 1875
- Sem comentários em Arte de Cozinha no Diário Ilustrado – 28 dezembro 1875
"Arte de cozinha", anunciado no Diário Ilustrado, Lisboa 28 dezembro 1875 página 4
- Etiquetas ARTE DE COSINHA JOAO DA MATTA book
Arte de Cozinha, Jornal das Damas – abril 1867
- Autor do artigo Por canthecan_bfmhxg
- Data do artigo Abril 1, 1867
- Sem comentários em Arte de Cozinha, Jornal das Damas – abril 1867
Anúncio "Arte de Cozinha" de João da Mata, no Jornal das Damas nº4, de abril de 1867 página 8
1780 Cozinheiro Moderno ou Nova Arte de Cozinha
- Autor do artigo Por canthecan_bfmhxg
- Data do artigo Janeiro 1, 1780
Cozinheiro Moderno ou Nova Arte de Cozinha, Lucas Rigaud - 1780
TÍTULO: O cozinheiro moderno ou Nova Arte de Cozinha
SUB TÍTULO:
AUTOR: Lucas Rigaud
NOTAS DE AUTORIA: Masculino
PREFÁCIO:
SUPORTE: Impresso
GÉNERO BIBLIOGRÁFICO: Monografia
DATA DE PUBLICAÇÃO: 1780
DEPÓSITO LEGAL:
EDIÇÃO: 1ª edição
LOCAL: Lisboa
EDITORA:
TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR: Typografia Lacerdina
ENCADERNAÇÃO:
FORMATO / DIMENSÕES:
NÚMERO DE PÁGINAS:
COLECÇÃO:
ISBN/ISSN:
COLECÇÃO DE: Biblioteca Nacional (de Portugal).
REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998: BN RES. 4085 P.
F. 5663
NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha”: 455
OBSERVAÇÕES: Obra clássica da culinária portuguesa da época barroca, com diversas edições publicadas nos séculos XVIII e XIX:
1ª edição de 1780;
2ª 1785; correcta e emendada – Lisboa: na Off. de Lino da Silva Godinho
3ª 1798; correcta e emendada – Lisboa: na Off. de Simão Thaddeo Ferreira (S.A 25498 P.)
4ª 1807; correcta e emendada – Lisboa: Na Typ. Lacerdina (S.A. 12185 P.)
5ª 1826; correcta e emendada – Lisboa: Na Typ. Lacerdina (S.A. 12481 P.)
6ª 1846.
455
RIGAUD, Lucas
Cozinheiro moderno, ou nova arte de cozinha, onde se ensina pelo methodo mais fácil e mais breve o modo de se prepararem vários manjares […] / dado à luz por Lucas Rigaud. – Lisboa: na Off. Patriarchal de Francisco Luiz Ameno, 1780
BNR ES 4085 P.
F. 5663
Outras ed.:
– 2.ª ed. correcta e emendada. – Lisboa: na Off. de Lino da
Silva Godinho, 1785
– 3.ª ed. correcta e emendada. – Lisboa: na Off. de Simão
Thaddeo Ferreira, 1798 (S.A. 25498 P.)
– 4.ª ed. correcta e emendada. – Lisboa: na Typ. Lacerdina,
1807 (S.A. 12185 P.)
– 5.ª ed. correcta e emendada. – Lisboa: na Typ. Lacerdina,
1826 (S.A. 12481 P.)
Foi o segundo livro de culinária a ser editado em Portugal. De acordo com o próprio autor, “O que me obrigou a dar á luz esta obra, foi ver hum pequeno livro, que corre com o título de Arte de Cozinha [da autoria de Domingos Rodrigues], escrito no idioma Portuguez; o qual he tão defeituoso, que sem lhe notar os erros, e impropriedades em particular, se deve regeitar inteiramente como inutil, e incompativel com os ajustados dictames da mesma Arte”.
A obra de Rigaud actualizou a cozinha portuguesa no século XVIII, retirando o excesso de temperos e inserindo-a num gosto comum a outras cozinhas europeias. Não utilizava o gengibre, cominhos, anis ou açafrão nas suas receitas, advogando que os alimentos deveriam ter o seu gosto “natural”. Em substituição destes temperos usava diferentes ervas, como o manjericão, alecrim, cebolinho, funcho, coentros e trufas brancas. Dada a sua origem francesa, o azeite não consta de nenhuma das suas receitas, sendo a manteiga utilizada em sua substituição.
Inocêncio V, 203. “Lucas Rigaud, estrangeiro, como bem o indica o seu appellido, mas domiciliario por algum tempo em Portugal, onde se declara «um dos Chefes da cosinha de Suas Magestades Fidelissimas», compoz, ou como elle diz, deu á luz a obra seguinte: Cosinheiro moderno, ou nova arte de cosinha, Terceira edição correcta e emendada. Lisboa na Offic. de Simão Thaddeo Ferreira 1798. 8.º de VIII-461 pag. É esta a edição que possuo, e ainda não tive opportunidade de examinar as anteriores. Depois se fizeram mais algumas, e a ultima de que hei noticia é de 1846.»”
in
BiblioAlimentaria
1. Memória gastronómica
Alimentação, Saúde e Sociabilidade à Mesa no acervo bibliográfico da Universidade de Coimbra
Carmen Soares (Coord.)
Imprensa da Universidade de Coimbra
Coimbra University Press
Os dados biográf icos deste cozinheiro são escassos. De provável origem francesa, terá contado com uma larga atividade profissional em várias cortes europeias ao longo de trinta anos, fixando residência em Portugal em data indeterminada e tornando‑se um dos cozinheiros reais de D. José e, após a morte deste, de D. Maria I. Publica em 1780 o seu próprio receituário, intitulado Cozinheiro Moderno.
A par da Arte de Cozinha de Domingos Rodrigues, contra a qual se pretende opor, o Cozinheiro Moderno será igualmente um sucesso de vendas, contando com cinco edições até 1826.
Lucas Rigaud, certamente inspirado por Vincent La Chapelle, ao registar a experiência adquirida ao longo de 30 anos de serviço nas grandes cozinhas europeias (como ele bem faz questão de referir no prólogo “Ao Leitor”), pretende renovar a cozinha aristocrática portuguesa, presa aos grosseiros sabores cristalizados por Domingos Rodrigues, e adaptá‑la à nova filosofia do “bom gosto”, mais equilibrado e suave, onde as especiarias orientais davam lugar às ervas aromáticas finas.
A obra de Rigaud conta com mais de 700 receitas (incluindo conselhos e anotações sobre a qualidade de alguns ingredientes), divididas em 30 capítulos e agrupadas tanto por ingredientes principais como tipos de preparados: carnes vermelhas (capítulos 1 a 7), aves (capítulos 8 ao 14), peixes (capítulos 18 e 19), massas de pastelaria (capítulo 20), ovos (capítulo 21), legumes (capítulo 26), geleias e doces (capítulo 28), qualidades dos legumes e formas de conservar (capítulo 29), frutas (capítulo 30, onde também se incluem receitas de bolos secos e sorvetes) e preparados culinários específicos (capítulos 15 a 17, 22, 24 e 25).
Mais evidente do que na obra de Domingos Rodrigues é o grau de internacionalização e receção de receitas “à moda de” outras nacionalidades, sendo notória a influência da cozinha francesa, tanto de âmbito nacional como regional, bem como de receitas “à Inglesa”, “à Italiana”, “à Alemã” e “à Espanhola” (as mais expressivas). É de registar a inclusão na coletânea de um conjunto de catorze receitas “à Portuguesa”, refletindo a longa permanência do cozinheiro em Portugal e a adoção de receitas que seriam comummente consumidas nas mesas mais abastadas.
A obra de Lucas Rigaud constitui‑se, assim, mais do que como um reflexo das práticas alimentares portugueses durante o século XVIII, como a visão pessoal de um dos cozinheiros reais do que deveria ser a cozinha e o cozinheiro modernos.
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1727 Suplicio dos Doces
- Autor do artigo Por canthecan_bfmhxg
- Data do artigo Janeiro 1, 1727
Suplicio dos doces - 1727
TÍTULO: Suplicio dos doces
SUB TÍTULO:
AUTOR: Silvestre Aranha
NOTAS DE AUTORIA:
PREFÁCIO:
SUPORTE: Manuscrito
GÉNERO BIBLIOGRÁFICO:
DATA DE PUBLICAÇÃO: 1727
DEPÓSITO LEGAL:
EDIÇÃO: 1ª edição
LOCAL:
EDITORA:
TIPOGRAFIA/IMPRESSO POR:
ENCADERNAÇÃO:
FORMATO / DIMENSÕES:
NÚMERO DE PÁGINAS:
COLECÇÃO:
ISBN/ISSN:
COLECÇÃO DE:
REFERÊNCIA BN NÚMERO “Livros Portugueses de Cozinha” edição BN – 1998:
OBSERVAÇÕES:
in
BiblioAlimentaria
1. Memória gastronómica
Alimentação, Saúde e Sociabilidade à Mesa no acervo bibliográfico da Universidade de Coimbra
Carmen Soares (Coord.)
Imprensa da Universidade de Coimbra
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Escrito por um Padre Jesuíta e mestre de teologia, Silvestre Aranha, o texto jocoso copiado em três páginas de um manuscrito em que se reúne matéria muito diversa (o Ms. 120 da BGUC7) constitui um excelente testemunho da literatura composta por autores eclesiásticos, destinada ao entretenimento moralizante e pedagógico de alunos dos colégios de Coimbra. Conforme esclarecem as palavras introdutórias ao traslado do texto, o mesmo foi tornado público em duas aulas do referido mestre, ocorridas a 1 e 15 de março de 1727, no Colégio das Artes, então propriedade da Companhia de Jesus (1555‑1759, ano da expulsão da Ordem de Portugal). Ao padre jesuíta atribuem‑se, nos manuscritos 120 e 336, quatro composições, identificadas com nomes distintos em ambos os lugares. Assim, em Ms.120 dá‑se pelo título de “Banquete contencioso”8, de que a Parte 1 é o “Suplício dos doces”, a Parte 2 “Descrevece de seu nascim.[ento] o Rio Mondego, em methaphora de pessoa humana, Academico Conimbricense”, a Parte 3 “Descripção da Corte dos animaes terrestres”9 e a Parte 4 e última “Descrevece hũ Banquete em forma de Batalha”.
Deste conjunto, interessa particularmente ao nosso tema a Parte I. Na verdade, o “Suplício dos doces” constitui um bom retrato da doçaria que chegava às mesas pelo menos da comunidade docente e discente de estudos pré‑universitários da Coimbra dos inícios do séc. XVIII. O motivo de inspiração é retirado do quotidiano estudantil, onde os doces (muitos preparados nas numerosas casas de religiosas da cidade) são consumidos com um prazer não isento das culpas do luxo e da gula. A metáfora que serviu ao autor para construir uma narrativa em simultâneo satírica e moralizante foi precisamente a do julgamento em tribunal. Os réus são os doces, os juízes pertencem à Academia, os delitos apresentam uma dupla natureza – económica (“as boas pancadas [dadas] na bolsa [dos estudantes]”) e sanitária (“fazia tanto mal à saúde dos Académicos”) – e a sentença traduz‑se na condenação (quase) geral dos “criminosos”.
Do cardápio guloso desse julgamento fazem parte tipologias diversas de doces: bolos secos (pão‑de ‑ló) e fritos (sonhos), frutas (amêndoa, pêssego, abóbora, ameixa, pera, melão, limão e laranja), conservadas em açúcar de maneiras diversas (cobertas, cristalizadas, em calda e de doce – caso da marmelada e da geleia), plantas comestíveis conservadas em açúcar (talos de alface e o tubérculo da escorcioneira), um doce de ovos (os fios de ovos, então conhecidos por “ovos reais”) e outro doce de ancestral tradição medieval, portuguesa e europeia, o manjar branco; doces obtidos de várias formas de preparar o açúcar (caramelo, alfenim, pastilhas). Há igualmente menção, entre os réus, à preparação do açúcar com pétalas ou água de rosas (por isso denominado de “açúcar rosado”), que alega em sua defesa ser sobretudo um doce de utilidade médica, usado na botica como purgante. Chamado à barra do tribunal foi também o grande cúmplice dos criminosos doces: o açúcar. Neste caso a sentença dos juízes foi unânime: ser queimado!
Como se percebe por este último exemplo de pena aplicada aos condenados, o autor tira partido das técnicas de preparação ou de apresentação dos doces para obter o desejado efeito jocoso. Vejamos alguns exemplos: o pão‑de ‑ló apresenta ‑se “todo fofo e com o seo vestido de amarello gemado com cuberta tostada”, não se livrando da condenação capital de “morrer affogado em vinho” (numa alusão ao seu consumo ensopado em vinho); ao caramelo, que em frio solidifica, só se podendo comer chupando (“pedia humildemente [aos juízes] que lhe perduassem atendendo que no Verão passado lhe confiscarão os bens chupando‑lhe tudo quanto tinha”) sentencia‑se a pena correspondente ao método de ser eliminado (“morrer afogado em agua”); o alfenim, uma massa de açúcar repuxada à mão para moldar, graças a essa técnica de confeção, é dos poucos réus não condenados, valendo‑se para tal dessa arte (pois “deo tantas voltas athe que escapou”); os confeitos de açúcar, graças às suas reduzidas dimensões, receberam a indulgência do perdão, precisamente por serem considerados “menores”; sorte inversa tiveram os réus seguintes, os talos de alface, cuja maturidade (“por serem já taludos e espigados”) lhes valeu a condenação10; também a marmelada escapou à condenação, desta feita justifica o autor a divisão dos votos dos juízes em determinarem formas de “execução” que retratam as duas formas em que era vendida: inteira ou aos bocados; o duplo sentido do vocabulário é recurso estilístico agora explorado na metáfora entre comida e política, uma vez que o jesuíta afirma que valeu a salvação da ré marmelada ter “sido de grande utilidade a todos na dieta de Cambray” – usando a palavra “dieta” tanto no sentido de “regime” como de “assembleia”, numa remissão clara
para as recentes negociações europeias do Congresso de Cambrai (1721‑1724)11; livraram‑se igualmente da forca as amêndoas, ainda que tenham visto a sua pena transformada em perpétuo castigo anual, alusivo à tradição estudantil de serem consumidas, pela Páscoa, mais concretamente “em 5ª feira de endoenças”; a condenação dos “pêssegos de Coimbra” foi a “caixa”, numa alusão ao recipiente de madeira em que eram colocados depois de feitos de conserva; numa clara referência ao método de preparo de doces de abóbora, o Autor diz que a pena desse fruto foi ser ralado, punição que em particular penalizou a variedade da gila caiota, “que esteve por hum fio” (clara alusão à morfologia do miolo do fruto); condenadas à clausura conventual (numa evidente menção à sua produção em mosteiros) foram as ameixas (de Santa Clara); nesse mosteiro conimbricense de Clarissas foram também aprisionados “certos pastelinhos”, condenados a serem “feitos em picado” (remissão provável para os pasteis de Santa Clara, de cujo recheio faz parte amêndoa picada).
A lista de réus e penas continua, com as peras condenadas a serem cobertas, com os Doces de Natal (morgados e argolinhas) a tudo fazerem para escaparem a uma sentença pesada e o Maçapão a jurar “pela ostia que não tem culpa” (procurando refúgio naquele que era o suporte sobre o qual se colocava a massa de açúcar e amêndoa, a obreia ou hóstia). Já a escorcioneira vê‑se sentenciada a partirem‑lhe as pernas (numa alusão ao facto de se usar apenas o rizoma da planta para cristalizar, desprezando a ramagem, que, por oposição, corresponderia aos braços). Os limões de conserva vindos do Brasil são remetidos para um cárcere de nome bem apropriado aos réus (o Limoeiro) e as laranjas em calda são condenadas à prática comum do seu consumo (serem cortadas ao meio). A geleia, de flexível consistência, apresenta‑se em tribunal “tremendo”, acabando condenada a ser esmagada com garfos, uma vez que os juízes não foram sensíveis às alegações pretensiosas de uma “escudeyra de meya tigela” (numa alusão ao recipiente que a acondiciona). Os ovos reais, dispostos em fios bem amontoados, não ouviram a sentença que os condenava, precisamente graças a essa apresentação (ou, como se lê no texto: “por serem bem vinculados em capella”). Também a forma em seio do manjar branco é usada pelo autor para potenciar o tom bem‑humorado e, nesta parte, mesmo algo licencioso do seu texto. Embora a sua cor branca pudesse indiciar um certo perigo de desfalecimento em pleno tribunal (“à vista de tanto rigor não desmaiava o manjar branco”), a verdade é que “quando, vio que o sentenciavão e que cada hum lhe comesse huã teta, ficou mamado”. Quanto aos sonhos, a pena proposta pelos juízes evoca o seu método de cozedura (“amiessavão que os havião de fregir”), ao passo que a defesa dos réus se baseia no trocadilho que o nome do doce permite, “provando com evidencia, que todas suas culpas erão sonhos”, o que os livrava de qualquer castigo. Por fim as pastilhas de boca, de que o autor aproveita para brincar com o tamanho (“ninguém fazia dellas cazo por serem ainda muito pequenas”), o aroma (“conhecendo‑as hum seo inimigo pelo cheyro”), as embalagens de acondicionamento (“vendo que alguãs traziam bolças”) e a apresentação multicolor (“chegarão a ouvir as culpas e muitas dellas se fizerão de mil cores”). A sentença proferida contra elas evoca, por sua vez, o uso que tinham em contexto hospitalar as pastilhas doces de cor branca (“porem como erão pessoas muito brancas forão somente degradadas para os hospitais, onde servissem de ajuda as enfermeyras em certas doenças”).
O corolário desta longa lista de doces cabe ao açúcar, extensa passagem em que o autor convoca cinco perspetivas diversas, mas complementares, do produto: a sua condição de planta (“ve‑lo na sua terra sem qualquer galhofa erão canas”), a proveniência além‑mar (“sujeyto de tão perigrinas partes”), a produção industrial (“de engenho bem conhecido”), algumas técnicas de cocção (“por votos unânimes foi queimado”; “tumou ponto de condição tão suave”), a presença na doçaria (“que se fazia de mil manjares para todos”) e o contexto social de consumo (“de genio tão festivo”).
Uma última observação deve ser feita em relação à presença nesta composição jocosa da noção de produtos e culinária ligados aos territórios. Além do património doceiro conimbricense (os pêssegos de Coimbra, as ameixas e os pastelinhos de Santa Clara), regista‑se um outro doce da metrópole (“o cellebrado mellão de Santarém”) e as conservas de limão importadas do principal território ultramarino português produtor de açúcar, o Brasil.
(CS) Carmen Soares
7 O texto foi transcrito e publicado por Dina Sousa, mas a partir de uma outra cópia existente na BGUC (Ms. 555, pp. 442‑445), na obra A doçaria conventual de Coimbra. Colares Editora, Coimbra, 2011, pp. 111‑113. Seguimos essa transcrição. Na BGUC há ainda um outro manuscrito com traslado do texto de Silvestre Aranha, o nº 336, folhas 83‑86.
8 No M s. 336 vem intitulada “Descripçoẽs jocoserias que recitou nas Mesas da Compª. da Universide. de Coimbra o Pe. Sylvestre Aranha no anno de 1727.
9 Pequena alteração do título, no Ms. 336: “Descripçaõ Da Corte e Republica dos animais terrestres”.
10 O aproveitamento dos talos da alface, que geralmente eram desperdiçados no consumo do vegetal em fresco, revela bem como o açúcar permitia, através da transformação em conserva, não só prolongar a “vida” dos produtos alimentares, como tornar consumível um produto eventualmente votado ao desperdício. Já aparece receita de “talos de alface” no Livro de Cozinha da Infanta D. Maria (receita XLVIII, in Arnaut, S. D., Manupella, G. (1967), O “Livro de Cozinha” da Infanta D. Maria de Portugal. Coimbra).
11 Negociações protagonizadas por França, Inglaterra, Países Baixos e Sacro Império Romano‑Germânico, na localidade de Cambrai (norte da França), em que Portugal acabou por não ter presença efetiva, devido à posição neutral que assumiu nos esforços dessa quádrupla aliança para restaurar o equilíbrio das potências territoriais e oceânicas europeias. Esse reequilíbrio passava por refrear o expansionismo de Filipe V de Espanha. Para informação essencial sobre o assunto, consulte‑se a página do Instituto Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros (https://idi.mne.pt/pt/relacoes‑diplomaticas‑de‑portugal/786‑congresso‑de‑cambrai.html ‑consultado em 26 ‑12 ‑2016).